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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

FORA ZELAYA!

Zelaya utiliza-se da embaixada brasileira (foto) em Tegucigalpa como palanque, fazendo comício para seus sequazes (partidários de Hugo Chávez), o que poderá levar Honduras a uma guerra civil. Se ocorrer derramamento de sangue o governo brasileiro poderá ser responsabilizado.


Envie mensagem de protesto ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil
(
http://forazelaya.blogspot.com/)


Fora Zelaya! V. está em nossa embaixada em Tegucigalpa não para resolver a crise de seu país pelas vias institucionais, mas para, com a cumplicidade de nosso governo, impor a Honduras uma rendição ao chavismo.

Fora Zelaya! Nossos compatriotas não querem ser envolvidos em conflitos que eles nunca buscaram, apenas porque o fanatismo ideológico de nossa diplomacia, para atender aos desígnios de Hugo Chávez, decidiu permitir que nossa embaixada fosse o quartel-general para organizar sua insurreição.

Fora Zelaya! É urgente que v. abandone o prédio de nossa embaixada e se entregue às autoridades do seu país para ser julgado pelos crimes de que é acusado e deixe de contar com a proteção de nosso governo para acobertar a ilegalidade.

Envie mensagem de protesto ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil
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http://forazelaya.blogspot.com/)

Fora Zelaya! Honduras necessita de paz e de respeito à sua soberania e não de gritos de guerra partidos da embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Fora Zelaya! É urgente que V. abandone a embaixada brasileira e deixe de fazer dela o quartel-general de onde lança seus apelos a uma insurreição que pode conduzir a uma luta fratricida entre hondurenhos.

Fora Zelaya! V. tem o apoio de nossa diplomacia, cooptada pelo chavismo, mas não de nosso povo, conservador e cristão, que deseja a harmonia política e social e o bom entendimento entre os povos irmãos da América Latina.

Envie mensagem de protesto ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil
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http://forazelaya.blogspot.com/)


Fora Zelaya! É importante que Honduras, o Brasil e toda a América Latina fiquem a salvo das intrigas, das ameças, das incursões e de uma eventual hegemonia do “socialismo do século XXI”. Por isso saia logo de nossa embaixada.

Fora Zelaya! Sua presença em nossa embaixada, com a cumplicidade de nossa diplomacia, é uma ofensa a nosso povo, tradicionalmente pacato e avesso às ideologias de esquerda, que tantos confrontos, misérias e dores já causaram no mundo.

Fora Zelaya! Hugo Chávez, o caudilho venezuelano, se vangloria de o ter introduzido clandestinamente em Honduras e recomendado que se abrigasse em nossa embaixada, para daí iniciar um movimento de insurreição. Infelizmente nossa diplomacia se prestou a isso, mas nós os brasileiros somos totalmente contrários ao que aconteceu.

Fora Zelaya! Nós brasileiros sabemos perfeitamente que, primeiro, V. violou uma cláusula pétrea, o artigo 239 da Constituição de Honduras, quando tentou convocar um plebiscito para permitir-lhe eternizar no poder, numa manobra "chavista" ou bolivariana, e por isso foi deposto. V. não foi vítima de um golpe como alguns pretendem convencer a opinião mundial, mas foi deposto.

Fora Zelaya! Ainda é tempo de evitar um derramamento de sangue em sua pátria. Não desejamos ser o estopim e cúmplices de uma guerra civil em Honduras que poderá, depois, estender-se aos países vizinhos.

Fora! do Brasil, fora! de nossa Embaixada!
Fora!... Fora!...

Envie mensagem de protesto ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil
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http://forazelaya.blogspot.com/)

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Leia na íntegra o Comunicado da Associação dos Fundadores

http://comunicadofundadores.blogspot.com/


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Kerenskismo obamista-lulista e Honduras: “eixo da moderação” a serviço do “eixo do mal”

Zelaya utiliza-se da embaixada brasileira em Tegucigalpa como palanque, fazendo comício para seus sequazes (partidários de Hugo Chávez), o que poderá levar Honduras a uma guerra civil. Se ocorrer derramamento de sangue o governo brasileiro poderá ser responsabilizado.


