sábado, 24 de março de 2012

A aparência e a realidade

Hélio Dias Viana (*)

Após serem expulsos pela polícia da área particular que haviam invadido em Pinheirinho, São José dos Campos (SP) – fato que ocasionou veementes protestos de diversos políticos petistas e foi objeto de grande cobertura da mídia –, os invasores dizem que agora não têm para onde ir. – “E que lugar merecem esses invasores senão ‘debaixo da ponte’?” – frase que a esquerda adoraria, se pronunciada por alguém da direita. Mas prossigamos. Falando pouco depois à imprensa, um dos líderes do movimento declarou que se não fosse o apoio do PT, de religiosos ligados às Comunidades de Base e à Teologia da Libertação, era mesmo para perder toda a esperança.

Na realidade, os desesperançados da foto não são os invasores de Pinheirinho, tão afagados pela esquerda, mas alguns dos treze dissidentes que a polícia de Fidel e Raúl Castro enxotou neste último fim de semana de uma igreja de Havana. Eles fazem parte dos 11 milhões de cubanos que vivem de modo permanente “debaixo da ponte” da miséria a que os relegou o regime comunista e protestavam pacificamente para chamar a atenção da opinião pública mundial ante a iminente visita de Bento XVI à ilha-prisão.

O pedido à polícia foi feito pelo cardeal D. Jaime Ortega, Arcebispo de Havana, sendo os dissidentes conduzidos a uma delegacia, fichados e depois liberados. Em declarações ao “Washington Post”, o líder deles (em destaque na foto), Fred Calderón, declarou que a polícia os tratou com brutalidade, contrariamente ao que foi noticiado.

Seja como for, fica patente o seguinte: no Brasil, até alguns anos atrás, as igrejas do ABC eram gentilmente cedidas para as concentrações de Lula e dos metalúrgicos, que visavam à desestabilização da sociedade; em Cuba, como o regime já é a realização daquilo que Frei Betto e seus comparsas, bem como importantes setores do PT desejavam implantar no Brasil – ou seja, o comunismo –, aqueles que ousam manifestar-se contra ele nas igrejas são expulsos pelo cardeal. Conclusão: cá e lá, a mesma colaboração há.

Em tempo: A situação para as Damas de Branco – opositoras do regime cubano, do qual exigem respeito aos direitos humanos – não está propriamente idêntica às suas vestes. Setenta delas foram presas. As prisões iniciaram-se no sábado, dia 17 e se prolongaram no domingo, quando várias foram detidas pouco depois de saírem de uma igreja onde assistiram à missa. Elas pedem para serem recebidas por Bento XVI, “ainda que seja só por um minuto”, pois do contrário haverá o risco de o Sumo Pontífice encontrar-se apenas com os carcereiros do povo cubano.
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(*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)

sábado, 10 de março de 2012

“Vitória” de Putin na Rússia revive os tempos da URSS

Além das fraudes generalizadas, e evidenciadas, nas últimas eleições presidenciais na Rússia, que deram vitória a Vladimir Putin já no primeiro turno, a Justiça Eleitoral russa “deletou” candidatos. O candidato liberal russo à presidência, Grigory Yavlinsky, podia impedir a vitória pré-programada de Putin nas eleições. Mas ele foi “apagado” das listas oficiais pela Comissão Eleitoral — tribunal acusado de organizar e acobertar a falsificação maciça dos resultados das eleições parlamentares em dezembro último. Para a oposição, “é absolutamente clara a ilegitimidade da eleição presidencial”. Outros candidatos independentes foram riscados pela Justiça Eleitoral com pretextos legais obscuros. A mídia e os governos ocidentais verteram lágrimas de crocodilo na eleição que coroou Putin como presidente do soviete supremo russo. Apesar de este não mais usar o nome de soviete, na realidade funciona como tal.
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Agência Boa Imprensa

