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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Os sinos não tocam mais


Pe. David Francisquini (*)

Ombro a ombro com Pio IX encontra-se a personalidade imponente e categórica de São Pio X. Ambos os papas representam uma unidade de pensamento e ação como timoneiros da barca de Pedro ao proclamarem alto e bom som o princípio do absoluto sobre o relativismo religioso e moral.

O bem moral deve prevalecer sobre todas as coisas porque o ser humano foi criado para Deus. Em sua encíclica “Sobre a Liberdade Humana”, Leão XIII ensina que a igreja Católica, única detentora da verdade, é também a única defensora da doutrina da liberdade como da simplicidade, espiritualidade e imortalidade da alma humana.

Com proteção da liberdade a Igreja tem salvado da ruína este grande bem do homem. Os seres irracionais obedecem a seus instintos e são impelidos para aquilo que lhes é útil, ou seja, a defesa e conservação da vida. O homem dotado de razão e vontade advindas de sua alma espiritual torna-se o senhor de seus atos.

Quanto aos bens naturais, compete a ele escolher o que lhe parece viável. Quanto à ordem moral, sua finalidade última é Deus. Portanto, o homem simples e espiritual procura a verdade e o bem moral. Depois da Revelação, a Igreja Católica é meio necessário para se salvar. O fiel deve fugir dos erros e das falsas religiões.

O sincretismo religioso foi condenado por vários papas antes do concílio Vaticano II. São Pio X condenou as associações interconfessionais ao afirmar que a verdadeira civilização só se dá com a religião verdadeira. O que não for isso serão aberrações sociais como socialismo, comunismo, nazismo e ditaduras islâmicas.

Surpreendem algumas declarações eclesiásticas ao propor convívio amistoso com as demais religiões, respeito mútuo à religião do outro, aos seus ensinamentos, símbolos e valores, chegando mesmo a pregar respeito especial para com seus chefes religiosos e seus lugares de culto. 

Os inovadores costumam apelar para o sentimento quando ressaltam os ataques recíprocos, pois são fontes de consternação e de muita dor! Mas com tal procedimento renuncia-se à polêmica, à noção de bem e de mal, além do princípio de que existe tão-só uma religião verdadeira instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em nome de uma inovação eles vão afastando as pessoas da verdadeira religião e matando a fé nas almas, à semelhança de um processo de autodestruição do monolítico edifício multissecular da Igreja Católica. Infelizmente assistimos a uma conduta paradoxal, a destruição daquilo que deveriam conservar e defender.

Matéria já antiga, mas elucidativa, soa como advertência a muitos inovadores. Em palestra aos bispos em 1977, o publicitário Alex Periscinotto chamou-lhes a atenção para a pastoral moderna. Enquanto aconselham os fieis a respeitar os símbolos pagãos ou heréticos, põem fora os símbolos e costumes católicos.
Igreja Nossa Senhora das Dores, Paraty, RJ [Foto PRC]
E ilustra: os sinos nas torres das igrejas não tocam mais; os véus para as senhoras foram abolidos; as confissões auriculares no confessionário foram eliminadas; faltam as torres altaneiras nas igrejas com a cruz em cima e arquitetura sacral dos edifícios; as solenidades e cerimônias litúrgicas foram vulgarizadas, como são as missas modernas; o uso de instrumentos musicais profanos na liturgia substituindo as harmonias sacrais do órgão.

O publicitário ainda lembrou aos bispos o desuso da batina por parte dos religiosos, e de tantos outros costumes que marcavam a presença da Igreja. Vale lembrar ainda a dificuldade imposta para o atendimento aos fieis, como a preparação para casamento e batismo, o que tem afastado muita gente da prática religiosa.