* Armando Valladares


O Palácio do Itamaraty, a chancelaria brasileira outrora reconhecida por sua habilidade, tato e inteligência, contribuindo para criar um inédito “governo paralelo” pró-chavista em sua embaixada em Tegucigalpa, empurrou o “moderado” presidente Lula no olho de um imprevisível furacão, o qual, diante de Deus e da História, o torna responsável direto pelo que possa acontecer em Honduras.

O Palácio do Itamarary, a chancelaria do “moderado” presidente do Brasil, Sr. Lula da Silva, ao autorizar o ingresso em sua embaixada em Tegucigalpa do deposto presidente pró-chavista Zelaya como “hóspede” e não como “exilado”, se envolveu nos assuntos internos de Honduras da maneira mais brutal e menos diplomática possível. Contribuiu dessa maneira para criar em Honduras um inédito “governo paralelo” pró-chavista, sob o amparo da extra-territorialidade.

Embaixada brasileira em Honduras transformada em "casa da sogra" por Zelaya e seus partidários

Tal como advertem analistas brasileiros, a diplomacia do Itamaraty, outrora reconhecida por sua habilidade, tato e inteligência, acaba de empurrar Lula, talvez inadvertidamente, para o olho de um imprevisível furacão que pode afetar o perfil de "moderação", “conciliação”, “diálogo” e “espírito democrático” que esteve esgrimindo nos últimos anos. E, sobretudo, o torna responsável direto, diante de Deus e da História, pelo que possa acontecer em Honduras.

De fato, intervindo dessa maneira nos assuntos internos de Honduras, a diplomacia do Itamaraty passa a assumir a culpa direta pelas conseqüências de sua decisão de usar sua embaixada para hospedar o presidente deposto e criar um “governo paralelo”; responsável, inclusive, por atos de violência e até de sangue que possam ocorrer.

O deposto presidente Zelaya dedicou-se a usar o recinto diplomático para discursar para seus seguidores, contribuindo para criar no país uma situação explosiva. O próprio presidente brasileiro, talvez percebendo de que maneira foi colocado no olho de um furacão por sua própria chancelaria, pediu a Zelaya que moderasse sua linguagem. E também exigiu o respeito da extra-territorialidade de sua sede diplomática em Honduras, no mesmo momento em que o Itamaraty viola dessa maneira normas internacionais elementares.

Em 12-8-09, Zelaya esteve em Brasília

pedindo ajuda ao pres. Lula

Com maior ênfase ainda que a colocada para insistir sobre o levantamento do “embargo” ao regime comunista de Cuba, a chancelaria brasileira monta um historicamente inédito “embargo” contra o povo hondurenho que não deseja cair no abismo chavista. No momento em que escrevo estas linhas, o presidente Lula propôs uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, para tratar de uma delicada situação que sua própria diplomacia, tão pouco diplomaticamente, contribuiu decisivamente para criar. Falta somente que a representante do Brasil na ONU peça uma intervenção militar em Honduras.

Como advertiu desde as páginas do influente O Estado de São Paulo, o analista político brasileiro Roberto Lameirinhas, a volta de Zelaya, rodeado de um “show midiático”, na realidade vai “ampliar a fratura social hondurenha” e os que apostaram no retorno do deposto presidente “parecem apostar em uma popularidade que na realidade ele não tem”, assim como em uma suposta “disposição revolucionária” da população hondurenha que não existe.

Sem dúvida, a conta de perdas humanas, sociais e econômicas está sendo paga pelo povo hondurenho, sujeito a uma incompreensão internacional talvez inédita na História. Porém, a conta política, perante Deus e a História, no caso em que Honduras seja brutalmente arrastada ao abismo chavista, será o próprio governo brasileiro, seu atual presidente e sua diplomacia os que terão que pagá-la em boa medida.

Se hoje, na América do Norte, o kerenskismo favorecedor das esquerdas está representado pelo presidente Obama, tal como mostrei em recente artigo publicado por "El Heraldo" de Honduras, na América do Sul o kerenskismo talvez esteja encarnado prototipicamente no presidente Lula, do Brasil, a quem Obama, durante a Cúpula das Américas, qualificou como “o cara”.

