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terça-feira, 14 de junho de 2011

A visão de um eurocético sobre a “Desunião Européia”


Heitor Abdalla Buchaul (*)

No dia 31 de maio último, a sede da Federação Pro Europa Christiana recebeu em Bruxelas o deputado europeu Nigel Farage [foto abaixo]. Conhecido por seu discurso polêmico, o parlamentar britânico é líder do partido independente UKIP e presidente do Grupo “Europa pela Liberdade e Democracia”, no Parlamento Europeu.

Farage vem denunciando a verdadeira mudança nas concepções do que foi a base para a formação da União Européia: “Nossa raiva não é contra a Europa. É contra a nossa classe política. Foram eles que nos trouxeram para uma união política sem nunca terem clarificado as suas intenções. Naquilo que foi vendido à geração dos meus pais, a união era um mercado interno, era apenas comércio, e a nossa soberania não seria posta em causa. Mudou tudo rapidamente e nunca nos pronunciamos sobre isso”.

A apresentação do conferencista foi feita pelo Duque Paul von Oldenburg, que salientou o apreço de Nigel Farage pela Europa com toda a sua diversidade de tradições e a preocupação de a União Européia se transformar numa “segunda edição da União Soviética”.

O deputado ataca amiúde o falseamento da democracia na União Européia, pois na verdade uma Comissão não eleita é responsável por mais de 75% das leis: “A união esvaziou o Conselho da Europa. Mas note as diferenças do processo: de um lado, no Conselho, os governos, diretamente responsáveis perante os eleitores, podem tomar decisões de forma cooperante; do outro lado, temos governos que abdicam de determinados poderes e os delegam a terceiros, não eleitos, que produzem legislação que depois chega aos Estados. É a cooperação versus assimilação, dois conceitos absolutamente diferentes”.

Na opinião de Farage, os políticos europeus são uma classe profissional formada por pessoas “que nunca tiveram emprego: nunca foram soldados, nem homens de negócios, nem sequer jornalistas; são um grupo de universitários esquerdistas que começam a fazer investigação nas instituições europeias e acabam em carreiras políticas. Francamente, não são muito mais que parasitas”.

Por ser tão politicamente incorreto o conferencista é chamado de “populista” pelos seus detratores, ao que ele responde: “Martin Schultz, líder dos socialistas europeus, depois do ‘não’ irlandês disse que a Europa não deveria ceder ao ‘populismo’. Para Schultz, representante de um grupo tão poderoso na Europa, a palavra ‘democracia’ e a vontade natural passaram a ser sinônimo de ‘populismo’”.

O público presente à conferência ficou muito entusiasmado, prolongando-a com interessantes perguntas. Como é tradição, foi servido depois um cocktail, durante o qual os convidados conversaram longamente sobre o futuro da Europa.
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(*) Heitor Abdalla Buchaul é colaborar da ABIM

sábado, 28 de maio de 2011

China falsificou em grande escala moedas de euro alemãs

A China aplicou golpe multimilionário na Alemanha, reaproveitando ilegalmente toneladas de moedas retiradas de circulação pelo Bundesbank – o Banco Central alemão. As moedas de 1 e 2 euros, semelhantes às de 1 real, tinham apenas seus anéis externos separados da parte interior. A sucata era vendida à China para reciclagem, de modo “ecologicamente correto”. Mas na China as moedas eram remontadas, reenviadas à Alemanha e trocadas por notas no próprio Bundesbank! Entre 2007 e 2010, esse “negócio da China” teria causado um prejuízo de pelo menos 20 milhões de euros. Falsificar moeda é um delito que existe desde que existe moeda. Porém, as falsificações chinesas correspondem a uma política geral, comercial e econômica, que seria inviável sem a ingenuidade — ou cumplicidade — ocidental.
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Agência Boa Imprensa

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Fraqueza da família é sinal claro de totalitarismo


Gabriel J. Wilson

Na família “aprendemos que o verdadeiro papel do Estado é de estar ao serviço dos cidadãos e não de reinventar a humanidade segundo pressupostos ideológicos artificiais: o primeiro e o mais evidente sinal de que o totalitarismo se aproxima é o afundamento da família”, afirmou a deputada Anna Záborská [foto], representante da Eslováquia no Parlamento Europeu de Estrasburgo, em entrevista ao semanário francês Valeurs Actuelles, de 18 de Novembro de 2010.

