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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Por que Deus censurou Caim?


Pe. David Francisquini (*) 

Porque possui alma imortal o homem é dotado de inteligência e vontade. Enquanto a razão tem por objeto próprio a verdade, e não o erro e a mentira, a vontade deve visar o bem. Por sua vez, os sentimentos devem acatar os ditames de uma e de outra.

Pautar a conduta humana por sua faculdade sentimental e romântica seria negar a sua racionalidade, pois é através da razão que o homem regula seus sentimentos e emoções. Deus censurou Caim ao lhe dizer que ele possuía as rédeas nas mãos para dominar seus instintos animais.

Enquanto os irracionais são dotados de forças instintivas e cegas que os impulsionam à natural procura de seu bem, o homem, para nortear sua conduta, precisa das faculdades da inteligência e da vontade, além da regra moral consubstanciada nos Dez Mandamentos da Lei de Deus. 

Através da inteligência, o homem conhece as realidades visíveis e mesmo as invisíveis, e iluminado pela fé pode conhecer realidades mais altas, como as verdades reveladas por Deus segundo as Escrituras e a Tradição e transmitidas pelo Magistério multissecular da Santa Igreja Católica Romana.

Com efeito, não há antagonismo entre fé e inteligência. Tentar explicar as Escrituras por meio do progresso e da cultura humana, como fazem os modernistas, constitui doutrina condenada por São Pio X na encíclica Pascendi, bem como por outros papas.

Ensina-nos Pio IX que em matéria de religião a ciência não pode dominar ou prescrever o que se deve crer e aceitar, e nem tampouco perscrutar os mistérios de Deus, e sim lhes prestar reverente, piedosa e humilde homenagem.

Em nome do avanço da ciência, a revolução cultural moderna preconiza e defende, entre muitos males, o aborto, a eutanásia, a sodomia, a prostituição, o divórcio, as uniões de fato, a abolição do celibato sacerdotal. É claro que tal revolução visa destruir os valores religiosos e morais que ainda pautam a vida social e política.

As barreiras que infelizmente ela vem destruindo são tantas, que religiosos de peso passaram a defender uma piedade sentimental em relação àqueles que levam uma vida em desacordo com a moral. Costumam alegar que tais males surgiram como reação ao rigorismo doutrinário e moral da Igreja.

Na realidade, precisamos distinguir bem a misericórdia para com o pecador que deseja abandonar o vício da aceitação sistemática e metódica de leis contrárias à fé e à moral. Para os modernistas nada é imutável, portanto a Igreja precisa adaptar-se à realidade hodierna sem negar seus erros e vícios.

Como não poderia deixar de ser, esse procedimento de autoridades eclesiásticas vem causando a perda da fé de incontáveis fieis. Pois necessitando a fé de explicitação — na alma de cada fiel há pontos relativos à Igreja, ao dogma e aos Livros sagrados —, os progressistas tomam a iniciativa de construir uma doutrina própria que procuram enquadrar racionalmente às suas conveniências.

Espero em breve dar continuidade ao tema de hoje. Até lá.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Elevando os bichos, rebaixando os homens


Gregorio Vivanco Lopes (*)

Possuir animais domésticos e tratá-los bem é um costume imemorial, sobretudo em se tratando de cães. E é claro que não se deve submetê-los a sofrimentos sem razão proporcionada. Ninguém defende isso.

Contudo, uma moda induzida e irracional tem levado muita gente a colocar os animais num patamar superior ao dos humanos, o que é extravasar de todo bom senso e chega a ser pecaminoso, pois contraria a hierarquia estabelecida por Deus na Criação.

A Sagrada Escritura é muito clara a esse respeito. Deus disse ao primeiro casal: “Enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gen. 1,28).

Ademais, o Catecismo da Igreja Católica, promulgado por João Paulo II, determina: “Deus confiou os animais ao governo daquele que foi criado à Sua imagem [o homem]. É, portanto, legítimo servimo-nos dos animais para a alimentação e para a confecção do vestuário. Podemos domesticá-los para que sirvam o homem nos seus trabalhos e lazeres. As experiências médicas e científicas em animais são práticas moralmente admissíveis desde que não ultrapassem os limites do razoável e contribuam para curar ou poupar vidas humanas” (2417).
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Sem embargo disso, o infausto projeto de Código Penal, que está sendo
analisado no Senado, chega a impor penas maiores ao abandono de um animal do que ao abandono de uma criança. — Loucura? — Desvario? Muito mais. Faz parte do processo de rebaixamento da natureza humana, atualmente em curso.

Os desatinos desse projeto estão levantando protestos e dificultando sua aprovação imediata (esperamos que seja rejeitado). Contudo, cá e lá começam a aparecer projetos parciais na mesma direção, o que mostra um estranho desígnio de levar à frente certas matérias absurdas.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou há pouco um projeto que estabelece incríveis punições para os homens no trato destes com cães e gatos. As penas são severas.