Se Cuba comunista sobrevive até hoje, em boa medida isso se deve, talvez ainda mais que o apoio de Chávez, ao colossal sustento político, diplomático e econômico do kerenskismo lulista.

Se Chávez chegou até onde chegou, é porque em boa medida o kerenskismo lulista, sempre alegando moderação, espírito de diálogo e necessidade de contemporização, lhe deu sua anuência e o apoiou publicamente nos momentos de mais dificuldade interna, contribuindo para desmoralizar a oposição venezuelana.

Se os governos populistas-indigenistas da Bolívia e Equador estão efetuando os atuais atos de vandalismo, contribuindo para a auto-demolição social, política e moral de ambos os países, isso também se deve ao kerenskismo lulista que lhes proporcionou um respaldo decisivo em matéria política e econômica.
Se as pressões internacionais contra Honduras chegaram ao ponto a que chegaram, isso se deve às articulações do neo-imperialismo kerenskiano lulista que, por trás dos bastidores, e até na frente deles, sem o menor pudor, dedicou-se a pressionar o governo norte-americano para asfixiar essa pequena grande nação que os partidários da liberdade no mundo inteiro qualificam justamente como um pequeno grande Davi do século XXI.

O “moderado” presidente brasileiro integra junto com o presidente Obama um “eixo da moderação” que objetivamente, e independentemente das intenções de seus protagonistas, está a serviço do “eixo do mal” chavista e permite, com seu espírito concessivo, que o “eixo do mal” avance.

Há quase 7 anos, em 8 de outubro de 2002, no conhecido programa televisivo do jornalista Boris Casoy, o então candidato presidencial Lula da Silva me chamou de “picareta de Miami”, porque eu havia contribuído a denunciar em uma série de artigos, de uma maneira documentada e invariavelmente respeitosa, o vergonhoso apoio de Lula a Cuba comunista e sua política em favor do “eixo do mal” latino-americano. Na ocasião, na falta de argumentos, Lula respondeu com uma brusca mudança de tom.

A política externa do Itamaraty, durante os dois períodos do presidente Lula à frente do governo do Brasil, foi confirmando essas apreensões. Hoje, com a precipitação da aventura hondurenha, a diplomacia brasileira não fez senão confirmar essas apreensões.

Raul Castro, Manuel Zelaya e Hugo Chávez

É hora de proclamar as verdades que doem aos Golias contemporâneos, em voz alta, claramente, argumentando e dando provas irrefutáveis, tudo isso feito de uma maneira invariavelmente educada e respeitosa. Usei palavras sem dúvida alguma fortes, porém penso que elas são proporcionais à gravidade da situação, e foram sempre respeitosas.

Em declarações recentes ao Washington Post, o embaixador Jeffrey Davidow, alto assessor do presidente Obama, reconheceu que na América Latina de hoje um perigo maior que o militarismo é o populismo do tipo chavista. O embaixador Davidow disse uma meia-verdade. De fato, sob vários pontos de vista o maior perigo é o “kerenskismo”, que prepara o caminho para o populismo, o indigenismo e outros “ismos” pós-modernos que estão tomando o lugar do comunismo clássico.

A heróica resistência do povo hondurenho negando-se a pôr o “uniforme” zalaysta-chavista, apesar das brutais pressões de dirigentes internacionais, me lembra a epopéia de um punhado de presos-políticos cubanos que, em que pese os brutais golpes e torturas, negou-se durante anos a se vestir com o “uniforme” de presos comuns. O tirano Castro não pôde dobrá-los e passaram para a História como os “presos resistentes”.

Que a Divina Providência proteja Honduras “resistente”, que se recusa a pôr o “uniforme” chavista e continue lhe dando forças e inspiração para resistir, da mesma maneira como Davi resistiu e se defendeu contra Golias.