Mandatários esquerdistas com câncer


Em mais um exibicionismo de retórica pró-comunista, o presidente venezuelano Hugo Chávez aventou a hipótese de os EUA inocularem câncer nos líderes latino-americanos. Logo após o anúncio de um não comprovado câncer da presidente da Argentina, ele disse: “É muito, muito esquisito, é difícil explicar, [...] até se apoiando nas leis da probabilidade”. Opositores atribuíram jocosamente o “contágio” a uma réplica da espada de Bolívar presenteada a dirigentes latino-americanos pelo venezuelano. De fato, é incomum que alguns presidentes de esquerda de um mesmo continente contraiam câncer na mesma época. Uma intervenção da Providência divina? Como hipótese, ela é bem mais verossímil do que a risível hipótese do gênero “teoria conspiratória” aventada por Chávez.
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Agência Boa Imprensa

“Aquecimento global”: cientistas descartam pânicos

Dezesseis grandes cientistas internacionais lançaram uma Carta Aberta destinada aos candidatos presidenciais dos EUA, destacando que “não é verdadeira a alegação de que quase todos os cientistas exigem fazer algo dramático para deter o ‘aquecimento global’. Na verdade, um grande número e crescente de cientistas e engenheiros não concordam que essas ações sejam necessárias. O CO2 não é um poluente, mas um componente-chave do ciclo de vida”. Os cientistas comparam a hostilidade mediática e oficial contra eles à repressão dos dissidentes na União Soviética e apelam aos candidatos para não explorarem pânicos irracionais, baseados em reivindicações alarmistas e carentes de provas “irrefutáveis”.
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Agência Boa Imprensa

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Afinal, o que é o Céu?

Procure contemplar a natureza com todas as suas belezas criadas e pense no Céu. Por maiores que sejam as riquezas e as belezas da Terra, não há termo de comparação com as riquezas e belezas da eternidade.
Pe. David Francisquini (*)

Já escrevi sobre a glória que nos é reservada no Céu, onde desfrutaremos do banquete que nos foi preparado desde toda eternidade. Volto ao tema. Começarei com alguns ensinamentos de Santo Antonio Maria Claret, homem de firmeza inquebrantável, cujo lema foi: A Dios orando y com el mazo dando! (A Deus rezando e com o porrete golpeando).

Segundo este catequista e missionário, formador do clero e diretor de almas, teremos no Céu bens essenciais e acidentais. Os primeiros consistem na contemplação e no deleite de Deus, além do conhecimento dos mistérios da natureza e da graça. Desse entendimento resulta um amor, um contentamento inefável e uma felicidade que durará por todos os séculos dos séculos.

Os bens acidentais, como glória, paz, júbilo, bem-estar, harmonia, são atributos com os quais os justos ou santos se apreciam e se amam como filhos de Deus, como irmãos e como amigos. Tais bens ultrapassam o entendimento humano, mas constituirão verdadeiras auréolas para as almas que conseguirem vitórias assinaladas contra o demônio, as vaidades e as pompas do mundo.

São Paulo testemunhou o seu arrebatamento ao terceiro Céu, onde viu algo impossível de se exprimir com linguagem humana. Para quem não viu o Céu, impossível descrever tantas belezas, harmonias e prazeres que Deus preparou para os que O amam.

O Apóstolo deixou consignado que vista jamais viu, ouvido jamais ouviu e jamais entrou no coração do homem o que Deus preparou para ele, pois os bem-aventurados gozarão no Céu conforme os seus merecimentos: “Quem semeia parcamente, parcamente colherá; e quem semeia abundantemente, com abundância colherá”.

Reino magnífico, onde todos se sentem felizes sob a autoridade do Pai. Lugar sem sofrimento nem tristeza, sem rivalidade nem inveja; todos estão irmanados numa família triunfante a desfrutar de todos os bens e a contemplar Deus face a face sem fastio, sem tédio, sem torpor, sem indolência. Afinal, todos se encontram livres do pecado e das penas temporais, pois nada de impuro entra no reino dos Céus.

