sexta-feira, 10 de maio de 2013

Nhá Chica: virtuosa personagem do Brasil real

Beatificada no dia 4 último, a virtuosa mineira de Baependi se for canonizada  poderá  receber a honra dos altares
 §  Paulo Henrique Chaves (*)

Há certo tempo, passando por Caxambu, tive minha atenção voltada para vários estabelecimentos comerciais com um nome ao mesmo tempo antigo e popular, mas com o charme do Brasil real, do Brasil verdadeiro, bem diferente do Brasil falso apresentado nas novelas.

Satisfazendo minha curiosidade, perguntei ao proprietário da lanchonete Nhá Chica a razão daquele nome. Com a calma do montanhês, falou-me a respeito da personagem, cuja vida transcorreu quase toda ela na cidade de Baependi (MG), a poucos quilômetros de Caxambu.

Mostrou-me um livro que trazia a biografia de Francisca Paula de Jesus Isabel, de autoria de Helena Ferreira Pena. Abriu-o e mostrou-me um soneto dedicado à conhecida e venerada em toda região, Nhá (forma abreviada de Senhora) Chica (de Francisca).

Da lavra do Conselheiro João Pedreira do Couto Ferraz, tais versos, compostos nos idos tempos do Brasil Império (1873), prestam homenagem a Nhá Chica, cujo processo de beatificação foi instaurado no Vaticano, em 1992.
A humilde casa onde residiu Nhá Chica, em Baependi (MG)

Mas, afinal, quem foi Nhá Chica que acaba de ser beatificada? 
Nascida em 1810, em São João del Rei, ainda menina mudou-se com sua mãe para Baependi. Ali, numa modesta casa que ainda se conserva, no cimo de um morro onde se ergue hoje a igreja de Nossa Senhora da Conceição, por ela construída, viveu virtuosamente e morreu em odor de santidade no dia 14 de junho de 1895.

Sua certidão de Batismo fala-nos claramente de sua origem:

“Aos vinte e seis de abril de mil oitocentos e dez, na Capela de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, filial desta Matriz de São João del Rei, de licença, o Reverendo Joaquim José Alves batizou e pôs os santos óleos a FRANCISCA, filha natural de Isabel Maria. Foram padrinhos, Ângelo Alves e Francisco Maria Rodrigues. O coadjutor Manuel Antônio de Castro”.

Com efeito, por uma pintura, na qual ela é retratada e que se conserva na capelinha de sua casa, percebem-se claramente os traços de mestiça, tão frequentes em nosso Brasil real. Como afirmou o Conde Affonso Celso, os negros que vieram para o Brasil mostraram-se dignos de consideração por seus sentimentos afetivos, por sua resignação, coragem e laboriosidade. São dignos, pois, de nossa gratidão.

Segundo sua biógrafa, Nhá Chica era portadora de nobre missão: “Para todos tinha uma palavra de conforto e a promessa de uma oração”. Sua companhia diuturna era uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição ainda hoje venerada na igreja, conhecida na cidade como igreja da Nhá Chica.

Diante da bela imagem esculpida por hábeis mãos de artista em cuja alma vicejava a fé, pude rezar a oração predileta de Nhá Chica, aliás, umas das mais belas preces compostas nos dois mil anos de cristianismo: a Salve Rainha.

Capela edificada por iniciativa de Nhá Chica,
em Baependi, obedecendo ordem
de Nossa Senhora
Um fato narrado por Helena Ferreira Pena descreve o perfil espiritual dessa alma de eleição. Certo dia, Nhá Chica recebeu manifestação da Mãe de Deus mediante a qual pedia que Lhe fizesse uma capela. Como isso requeria muito dinheiro, saiu Nhá Chica pelas vizinhanças em busca de auxílio, que não lhe faltou.

Providenciou logo os adobes. Quando havia certa quantidade pronta desse material de construção, recebeu Nhá Chica ordem de Nossa Senhora para dar início à edificação. Contratou então um oficial de pedreiro que pôs mãos à obra. Encontrando-se os serviços já em certo estágio, o oficial notou que iria faltar material e disse-lhe:

— “Nhá Chica, os adobes não vão chegar! 

— “Nossa Senhora é quem sabe”. Respondeu ela.

O pedreiro continuou o serviço e, ao terminar, não faltou e nem sobrou um só pedaço de adobe.

Fatos como esse se deram ao longo de toda construção até o seu término. Mas Nossa Senhora queria algo mais.

Manifestou a sua serva seu desejo: “Queria um órgão para a igreja”.

Nhá Chica, porém, na sua incultura, não sabia o que era aquilo. Foi consultar o
Órgão adquirido por Nhá Chica
vigário local, Mons. Marcos Pereira Gomes Nogueira, sobre o que era o órgão que Nossa Senhora desejava para a capela.

Segundo vai narrando sua biógrafa, Mons. Marcos lhe disse:

“Órgão é um instrumento até muito bonito que toca nas Igrejas, mas para isso precisa muito dinheiro!”...

— “Mas Nossa Senhora queria. Na Rua São José, casa 73, no Rio de Janeiro, chegou um assim”, disse ela.

Mal Nhá Chica manifestara o desejo de Nossa Senhora, as esmolas começaram a afluir às suas mãos. Foi encarregado da compra o Sr. Francisco Raposa, competente maestro, que partiu para o Rio de Janeiro. O órgão foi despachado até Barra do Piraí (RJ) por via férrea. De lá até Baependi foi levado em carro de boi.

Marcada sua inauguração numa quinta-feira às 15 horas, ela fez tocar o sino, convidando o povo.

Começam a chegar os devotos e a capela ficou lotada. O maestro subiu ao coro e, deslizando suas mãos sobre o teclado, qual não foi a sua surpresa: não se ouviu uma nota sequer! O que teria acontecido?

“Com certeza estragou-se com a viagem em carro de bois, diziam uns. — “Qual! Com certeza venderam coisa velha estragada”, diziam outros.

Nhá Chica chorava... De repente, acalma-se e diz: “Esperem um pouco”. E foi prostrar-se aos pés da Virgem, sua Sinhá.

O povo esperava ansioso. Ela voltou serena e sentenciou:

— “Podeis voltar para suas casas, porque o órgão não tocará hoje, mas amanhã às 15 horas". (Uma sexta-feira, dia da devoção de Nhá Chica). “Nossa Senhora quer que entoem a ladainha”.

E assim se fez. No dia seguinte, novamente o sino soava conclamando os fiéis, que, desta vez, foram em número maior, movidos pela curiosidade.

E às 3 horas da tarde em ponto, o maestro fez ecoar pela primeira vez por toda a igreja, ao som do órgão, a linda melodia da ladainha de Nossa Senhora! As lágrimas desciam dos olhos de Nhá Chica, mas desta vez lágrimas de alegria e felicidade.

Pude ver o órgão, infelizmente em mau estado de conservação, na casinha onde viveu esta personagem muito brasileira, carinhosamente chamada de Nhá Chica. Ele não toca mais.

Caro leitor: se a conselho médico ou para repouso for a Caxambu, não deixe de percorrer os cinco quilômetros até Baependi, para ouvir, no silêncio acolhedor daquela modesta casa, os conselhos que a graça certamente lhe inspirará na alma. E encontrará o único repouso verdadeiro, que é conhecer, amar e servir a Nosso Senhor Jesus Cristo – o Caminho, a Verdade e a Vida.
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(*) Paulo Henrique Chaves é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Coação ambientalista, crime de lesa-pátria?


O Brasil vem sendo o principal alvo da constante pressão ambientalista internacional, tendo sempre a Amazônia nas manchetes. Há dois pesos e duas medidas nesse processo, pois a China, conhecida como a maior poluidora do universo, sintomaticamente é pouco cobrada.

No meio dessa zoeira ambiental, os brasileiros assistem perplexos a esse debate, e sentem medo, pois as trombetas apocalípticas do terrorismo climático não cessam de golpear as suas consciências a cada furacão, a cada tsunami, a cada cheia ou estiagem como vingança da natureza enfurecida.