Diante disto, tem-se notado uma reação sadia por parte de clérigos e até mesmo de muitos fieis desejosos de retomar aos costumes tradicionais. São reações sadias como estas que confirmam a promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ

sábado, 7 de setembro de 2013

Nomes sagrados de cidades brasileiras

Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga). Nesse local - em que foi proclamada a Independência do Brasil - a cidade de São Paulo recebeu o nome do Apóstolo dos Gentios, por ter sido fundada na festa comemorativa de sua conversão.
Carlos Sodré Lanna (*)

O espírito religioso do povo português encontrou no Brasil um clima fecundo para sua natural expansão.

O costume de se designar os acidentes geográficos pelos nomes de Deus, da Virgem Maria, dos santos e santas teve origem com o Descobrimento, a partir de suas primeiras denominações: Terra de Vera Cruz e de Santa Cruz.

Essa tradição é responsável pelos nomes sagrados dados a centenas de cidades, distritos e vilas de nossa Pátria, nos mais diversos quadrantes, como também a regiões, rios, lagos, montanhas e pontes, todos extraídos da religiosidade católica.
Assim, em primeiro lugar, os nomes de Deus e de Jesus Cristo aparecem em formações compostas: Menino Deus, no Pará e Cristo-Rei, no Paraná.

Salvador foi atribuído à capital da Bahia, bem como a cidades de vários outros Estados. Senhor do Bonfim é uma cidade baiana. A denominação Bom Jesus é difundida em diversas regiões, como, por exemplo, Bom Jesus do Galho (MG). Divino, como a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, aparece em Divino das Laranjeiras (MG). Espírito Santo, além de designar o Estado que leva tal nome, figura em Espírito Santo do Pinhal (SP) e outras localidades.

Em relação a Nossa Senhora, são numerosas as invocações que figuram como nomes de cidades: Nossa Senhora Aparecida (SP), Nossa Senhora da Glória (SE), etc.

Uma antiga devoção mariana consagrada a Nossa Senhora da Conceição é
igualmente bastante difundida em cidades brasileiras: Conceição do Araguaia (PA), Conceição do Coité (BA) e várias outras.

Além dessas, é grande o número de expressões relativas à Mãe de Deus existentes em todo o território nacional: Virgem da Lapa (MG), Madre de Deus (MA), Amparo da Serra (MG), Carmo da Mata (MG), Dores do Rio Preto (ES), Piedade de Ponte Nova (MG), etc.

Com o adjetivo "bom", aparece Bom Sucesso (MG), Bom Conselho (PE), Boa Morte (MG), provenientes de invocações de Nossa Senhora.

Ocupa lugar de destaque a designação de Santa Maria, em vários Estados, e seus compostos como Santa Maria da Vitória (BA).

Quanto aos nomes de santos aplicados a cidades, a preferência recai em São José e Santo Antonio, como, por exemplo, São José do Rio Preto (SP), São José do Ouro (RS), Santo Antonio de Lisboa (PI), Santo Antonio do Leverger (MT) e muitas outras localidades.

Podem ser lembrados ainda, na formação dos nomes de municípios, vários outros santos como São Benedito do Sul (PE), São Bento do Norte (RN), São Bernardo do Campo (SP), São Caetano do Sul (SP), São Domingos do Prata (MG), São Félix do Xingu (PA), São Francisco do Sul (SC), São Gabriel da Cachoeira AM), São João da Barra (RJ), São Joaquim (SC), São Luís (MA), São Mateus (ES), São Pedro dos Ferros (MG), São Vicente Ferrer (MA) etc. São Paulo, a capital paulista, recebeu o nome do Apóstolo dos Gentios por ter sido fundada na festa comemorativa de sua conversão, em 25 de janeiro.

Quanto ao emprego dos nomes de santas, a preferência recai sobre Santana ou seus compostos, como Santana do Livramento (RS), vindo logo em seguida as designações de Santa Rita e Santa Rosa, com seus complementos, em diversos Estados. Seguem-se Santa Luzia, Santa Bárbara e Santa Isabel. Para designar os cultos às padroeiras, cabe lembrar Santa Adélia (SP), Santa Amélia (PR), Santa Brígida (BA), Santa Clara (AP), Santa Inês (MA), Santa Quitéria (CE), Santa Teresa (ES), Santa Vitória (MG) etc.