Conta-se que certo monge, ao meditar sobre o Céu, tinha dificuldade em entender um bem que pudesse saciá-lo sem cansar. Certa feita meditava ele pelos jardins do mosteiro quando lhe apareceu um lindo pássaro a cantar. Arrebatado, o religioso o foi seguindo, seguindo, até uma região desconhecida, mas de indescritível beleza. Era sua intenção apoderar-se do misterioso passarinho. 

Pôde apreciar palácios encantadores, fortificações, muralhas que nem mesmo todo o ouro da terra teria bastado para edificar. Numa palavra, um reino de esplendor e majestade. De repente, como que se despertando de um sonho, o monge golpeia a porta do convento, pois já imaginava um tanto atrasado para a próxima hora do Ofício Divino.

Qual não foi o seu espanto ao perceber que ninguém o conhecia e vive-versa, ainda que ele afirmasse ter-se ausentado apenas por um lapso de tempo... Diante da insistência, o prior resolveu consultar os registros do convento. E lá encontrou o relato do sumiço de um monge cerca de cem anos atrás. Ao ouvir o nome e as circunstâncias do misterioso desaparecimento, o monge se identificou, mas sem se conformar com tanto tempo passado. Uma antevisão do Céu? A lenda o diz.

Mas, afinal, o que é o Céu? — São Bernardo responde assim: “No Céu não há nada que nos desagrada e faz sofrer, pois ali existe todo bem que faz deleitar e cumular a alma de uma felicidade e alegria sem par”. Já Santo Afonso descreve como sendo um lugar “onde não existe a sucessão de dias e noites, de calor e frio, mas um dia perpétuo e sempre sereno, contínua primavera deliciosa e perene. Não há perseguições nem ciúmes, porque nesse reino de amor, todos se amam com ternura, e cada um goza da felicidade dos demais como se fosse a sua própria”.

Se o prezado leitor deseja um dia entrar no Céu, rogue a Deus conceder-lhe uma vontade resoluta em vencer as tentações do maligno e observar a santa lei do Criador; frequente os sacramentos, sobretudo a confissão e a comunhão; tenha uma ardentíssima devoção a Nossa Senhora, bem como ao anjo-da-guarda, nosso fiel amigo e advogado.

Procure contemplar a natureza com todas as suas belezas criadas e pense no Céu. Por maiores que sejam as riquezas e as belezas da Terra, não há termo de comparação com as riquezas e belezas da eternidade.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O inferno cubano e o silêncio vaticano

Armando F. Valladares

No dia 19 de janeiro p.p. — a dois meses da viagem de S.S. Bento XVI à ilha-prisão de Cuba e 24 horas antes da chegada de uma delegação vaticana de alto nível para ultimar detalhes da visita papal — o regime cubano, à maneira de uma gargalhada macabra, deixava morrer o jovem preso político Wilman Villar Mendoza [foto ao lado]. Ele era pai das meninas Geormaris e Wilmari, de 7 e 5 anos. Uma morte cruel que sua esposa, Maritza Pelegrino, não duvidou em qualificar de “assassinato”.

Tendo sido condenado a prisão em 24 de novembro de 2011, Wilman decidiu, num ato de desespero, protestar diante do mundo contra a sua condenação — e, sobretudo, contra a situação de escravidão em que jaz seu querido povo cubano — com a única coisa que julgou ter em mãos: uma greve de fome, cujo objetivo não era o de atentar contra a sua própria vida, mas de usá-la, em seu extremo abandono e aflição no fundo das masmorras castristas, como um modo muito arriscado de protesto.