Assim, quem matar um cão ou um gato vai para a cadeia pelo prazo de cinco a oito anos. E o regime é de reclusão, o mais fechado, reservado para crimes graves, em que o criminoso não tem possibilidade de abrandamento num futuro próximo. É inimaginável alguém purgar oito anos atrás das grades porque matou um gato! Mas há mais.

Se a pessoa matou o animal para evitar contágio de alguma doença transmissível aos humanos, precisa provar de modo “irrefutável” que não havia tratamento possível para o animal. Se não conseguir fazer essa prova, sua pena aumenta para seis a dez anos. O mesmo acréscimo de pena se aplica se o canino ou felino for morto com veneno ou algum meio cruel.

Mas não é só matar; também se deixar de prestar assistência ou socorro ao cão ou ao gato que corre perigo grave e iminente nas vias e nos logradouros públicos, bem como nas propriedades privadas, corresponderá uma pena de dois a quatro anos de detenção. Se abandonar o bicho, três a cinco anos de detenção.

Tampouco se poderá deixar o animal amarrado com um cordão ou corrente para que não fuja de casa nem ataque ninguém: detenção de um a três anos.

É preciso ainda dar uma alimentação cuidadosa ao bicho, pois expor a saúde do cão ou gato equivale a uma detenção de dois a quatro anos.

Se o agente for o proprietário ou o responsável pelo bicho, todas essas penas serão aplicadas em dobro: 16 anos de cadeia porque matou um gato!
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Essa equiparação, ou mesmo superação, do animal em relação ao homem constitui um rebaixamento irracional e inconcebível da natureza humana, pois Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Rebaixá-lo dessa forma é profanar a imagem de Deus, é ofender o Criador. Quem gostaria que a imagem do próprio pai fosse rebaixada ao nível de um cachorro? Esta ofensa ao Criador é uma das razões das lágrimas de Nossa Senhora!
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(*) Gregorio Vivanco Lopes é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

quarta-feira, 6 de março de 2013

O neoterrorismo feminista


Heitor Buchaul 
Analisando a Historia, podemos constatar que as táticas revolucionárias variam de acordo com os espíritos e o momento histórico. No século XX, eram comuns — principalmente na America Latina — grupos guerrilheiros como as FARC, que pregavam a luta armada para a conquista do poder. No século XXI ainda vemos ações violentas como as das próprias FARC e a dos terroristas islâmicos que praticaram o famoso ataque contra as torres gêmeas em Nova York.

Mas agora, mesclado com esses atos que se tornaram um pouco antiquados, podemos constatar um neoterrorismo, que atua no campo da moral, repleto de blasfêmias e de vilipêndio religioso.

Exemplo disso são as ações perpetradas por um grupo feminista ucraniano denominado FEMEN, que usando mulheres seminuas promove atos de extrema agressividade contra os defensores da religião, da família tradicional, da vida e do direito natural.

Neste contexto, foi com horror que milhares de pessoas no mundo acompanharam a noticia de que no 12 de fevereiro, oito dessas feministas entraram na Catedral de Notre-Dame de Paris [foto acima] para comemorar o que chamavam de “a partida de Bento XVI”, postando-se junto aos novos sinos que serão instalados na Catedral.

Golpeando os sinos com pedaços de madeira, como demônios, elas gritavam: “Papa nunca mais”; “acabem com a homofobia”; “nos homossexuais está a verdade”. Escandalizado, o público reagiu com indignação contra essa profanação em lugar sagrado.

Recentemente, este mesmo grupo realizou uma ação semelhante na Praça de São Pedro, em Roma [foto à esq.] , no momento em que Bento XVI recitava o Angelus.

O referido movimento pretende formar o que chama de “soldados” de um novo feminismo. Sua presidente declarou: “Abrimos o primeiro Centro de treinamento internacional para feministas, que se transformarão em soldados [...] a França tem muitas associações feministas clássicas, mas nada que represente o Novo Feminismo, que é o sextremismo do terrorismo pacifico”.

Voltemos nosso olhar para o passado, quando no início do século XX as primeiras feministas protestavam ousadamente, reivindicando sua participação na política, nos diversos setores empregatícios, etc. Tendo conseguido tudo isso, as “descendentes intelectuais” delas mostram hoje sua verdadeira face. E unidas ao movimento homossexual, evidenciam em palavras e atos seu ódio contra tudo quanto é orgânico, belo, puro e ordenado.

Porém, este tipo de protesto evidencia algo muito interessante: o grande mar que vem dividindo a sociedade em nossos tempos, que são justamente os temas morais e religiosos. Depois de toda a revolução cultural começada nos anos 60 do século XX, são as gerações mais novas que portam as bandeiras mais conservadoras. Para constatá-lo, basta lançar um olhar nos movimentos anti-aborto espalhados por todo o mundo, nas manifestações contra o “casamento” homossexual na França, etc.