Com a designação Cruz, é expressivo o número de municípios, seja na forma simples de Santa Cruz (SE), ou composta, como Santa Cruz do Sul (RS), Primeira Cruz (MA), além de seus derivados como Cruzeiro (SP), Cruzália (SP), Cruzeta (RN), Cruzília (MG).

Toda essa série de designações, consistindo em nomes de santos e santas, concedidas às cidades brasileiras, tão ampla e variada, constitui o reflexo do primeiro símbolo católico implantado e frutificado em nosso País, que foi a cruz.


Para concluir, reproduzimos um pertinente comentário do conceituado historiador Pe. Serafim Leite SJ: “A Cruz de Cristo estava na bandeira da nação evangelizadora [Portugal], e no passado e no presente, numa forma ou noutra, é o objeto mais visível do culto no Brasil, como o certifica no Rio de Janeiro a estátua do Cristo Redentor a iluminar e a abençoar o Brasil em que a própria imagem de braços abertos, é a Cruz” (Suma histórica da Companhia de Jesus no Brasil, Livraria Portugalia, Lisboa, 1965, p. 138).
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(*) Carlos Sodré Lanna é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

domingo, 23 de setembro de 2012

Limpar a poeira e tirar o mofo?! (II)

Congresso Eucarístico em 1942 na capital paulista (Vale do Anhangabaú) 

Pe. David Francisquini

Em recente artigo com o título em epígrafe, procurei analisar a causa mais profunda da baldeação em massa de católicos das hostes da Santa Igreja Católica Apostólica Romana para os renques protestantes, conforme as estatísticas e segundo podemos observar em nossa volta. Ao retornar ao tema, convido o leitor para considerarmos juntos alguns momentos da vida religiosa antes do Concílio Vaticano II.

No Paraná, onde eu cursava o seminário, ouvi no sermão de uma Sexta-feira Santa o bispo alertar os fiéis sobre a ação dos protestantes, que à época percorriam as cidades de sua diocese batendo de casa em casa, a fim de lançar dúvidas e sementes da cizânia na cabeça das pessoas.

Esses disseminadores da divisão entre as fileiras católicas não tiveram ambiente para continuar seu proselitismo e acabaram por deixar a diocese. Para reconforto dos fiéis, esse mesmo hierarca organizava as tradicionais associações religiosas femininas e masculinas, e não raras vezes promovia, em torno da catedral diocesana, manifestações públicas com a presença de todas elas revestidas de suas respectivas insígnias.

Com entusiasmo, ouvi um zeloso padre contar-me ter feito um debate público com os protestantes, mostrando-lhes não terem conhecimento de Deus nem dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. As crianças de sua paróquia sabiam mais sobre os ensinamentos divinos que os seus dirigentes.

Creio que falta hoje aos meus colegas do clero o espírito polêmico e militante da Santa Igreja Católica. Julgo oportuno trazer a lume o que diz São Pedro na sua primeira epístola, a fim de esclarecer a responsabilidade do ministério sacerdotal:

“Apascentai o rebanho que Deus vos confiou, velando sobre ele, não por constrangimento, porém, espontaneamente, conforme a vontade de Deus; não por um ganho vergonhoso, porém, por dedicação. Não vos porteis como senhores sobre a herança [de Deus], porém, tornando-vos um exemplo para o rebanho do íntimo do coração. E quando aparecer o príncipe dos pastores vós obtereis a coroa incorruptível da glória; e vós também, ó jovens, submetei-vos aos mais velhos” (1Petr. 5, 1-11).