Já durante a Eco-92, o Apelo de Heidelberg — hoje subscrito por mais de 4.000 cientistas —contestava atitudes irracionais de certos meios científicos, e, ao mesmo tempo, apelava para a absoluta necessidade de ajudar os países pobres a sair de um emaranhado de obrigações irreais que comprometiam suas independências.

Com efeito, o movimento ambientalista nacional e internacional, de orientação neocomunista, engendrou meios para engessar o agronegócio e as obras necessárias ao desenvolvimento nacional. Foram inseridas na legislação ambiental inúmeras proibições, restrições, punições destinadas a imobilizar o nosso progresso agropecuário.

Inexplicavelmente, muito disso passou a constar na legislação do novo Código Florestal, que aparentando beneficiar os brasileiros, na verdade os impede de desenvolver e de aplicar suas imensas potencialidades a fim de alimentar o Brasil e o mundo.

Para bem se inteirar dessa máquina de contrapropaganda de nossa agropecuária, não deixe de ler o livro "Psicose Ambientalista" (*), um verdadeiro best seller, já na terceira edição, de autoria do Príncipe Imperial do Brasil Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

O autor aponta para tantas consequências funestas dessa maquinação que não seria exagero qualificá-la de crime de lesa-pátria.  _________________________________ 
(*) Contato e exemplar de cortesia para jornalistas: 
Marcos Balthazar - São Paulo - (11) 2765-4770 
marbalthazar@gmail.com
Adquira agora mesmo este livro indispensável em sua casa, por meio da Livraria Petrus 


domingo, 28 de abril de 2013

O Papa Francisco e o teste cubano

Havana - No centro da capital cubana reina a pobreza comunista, os prédios estão caindo aos pedaços, os automóveis mais modernos são da década de 50. 

§  Armando Valladares (*)

Francisco, o primeiro pontífice latino-americano, em seu recente discurso ao corpo diplomático destacou a pobreza física e a pobreza espiritual como dois grandes males do século XXI, e se compadeceu do “sofrimento” que suas vítimas enfrentam.

Ao ler esse discurso papal sobre o flagelo da pobreza, não pude deixar de lembrar dos meus irmãos cubanos, pobres entre os mais pobres latino-americanos e caribenhos, vítimas de mais de 50 anos de comunismo. Evoquei tantos lances lamentáveis da diplomacia vaticana para Cuba comunista nas últimas décadas, que de uma maneira ou de outra favoreceram a continuidade da ditadura cubana. E me perguntei com legítima expectativa, enquanto católico cubano, qual será, durante este novo pontificado, a orientação da diplomacia vaticana para a pobre Cuba, a outrora “pérola das Antilhas”? Até o momento, não são muitos os elementos de que se dispõem para levantar uma hipótese sobre o que poderá ocorrer. Trata-se, sem dúvida, do teste cubano.

A expectativa e até a ansiedade dos cubanos sobre os rumos da diplomacia vaticana para Cuba comunista se justifica, porque o drama da ilha-cárcere já se prolonga durante demasiado tempo. Depois da viagem de João Paulo II a Cuba, em 1997, o então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, publicou o livro “Diálogos entre João Paulo II e Fidel Castro” (Ed. Ciudad Argentina, Buenos Aires, 1998), [foto] uma edição que parece estar esgotada, porém que na eventual re-edição poderá dar luz sobre o pensamento de Francisco sobre o problema cubano.

Diversos comentaristas lembraram o papel do arcebispo de Buenos Aires, cardeal Bergoglio, como presidente da comissão de redação do documento da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (CELAM), cujos membros se reuniram no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, Brasil, em 13 de maio de 2007. Francisco teria presenteado tal documento a mandatários recentemente recebidos em audiência pelo novo pontífice, como foi o caso da presidente argentina.

Em maio de 2007, antes dessa reunião da CELAM, tive oportunidade de enviar “minha angustiada interrogação, enquanto católico cubano e ex-preso político nos cárceres comunistas durante 22 anos, a respeito de se esta reunião da CELAM abordará o drama dos católicos cubanos ou se, mais uma vez, optará pelo silêncio”. Também constatava que “o sofrimento espiritual do rebanho católico cubano em relação à atitude complacente dos pastores ante os lobos vermelhos é dilacerante”. E lembrava que durante a reunião do Encontro Nacional Eclesial Cubano (ENEC), o então arcebispo de Santiago de Cuba, monsenhor Pedro Meurice, reconheceu que no começo os fiéis católicos cubanos consideravam os eclesiásticos desse país como membros de “uma Igreja de mártires”, mas que depois, por essa atitude colaboracionista com a ditadura castrista, “dizem que somos uma Igreja de traidores”. Um resumo dessa mensagem aos participantes da CELAM foi divulgado pela Agência Católica de Informações (ACI): (“Ex-preso político pede que drama cubano não passe desapercebido na 5ª Conferência”, ACI, 06 de maio de 2007).
uma mensagem pública aos membros desse organismo, difundido pela imprensa e nas redes sociais, e entregue em mãos à boa parte dos altos eclesiásticos participantes e a seus assessores, no próprio local do evento, em Aparecida. Nessa mensagem, eu expressava

Lamentavelmente, nessa oportunidade, o silêncio da CELAM sobre o tema cubano foi total.

Dois meses depois, os diretores da CELAM partiram para Havana, para participar da 31ª assembleia ordinária da entidade eclesiástica. Apresentava-se outra oportunidade imperdível para que a CELAM rompesse com o muro do silêncio, da indiferença e da vergonha que asfixia meus irmãos cubanos, pobres entre os mais pobres, órfãos espirituais entre os mais órfãos, que sofrem na ilha-cárcere do Caribe.

Antes de começar o encontro eclesiástico em Havana, autoridades da CELAM haviam recebido comoventes cartas, assim como pedidos de ajuda por parte de fiéis católicos, de mães e esposas de presos-políticos, sobre as generalizadas violações de direitos humanos e religiosos aos habitantes da ilha-cárcere. Depois do encontro eclesiástico houve, inclusive, uma reunião de duas horas e meia entre representantes da CELAM e representantes da ditadura cubana. Não obstante, monsenhor Emilio Aranguren, bispo da diocese cubana de Holguín, se apressou a esclarecer que nessa reunião simplesmente “nenhum desses temas foi posto na mesa”, porque se havia conversado unicamente “sobre os temas que eram verdadeiramente importantes para os bispos presentes”.

No inferno cubano, a asfixia e o extermínio espiritual e físico do pobre rebanho, ao que parece não era um tema suficientemente importante. O bom pastor está disposto a dar a vida por suas ovelhas (Cf. São João, 10,10). O que dizer daqueles pastores que deixam suas ovelhas a mercê do lobo, parecendo ignorar o drama dos fiéis católicos cubanos, pobres entre os mais pobres, física e espiritualmente?

Na “ostpolitik” eclesiástica para Cuba, até o momento foram vários os autores. Entre eles, a secretaria de Estado da Santa Sé, bispos católicos cubanos, cardeais e bispos católicos norte-americanos, e cardeais e bispos católicos latino-americanos. Dediquei ao tema dezenas de respeitosos e sinceros artigos, durante os últimos anos.