Ele foi isolado e deixado nu numa cela úmida e fria, contraindo pneumonia. Seus verdugos — como já haviam feito com o também preso político e dirigente estudantil Pedro Luis Boitel, por ordens do próprio Fidel Castro, em 1972, e com Orlando Zapata Tamayo em 2010 — não lhe deram a devida atenção médica, nem água para ingerir. Ainda tentaram, mediante promessas mentirosas de libertação, que ele renegasse suas ideias em prol de uma Cuba liberta, digna e próspera. Mas percebendo que não podiam quebrar-lhe a resistência, não somente o deixaram morrer, como aceleraram a sua morte com a falta de atenção médica adequada.

Em Cuba, as Damas de Branco, das quais fazem parte a viúva de Wilman e opositoras da estatura de Martha Beatriz Roque Cabello, foram as primeiras a denunciar ao mundo, no dia 24 de novembro de 2011, a arbitrária prisão de Wilman. Foram também as primeiras a condenar a atitude criminosa do regime comunista, consumada em 19 de janeiro, tendo sido secundadas pelos governos da Espanha, Estados Unidos e Chile. Elas receberam a solidariedade emocionante de cubanos da ilha, bem como de desterrados e de amantes da dignidade humana, da liberdade e do direito no mundo inteiro. A fundadora das Damas de Branco, Laura Pollán, morreu no ano passado num hospital, por falta de assistência médica.

Em sentido contrário, os silêncios mais clamorosos, que me conste, foram os da Secretaria de Estado da Santa Sé, do Cardeal de Havana, D. Jaime Lucas Ortega y Alamino, e da Conferência Episcopal Cubana.

O caso desesperador do jovem Wilman era de conhecimento público havia dois meses. Aqueles Pastores tiveram, portanto, muito tempo para falar, interceder pela sua liberdade e dar-lhe assistência espiritual no cárcere, e inclusive para lhe advertir com caridade que a Igreja se opõe às greves de fome, apresentando as razões de tal oposição. Eles tiveram muito tempo para exigir uma assistência médica adequada e deixar claro aos carcereiros que estes já não mais podiam continuar agindo impunemente. Mas, até hoje, que me conste, eles permanecem num inexplicável silêncio.

Será que tais Pastores não conhecem o opróbrio e a injustiça de que são vítimas os presos políticos em Cuba, ou conhecem e permanecem indiferentes? Será que não estão a par da violação institucionalizada de todos e de cada um dos Mandamentos da Lei de Deus, ou estão e também são indiferentes a esse fato marcante? Não ouvem esses gritos de desespero e angústia que brotam dos cárceres cubanos? Esse drama inimaginável nada lhes fala e não lhes sugere outra atitude a não ser esse pesado silêncio?

Através de conhecidos motores de busca da Internet, procurei localizar, da parte de alguma autoridade eclesiástica vaticana ou cubana, sequer uma declaração de consolo cristão para a família do preso político; ou a narração de eventuais tratativas junto aos carcereiros; ou ainda uma oração pedindo misericórdia divina para Wilman e alento para o escravizado povo cubano. Mas, até o momento, nada disso encontrei.

Também de modo infrutífero tentei encontrar ao menos uma referência noticiosa à morte de Wilman no “Osservatore Romano”, na Rádio Vaticano, nas duas maiores agências católicas — Zenit e ACI —, no site web da Conferência Episcopal Cubana, nos sites web Espacio Laical y Palabra Nueva, da Arquidiocese de Havana. Quanto eu desejaria que os fatos me desmentissem!

Esse silêncio de Pastores chamados a dar a vida pelas suas ovelhas produz tanto ou mais sofrimento do que o próprio assassinato de um jovem membro do rebanho.

Silêncio mais pesado pelo fato de ter sido clamorosa a insistência pública de SS. Bento XVI e da Santa Sé em prol da defesa dos direitos da pessoa humana. Silêncio enigmático e desconcertante da diplomacia vaticana do qual, segundo destacados jornalistas, uma das raízes históricas parece estar no próprio silêncio do Concílio Vaticano II em relação ao comunismo, ao conceder aos lobos total liberdade para dizimar o rebanho em Cuba, nos países do Leste europeu, na Rússia, na China, no Vietnã etc.