Podemos apalpar nessas santas palavras o reflexo e o esplendor com que o guia de almas deve se dedicar em função da vocação para a qual foi chamado. Aplica-se aqui a parábola do mau administrador que dissipou os bens de seu senhor, pois ao conceder o pão da verdade e da verdadeira doutrina, o sacerdote é na verdade o administrador dos mistérios de Deus.

Missa Tradicional
Ademais, ele administra as águas que jorram dos sacramentos e das cerimônias religiosas realizadas com sacralidade. Ele é o bom exemplo de conduta digna e santa do seu estado sacerdotal; ele promove e cultiva a recitação do Rosário; ele santifica no momento solene da bênção do Santíssimo Sacramento; ele instrui na religião; ele entoa hinos e joga o incenso de bom odor a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Missa nova afugenta os fiéis 
Com rituais que mais se assemelham ao protestantismo – sem falar dos escândalos nos meios católicos – sacerdotes há que acabam preparando o espírito dos fiéis para aceitar a doutrina errada. Ora pregam pouco a devoção a Nossa Senhora; ora descuram da água benta e das devoções externas, como o uso da medalha de São Bento e da Medalha Milagrosa; ora não arranjam tempo para atender devidamente às confissões e preparar as instruções religiosas; ora enfim, omitem o dever de falar de Deus e da alma, do prêmio e do castigo, da mudança de vida e do combate aos trajes modernos e imorais que pervertem os costumes das famílias e invadem até os ambientes religiosos.

O que mais estarrece são as heresias e a perseguição àqueles sacerdotes que querem portar a sua batina e celebrar o rito tradicional da missa tridentina, o qual nunca foi proibido, como afirma Bento XVI no Motu Próprio Summorum Pontificum.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ 

sábado, 1 de setembro de 2012

Limpar a poeira e tirar o mofo!?


Pe. David Francisquini (*)
A propósito de recentes estatísticas apontando o crescimento das facções protestantes em detrimento da religião católica, recordo-me que no final da década 1960 um jornalista muito arguto e pouco fiel à nossa santa fé chegou a afirmar que o Brasil não tardaria a se transformar no maior país ex-católico do mundo.

À época, eu cursava o Seminário Menor no Paraná e já podia perceber a transformação paulatina e persistente nos meios católicos através de sacerdotes ditos progressistas. Com ou sem pretexto, eles compareciam no Seminário a fim de fazer reuniões, acenando sempre para uma mentalidade nova a contrarrestar valores então vigentes, qualificados não sem alguma malícia de “empoeirados” ou cobertos de mofo.

Por ser conservadora, a diretoria do referido seminário começou a sofrer pressão de um órgão do Vaticano e do episcopado paranaense para se adaptar aos novos tempos, sob pena de abandonar aquela casa de formação sacerdotal. Seu ex-reitor deve possuir em seus arquivos os documentos que exigiam a sua cabeça e a dos demais sacerdotes que o coadjuvavam.

A diocese tinha cerca de cem seminaristas menores, doze mil congregados marianos e filhas de Maria, além de outras associações de leigos. Um sacerdote aggiornato do Rio Grande do Sul, encarregado pelo bispo, visitava uma a uma essas associações, sempre propondo limpar a poeira e tirar o mofo através da modernização, mesmo que precisasse desautorar o sacerdote que dirigia as referidas associações.

Num ambiente assim hostil ao ensino tradicional, surgiu uma nova liturgia. O altar do santo sacrifício da Missa foi substituído por uma mesinha de frente para o povo, músicas profanas foram introduzidas nas celebrações, o espírito religioso dos fiéis cedeu lugar a uma mentalidade mundana, e muitas vezes se parodiavam os protestantes. Já no Seminário Maior em Curitiba, presenciei e ouvi de um sacerdote no sermão a apologia do protestantismo ao afirmar que a Igreja havia mudado sua posição.