Tradução: Graça Salgueiro

*Armando Valladares, ex-preso-político cubano “resistente”, foi embaixador dos Estados Unidos na Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durante as administrações Reagan e Bush. Acaba de receber em Roma um importante prêmio de jornalismo por seus artigos em favor da liberdade em Cuba e no mundo inteiro. E-mail” armandovalladares2006@yahoo.es




quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Obama-Clinton: “política do garrote” para Honduras e “política de sorrisos” para Cuba

Armando Valladares *
O espírito intervencionista do recente comunicado do Departamento de Estado sobre Honduras não podia ser mais brutal, constituindo um exemplo típico de retorno da “política do garrote”... contra o anti-chavismo, enquanto se impulsiona uma suicida “política de sorrisos” para o “eixo do mal” latino-americano

Em 3 de setembro pp., o Departamento de Estado norte-americano, em nome da secretária de Estado Hillary Clinton, deu a conhecer um comunicado que tem como objetivo visível golpear o atual governo provisório de Honduras porém que, no fundo, pretende quebrar a resistência do heróico povo hondurenho, em sua luta pela liberdade. Trata-se de um comunicado que reflete ao mesmo tempo um intervencionismo pró-chavista, não menos deplorável, nos assuntos internos de outro país.

Nem mais nem menos, é a cruel aplicação contra Honduras, um pequeno país centro-americano aliado dos Estados Unidos, da “política do garrote”, desta vez nas mãos do kerenskiano presidente Obama, que ao mesmo tempo impulsiona uma suicida “política de sorrisos” com relação aos totalitarismos e populismos de raiz esquerdista nas Américas, como Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua.

São dois pesos e duas medidas de uma injustiça que clama a Deus
Dias atrás, o presidente Obama havia qualificado de “hipócritas” àqueles que na América Latina exigiam até há pouco tempo que os Estados Unidos não interviessem nos assuntos latino-americanos, enquanto que agora imploravam que o governo interviesse no caso de Honduras. Não obstante, poucos dias depois o presidente Obama cedia ante a “hipocritadura” chavista, tal como Kerensky cedeu ante Lênin em começos do século XX, e que precipitou o desenlace histórico que todos conhecemos. Já tive oportunidade de definir em artigo recente o que entendo por “kerenkismo obamista” e, para maior brevidade, remeto meus leitores a ele (cf. “Kerenkismo obamista, Honduras e abismo chavista”, “Diario Las Américas, Miami”, EUA, 24 de julho de 2009; “El Heraldo”, Tegucigalpa, Honduras, 23 de julho de 2009; “Destaque Internacional”, Internet, 21 de julho de 2009; “Mídia Sem Máscara”, 26 de julho de 2009; texto reproduzido na Internet em vários idiomas, inclusive em lituano, em mais de 30 países).

O comunicado do Departamento de Estado anunciou “a suspensão de uma ampla gama de ajuda ao governo de Honduras”, ante a alegada “necessidade de fortes medidas” para quebrar a “resistência” ao “Acordo de San José” por parte das atuais autoridades hondurenhas, e ante o que denomina “falta de restauração de um regime democrático e constitucional em Honduras”.

O espírito intervencionista do texto não podia ser mais brutal, constituindo um exemplo típico de retorno da diplomacia do garrote... contra o anti-chavismo. Com efeito, um “acordo” significa conformidade de pareceres entre duas ou mais pessoas ou instituições. Se pretende-se dobrar as instituições e o povo hondurenho a qualquer preço, então não chamem-no hipocritamente de “acordo” e sim, uma “imposição”, um gesto de “neo-colonialismo” ou um “ucase” (do russo, “ukaz”, que os dicionários traduzem como “ordem despótica”). O comunicado do Departamento de Estado alega sair em defesa do sistema “democrático” e “constitucional” de Honduras, porém quer impor um “acordo” que, apesar de levar o nome desse grande santo que foi São José, acabaria sendo um “ucase” muito pouco santo e, sem sombra de dúvida, sobretudo muito pouco “democrático”.

O comunicado norte-americano trata de justificar seu intervencionismo alegando a necessidade de uma “restauração” da ordem democrática, parecendo ignorar por completo que o deposto presidente Zelaya já havia ferido gravemente essa ordem democrática, ao pisotear as leis e a própria Constituição, diante da indiferença do Departamento de Estado, da OEA e dos governos das Américas que hoje farisaicamente se rasgam as vestes.