Filha do médico e bioquímico Anton Neuwirth, católico praticante, condenado pelo regime comunista checo a 12 anos de prisão por ensinar as teorias de um americano, prémio Nobel de química, Anna Záborská foi eleita deputada europeia em 2004, sendo escolhida para chefiar a comissão dos Direitos das mulheres. Ela aí descobre que sua tarefa não é fácil:

“Sob a pressão de lobbies bem organizados, por vezes financiados pela própria Comissão europeia, torna-se difícil fazer valer a ideia de que nenhum compromisso é possível sobre a dignidade da mulher, o respeito à vida desde a concepção até a morte natural e à família composta de esposo, esposa e seus filhos.”

Mas ela não desanima ao lembrar-se de uma parte de sua família desaparecida nos campos nazistas e das raras visitas que pôde fazer a seu pai nas prisões comunistas.

“Nós, do Este europeu, acrescenta, temos uma espécie de sistema antivírus no nosso cérebro. O maior perigo é o politicamente correcto, que pode nos fazer trair as nossas convicções. Quando o virus da mentira se aproxima, nós o percebemos por instinto”.
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(*) Gabriel J. Wilson é colaborador da ABIM

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Histórica vitória direitista na Hungria

As direitas obtiveram esmagadora vitória nas eleições legislativas na Hungria. Após o segundo turno, o partido de centro-direita Fidesz [foto] ganhou mais de dois terços das cadeiras do Parlamento, e a extrema-direita anti-União Européia conquistou 47 lugares. O Partido Socialista — “maquiagem” do antigo Partido Comunista, até agora no poder — ficou com apenas 59 deputados. Para o “Le Monde”, tratou-se de uma “revolução conservadora de alcance inédito”. O partido de centro-direita pode agora apagar os restos de comunismo que ficaram na constituição húngara, desde que aja com sabedoria — virtude cada vez mais rara na Europa laicizada.
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Agência Boa Imprensa

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Parlamento europeu: debate o tema do trabalho no domingo


  • Heitor Abdalla Buchaul (*)
Mais ou menos 350 pessoas participaram da Conferência Por um Domingo sem Trabalho, realizada no Parlamento Europeu no dia 24 de março. Falaram representantes da Alemanha, Áustria, República Checa, Itália, Eslováquia e Portugal.

Representava a Igreja o prelado Dr. Ludwig Schwarz, bispo diocesano de Linz, que ressaltou a importância do descanso dominical, como prática milenar instituída pela Igreja Católica, com efeitos benéficos para a boa convivência entre as pessoas e repouso necessário, devido ao trabalho semanal.

Thomas Mann (EPP/CDU), vice-presidente da Comissão do Emprego e Assuntos Sociais no Parlamento Europeu [foto], foi quem propôs a realização da conferência, cabendo-lhe a abertura e também foi o moderador.

Estava presente o comissionario da E.U., Lázló Andor, que prometeu ouvir todos os lados envolvidos na questão, tendo afirmado anteriormente que cada país pode decidir o que desejar quanto à questão do domingo.

Foi interessante a exposição do Prof. Dr. Friedhelm Nachreiner, lente de psicologia experimental na Universidade de Oldenburg (Alemanha). Ele comprovou, baseado em estatísticas, a importância do repouso dominical para a saúde, produtividade e mesmo quanto aos acidentes de trabalho, muito mais numerosos entre os que trabalham aos domingos.