À noite daquele mesmo dia, com a presença de todos os seminaristas, católicos e protestantes se reuniram numa igreja da capital paranaense. No púlpito se revezavam padres e pastores. Houve padres que ousaram defender o fim do celibato. A partir daí, muitos sacerdotes passaram a sofrer de um mal que ficou conhecido como “crise de identidade”, outros ainda lamentavelmente abandonavam o sacerdócio em decorrência das novidades surgidas a partir do Concílio Vaticano II.

Para os avisados a notícia da redução do número de católicos no Brasil não chega a surpreender, pois o ambiente vinha sendo amplamente preparado, como se pode observar na leitura do livro “Em defesa da Ação Católica”, de Plinio Corrêa de Oliveira. Nessa obra, escrita em 1943, o autor mostra a mudança não apenas de comportamento, mas igualmente de doutrina, a partir de uma ala modernista que se tornou atuante já na década de 1930, não respeitando os tradicionais ensinamentos da Santa Igreja.

Às vezes me pergunto se o clero brasileiro, sobretudo o episcopado, está realmente preocupado com a defecção e apostasia dos católicos que passam a engordar as fileiras do protestantismo. Fala-se muito em ecumenismo nos meios católicos, mas como o clero teria deixado escapar tantas ovelhas de seu rebanho? São os católicos que estão fazendo proselitismo para esvaziar os ambientes das seitas protestantes, ou são estas que se aproveitam da decadência religiosa e do clero? Como fica o dogma de que fora da Igreja não há salvação?

Essas perguntas me vêm ao espírito ao imaginar a situação alarmante daqueles que apostataram ao renegar a fé recebida no santo batismo. Qual teria sido a causa mais profunda desse abandono em massa – um terço dos católicos – da fé no único Deus verdadeiro e da religião única e verdadeira desse mesmo Deus que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana? Para responder tais interrogações, precisamos analisar a vida religiosa antes do Concílio Vaticano II, assunto que fica para um próximo artigo.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pães na porta de casa em plena capital paulista?

Os irmãos Carillo dão continuidade à tradição de bisavô italiano (Foto Folhapress)
Luís Felipe Escocard
www.ipco.org.br

Segundo notícia da Folha de São Paulo de 24 de novembro, dois irmãos, apesar de já formados em faculdade, resolveram seguir a tradição familiar e trabalhar como padeiros. Com um diferencial: eles entregam em casa.

Em 1914 seu bisavô chegou da Itália e abriu uma padaria no bairro da Mooca. Como era costume da época, fazia os pães bem cedinho e saía com eles numa charrete para entregá-los aos clientes.

Os jovens Guilherme e Gabriel Carillo começaram a trabalhar junto com o avô — que deu continuidade à tradição — e aprenderam todas as artimanhas da confecção do legítimo pão italiano.

Todos os dias, entregam os pães pelo bairro e arredores. Sabem dos gostos de cada freguês, por isso a entrega é personalizada: mais torrado, mais clarinho, grande, pequeno, recheado…

A São Paulo atual, assim como toda megalópole, é uma cidade massificada, agitada e comercial, onde as relações pessoais são cada vez mais raras. O comum são as grandes lojas, onde a pessoa só tem a opção de comprar o que está exposto.
Os pães são feitos como o freguês deseja (Foto Folhapress) 
Foi-se o tempo das pequenas mercearias onde o próprio dono ficava no caixa, do carrinho das frutas e verduras, do leiteiro, etc.

A notícia da qual falamos evoca um pouco aquela boa época, que infelizmente já não vivi, mas ouço dos meus antepassados. Onde tudo era mais tranquilo; sem drogas, imoralidade ou violência; os vizinhos se conheciam; e, principalmente, a religiosidade era bem maior…

Faço uma confidência: sinto saudades, muitas saudades, de uma época na qual, no entanto, não vivi. Parece meio contraditório, mas é o que sinto.

E você, caro leitor? Não sente a mesma coisa?