O presidente Obama acaba de prometer na última Cúpula das Américas um “novo começo” com a sanguinária ditadura castrista; estendeu pontes de diálogo com os regimes populistas-totalitários da Venezuela, Equador e Bolívia; manifestou sua disposição de conversar com os regimes islâmicos mais radicalmente anti-americanos e até com o tirano da Coréia do Norte; finalmente, proclamou aos quatro ventos que o “diálogo”, não a imposição, é o caminho primeiro e indispensável para a resolução de conflitos de ordem internacional e que os Estados Unidos passaram a defender o multilateralismo. Porém, quando se trata de Honduras, a linguagem adocicada muda totalmente e fica amarga, com gosto de fel, agressiva, prepotente e intervencionista da pior qualidade.

Nas linhas seguintes, os redatores do comunicado do Departamento de Estado, talvez percebendo o flanco de contradição e da fraude que abriam, tratam de adotar um ar de imparcialidade quando dizem que se “reconhece” a “natureza complicada” das ações que levaram à deposição de Zelaya em 28 de junho. Não obstante, nessas ações, de uma maneira incrivelmente tendenciosa, somente atribui a responsabilidade e a culpa ao “ramo legislativo”, ao “ramo judiciário” e aos “militares”, silenciando sobre a responsabilidade primeira e fundamental do “ramo executivo” encabeçado por Zelaya.

Apesar desse pretendido ar imparcial, se comete a maior das parcialidades quando se omite uma alusão sequer ao fato de que em Honduras, no dia 28 de junho de 2009, também existia esse “ramo executivo”, é verdade, porém que havia se afastado nitidamente da Constituição e das leis, e tratava de empurrar Honduras para o abismo chavista.

É preciso insistir com invariável objetividade, na mesma proporção da insistente parcialidade do comunicado norte-americano: é o “ramo executivo” encabeçado pelo deposto presidente Zelaya o grande responsável pela atual encruzilhada de Honduras, assim como os irmãos Castro são os grandes responsáveis pelo drama cubano, e Chávez é o grande culpado pela deterioração das liberdades na Venezuela e em outros países da região nos quais intervém como Pedro em sua casa, sem que o Departamento de Estado abra a boca.

O lamentável comunicado do Departamento de Estado alude também “complexas questões legais”, que não se dá ao trabalho de definir e nem sequer de mencionar. Se essas questões são tão “complexas”, é uma razão a mais para defini-las ou, pelo menos, enumerá-las, e passar a analisá-las com o devido cuidado antes de adotar medidas que, além de serem intervencionistas e garrotistas, são precipitadas e injustas contra a irmã Honduras.

Outra das provas do garrotismo, e da unilateralidade deste comunicado do Departamento de Estado, é precisamente o fato de que evite a análise dessa “complexidade”, lavando as mãos como Pilatos.

Os indícios falam no sentido de que o Departamento de Estado evite abordar essa “complexidade” porque não lhe convém fazê-lo: a palavra “complexidade”, no contexto do comunicado do Departamento de Estado, é um eufemismo para não tocar no tema central, o da enorme responsabilidade do deposto presidente Zelaya, um chavista no qual o presidente Obama e a secretária de Estado Clinton depositaram suas esperanças.

Trata-se de uma típica saída kerenskiana, entreguista, partidária do ceder para não perder, com o qual se protege e absolve Zelaya que, como já se disse, foi “democraticamente eleito” porém que — convém reiterá-lo até o cansaço, na mesma proporção em que seus defensores o omitem também até o cansaço — se afastou dos princípios constitucionais e das leis hondurenhas.

Não menos lamentável é o fato de que o Departamento de Estado, aberto a “novos começos” com os mais sanguinários ditadores comunistas e com déspotas islâmicos radicais, continue se negando a dialogar com as atuais autoridades hondurenhas e ameace em “não respaldar” o “resultado” das próximas eleições nacionais desse país.