Nesta ocasião, evoco esses dolorosos fatos eclesiásticos na angustiada, expectante e filial perspectiva de saber como será a orientação da diplomacia da Santa Sé, durante o prontificado de Francisco, com relação a Cuba. Trata-se do teste cubano. A atual conjuntura da Igreja, interna e externa, talvez seja uma das mais dramáticas de sua História. Que em relação ao futuro da ilha, a Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira de Cuba, ilumine a mente, as decisões e os passos dos atuais e mais importantes protagonistas, especialmente, do novo pontífice.
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(*) Armando Valladares, escritor, pintor e poeta. Passou 22 anos nos cárceres políticos de Cuba. É autor do best-seller “Contra toda esperança”, onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU sob as administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalla Presidencial del Ciudadano e o Superior Award do Departamento de Estado. Escreveu inúmeros artigos sobre a colaboração eclesiástica com o comunismo cubano e sobre a “ostpolitik” vaticana para Cuba.  
Dois artigos relacionados, escritos por Armando Valladares: Bento XVI, CELAM e “favela” cubana (30 de abril de 2007) CELAM em Cuba: “diálogo cordial” entre lobos e pastores (27 de julho de 2007) 
Tradução: Graça Salgueiro

quarta-feira, 24 de abril de 2013

As aparências enganam: os carros chineses estão entre os piores

O pequeno comércio chinês tornou-se famoso pela má qualidade de seus produtos; fruto de mão de obra barata e mal remunerada. Que dizer de objetos maiores, por exemplo carros? Que fale o Latin NCAP. Como se diz em algumas partes do Brasil: "por fora bela viola, por dentro pão bolorento". Na foto, o Geely CK (made in China)
§  Leo Daniele

Segundo noticiou Automotive Business, o Programa de Avaliação de Carros Novos para a América Latina, conhecido como Latin NCAP, testou 28 modelos de carros vendidos no Brasil. Os carros chineses JAC J3 e Geely CK [foto] foram julgados os maios inseguros. “Os produtos chineses confirmaram assim sua reconhecida fama de péssima qualidade, da qual misteriosamente pouco se fala na grande mídia” (Luis Dufaur).

Mas por que essa péssima qualidade? Há alguma explicação para isso?

O novo líder do Partido Comunista chinês, Xi Jinping, já ressaltou repetidas vezes a necessidade de combater a corrupção e proibiu demonstrações de extravagância dentro do partido e do Exército.

Aqui está a solução do enigma. Para os comunistas, qualidade é uma extravagância: ela gera a desigualdade, e a desigualdade para eles é o mal supremo. Até Confucio foi atacado por eles, por ter apoiado a burguesia!

Antigamente, o jogo internacional era a China fazer o papel de dragão feroz, e a Rússia de urso sorridente, embora com todos os crimes lesa humanidade que cometeu nem sempre o conseguisse. Hoje, para muitos, o país de Mao Tsé-Tung se converteu em um país ”normal” como os outros, e mais ainda, amante de bugigangas e de vendas no varejo, por exemplo na animada rua 25 de março, em São Paulo.

Comprar produtos chineses ou de qualquer país livre para muitos é a mesma coisa, exceto do ponto de vista da baixa qualidade, ferrete de que os amarelos não conseguem se livrar.

O cúmulo de certa hipocrisia mostrou suas aparências para mim em Boston. Entrei numa loja de artigos religiosos e o impossível aconteceu: encontrei escapulários de Nossa Senhora do Carmo “made in China” à venda, e ainda os possuo até hoje. Posso mostrá-los a quem duvidar. Isso ao mesmo tempo em que persegue os cristãos, e repele como herética a sociedade de classes. O dragão amarelo sabe perfeitamente usar de duplicidade quando lhe convém.

Esse país foi muito amado por São Francisco Xavier e pelos missionários católicos que lá ainda hoje são martirizados. Ele é digno de nossa estima teórica, abstração total feita da gangue que lá se instalou e de se ter submetido aos princípios de Marx e Lenin, mas na prática…

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Psicose Ambientalista — Entrevista com Dom Bertrand de Orleans e Bragança

Em sessão de autógrafos, Dom Bertrand concede dedicatória em seu livro Psicose Ambientalista
A propósito de seu recente livro Psicose Ambientalista, a Agência Boa Imprensa (ABIM) entrevistou o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança [foto] para quem os adeptos do aquecimento global vêm promovendo um verdadeiro ecoterrorismo publicitário quanto à questão climática.

Fundamentado em cientistas de renome, Dom Bertrand discorre sobre a impossibilidade da ação do homem influenciar o clima, ao mesmo tempo em que acena para a existência de uma ideologia subjacente nessa defesa exagerada da natureza: a do comunismo, agora camuflado de verde. O egrégio autor vai além e chega a falar de uma nova "religião", a qual pretende justificar uma sociedade igualitária e neotribal, lastreada num misto de pseudociência com filosofias arcaicas e pagãs.

ABIMEm seu livro Psicose Ambientalista consta que o aquecimento global não é decorrente da influência humana e aponta a existência de um ecoterrorismo a propósito do clima. O que Dom Bertrand quer dizer com isto? 

Dom Bertrand – Num dos capítulos mostrei como os ambientalistas sectários — “vermelhos” que ficaram “verdes” — utilizam as armas da intimidação e da fraude para atingir seus objetivos. Aliás, nem fazem questão de escondê-lo. Para eles, qualquer meio para conduzir as pessoas aos seus fins é bom. Na ótica comunista, “verdade” é tudo o que favorece a causa comunista. Para esses “ambientalistas”, não há dificuldade em passar por cima da ciência que afirma ser o aquecimento global uma farsa.

Como o importante é a implantação de um igualitarismo ecologista radical numa sociedade neotribal, tanto pior para a verdade e para a ciência.

ABIM – Dom Bertrand poderia dar um exemplo de que isso ocorre?

Dom Bertrand – Cito duas declarações de ecologistas radicais:

1) “A História nos ensina que a humanidade só evolui significativamente quando ela sente medo verdadeiramente. Assim conseguiremos criar as bases de um verdadeiro governo mundial, mais rápido do que impelidos por simples razões econômicas” (Jacques Attali, ex-conselheiro presidencial socialista francês).

2) “Não tem importância se nossa ciência toda é falsa, há benefícios ambientais colaterais. A mudança climática fornece a maior chance para impor a justiça e a igualdade no mundo” (Christine S. Stewart, ex-ministra do Meio Ambiente do Canadá).

ABIM – Dom Bertrand crê na existência de agentes por trás das ONGs criadoras desse ambientalismo exacerbado? 

Dom Bertrand – As duas declarações citadas deixam muito claras as intenções de um governo mundial “para impor a justiça e a igualdade” conforme a concepção deles.

ABIM – Mas há divergências entre os cientistas nessa questão…

Dom Bertrand – O renomado cientista brasileiro, o Prof. José Carlos Almeida de Azevedo, Doutor em Física pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), aponta não haver proporção entre a ação humana e a da natureza. O homem não tem possibilidade de mudar o clima.

Como se pode achar que o homem influencie a natureza diante de tudo que está aí há milhões de anos? A natureza está aí dessa maneira, e deve continuar ainda do mesmo jeito por muitos milhões de anos.

ABIM – Parece estar ocorrendo um aumento significativo na intensidade e na quantidade de fenômenos da natureza. Como não ver nisto uma ação da depredação humana?

Dom Bertrand – Como bem mostra o Professor Luis Carlos Molion, certamente uma das maiores autoridades brasileiras em matéria climática, não se pode confundir intensidade dos fenômenos meteorológicos com vulnerabilidade da sociedade, que aumenta com o crescimento populacional.

A sociedade tende a se aglomerar em grandes cidades, tornando mais catastrófico atualmente um fenômeno com a mesma intensidade de outro que houve no passado. O furacão mais mortífero nos Estados Unidos ocorreu em 1900, ceifando a vida de mais de 10 mil pessoas. Nessa época, a densidade populacional local era muito menor que a de hoje, e o mesmo furacão provavelmente teria agora efeito muito mais devastador.

ABIM – É certo que existe gente mal intencionada, mas não haverá também os bem intencionados querendo proteger a natureza?

Dom Bertrand – É preciso distinguir o verdadeiro ambientalismo daquele sectário. No sentido ordenado e bom, o ambientalismo consiste na preservação da natureza a fim de propiciar uma vida saudável das plantas, dos animais e especialmente dos homens. Já na criação, Deus dispôs a natureza para servir ao homem. As plantas e os animais, ao se reproduzirem, servirão de alimento para o homem.

Mas Deus estabeleceu como punição pelo pecado de Adão o trabalho penoso: “Os meus eleitos comerão eles mesmos o fruto do trabalho de suas mãos”. A natureza tornou-se hostil, e precisou ser dominada pelas habilidades e talentos do homem.

ABIM – Onde entra a "religião" nessa questão ambientalista?