Foi assim que nas comemorações em 2008 da revolução da Sorbonne de Maio de 68, um desanimado “soixante-huitard” (geração do movimento de Maio de 68) parafraseou no site do “Le Nouvel Observateur”, semanário socialista francês, o famoso slogan “Corra, camarada, que o mundo velho está atrás de você” — “Pare de correr, camarada! O mundo velho te superou numa virada à direita”. Observou com fino espírito o semanário.

Essa virada à direita num movimento totalmente espontâneo faz com que os revolucionários se amedrontem e o surgimento de grupos como as FEMEN indignem ainda mais a opinião pública. Enquanto os governos fazem vistas grossas, qualificando como direito à “liberdade de expressão” essas ações verdadeiramente antifamília e cristofóbicas praticadas por estrangeiras, os defensores dos valores perenes que durante séculos guiaram a civilização cristã são constantemente atacados na imprensa como extremista, integristas, etc.

Porém a marcha vitoriosa rumo à restauração plena da Cristandade já não pode ser alterada nem contida. E com nossas orações confiantes unidas à luta ordeira e pacífica requerida pelas circunstâncias, fazemos eco à promessa de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim meu Imaculado Coração triunfara!”.
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(*) Heitor Buchaul é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Revolução gramsciniana: novo conceito de família


Heitor Buchaul  (*)

O famigerado teórico comunista italiano Antônio Gramsci (1891-1937) desenvolveu o conceito de que a tomada do poder deveria ser precedida por uma mudança na mentalidade das pessoas.

Com essa nova visão, os intelectuais passam a ser os combatentes, o ensino se torna a arma mais importante, e a escola se transforma no campo de batalha.

Para Gramsci, as massas deveriam livrar-se dos “preconceitos e tabus” que faziam parte da visão do mundo da classe dominante.

Não é preciso ser um grande intelectual ou um sociólogo para concluir que, a partir de uma análise da situação atual, o ensino vem se tornado cada vez mais gramsciniano. Exemplo disso são as cartilhas de educação sexual difundidas em diversos países, bem como a questão do gênero, segundo a qual as crianças de ambos os sexos devem ter entre si um tratamento indefinido e igualitário livre de todo paradigma, e possam escolher livremente a própria sexualidade e o modo de vivê-la.

É interessante analisarmos nesse contexto a crítica feita pela atual ministra dos direitos das mulheres e porta-voz do governo francês, Najat Vallaud-Belkacem, de origem marroquina, sobre os manuais escolares: "Hoje, esses manuais ignoram obstinadamente a orientação LGBT (lésbicas, gays, bi e trans) de figuras históricas ou autores, mesmo quando essa orientação explica uma grande parte de seu trabalho, como no caso de Rimbaud [...] seria útil para as famílias homoparentais serem representadas nas campanhas de comunicação do governo em geral, a fim de banalizar esse fato, tornando-o mais popular." 

A ministra sabe bem que defender isso no seu país de origem ou nos demais países islâmicos é simplesmente impensável. E que é este um dos pontos pelos quais os muçulmanos caçoam do Ocidente e ameaçam conquistá-lo, pois nele todas as aberrações não são apenas permitidas, mas são punidos aqueles que ousam agir em sentido contrário...

A ministra promete recorrer à Missão Interministerial de Vigilância e Luta Antisectária (Miviludes) “para pôr fim a estes verdadeiros abusos que são as ‘terapias de transição’”. Essas terapias, que podem evitar que pessoas com tendência homossexual caiam no abismo moral.[1]

Por fim, ela acrescenta: “A França sustentará o discurso político pela despenalização universal da homossexualidade e vamos colocar nosso aparelho diplomático em movimento para exigir uma resolução das Nações Unidas neste sentido. Vou trabalhar em nível europeu para que a União Europeia adote medidas e orientações contra a homofobia”.

Este discurso da ministra reflete o pensamento dos pretensos defensores da democracia e da liberdade, para os quais uma pessoa não tem o direito de tentar reverter a sua tendência desordenada, mas o Estado, sim, tem o dever de empregar sua máquina para mudar a maneira de pensar dos cidadãos, forçando-os a aceitar o novo tipo de “família” que se quer implantar. São palavras dignas daqueles mesmos revolucionários que, para derrubar o trono e o altar, gritavam: “igualdade, liberdade, fraternidade ou morte”, porém transpostas para o século XXI, onde o objetivo é liquidar de vez com a instituição da família através de um incentivo constante às relações estéreis e antinaturais.

A isso muito se presta a teoria gramsciniana, que propõe através do ensino mudar as concepções e mentalidades tradicionais, criando novas gerações totalmente vulneráveis aos erros revolucionários e prontas para realizar o velho sonho dos inimigos de Deus, ou seja, a destruição da própria Humanidade.
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[1] O que causa indignação à ministra, talvez indignasse também o ex-presidente da mesma Miviludes, que está ameaçado pela Justiça com prisão por caluniar leviana e gravemente a Sociedade Francesa de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP).

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(*) Heitor Buchaul é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)