O regime castrista, aparentemente tão seguro de sua impunidade, nem sequer teve o trabalho de fuzilar Wilman, Boitel e Orlando. Deixou-os morrer de um modo como não se faz sequer com animais selvagens.

O desamparo em que ficaram sua jovem viúva e suas duas filhinhas [foto] doentes — uma epiléptica e a outra com sérios problemas respiratórios — é um reflexo dilacerante do atual drama do povo cubano. Segundo versão recebida de Cuba pelo meu companheiro de presídio e hoje brilhante jornalista Carlos Alberto Montaner, as duas crianças não entendem o que aconteceu com o seu querido pai. Como a família tem influência cristã, a mãe lhes explicou que ele foi para o Céu. “E onde está o Céu, mamãe?” — perguntaram. “Muito longe de Cuba. Muito longe” — respondeu a jovem viúva.

É aos artífices, aos propulsores e aos mantenedores do Inferno cubano — tão, mas tão longe do Céu — a quem o silêncio vaticano favorece em primeiro lugar.

Sobre a viagem papal à ilha-prisão, escrevi no dia 1º. de janeiro de 2011 o artigo “A viagem de Bento XVI a Cuba: esperanças e preocupações”, publicado dois dias depois no “Diário Las Américas” de Miami e difundido por centenas de blogs, sites web e redes sociais de cubanos desterrados e defensores da liberdade do mundo inteiro.
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Armando Valladares – Escritor, pintor e poeta, padeceu durante 22 anos nos cárceres políticos de Cuba. É autor do best-seller Contra toda a esperança, onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU nas administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalha Presidencial do Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado. Escreveu numerosos artigos sobre a colaboração eclesiástica com o comunismo cubano e sobre a Ostpolitik vaticana em relação a Cuba.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

“Costa Concórdia”, “Titanic” do século XXI: presságio de um fim de época?

Costa Concordia: símbolo do afundamento da União Européia? 

Luis Dufaur (*)

O afundamento do “Costa Concordia” rememorou na Europa os tristes presságios levantados pela perda do “Titanic”, escreveu Ben Macintyre, do diário “The Times” de Londres, reproduzido pelo “The Australian“.

Sir Osbert Sitwell viu na tragédia do transatlântico inglês, ocorrida em 14 de abril de 1912, um “símbolo de uma sina que se avolumava sobre a civilização ocidental”. E, de fato, não muito depois, a I Guerra Mundial arrasaria o continente europeu, pondo fim à sua rica, requintada e irrefletida Belle Époque. Foi o fim de uma época.

Hoje, no momento em que a União Europeia naufraga num mar de dívidas, na incerteza política e na instabilidade social, o desastre do luxuoso cruzeiro italiano inspira presságios não menos convidativos à reflexão.

Neste ano em que vai se decidir se o euro afunda ou se permanece à tona, o “Costa Concordia” surge como uma alegoria perfeita da extravagância financeira e da artificialidade da imensa construção europeia.

Um enorme palácio flutuante, de um luxo que faria o “Titanic” ser considerado quinquilharia; de ostentação e gosto discutíveis, mas não por isso menos impressionantes para os nossos dias; esse foi o maior cruzeiro que a Europa da era UE conseguiu construir. Custou o faraônico preço de 572 milhões de euros e foi acabar se desventrando nos recifes de uma simples e poética ilha toscana.

Os desastres — escreveu Macintyre — marcam de um modo poderoso as curvas da História. E assim como o desaparecimento do “Titanic” soou como um gongo para a era vitoriana, o fim do “Costa Concordia” poderia marcar simbolicamente o fim de uma época tão confiada quanto insegura como a nossa.

Em 1912, G. K. Chesterton viu no afundamento do “Titanic” a punição da “modernidade”, de uma era orgulhosa que se auto-adorava num navio fruto de suas mãos e supostamente impossível de afundar, e que acabou reduzido a nada pela natureza que ele acreditava ter dominado para sempre.