Dom Bertrand – Na verdade, foi a Igreja Católica que converteu e civilizou os povos bárbaros, ensinando-os a cultivar o solo e preservar a natureza, com sabedoria e desejo de perfeição. Quanto às novas propostas de defesa da natureza apresentadas hoje pelos meios de comunicação, por líderes mundiais e organismos internacionais, infelizmente, por trás de grande parte dessa defesa se oculta uma ideologia, ou mesmo uma nova religião que pretende justificar uma sociedade igualitária e neotribal, lastreada num misto de pseudociência com filosofias arcaicas e pagãs.

ABIM – O Príncipe não pensa que se deixarmos fazendeiros, industriais ou quem quer que seja à vontade, eles não destroçariam a natureza?

Dom Bertrand – O homem do campo é o maior interessado na sustentabilidade do seu negócio, e em sã consciência não deseja o prejuízo de ter o seu campo transformado em deserto. Isso, aliás, é o que se deve lamentar e coibir nos assentamentos de Reforma Agrária, onde a terra é de ninguém e os assentados em geral fazem uma devastação e deixam a terra arrasada. Mas a atenção dos ambientalistas — que se volta com indisfarçável animosidade para os agropecuaristas que trabalham, produzem e assim promovem o nosso desenvolvimento — é omissa sobre a ação deplorável dos assentados.

ABIM – Como convencer o grande público dessa tese?

Dom Bertrand – Assim como não se monta uma fábrica para ser abandonada no ano seguinte, não se cultiva um campo para abandoná-lo em seguida. A atividade agropecuária, como toda atividade econômica, só pode ser concebida se for sustentável. Agricultura sustentável é quase um pleonasmo. As mãos que semeiam sãos as mesmas que cuidam. Graças ao esforço dos ruralistas e à descoberta de novas técnicas, foi possível transformar o Brasil no segundo maior exportador de grãos do mundo. Essa realidade é omitida pela propaganda ambientalista, que continua espalhando falsidades. O papel da preservação ambiental pela agricultura é enorme. Ela é capaz de apresentar soluções para conservação da água e da biodiversidade. Além de alimentos e fibras, ela garante uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo.

ABIM – O que Dom Bertrand pensa sobre o crédito de carbono? 

Dom Bertrand – Esse é o outro mito do ambientalismo. O CO2 não produz poluição nem o falso efeito estufa. O CO2 é o gás da vida. Ele é um gás natural responsável pelo crescimento das plantas. Se eliminarmos o CO2 da atmosfera, a vida cessaria na Terra. Conforme o Prof. Molion o principal gás de efeito estufa — se é que esse efeito existe — é o vapor d’água. Em alguns lugares e ocasiões sua concentração chega a ser 100 vezes superior à do CO2. Este, por sua vez, é um gás natural. Em certo sentido, mais até que o oxigênio, ele é o gás da vida.

Na hipótese altamente improvável de eliminarmos o CO2 da atmosfera, a vida cessaria na Terra. O homem e os outros animais alimentam-se das plantas, não produzindo eles próprios os alimentos que consomem. São as plantas que o fazem, por meio da fotossíntese, absorvendo CO2 e produzindo amidos, açúcares e fibras e, como subproduto, o oxigênio que respiramos. Outros gases, como metano e óxidos de nitrogênio, estão presentes em concentrações muito baixas, que não causam problemas.
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Psicose Ambientalista – Os bastidores do ecoterrorismo para implantar uma “religião” ecológica, igualitária e anticristã. Formato 16 x 23 cm – 176 paginas – R$.23,90 – Editora Instituto Plinio Corrêa de Oliveira – divulgação Editora Petrus. Contatos com o autor: Dom Bertrand de Orleans e Bragança: dom.bertrand@paznocampo.org.br 

Fonte para jornalistas, contato e informações: Marcos Balthazar – 11-2765-4770 
marbalthazar@gmail.com Vendas: www.livrariapetrus.com.br ou nas principais livrarias. Release do livro - http://psicoseambientalista.blogspot.com.br

terça-feira, 9 de abril de 2013

As “quase favelas rurais” do Ministro Gilberto Carvalho

Apesar de tardio, foi contundente o reconhecimento por Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República e elemento de ligação com os movimentos sociais, de que os assentamentos de trabalhadores sem-terra criados pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) se transformaram em “quase favelas rurais”. Criada pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira há mais de 30 anos, a expressão “favela rural” tem sido amplamente utilizada para descrever a realidade da Reforma Agrária. Só que o crescimento da referida “favela” foi tão desmesurado, que hoje ninguém pode escondê-lo. E o “quase” do ministro deixa transparecer sua vergonha pela constatação. (Cfr: “O Estado de São Paulo”, 18-2-13)
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Agência Boa Imprensa (ABIM)

Exército chinês comanda ciberataques contra o Ocidente

Segundo relatório da Mandiant, empresa de segurança em Internet, uma unidade do Exército chinês (EPL) praticou grande número de ataques informáticos contra empresas e organismos estatais nos EUA, no Canadá e no Reino Unido. O relatório esclarece que “o governo chinês está bem informado disso”. A Mandiant apontou como autora dos ataques a Unidade 61398 do EPL, sediada em Xangai e integrada por milhares de soldados que dominam o inglês, técnicas de programação e gestão de redes. O relatório acrescenta que “desde 2006, centenas de terabytes de dados de um vasto conjunto de indústrias” foram atacados. Hong Lei, porta-voz do ministério de Relações Exteriores chinês, tentou desqualificar a denúncia como “crítica arbitraria, baseada em dados rudimentares, irresponsável, e não-profissional. A China se opõe categoricamente à pirataria” – garantiu Lei aos jornalistas, que precisaram conter o riso... Acrescentou que a China “é grande vítima dos ciberataques”, que proviriam “em primeiro lugar dos EUA”. Ou seja, a potência comunista continuará atacando o Ocidente...
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Agência Boa Imprensa (ABIM)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A gorjeta


 § Leo Daniele 

Quem não sabe apreciar as pequenas coisas da vida, está fechado para as grandes. Talvez por isso, que eu saiba, até hoje não surgiu uma sociologia da gorjeta.

Vem à mente uma cadeira um pouco alta sobre um estrado, em que o cliente sobe com um pequeno esforço, para que a posição das mãos dos engraxates, sentados sob a altura de seus pés, esteja na posição adequada. “Quer um jornal?” O servidor oferece-o para ser lido durante a singela ação que vai executar.

São homens que geralmente se esmeram em ser atenciosos. Um socialista diria que a cena é uma imagem da desigualdade social que existe no Brasil. Mas os rapazes nem sabem o que é isso, e se soubessem não se incomodariam. Bah! Os intelectuais!

Se o engraxate é um velho profissional, depois de uma limpeza rápida e de algumas providências prévias, ele toma duas escovas, uma em cada mão. E numa fúria frenética, mas ao mesmo calma (um paradoxo), bem humorada e pacífica, dá lustro aos dois calçados. As escovas sobem e descem simultaneamente, em alta velocidade.

Depois, com uma flanela, e a mesma celeridade, vem a hora de dar brilho: os sapatos estão reluzentes e luzidios. Ele finalmente começa a retirar os anteparos que tinha colocado nos lados dos calçados, para preservar as meias do freguês. É sinal de que a “engraxagem” terminou, e chegou a hora de pagar.

— Quanto é? O freguês paga justo e deixa um pouco mais. É a gorjeta. Até logo! Até a próxima! Felicidades, doutor (é sempre presumido que é doutor).

Vejo com simpatia esta cena certamente do passado mas estritamente contemporânea nossa; de hoje, mas que lembra coisas de antanho. Deveria ser objeto de uma sociologia dos fatos pequenos mas palpitantes da vida, pois a gorjeta não é um pagamento, mas uma concessão. Enquanto concessão, ela exprime confiança, gratidão e reconhecimento de quem concede e de quem recebe. Nela reside um sentimento de ordem social, segundo o qual cada um se afeiçoa às desigualdades, que não esmagam, mas se auxiliam e se completam. É o Brasil real, o Brasil brasileiro que no silêncio da mídia e na ausência das atenções, vai dando lições de uma felicidade sem prazer, pouco planejada, nada planificada, nunca inteiramente impessoal, mas autêntica, tranquila, despretensiosa, que passa quase desapercebida. Episódios como este hoje em poucos países se veem.