O deputado Elmar Brok (EPP/CDU) ressaltou a importância do repouso dominical como fator da indiscutível herança da tradição cristã na Europa.Vários representantes pronunciaram-se no mesmo sentido. Uma das deputadas salientou que o povo europeu é em sua maioria conservador no que se refere ao repouso dominical.

Martin Kastler tomou a iniciativa de recolher assinaturas no site http://www.freesunday.eu/ , contra o trabalho aos domingos.

Praticamente todos os discursos ressaltaram a importância das reuniões sociais e familiares aos domingos, como fator fundamental para a educação das crianças e estabilidade familiar.

Alguns poucos oradores abordaram o tema das minorias na Europa e as pontes que devem ser estabelecidas para a integração das mesmas, que é um dos objetivos da União Européia. Dentre essas minorias destacam-se os muçulmanos. Sendo o repouso dominical uma prescrição cristã, segundo tais oradores, deve ser ele abolido em nome da anti-discriminação de minorias. O que a Europa fará então em face dessa situação?
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(*) Heitor Abdalla Buchaul é colaborar da ABIM

Tribunais islâmicos clandestinos na Europa

A polícia espanhola desvendou o funcionamento de tribunais islâmicos clandestinos, que aplicam a sharia (lei islâmica não-escrita, que contém forte violação às leis ocidentais). Descoberto um desses tribunais em Tarragona, após julgar uma mulher, sete imigrantes muçulmanos foram presos, indiciados por cárcere privado, tentativa de homicídio e associação ilícita. A sharia inclui pena de morte, aplicada a cristãos ou a muçulmanos que mantenham certas relações, por exemplo por meio de casamentos, com pessoas que não sejam da religião de Maomé. Também na Grã-Bretanha, a lei secreta maometana é aplicada até pela Justiça inglesa, para resolver pequenas causas. A penetração muçulmana na Europa vai instalando estados maometanos subterrâneos dentro de estados outrora cristãos.
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Agência Boa Imprensa

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Irlanda aprova Constituição Européia sob intimidação

Após a Irlanda dizer “não” ao projeto de Constituição Européia (com seu novo nome de Tratado de Lisboa), visceralmente anticristão, a União Européia obrigou o país a refazer o voto, e num segundo plebiscito venceu o “sim”. A revista alemã “Der Spiegel” registrou que muitas vozes na Alemanha “lamentaram que tivesse sido necessária uma campanha de intimidação para produzir o resultado desejado”. A unificação européia progride, atropelando os países que desejam defender sua identidade nacional e cristã. Só a Irlanda convocou plebiscitos, e nos demais países europeus a União Européia trabalhou para impedir que o povo fosse consultado, porque sabia que o projeto seria recusado. Dessa censurável pressão só poderão advir desastres. O presidente da República Checa ainda não aprovou o Tratado.
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Agência Boa Imprensa

quarta-feira, 24 de junho de 2009

UE proíbe palavras correntes que discriminam o gênero

A União Européia (UE) aboliu o uso de palavras como “Senhor” ou “Senhora”, sob pretexto de combater o “machismo” –– informou o diário inglês “The Daily Mail”. Os burocratas de Bruxelas proibiram também as expressões inglesas sportsman (esportista), statesman (estadista), man-made (feito pelo homem), fireman (bombeiro), policeman (policial) entre outras, pelo fato de serem compostas com man (homem), fato que as tornaria eivadas de “discriminação” e “sexismo”. Os equivalentes em francês (Madame e Mademoiselle), alemão (Frau e Fraulein), espanhol (Señora e Señorita), etc., também foram banidos. A chefia da UE criou um opúsculo para conter todas as transformações. A decisão só se aplica aos órgãos da UE. Porém, foi encaminhada ao Parlamento Europeu (foto), na expectativa de que este a transforme em “lei” européia. A tal extremo chega a antidiscriminação, que na realidade é uma super-discriminação...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O PUTSCH DE PUTIN

  • Hélio Viana (*)
A despótica e boçal invasão da pequena Geórgia pela Rússia, seguida da declaração de independência da Ossétia do Sul e da Abejácia, abalaram profundamente a política internacional.