Explica-se que, diante do que foi dito acima, o maior representante latino-americano do “eixo do mal” e atual presidente-ditador da Venezuela, Hugo Chávez, com uma emoção de crocodilo tenha declarado desde o Irã, onde mantinha reuniões conspiradoras contra os Estados Unidos, que “já era hora” de que o presidente Obama adotasse essas medidas, e tenha manifestado sua complacência com esse lamentável comunicado do Departamento de Estado, em boa medida, fruto de suas pressões e reclamos.

Nesse texto do Departamento de Estado, de 3 de setembro pp., ficou a descoberto a claudicação pró-chavista do “ramo executivo” do governo norte-americano. Por isso, seria de se desejar que o “ramo legislativo” deste país, Câmara de Representantes e Senado, através de suas respectivas comissões de Relações Exteriores, convoquem os representantes do Departamento de Estado para que expliquem as flagrantes contradições e omissões deste recente engendro. E também, que estudem a possibilidade de convidar seus colegas representantes do “ramo legislativo” de Honduras, para que tenham a oportunidade de expressar sua opinião, um elementar direito de defesa que o “ramo executivo” do governo norte-americano lhes está negando.

A política intervencionista do Departamento de Estado nos assuntos de Honduras deve cessar de imediato. O Congresso dos Estados Unidos também deveria convocar a uma audiência o embaixador norte-americano nesse país, Hugo Llorens, um cubano-americano com credenciais de moderado, que foi alto assessor da secretária de Estado Condolleeza Rice, mas que agora se tem mostrado fiel e submisso defensor do deposto presidente chavista. Entre outras perguntas, se poderia perguntar ao embaixador Llorens se é verdade, sim ou não, que permitiu à esposa do deposto presidente Zelaya utilizar as instalações diplomáticas norte-americanas para, desde ali, discursar a favor de distúrbios e violência, enquanto fazia crer que estava resistindo nas montanhas. Os congressistas também poderiam convocar a Srª María Otero, uma hispana de origem boliviana e antecedentes bolivarianos, recém nomeada Secretária de Assuntos Globais do Departamento de Estado, para interrogá-la se usou, sim ou não, um telefone da Secretária de Estado e, sobretudo, a influência de seu cargo para chamar empresários hondurenhos por telefone, coagindo-os e ameaçando-os por seu apoio ao atual governo provisório.

Proclamar as verdades que doem nos Golias contemporâneos, em alta voz, claramente, com argumentos e provas irrefutáveis, de uma maneira invariavelmente educada e respeitosa, é a mais efetiva maneira de ajudar o pequeno e heróico Davi hondurenho, assim como aos povos irmãos latino-americanos que sofrem sob os malefícios do “eixo do mal” chavista.
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* ARMANDO VALLADARES, ex-preso político cubano, serviu como embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU nas administrações Reagan e Bush, tendo recebido a Medalha Presidencial do Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado. Em julho pp., na Itália, foi o primeiro hispano honrado com o prestigioso Prêmio ISCHIA de jornalismo internacional. E-mail: armandovalladares2006@yahoo.es

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Abaixo, algumas fotos da manifestação do dia 4 de setembro, na qual milhares de hondurenhos protestaram contra as contínuas intervenções de Hugo Chávez em Honduras







sexta-feira, 24 de julho de 2009

Kerenskismo obamista — Honduras e abismo chavista

Assim como o presidente Eduardo Frei Montalva passou para a História como o Kerensky chileno, por pavimentar o caminho para o socialista Allende, assim também o presidente Obama corre o risco de se tornar o Kerensky das Américas, caso empurre Honduras para o abismo chavista.
Armando Valladares (*)

Quando ocorreu a destituição do presidente hondurenho Zelaya, por ordem da Suprema Corte desse país e o apoio majoritário do Congresso, Honduras caminhava a passos rápidos rumo a uma ditadura chavista, passando por cima da Constituição e das leis. Além de seu mais alto órgão judicial, as mais importantes figuras políticas e religiosas de Honduras estavam alertando para o risco chavista.