Há meninos que, como primeira obra de carpintaria da vida, fazem uma tosca caixa para lustrar sapatos e ganhar uns trocadinhos. Tempos atrás havia um número bem maior desses simpáticos adolescentes, nas ruas e praças do Brasil, mas ainda existem.

Dentro de uma “engraxagem”, a gorjeta é uma nota harmônica ou cacofônica? Diria alguém que é uma estridência pois, onde entra o “vil metal”, as coisas desafinam. Mas numa cena quase familiar como a descrita, a gorjeta cabe naturalmente. Ela acentua a nota de desigualdade gentil, respeitosa e, como diz Plinio Corrêa de Oliveira, musical. Uma maneira honesta de ganhar a vida. A gorjeta aproxima as classes sociais. Não quer dizer que não possa haver abusos de parte a parte, mas isso é bem outro assunto. O abuso não exclui o uso, e este uso de si é aperfeiçoante dos trabalhos.

Há muitos tipos de serviço que postulam uma gratificação: hotéis, taxis, postos de gasolina, etc. Num restaurante, as gorjetas, são de duas modalidades: as espontâneas e as compulsórias, sendo estas incluídas na nota. Falemos das espontâneas, as dadas diretamente pelos clientes aos garçons. Se o serviço não agradou, não há por que gratificar largamente. Mas se a gorjeta foi boa, é um elogio ao serviçal. É um estímulo à perfeição. Há uma discreta relação de personalidades entre ambos.

As gratificações “azeitam” as desigualdades, e nesse sentido, pode-se até falar em “função social da gorjeta”. É um fator pequeno, minúsculo, insignificante até, mas, que dizer? Não é em torno de minúcias não planificadas, orgânicas, familiares, honestas, cristãs como esta, que se pode consumar ou não, o bem estar da civilização?

A essas atividades se aplica, à merveille, um magnífico comentário de Dr. Plinio: “Cada pessoa deve ser ela mesma. Cada um deve respeitar a personalidade do outro, sentir as afinidades e sentir as diferenças [...] a cortesia é o laço cheio de respeito, de distinção, de afeto, que prende pessoas diferentes, e as coloca numa relação como as notas de uma música entre si”.[*]
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[*] À Procura de Almas com Alma, excertos do pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira, Edições Brasil de Amanhã, São Paulo, 1998, p. 201.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Nem a natureza ficou insensível

No Sepulcro vazio, o anjo avisa às santas mulheres que Cristo Ressuscitou.
Obra de Fra Angélico (1387 - 1455)

·        Pe. David Francisquini (*)
Enquanto ainda não desponta para nós, o sol, que nunca deixa de iluminar a Terra, se vela em outros confins. As trevas da noite que cobrem a pessoa adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seus discípulos estão prestes a se dissipar. A Páscoa se aproxima.

Ao contemplar e refletir sobre tão sublime mistério da Ressurreição, podemos imaginar a noite escura que de repente passa a brilhar com toda intensidade, para simbolizar o maior milagre da divindade de Cristo: o Filho de Deus que se encarnou, padeceu e morreu, agora ressuscita, após vencer a morte, o demônio e o pecado.

Com a Ressurreição, um novo dia raia para a humanidade. Inicia-se para os apóstolos e os discípulos o período da evangelização, que redundaria séculos mais tarde na civilização cristã: “Ide por toda parte e pregai o Evangelho. Aquele que crer e for batizado será salvo, o que não crer será condenado. Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Os Santos Evangelhos narram que pelo fim da noite de sábado saíra Maria Madalena em companhia de outra Maria para visitar o sepulcro, e eis que se deu um grande terremoto. O Anjo do Senhor desceu do Céu e, chegando ao túmulo, afastou a pedra e sentou-se em cima dela. Seu aspecto era como o de um relâmpago, e sua veste, branca como a neve.

O grande terremoto que se desencadeara com um estrondo à semelhança de canhão homenageava e anunciava o grande Rei que ressurgiu dos mortos. Diante do que presenciavam, os guardas se sentiram aterrados, e o anjo disse às mulheres: “Não vos amedronteis: sei que procurais a Jesus que foi crucificado. Não está aqui, pois ressuscitou como havia dito. Vinde e vede o lugar onde fora deitado o Senhor". (Mat. 28, 1-7).

O Criador de todas as coisas não jaz mais na sepultura. Diante do esplendor do arauto celeste, a natureza estremeceu. E os inimigos de Cristo, que rondavam em torno do Sepulcro, ficaram apavorados, desmaiando uns e fugindo outros.

Segundo São Beda, do princípio do mundo até aquele momento em que Cristo ressuscitou, o dia começava a ser contado na véspera. Isto era para indicar que os homens passaram do dia para a noite, pois, com o pecado original, a luz do paraíso terrestre havia desaparecido.

Com a Ressurreição, o mundo  envolto até então nas trevas do pecado e na sombra da morte  retornou à luz da vida e começou a brilhar com intensidade, pois as trevas do paganismo tinham acabado de ser vencidas pelo grande Redentor.

Desaparece assim o sábado, passando Cristo a iluminar o mundo com o novo dia do Senhor, enquanto a sua Igreja resplandece para substituir a obscurecida sinagoga, isto é, o Antigo Testamento. A aliança de Deus com os homens estava restabelecida.
Quando Jesus Cristo expirou na Cruz, a natureza não ficou insensível nem indiferente, pelo contrário, convulsionou-se. O mesmo se deu no momento de sua gloriosa Ressurreição. Ficou assim assinalado que a natureza divina e humana de Cristo manifestou extraordinário exemplo de grandeza, poder e humildade.

O poder da Ressurreição vence a morte, espanta as trevas e suplanta o poder de satanás. O terremoto indica que os corações dos homens se comovem pela fé na paixão e morte do Salvador e nos incita a fazer penitência pelos nossos pecados, a fim de nos enchermos de um santo e salutar pavor, que é o início da sabedoria.

Ao ressuscitar, Cristo e Senhor Nosso destrói o véu da morte que O envolvia, fazendo com que o Céu e a Terra se voltem a relacionar. O Anjo do Senhor manifesta o brilho da claridade, da clarividência e da felicidade, pois Cristo Salvador ressuscitou dos mortos.

Ao ver o anjo descer do Céu, retirar a grande pedra que estava à entrada da sepultura e sentar-se em cima dela, os inimigos do Salvador estremeceram de pavor e medo. Como será então quando Ele voltar à Terra para julgar os vivos e os mortos? Os elementos da natureza seguramente não ficarão insensíveis...
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ

terça-feira, 26 de março de 2013

A Paixão de Cristo revive na Paixão da Igreja




§   Plinio Corrêa de Oliveira (*)

A evidência dos fatos deixa patente que a partir do Concílio Vaticano II [foto abaixo] penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a “fumaça de Satanás” de que falou Paulo VI, a qual se foi dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gases. Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição, a que aludiu aquele mesmo Pontífice, em Alocução de 7 de dezembro de 1968.

A História narra os inúmeros dramas que a Santa Igreja Católica Apostólica Romana sofreu nos vinte séculos de sua existência. Oposições que germinaram fora d’Ela, e de fora mesmo tentaram destruí-la. Tumores formados dentro d’Ela, extirpados, contudo, pela própria Esposa de Cristo, mas que, já então de fora para dentro, tentaram destruí-la com ferocidade.

Quando, porém, viu a História, antes de nossos dias, uma tentativa de demolição da Igreja, já não mais articulada por um adversário, mas qualificada de como que autodemolição em altíssimo pronunciamento de repercussão mundial?

A atitude normal de um católico vendo a Igreja, sua Mãe, passar por essa crise deve ser antes de tudo de profunda tristeza, porque é lamentável que isso seja assim. É um perigo para incontáveis almas que a Igreja seja afligida por tal crise. E, por essa razão, pode-se ter a certeza de que quando Nosso Senhor, do alto da cruz, viu todos os pecados que haveriam de ser cometidos contra a obra da Redenção que Ele consumava de modo tão profundamente doloroso, sofreu enormemente em vista de tal gênero de pecados, cometidos em nossos dias.