Foi uma vitória política da Rússia, dado o importante papel estratégico da Geórgia no Cáucaso. Além de aliada dos Estados Unidos e da Europa e potencial candidata a integrar as forças da NATO, seu território é atravessado por dutos de gás e de petróleo ligando o Azerbaijão à Turquia, atenuando nesse particular a dependência da Europa com relação à Rússia.

Putin, para quem a maior tragédia geopolítica do século XX foi o desmoronamento da União Soviética, começou assim a sua reconstrução pela invasão da Geórgia. E soube medir bem a ocasião. Pois dificilmente o governo norte-americano, às vésperas de uma eleição tão crucial como a de novembro próximo, estaria disposto a intervir militarmente em defesa de sua aliada. Tanto mais que ele já está empenhado em duas campanhas militares: no Iraque e no Afeganistão.

Além dos Estados Unidos, o ditador do Kremlin, com seu olhar viperino e sorriso sardônico, também sabia que a Europa não reagiria, porquanto ele a tem amarrada pelo pescoço com uma corda de aço – que a própria Europa comprou e colocou em suas mãos, cumprindo assim as palavras de Lenine de que “os burgueses comprarão a corda com a qual serão enforcados” – e que é o gasoduto da Gazprom, através do qual lhe chegam o gás e o petróleo russos.

Da boa vontade de Putin depende, pois, a sobrevivência da Europa. A qual, por sua vez, dependerá da “boa vontade” que os europeus demonstrem em relação aos desígnios do Kremlin. Se o “general inverno” derrotou Napoleão na Rússia, esse mesmo temido “general” poderá derrotar a Europa inteira, se a Rússia decidir, por exemplo, fechar o fornecimento de gás durante o inverno.

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Cumpre não exagerar o alcance da vitória do ponto de vista militar. Pois isto depende da ocasião, da estratégia, da qualidade e quantidade dos armamentos e de soldados, bem como do porte e do grau de resistência do adversário.

Do modo como a Rússia submeteu a Geórgia, vitorioso também seria um paralítico que depois de mais de 20 anos dá seu primeiro passo. Mas daí a concluir que ele está em condições de competir nas Olimpíadas é ir longe demais. Entretanto é como a Rússia foi apresentada nesse episódio: a ganhadora de todas as “medalhas de ouro” que os títeres de Pequim tanto gostariam de lhe outorgar a propósito da “olimpíada georgiana”.

De mais a mais, para fazer sua rentrée no cenário internacional, depois de tantos fracassos, a Rússia agiu à maneira das fêmeas de certos animais: instruem seus filhotes a caçar só pequenas presas. Derrotar uma diminuta e insuficientemente militarizada Geórgia, logo ali ao seu lado, só pode ser considerado militarmente grande para quem havia sido sovado, no fastígio de seu poder, por um pequeno país – a Finlândia – que pôs para correr as “poderosas” tropas da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

A Rússia de Putin está como um leproso saído do fundo do bueiro malcheiroso em que a relegaram sete décadas de socialismo. Desse mesmo socialismo utópico e malsão que a quase totalidade dos nossos atuais governantes sul-americanos de boina, de terno, de saia ou de sandália (é a última modalidade) estão apresentando, na contramão da História – e das respectivas opiniões públicas, cumpre frisar! – como novidade para o século XXI.

Quem sai de um bueiro retrata necessariamente o ambiente nele reinante: esta foi a impressão causada pelas “tropas de elite” e pela “tecnologia de ponta” russas sobre quem observou os diversos filmes mostrando suas forças atuando na Geórgia: soldados quase maltrapilhos criticando os próprios superiores militares que os enviaram sem o devido preparo, bem como equipamentos um tanto desconjuntados. Além de tais soldados, os contingentes russos eram acrescidos de aventureiros paramilitares sem qualquer compostura, que nada respeitavam, matando, saqueando, violando e queimando a seu bel prazer.