Não obstante, nem o presidente Obama, nem o secretário geral da OEA — o socialista chileno Insulza —, nem o “moderado” presidente do Brasil, Lula da Silva, e nem sequer, que nos conste, qualquer outro presidente latino-americano disse uma palavra a respeito. Alegava-se a autodeterminação, a necessidade do diálogo, o respeito dos processos políticos internos, etc.

Zelaya e Lula

Todas essas personalidades políticas tiveram oportunidade de falar em favor da liberdade de Honduras, mas, como Pilatos, preferiram lavar as mãos. Menciono as duas mais notórias.

A primeira foi a Cúpula das Américas, em Trinidad Tobago, próxima de Honduras, durante a qual o presidente Obama, com seu estilo neo-kerenkista, se desfez em sorrisos com o presidente-ditador Chávez, flertou com o próprio Zelaya [foto] e com outros presidentes populistas-indigenistas como o equatoriano Correa e o boliviano Morales, prestigiou o “moderado” Lula e anunciou que estava disposto a dialogar e estabelecer um “novo começo” com a sanguinária ditadura castrista.

A segunda foi a Assembléia Geral da OEA — por uma ironia da História realizada na própria Honduras —, na qual, com a aprovação do governo Obama, se absolveu a ditadura castrista e se lhe abriram as portas para que pudesse retornar ao referido organismo internacional.

Diante de seus narizes e dos próprios olhos, os chanceleres dos governos das Américas puderam sentir e ver a grave situação interna de Honduras, mas preferiram lavar as mãos como Pilatos.

Quando se deu a destituição do presidente Zelaya, ordenada pela Suprema Corte hondurenha com base em preceitos constitucionais que impedem a reeleição de um presidente, aí sim, rasgaram-se as vestes, iniciando-se um dos maiores berreiros de esquerdistas e “moderados úteis” da História contemporânea, com verdadeiro linchamento de um pequeno país que decidiu resistir a essas pressões. Um pequeno país que se agigantou espiritualmente, inspirado na expressão de São Paulo, esperando “contra toda esperança” humana, mas aguardando tudo da Providência e fazendo lembrar, para quem vê com apreensão o drama hondurenho, a figura bíblica de David contra Golias.

No momento em que escrevo estas linhas o deposto presidente Zelaya ameaça retornar a Honduras, com o que, segundo advertência do Cardeal desse país, tornar-se-á responsável pelo sangre fratricida que possa correr. Diante da resistência hondurenha, até o presidente-ditador Chávez olha para o presidente Obama na esperança de que este a quebre.

Também neste momento noticia-se que a secretária de Estado Hillay Clinton acaba de telefonar ao presidente interino de Honduras para, segundo versões, dar-lhe um ultimato. A mesma secretária Clinton que em Honduras, durante recente reunião da OEA, aprovou a absolvição da sanguinária ditadura castrista; a mesma que, juntamente com o presidente Obama, está disposta a dialogar com o governo pró-terrorista do Irã; ela, que abre os braços aos comunistas cubanos, que se reúne e ri com o presidente-ditador Chávez, dá um chega-prá-lá na delegação civil hondurenha que foi a Washington simplesmente para explicar sua versão dos fatos.

Raul Castro, Zelaya e Chávez

Como já foi lembrado, o Cardeal de Honduras advertiu o deposto presidente Zelaya de que este será responsável pelo banho de sangue que possa ocorrer, caso force seu regresso ao país.

De minha parte, enquanto ex-preso político cubano durante 22 anos nas masmorras castristas, embaixador dos Estados Unidos por vários anos junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU, e como simples cidadão das Américas, tenho a certeza de que assim como o presidente Eduardo Frei Montalva passou para a História como o Kerensky chileno, por pavimentar o caminho ao socialista Allende, assim também o presidente Obama corre o risco de se tornar o Kerensky das Américas, caso contribua para empurrar Honduras rumo ao abismo chavista.

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(*) Armando Valladares, ex-preso político cubano, foi embaixador dos Estados Unidos em Genebra ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU durante as administrações Reagan y Bush. Acaba de receber em Roma um importante prêmio de jornalismo por seus artigos em favor da liberdade em Cuba e no mundo inteiro.
E-mail: armandovalladares2006@yahoo.es