E, evidentemente, todos esses pecados produziram sofrimentos verdadeiramente
inenarráveis no Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, que pulsava de dor no peito da Santíssima Virgem enquanto Ela estava de pé junto à Cruz.

Considerando quanto Nosso Senhor e sua Santíssima Mãe sofreram por causa do que agora está se passando, é impossível não se ficar consternado, muito mais do que em qualquer Sexta-Feira Santa anterior, porque talvez este seja um dos pontos mais agudos da Paixão, e que se mostra em toda a sua hediondez nas atuais circunstâncias da vida da Igreja.


O homem contemporâneo é um adorador do prazer, do gáudio, da diversão, e tem horror ao sofrimento.

Ora, está-se aqui em presença de um padecimento agudíssimo. Pode-se compreender, pois, embora tal atitude não seja justificável, a posição de tantas almas que evitam pensar nisso e considerar a fundo o que está se passando para não sofrer em união com Nosso Senhor esta situação trágica, como trágica foi a Paixão.

Em face do drama em que se encontra a Santa Igreja, muitas almas procuram, então, assumir uma posição de indiferença, parecida com a de numerosos contemporâneos de Nosso Senhor, que acreditavam que Ele era Homem-Deus. Mas que, vendo-O passar durante a Via Sacra, em vez de se compadecer por seus lancinantes sofrimentos, achavam melhor não considerá-los, e pensar em outras coisas.

E eis a prova: Nosso Senhor pregou maravilhas e fez milagres portentosos que devem ter impressionado pelo menos uma parte considerável do povo que O cercava. Não seria concebível que essa parte, santamente impressionada, tenha se mantido numa atitude tão quieta, inerte, diante do que se passava. E que a única pessoa que fez algo em prol do Redentor, durante a parte inicial da Via Sacra, tenha sido a Verônica com o seu véu, no qual ficou estampada, depois, a face sagrada do Salvador. Verdadeiramente, mais ninguém a não ser ela tomou tal atitude.

As santas mulheres e Nossa Senhora juntaram-se mais adiante a Nosso Senhor e foram até o alto do Calvário. A Virgem Santíssima está acima de todo elogio. As santas mulheres, que A acompanharam, merecem um elogio que participa do louvor a que Nossa Senhora fez jus. Mas, fora disso, inércia.

Por ocasião da Semana Santa, o que mais se deve pedir a Nossa Senhora, é que Ela nos liberte desse estado de espírito, de tal mentalidade.

Se nosso Redentor está sofrendo, devo querer padecer aquilo que O atormenta. E sofrerei isso meditando nas dores d’Ele. Esse é o meu dever, dada a união que Ele condescendeu misericordiosamente em estabelecer entre Si mesmo e mim. E o que não for isso não pode deixar de ser qualificado senão de abominável.

Os dias em que vivemos são de gravidade, de tristeza, mas na última fímbria do horizonte aparece uma alegria incomparavelmente maior do que qualquer gáudio terreno: a promessa de um sol que nascerá — o Reino de Maria, anunciado no ano de 1917 por Nossa Senhora em Fátima.

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(*) Artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, distribuído à imprensa em 25-2-1994.

sábado, 23 de março de 2013

O fiat que nos abriu as portas do Céu

Anunciação do arcanjo São Gabriel a Nossa Senhora — Pintura do monge Filippo Lippi (1450) discípulo de Fra Angélico


Meditação sobre o mistério da Anunciação, festividade comemorada pela Igreja no dia 25 de março 

 §   Gregorio Vivanco Lopes

De repente, no Céu, um alegre e sacral alvoroço entre os anjos. Deus lhes revelara que os tempos estavam completos e o momento de a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnar-se e habitar entre os homens chegara. Um anjo seria enviado à Virgem de Nazaré para anunciar-lhe sua maternidade divina. Qual dos anjos? Quem teria essa honra? A expectativa era grande.

Deus outrora havia enviado o Arcanjo Gabriel em missão junto ao Profeta Daniel, a fim de comunicar-lhe a famosa profecia sobre as setenta semanas de anos que decorreriam até a vinda do Salvador. (Dn 8 e 9)

Chegado o momento do cumprimento dessa profecia, Deus quis que o mesmo Gabriel, que séculos antes a anunciara a Daniel, fosse o portador da boa nova.

O arcanjo São Gabriel
Pintura de Fra Angélico
Todos os anjos do Céu se regozijaram pela escolha de Gabriel; ele, por sua vez, prostrou-se ante a Divina Majestade para receber as palavras que deveria comunicar à Virgem Imaculada.

Para preparar o caminho, Gabriel foi previamente enviado como embaixador junto ao sacerdote Zacarias, a fim de lhe transmitir que ele seria o pai do Precursor, João Batista.

Afinal, chegado o momento aprazado desde toda a eternidade, Gabriel desceu dos Céus para realizar sua sublime missão nesta Terra, que seria a grande alegria para os filhos de Eva.

Numa abençoada casa da pequena cidade de Nazaré, na Galileia, a Virgem rezava, toda absorta em Deus. Ela terminara os afazeres da casa enquanto José, seu castíssimo esposo, como Ela da real estirpe de David, saíra para comprar nas cercanias algum material necessário à execução de seus trabalhos. E agora meditava.

Gabriel aproximou-se d’Ela, mas não ousou revelar logo sua presença. Durante algum tempo ele a contemplou incógnito e enlevado, vendo nela a própria expressão da inocência, da pureza e da mais alta santidade. Ele estava extasiado, como que fora de si, pois nem no Céu encontrara algum anjo que se pudesse comparar àquela obra prima da natureza e da graça: em sublimidade, em elevação de espírito, em virtude, em dons de Deus. Sua excelsitude ultrapassava em muito a capacidade de compreensão de Gabriel, mas o enchia totalmente de gozo celestial e de admiração.

Por fim, como era preciso cumprir a vontade divina, ele se fez ver. Mas o seu entusiasmo era tal, que antes mesmo de comunicar à Virgem, cujo nome era Maria, a finalidade de sua embaixada, prorrompeu do mais fundo de seu espírito uma exclamação de júbilo e admiração: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”.

Que saudação será esta? — perguntava-se a Virgem. Toda sua vida fora voltada para o amor e o serviço de Deus, sem qualquer incorreção ou vacilação. Não encontrando em si nenhuma falta nem a mais leve imperfeição, reconhecia, entretanto, seu nada diante de Deus. Não é d’Ele que nos vêm todos os bens? Assim sendo, o que significavam aquelas palavras tão elogiosas vindas de um anjo? A que vinha ele? “Discorria pensativa que saudação seria esta”.

Confundido diante da profunda humildade da Virgem, o Arcanjo procurou tranquilizá-la, antes de comunicar-lhe o fim de sua embaixada: “Não temas Maria, pois achaste graça diante de Deus”.

E, em seguida, descobriu-lhe o objeto de sua missão: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”.

Após ouvir aquelas palavras com reverente atenção, Maria expôs ao Anjo uma perplexidade: “Como se fará isso, pois não conheço varão?”. 

Não apenas Ela havia feito um voto de virgindade perpétua, mas a união de alma que Deus consentia em ter com Ela era de tal profundidade que não admitia qualquer partilha. Ela era a imaculada. Deus lhe havia dito uma palavra interior, mediante a qual Ela compreendera que sua castidade era eterna e só para Deus: “Como o lírio entre os espinhos, assim é minha amiga entre as donzelas. Meu amado é para mim e eu sou para ele. Toda formosa és, amiga minha, e em ti não há mácula. És um jardim fechado, minha irmã, minha esposa, uma nascente fechada, uma fonte selada” (Cânticos, 2 e 4).

Tal exclusividade de Deus na posse de sua alma e de seu corpo constituía para Ela uma evidência sem réplica, a respeito da qual não tinha qualquer dúvida ou vacilação. Mas nela tampouco havia qualquer hesitação sobre a veracidade da mensagem do anjo, pois reconhecia nele um mensageiro de Deus.