A má qualidade dos equipamentos russos e o fraco desempenho de suas tropas foram criticados sem peias nas páginas de “The Moscou Times” (16-08-08), ao afirmar que elas estão sucateadas, e seus soldados insuficientemente treinados. Se, portanto, o apresentado pela Rússia na Geórgia for de fato uma amostra, e não uma dissimulação para ocultar alguma surpresa, suas Forças Armadas padecem de um grande atraso. Pelo menos no tocante aos armamentos convencionais.

Por sua vez, se os inexperientes dirigentes georgianos estivessem compenetrados de sua importância estratégica, teriam agido diferentemente. Não intervir na Ossétia do Sul, oferecendo de bandeja à Rússia o pretexto que ela tanto desejava.

Com efeito, nem tudo aquilo a que se tem direito pode ser factível. Cumpre examinar as circunstâncias, os riscos, os prós e os contras, ponderar bem cada ação. Se alguém, por exemplo, for credor de um indivíduo que além de mais forte tem passado criminoso, pensará duas vezes no modus operandi para reaver o seu dinheiro. Poderá decidir até em perdê-lo, como mal menor. Esse criminoso mais forte era a Rússia, e o seu credor, a Geórgia.

Segundo declarou o subchefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, general Anatoly Nogovitsyn, a Geórgia pode simplesmente esquecer-se da idéia de retomar o controle das duas províncias secessionistas – Ossétia do Sul e Abjazia. As tropas russas – apesar de um tratado de paz prevendo a sua retirada ter sido assinado – permanecem na Geórgia e destruíram praticamente toda a sua infra-estrutura.

Enquanto isso acontecia, os Estados Unidos assinavam no dia 14 de agosto um acordo com a Polônia, para a instalação de um escudo antimíssil ao norte daquele país. O Kremlin reagiu indignado ante o desplante daquele satélite que saíra de sua órbita, tendo o mesmo general Nogovitsyn declarado que isso era inadmissível, podendo dar lugar a uma represália nuclear contra a Polônia.

Por seu turno, a Ucrânia, de um lado, e os países bálticos – Lituânia, Estônia e Letônia –, de outro, também ex-satélites da União Soviética, hipotecaram decidida e total solidariedade ao governo e ao povo da Geórgia, advertindo de que serão os próximos alvos da Rússia caso o Ocidente não reaja agora à altura.

Tudo se deve fazer para evitar o mal. Mas quando, apesar de tudo, este se apresenta, deve-se procurar tirar dele um bem. Assim, apesar da enorme apatia – para dizer pouco – com que muitos europeus assistem ao desenrolar dos acontecimentos políticos e sociais no Velho Mundo, permitindo, entre outras coisas, que a soberania de seus países venha a ser posta em xeque – não só por pela própria Europa Unida, mas também pela Rússia –, felizmente tem havido, em amplos setores, um sobressalto em decorrência do sucedido na Geórgia. Parece que tais setores, sobretudo na Alemanha, estão abrindo os olhos para essa realidade – a respeito da qual felizmente nunca duvidamos – qual seja a da falácia da morte do comunismo.

Não permita a Divina Providência que, para escapar da fatídica “corda” colocada no seu pescoço, a própria Europa não venha a obter as benesses do Kremlin através da constituição da União Européia segundo os moldes do Tratado de Lisboa em boa hora rejeitado pelos simpáticos irlandeses. Seria uma verdadeira União das Repúblicas Soviéticas da Europa – como muitos a vêm denominando – sob o tacão de uma ditadura burocrática, imoral e atéia, comandada desde Bruxelas e sem nenhum nexo com o seu passado cristão.
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(*) Hélio Viana é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)