O “Costa Concordia” — pergunta Macintyre — pressagiará uma mudança de época comparável, trará uma advertência ou uma eventual punição à obsessão por uma modernidade que adora as velocidades, as construções babilônicas e o luxo “globalizado”?

Acrescentamos nós: uma “modernidade” que pretende atingir o céu desconhecendo a própria moral natural e desafiando as leis do Criador? Esta é uma questão que está no cerne dos anúncios do Céu como os de La Salette e Fátima.
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(*)  Luis Dufaur é colaborar da Agência Boa Imprensa - ABIM

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O conto “A nova roupa do Rei” do Ativismo Homossexual e sua camisa de força



Márcio de Sousa Coutinho (*)

Todos se lembram do conto em que dois falsos alfaiates prometem a um rei vaidoso um belíssimo e precioso traje real, mas que apenas pessoas inteligentes e astutas poderiam vê-lo, por se tratar de uma roupa “invisível” para os simples mortais. Sua Majestade poderia assim saber quem em seu reino era digno das funções que exercia. O rei logo mandou confeccionar e encheu os impostores de riquezas. A notícia correu por todo reino… e todo que não visse o traje estaria demonstrando que não era digno do cargo que ocupava.

Mas os dias dos falsários estavam contados. Na ocasião anunciada o rei estrearia o traje “invisível” em um desfile diante de todo seu reino. Quando o dia chegou e o rei saiu às ruas, a multidão gritava ao avistá-lo “com” o traje: ‘Que lindas vestes!’, ‘Que cores magníficas!’, ‘Deslumbrante!’. Todavia, ninguém tinha coragem de dizer a verdade da nudez do rei, para não passar por tolo, até que uma criança entre a multidão, em sua singeleza e inocência, achou aquilo estranho e gritou atônita: “Coitado!!! O rei está nu!!” A população, convencida pela coragem e candura daquela criança enfim gritou: “O Rei está nu!…” O Cortejo continuou… e o rei percebeu que foi enganado pelos falsos alfaiates e pela sua vaidade descomedida. Prometeu então a si e aos seus súditos de não ser mais vaidoso.
Pois bem, caro leitor. Assim como os falsos alfaiates por uma guerra psicológica conseguiram convencer o rei de ter vestido um traje verdadeiro, e a população de estar vendo tal traje, assim também o ativismo homossexual faz uma guerra psicológica, convencendo pessoas que têm tendência homossexual a vestirem uma “camisa de força”, como se sua tendência não pudesse ser curada ou ao menos neutralizada. A medicina terapêutica vem mostrando o contrário e com resultados formidáveis.

Para o movimento homossexual estes resultados são devastadores, pois não há mais fundamento para se alegar que a homossexualidade é genética, dominante e irreversível. Por isso o lobby homossexual é tão furioso com quem diga ao contrário.

Um exemplo deste antagonismo foi a represália feita na Espanha por este lobby contra a livre circulação da tradução do livro intitulado: “Comprender y sanar la homosexualidad” (“Compreender e curar a homossexualidade”, em tradução literal), de autoria do psicoterapeuta norte-americano Richard Cohen. A obra foi retirada de uma grande cadeia de livraria virtual mediante um protesto via e-mails. Assim relata o portal Globo, em 27/12/2011.

Cohen como psicoterapeuta afirma de ter curado, durante os últimos quinze anos, a milhares de homens e mulheres que sentiam atração por pessoas do mesmo sexo. A razão de escrever este livro foi a "sua própria experiência pessoal, já que garante que, após ser homossexual 'durante décadas', voltou a ser heterossexual".

Em uma entrevista no site da editora Libros Livres, Richard Cohen demonstra os seus verdadeiros motivos para deixar a homossexualidade: "Se estamos decididos, contamos com o amor de Deus e o apoio de outras pessoas, a cura é possível".