Então, calmamente, sem qualquer perturbação ou desassossego, sabendo de antemão que para Deus nada é impossível, colocou o problema, cônscia de que diante de duas realidades incompatíveis vindas do Altíssimo deveria existir uma solução maravilhosa que Ela desconhecia.

E a resposta de Gabriel não se fez esperar, sublime e superando todas as soluções humanas: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus”.

Ao ouvir tal mensagem, Maria lembrou-se da profecia de Isaias: “o mesmo Senhor vos dará este sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco”(Is 7,14).

Só então Ela deu seu consentimento: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós no seio da Virgem Maria.
Anunciação, 
por Fra Angélico (1387-1455). 
Obra que se encontra exposta 
no Museu do Prado em Madrid 


Mas era necessário esse consentimento? Tal era a magnitude do dom que Deus lhe fazia, que aparentemente não seria preciso qualquer aprovação por parte d’Ela. Se alguém dá a outrem um tesouro estupendo, não precisa perguntar-lhe se o aceita.

Não é verdade! Deus respeita absolutamente a liberdade de cada um. Mesmo quando Ele cumula alguém de graças, condiciona seus efeitos à aceitação da pessoa. É por isso que existe o mérito e a culpa. Quando se aceita a bondade de Deus, pratica-se um ato meritório. Quando se recusa, faz-se um ato culposo.

De modo que a aceitação por parte de Maria do dom divino foi altamente meritória. E o bem infinito que daí decorreu para todos nós, com a Redenção, efetivamente dependeu do fiat (faça-se) d’Ela. Assim, depois de Deus, a Ela devemos a possibilidade que nos foi aberta de salvarmos nossas almas e irmos para o Céu, até então fechado aos homens pela culpa de Adão.

Dessa forma, o mistério da Anunciação deve suscitar em nós não apenas um merecido louvor ao infinito poder de Deus e uma admiração sem limites pela Virgem Mãe, mas também um hino de ação de graças a Maria Santíssima por ter aceitado que n’Ela se realizasse o mistério sublime do qual todos nós somos grandemente beneficiários.

“Por Ela Jesus Cristo veio a nós, e por Ela devemos ir a Ele”, concluímos com São Luiz Grignion de Montfort.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O BOFE DA IGREJA

Segundo Leonardo Boff, a Igreja deveria ser destituída de todo poder. Seria uma "igreja ecológica" (sic) e que vivesse "fora dos palácios e dos símbolos do poder" 
Paulo Roberto Campos

No último post tratamos de quanto é contrária à da Igreja Católica a visão de Frei Beto (A concepção de Frei Beto sobre a Igreja é diametralmente oposta à Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo). No mesmo sentido, recebi ontem um artigo de outro “teólogo” da libertação. Trata-se de Leonardo Bof, cujo sobrenome — como fiz em relação ao pseudônimo de Frei Beto  grafo com um só “f”, pois ambos são miserabilistas e contrários ao supérfluo, devendo, portanto, ser “simples” em tudo... 


Leonardo Boff 
e sua atual companheira
Aliás, Bof também deveria, em razão da “pobreza” e da “simplicidade” que defende, desapegar-se do prenome “Leonardo”, pois este é seu nome religioso, ao qual só tinha direito enquanto foi franciscano. Desde que abandonou sua Ordem religiosa, em 1992, e juntou-se à madame aí do lado, voltou de fato a ser o Genézio Boff constante de seu registro civil. 

Mas, voltando ao mencionado artigo, trata-se de uma matéria do Sr. Genézio Bof para o “Jornal do Brasil (on-line), do dia 17 último, intitulada “O papa Francisco chamado a restaurar a Igreja”. Nela não transparece a humildade franciscana — a cujo chamado ele voltou as costas —, mas sim a pretensão de querer dar lições de “Teologia da Libertação” ao próprio Papa. Imaginem só! Vejamos um trecho do artigo:
“Francisco não é um nome. É um projeto de Igreja, pobre, simples, evangélica e destituída de todo o poder. É uma Igreja que anda pelos caminhos, junto com os últimos; que cria as primeiras comunidades de irmãos que rezam o breviário debaixo de árvores junto com os passarinhos. É uma Igreja ecológica (sic) que chama a todos os seres com a doce palavra de ‘irmãos e irmãs’. Francisco se mostrou obediente à Igreja dos papas e, ao mesmo tempo, seguiu seu próprio caminho com o evangelho da pobreza na mão. Escreveu o então teólogo Joseph Ratzinger: ‘O não de São Francisco àquele tipo imperial de Igreja não poderia ser mais radical, é o que chamaríamos de protesto profético’ (em “Zeit Jesu”, Herder 1970, 269). Ele não fala, simplesmente inaugura o novo. Creio que o papa Francisco tem em mente uma Igreja assim, fora dos palácios e dos símbolos do poder”.
Ao ler tal sofisma, uma “bofada”, recordei-me de Joãozinho Trinta. Lembram-se? Com muito conhecimento de causa, o carnavalesco afirmara em 1978: “O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria e intelectual”. É por isso que se vê no carnaval o povo vestido de príncipes, princesas, reis e rainhas, com seus coloridos mantos e coroas douradas. 


Por isso também é que se costuma dizer que “a Igreja é o palácio dos pobres”. O povo gosta de pompa e circunstância, de esplendor, de coisas maravilhosas que lembrem o Céu, de belas e ricas cerimônias religiosas como as de antigamente, que faziam superlotar praças e igrejas — hoje esvaziadas por causa das pregações da doutrina miserabilista da “Teologia da Libertação”.

E por que o povo gosta de tudo isso? Simplesmente porque, conforme disse Tertuliano, “a alma humana é naturalmente cristã”, feita à imagem e semelhança de Deus, que é Soberano Todo-Poderoso, Senhor do Céu e da Terra, dos Anjos e dos Homens. 

A fim de nos mostrar a verdadeira doutrina católica, segundo a qual não existe contradição entre as grandezas esplendorosas da Igreja e o autêntico espírito de pobreza — refutando assim o sofisma do Sr. Genézio Bof —, recorro novamente ao líder católico brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira, de quem reproduzo uma matéria publicada na revista Catolicismo em dezembro/1958. Mais de meio século depois, a mesma se mostra hoje mais atual do que nunca.


Pobreza e fausto: extremos harmônicos no firmamento da Igreja 


Plinio Corrêa de Oliveira (*) 


Um aspecto da Santa Igreja 

Numa cela cheia de penumbra, ante um crucifixo que relembra a morte mais dolorosa que jamais houve, um monge cartuxo [foto] folheia um devocionário. Revestido de um simples e pobre burel, com uma longa barba, esse Religioso parece a personificação de todos os elementos que impregnam o ambiente que o rodeia: gravidade extrema, resolução varonil de só viver para o que é profundo, verdadeiro, eterno, nobre simplicidade, espírito de renúncia a tudo quanto é da Terra, pobreza material enfim, iluminada pelos reflexos sobrenaturais da mais alta riqueza espiritual. 


Outro aspecto da Santa Igreja 

Na imensa nave central da Basílica de São Pedro, movimenta-se majestoso o cortejo papal. Na fotografia, percebe-se apenas uma parte dele, isto é, alguns Cardeais e os dignitários eclesiásticos e leigos que precedem imediatamente a sedia gestatória. Nesta, o Sumo Pontífice, ladeado dos famosos flabelli e seguido da Guarda Nobre. Ao fundo, ergue-se o Altar da Confissão, com suas elegantíssimas colunas e seu esplêndido dossel. E bem mais atrás a célebre Glória de Bernini. As altas paredes recobertas de mármores admiráveis e adornadas de relevos, os arcos a um tempo leves e imensos, as luzes que resplandecem como se fossem estrelas ou fulgidíssimos brilhantes, tudo enfim se reveste de uma grandeza, de uma riqueza que é bem o supra-sumo do que a Terra pode apresentar de mais belo. É a maior pompa de que o homem seja capaz, realçada pela magnificência da arte e pelo esplendor dos recursos naturais da pedra. 
*     *     *
O que em um quadro é gravidade recolhida, no outro é glória irradiante. O que em um é pobreza, no outro é fausto. O que em um é simplicidade, no outro é requinte. O que em um é renúncia às criaturas, no outro é a superabundância das mais esplêndidas dentre elas. Contradição? É o que muitos diriam: pode-se, então, amar a um tempo a riqueza e a pobreza, a simplicidade e a pompa, a ostentação e o recolhimento? Pode-se a um tempo louvar o abandono de todas as coisas da Terra, e a reunião de todas elas para a constituição de um quadro em que reluzem os mais altos valores terrenos?