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(*) Luís Felipe Escocard é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)

terça-feira, 14 de junho de 2011

A visão de um eurocético sobre a “Desunião Européia”


Heitor Abdalla Buchaul (*)

No dia 31 de maio último, a sede da Federação Pro Europa Christiana recebeu em Bruxelas o deputado europeu Nigel Farage [foto abaixo]. Conhecido por seu discurso polêmico, o parlamentar britânico é líder do partido independente UKIP e presidente do Grupo “Europa pela Liberdade e Democracia”, no Parlamento Europeu.

Farage vem denunciando a verdadeira mudança nas concepções do que foi a base para a formação da União Européia: “Nossa raiva não é contra a Europa. É contra a nossa classe política. Foram eles que nos trouxeram para uma união política sem nunca terem clarificado as suas intenções. Naquilo que foi vendido à geração dos meus pais, a união era um mercado interno, era apenas comércio, e a nossa soberania não seria posta em causa. Mudou tudo rapidamente e nunca nos pronunciamos sobre isso”.

A apresentação do conferencista foi feita pelo Duque Paul von Oldenburg, que salientou o apreço de Nigel Farage pela Europa com toda a sua diversidade de tradições e a preocupação de a União Européia se transformar numa “segunda edição da União Soviética”.

O deputado ataca amiúde o falseamento da democracia na União Européia, pois na verdade uma Comissão não eleita é responsável por mais de 75% das leis: “A união esvaziou o Conselho da Europa. Mas note as diferenças do processo: de um lado, no Conselho, os governos, diretamente responsáveis perante os eleitores, podem tomar decisões de forma cooperante; do outro lado, temos governos que abdicam de determinados poderes e os delegam a terceiros, não eleitos, que produzem legislação que depois chega aos Estados. É a cooperação versus assimilação, dois conceitos absolutamente diferentes”.

Na opinião de Farage, os políticos europeus são uma classe profissional formada por pessoas “que nunca tiveram emprego: nunca foram soldados, nem homens de negócios, nem sequer jornalistas; são um grupo de universitários esquerdistas que começam a fazer investigação nas instituições europeias e acabam em carreiras políticas. Francamente, não são muito mais que parasitas”.

Por ser tão politicamente incorreto o conferencista é chamado de “populista” pelos seus detratores, ao que ele responde: “Martin Schultz, líder dos socialistas europeus, depois do ‘não’ irlandês disse que a Europa não deveria ceder ao ‘populismo’. Para Schultz, representante de um grupo tão poderoso na Europa, a palavra ‘democracia’ e a vontade natural passaram a ser sinônimo de ‘populismo’”.

O público presente à conferência ficou muito entusiasmado, prolongando-a com interessantes perguntas. Como é tradição, foi servido depois um cocktail, durante o qual os convidados conversaram longamente sobre o futuro da Europa.
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(*) Heitor Abdalla Buchaul é colaborar da ABIM

quarta-feira, 9 de março de 2011

Após mais de 40 anos, é celebrada em Bruxelas uma Missa Pontifical no rito tridentino


Heitor Abdalla Buchaul (*)

Na Arquidiocese de Maline-Bruxelles (Bélgica), celebrou-se com grande júbilo a primeira Missa Pontifical, no rito tridentino, após a introdução do “Novus Ordo Missae” promulgado por Paulo VI em 1969.

No domingo, dia 30 de janeiro, às 18:30 a bela igreja de Saints Jean-et-Étienne-aux-Minimes, do século XVIII, estava repleta de fiéis ansiosos por testemunhar o grandioso evento.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Encontrado champagne presenteada por Luís XVI ao Czar