Para a Federação Andaluza de Associações LGTB, a retirada mesmo que restrita do livro é uma "vitória do ativismo". Contudo, ressalta que um grande perigo deste livro é que ele provoca "não só a desinformação radical sobre a própria classe LGTB, mas uma clara ameaça para os jovens homossexuais e transexuais e suas famílias baseada nos tão condenados e temidos tratamentos reparadores".

Por aí vemos com que tipo de camisa de força tal lobby homossexual veste as pessoas com tendência ao homossexualismo, principalmente os jovens! Uma vez entrando neste vício, quão difícil é sair dele…

O que nos resta é que apareça no horizonte brasileiro pessoas que desmascarem esse lobby, assim como aquela criança o fez, gritando: "Não se nasce homossexual!" Opa! Desculpe, quis dizer: "O Rei está nu!"…
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(*)  Márcio de Sousa Coutinho é colaborar da ABIM

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ministra francesa: “Não há islamismo moderado”

Jeannette Bougrab, ministra francesa da Juventude, declarou ao diário parisiense “Le Parisien”: “Eu não conheço islamismo moderado [...] Não há sharia light”. Sua observação coincide com a do eurodeputado Magdi Allam, convertido ao catolicismo. A ministra está alarmada com as vitórias fundamentalistas nas eleições no Marrocos, Tunísia e Egito. Para ela, a opção entre ditaduras de um lado e regimes fundamentalistas do outro, é como ter que escolher “entre a peste e o cólera”. Ela falou não como ministra, mas como “mulher francesa de origem árabe”. “Eu sou daqueles que acham que se podem proibir os partidos políticos que trazem perigo para a Constituição”. A Europa está percebendo que alimentou alegremente o monstro nascido da “Primavera Árabe”, que agora se volta contra ela de punhal na mão.
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Agência Boa Imprensa

Nigéria aprova lei anti-homossexualismo e Obama se enfurece

O Senado nigeriano aprovou lei que penaliza com até 14 anos de prisão o “casamento” de homossexuais e também de lésbicas. Todos os envolvidos na cerimônia poderão receber até 10 anos de pena. O povo da Nigéria é muito religioso e considera o homossexualismo um pecado. Mais de 30 países da África punem a as relações homossexuais. O presidente Obama ameaçou cortar os auxílios a esses países. Mas o governo nigeriano reagiu com dignidade, lembrando ao presidente americano que a Nigéria é soberana e livre, se rege pelo Direito, sua lei é democrática e de acordo com a sensibilidade da nação, enquanto o homossexualismo é muito ofensivo às culturas e tradições da África. “Direitos humanos”, “democracia”, “soberania” e “respeito às culturas tradicionais” são princípios que as esquerdas utilizam e fingem respeitar somente quando servem para demolir a ordem natural e cristã.
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Agência Boa Imprensa

Carro chinês bate recorde de insegurança

O CK1, sedan da montadora chinesa Geely, que deseja fabricar carros no Brasil, participou do Latin NCAP, programa de avaliação dos veículos em caso de colisão. Obteve o pior resultado e nenhuma das cinco estrelas possíveis. Até então, nenhum carro havia “zerado” na prova, cujo formato existe há décadas na Europa e EUA. Entre as realizações da Geely figura a apresentação, no Salão de Xangai 2009, de uma cópia do Rolls-Royce Phantom. Até a estatueta “Spirit of Ecstasy”, símbolo da fabricante inglesa, foi pirateada. A montadora existe há menos de 30 anos, mas já é uma das maiores da China. Em 2009 ela comprou a Volvo, da Suécia, e tornou-se um dos tentáculos do governo comunista para ir penetrando a indústria ocidental e destruindo-a, garantindo assim a supremacia chinesa.
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Agência Boa Imprensa

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Milagre de Nossa Senhora de Fátima comociona Portugal


Quadro "A ultima onda" (Emilio Ocon y Rivas)