O problema é muito atual, no momento em que Sua Santidade o Papa João XXIII se mostra tão edificantemente zeloso das esplêndidas tradições vaticanas, com manifesto desconcerto de elementos que têm uma mentalidade à Aneurin Bevan (o líder trabalhista que foi paladino na luta contra todas as pompas, e assistiu de costas a uma parte da cerimônia de coroação da Rainha Elizabeth II).


Não, entre uma e outra ordem de valores não 
existe contradição, senão na mente dos igualitários, servos da Revolução. Pelo contrário, a Igreja se mostra santa, precisamente porque com igual perfeição, com a mesma sobrenatural genialidade, sabe organizar e estimular a prática das virtudes que esplendem na vida obscura do Monge, e das que refulgem no cerimonial sublime do Papado. Mais ainda. Uma coisa se equilibra com a outra. Quase poderíamos dizer que um extremo (no sentido bom da palavra) compensa a outro e com ele se concilia.


O fundo doutrinário no qual estes dois santos extremos se encontram e se harmonizam é muito claro. Deus Nosso Senhor deu-nos as criaturas, a fim de que estas nos sirvam para chegarmos até Ele. Assim, cumpre que a cultura e a arte, inspiradas pela Fé, ponham em evidência todas as belezas da criação irracional e os esplendores de talento e virtude da alma humana. É o que se chama cultura e civilização cristã. Com isto, os homens se formam na verdade e na beleza, no amor da sublimidade, da hierarquia e da ordem que no universo espelham a perfeição d’Aquele que o fez. E assim as criaturas servem, de fato, para a nossa salvação e a glória divina. Mas, de outro lado, elas são contingentes, passageiras; só Deus é absoluto e eterno. Cumpre lembrá-lo. E por isto é bom afastar-se dos seres criados, para no desprezo de todos eles pensar só no Senhor. 


Do segundo modo, considerando tudo o que as criaturas são, se sobe até Deus; e do outro modo, se vai até Ele considerando o que elas não são. A Igreja convida seus filhos a irem por uma e outra via simultaneamente, pelo espetáculo sublime de suas pompas, e pela consideração das admiráveis renúncias que só Ela sabe inspirar e fazer realizar efetivamente. 

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(*) Catolicismo, Nº 96 – Dezembro/1958.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A concepção de Frei Beto sobre a Igreja é diametralmente oposta à Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo

Acima à esquerda, uma igreja bem ao estilo "Teologia da Libertação", igualitária e tribalista, contrasta com o esplendor da Basílica de São Pedro em Roma
Paulo Roberto Campos
Começo prestando uma homenagem a Frei Beto. Por ser partidário da teoria do gênero, talvez ele não goste da palavra homenagem, derivada de homem. Seja como for, homenageio-o grafando seu pseudônimo com apenas um “t”, atendendo assim aos ditames de sua mentalidade miserabilista, contrária ao supérfluo... 

Em seu recente artigo “Os desafios para o novo Papa” (“O Globo”, 6-3-13), logo de início o controvertido “teólogo” da libertação faz uma declaração muito apropriada para quem desejasse a destruição da Santa Igreja como Nosso Senhor Jesus Cristo A estabeleceu, ou seja, uma instituição sacral e hierárquica. 

Escreve o irrequieto frade dominicano, tão simpático ao regime ditatorial cubano que há mais de 50 anos subjuga e escraviza — não por um “governo colegiado”, mas através de um “chefe de Estado supremo e absoluto”, Fidel ou Raúl Castro — todo um povo: 
“Quais os grandes desafios a serem enfrentados pelo novo Papa? Primeiro, implementar as decisões do Concílio Vaticano II, ocorrido há 50 anos! Isso significa mexer na estrutura piramidal da Igreja, flexibilizar o absolutismo papal, instaurar um governo colegiado. Seria saudável que o Vaticano deixasse de ser um Estado e, o Papa, chefe de Estado, e fossem suprimidas as nunciaturas, suas representações diplomáticas. A Santa Sé precisa confiar nas conferências episcopais, como a CNBB, que representam os bispos de cada país.” 
Como se nota, o progressista Frei Beto desejaria “democratizar” a Igreja — cuja última consequência seria a abolição do Papado — substituindo a autoridade monárquica do Sucessor de São Pedro por um “colegiado” — uma espécie de grupo religioso pentecostalista atuando à maneira de deputados, com direitos igualitários, dentro da Igreja. 

Em seu célebre livro Revolução e Contra-Revolução, Plinio Corrêa de Oliveira refuta a crítica destrutiva do frade dominicano, explicitando o objetivo demolidor da corrente de eclesiásticos da esquerda dita católica. Eis o que no mencionado livro (Parte III, Cap. III) o autor escreve quando trata do que denomina IV Revolução, um movimento destinado a empurrar a sociedade civilizada para uma vida tribal: 

Tribalismo eclesiástico — Pentecostalismo 
“Falemos da esfera espiritual. Bem entendido também a IV Revolução quer reduzir ao tribalismo. E o modo de o fazer já se pode bem notar nas correntes de teólogos e canonistas que visam transformar a nobre e óssea rigidez da estrutura eclesiástica, como Nosso Senhor Jesus Cristo a instituiu e 20 séculos de vida religiosa a modelaram magnificamente, num tecido cartilaginoso, mole e amorfo, de dioceses e paróquias sem circunscrições territoriais definidas, de grupos religiosos em que a firme autoridade canônica vai sendo substituída gradualmente pelo ascendente dos “profetas” mais ou menos pentecostalistas, congêneres, eles mesmos, dos pajés do estruturalo-tribalismo, com cujas figuras acabarão por se confundir. Como também com a tribo-célula estruturalista se confundirá, necessariamente, a paróquia ou a diocese progressista-pentecostalista. 

'Desmonarquização' das autoridades eclesiásticas 
“Nesta perspectiva, que tem algo de histórico e de conjetural, certas modificações de si alheias a esse processo poderiam ser vistas como passos de transição entre o status quo pré-conciliar e o extremo oposto aqui indicado. Por exemplo, a tendência ao colegiado como modo de ser obrigatório de todo poder dentro da Igreja e como expressão de certa ‘desmonarquização’ da autoridade eclesiástica, a qual ipso facto ficaria, em cada grau, muito mais condicionada do que antes ao escalão imediatamente inferior. 

“Tudo isto, levado às suas extremas consequências, poderia tender à instauração estável e universal, dentro da Igreja, do sufrágio popular que em outros tempos foi por Ela adotado, às vezes para preencher certos cargos hierárquicos; e, num último lance, poderia chegar, no quadro sonhado pelos tribalistas, a uma indefensável dependência de toda a Hierarquia em relação ao laicato, suposto porta-voz necessário da vontade de Deus. 'Da vontade de Deus', sim, que esse mesmo laicato tribalista conheceria através das revelações 'místicas' de algum bruxo, guru pentecostalista ou feiticeiro; de modo que, obedecendo ao laicato, a Hierarquia supostamente cumpriria sua missão de obedecer à vontade do próprio Deus”.
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Como vemos, Frei Beto procura em seu artigo indicar ao novo Papa o (des)caminho a seguir: dessacralizar a Igreja e transformá-la numa entidade igualitária e tribalista ao “estilo” do miserabilismo cubano. Enfim, uma igreja bem de acordo com a “Teologia da Libertação” do ex-frei Bof (deixo aqui, também a ele, minha homenagem...) e em nada conforme ao estabelecido por Nosso Senhor Jesus Cristo para a Santa Igreja, Católica, Apostólica, Romana.