A champagne mais antiga do mundo, ainda em condições de ser bebida, foi resgatada de um navio no fundo do mar Báltico. Segundo Christian Ekstrom, um dos descobridores do “tesouro”, as garrafas datam de 1780 e eram um presente de Luís XVI para o Czar da Rússia. Os mergulhadores (foto) não sabiam que se tratava de champagne, abriram uma garrafa para conferir o conteúdo e ficaram entusiasmados: “O gosto era fantástico. Uma champagne muito doce, com gosto que lembra o tabaco e o carvalho”. As obras-primas da ordem cristã ganham valor com o tempo, sobretudo quando vinculadas a instituições como as monarquias francesa e russa. Em sentido contrário, os produtos da modernidade, ainda quando aproveitáveis, costumam depreciar-se e são rapidamente descartados, gerando amiúde ingentes problemas de lixo no planeta.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tradição é sinônimo de produtos de qualidade

Enquanto muitos produtores de vinhos mais ou menos industrializados pensam rever sua produção em função das pressões ambientalistas, a adega espanhola López de Heredia despreza tais pressões. Ela nunca abandonou os métodos tradicionais forjados sob o influxo da civilização cristã. Nas suas fidalgas instalações, usa pipas de madeira de até 132 anos de idade, que transmitem sabor especial ao vinho. As garrafas descansam cobertas pela poeira e teias de aranha, sinal sensível de sua nobre antiguidade. Para Maria José López de Heredia (foto), filha do patriarca proprietário, isso é absolutamente benéfico para os vinhos. Eles assim dormem imperturbados seu prestigioso sono, à espera de serem levados triunfalmente à mesa. No momento, aqueles que trocaram a tradição por marketing tentam imitá-la.
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Agência Boa Imprensa

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mosteiro inglês que revive tradições atrai vocações

Em Cornwall, Inglaterra, instalou-se nova ordem contemplativa: a das Irmãs Franciscanas da Imaculada (foto), noticiou “The Telegraph”. Elas ocuparam o antigo convento de Lanherne, abandonado pelas carmelitas. Trata-se do primeiro instituto feminino que adotou oficialmente o rito litúrgico tradicional, em latim, com a aprovação de Roma. Também foi aberta uma casa para o ramo masculino em análogas condições. A abertura de uma casa de contemplativas com disciplina, austeridade, observância litúrgica tradicional e muitas novas vocações trouxe vigoroso ânimo aos católicos ingleses, após décadas de desanimadoras notícias de mosteiros que fecham suas portas, que permanecem sem novas vocações, que abrigam escândalos, ou que disseminam tibieza.

Agência Boa Imprensa

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Retorno de aulas em latim em Nova York

O diário “The New York Times” e a revista “U.S. News & World Report” noticiaram uma avançada tendência nas escolas de nível médio e secundário americanas: aulas de latim (foto).

A tendência cresceu nas últimas duas décadas na Igreja Católica, especialmente entre jovens sacerdotes, seminaristas e leigos. Grande número deles se entusiasma lendo, ouvindo, cantando e assistindo à liturgia em latim. Grupos organizados aprofundam o canto gregoriano e o estudo da gramática latina.

Um segmento importante dos jovens voltou-se para a Tradição do catolicismo, a adoração eucarística e o canto gregoriano –– comentou o site The Catholic Thing. É auspicioso esse interesse pela língua oficial da Igreja, genuína transmissora do esplendor da fé católica.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Estados Unidos: abadia beneditina quer imitar os monges fundadores

Em Hulbert, Oklahoma, nasceu um novo mosteiro beneditino masculino que imita seus antecessores medievais europeus. O mosteiro de Nossa Senhora da Anunciação de Clear Creek foi fundado por estudantes da Universidade de Kansas, que se entusiasmaram pela cultura e idéias da civilização ocidental. Começaram a estudar latim, e logo perceberam o catolicismo como a fonte de todos os bens que admiravam. Foram então à procura de abadias com vida tradicional. Em conclusão, fundaram um mosteiro. Eles rezam as oito horas canônicas e celebram a Missa em latim, segundo o rito de São Pio V, que julgam mais de acordo com a vida contemplativa monástica. Querem reeditar a obra das abadias na Idade Média e pretendem construir sua igreja em estilo românico. (Agência Boa Imprensa – ABIM)