Portugal ficou emocionado pelo favor insigne de Nossa Senhora aos pescadores do barco Virgem do Sameiro. O barco naufragou e os pescadores ficaram à deriva numa balsa, em alto mar, durante 60 horas. O capitão José Manuel Coentrão narrou: Havia um Terço na balsa, que é do pescador que ainda está no hospital. Rezamos muito a Nossa Senhora de Fátima. Eu rezava em voz alta e os outros oravam em silêncio. Não tenho dúvidas de que foi um milagre”. Os náufragos aguardavam que o dono do Terço saísse do hospital para irem ao santuário. “Hoje fui à balsa buscar o Terço que quero oferecer a Nossa Senhora de Fátima e que nos ajudou a sobreviver, mandando o avião para nos salvar”, acrescentou o capitão.
População agradece o milagre
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Agência Boa Imprensa

Conflitos multiplicam-se em fábricas chinesas

Os últimos meses foram os mais tumultuados nas fábricas chinesas. Houve greves nas linhas de produção da Honda, Apple e IBM. Segundo a associação China Labor Watch, os gerentes impunham jornadas de trabalho das 7h30 até meia-noite ou ainda mais rigorosas aos empregados. Milhares de operários paralisaram cinco fábricas da Pepsi e sete mil empregados de uma fornecedora para as marcas New Balance e Nike interromperam a produção. Os descontentes coordenam-se através de torpedos e microblogs. Em Dongguan, cidade do trabalho em regime semi-escravo, o governo socialista prometeu mitigações. Mas 400 operárias suspenderam o trabalho em protesto contra “um sistema de pagamento por peça e cotas de produção diária impossíveis de cumprir”. O estopim se acendeu quando o gerente de uma fábrica, respondendo a uma das operárias sobre os suicídios de trabalhadores imigrantes, disse: “Pule do telhado e vá para o inferno!”.
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Agência Boa Imprensa

Putin falsifica eleições e reprime opositores

Na Rússia, a perda de prestígio do ex-coronel da KGB, Vladimir Putin, patenteou-se em estrepitosas vaias públicas e na perda da esmagadora maioria que seu partido possuía na Duma (Parlamento). Nas eleições de dezembro, mais de cinco mil casos de fraude foram denunciados e entre 20 e 25% dos votos teriam sido fabricados. A fraude maciça foi confirmada pelos observadores internacionais e até pela secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton. Dezenas de milhares de oposicionistas manifestaram-se contra a falcatrua e foram reprimidos com violência [foto acima]; mais de 500 foram presos. Dezenas de bilhões de dólares teriam saído do país diante do sombrio panorama criado pela conduta ditatorial dos oficiais da ex-polícia política soviética.
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Agência Boa Imprensa

sábado, 24 de dezembro de 2011

Rompendo o silêncio dos indiferentes

Pe. David Francisquini  (*)

Proclama o livro da Sabedoria: “Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas e a noite ia a meio do seu curso, então, a tua palavra onipotente desceu do Céu e do trono real e, como um implacável guerreiro, lançou-se para o meio da Terra condenada à ruína, trazendo, como espada afiada, o teu irrevogável decreto”.

Há pouco mais de 2000 anos, um edito de César Augusto convocava um recenseamento de toda o império romano. Naquele tempo, os recenseadores não iam, como hoje, de casa em casa interrogando as pessoas. Todos eram obrigados a se dirigir para tal fim à sua cidade de origem. Foi por esta razão que José — por ser da Casa e linhagem de David —, deixando Nazaré, na Galiléia, se dirigiu a Belém, na Judéia, a fim de se recensear com Maria, sua esposa.

O recenseamento concorreu para romper o silêncio e a rotina daquela cidade não muito distante de Jerusalém. Suas ruas, praças e hospedarias se encontravam cheias, num vai-e-vem contínuo de pessoas. Familiares, amigos, e mesmo estranhos se cumprimentavam e falavam dos pequenos acontecimentos de que se compunha a vida miúda daquela gente. Disso resultava um vozerio proporcional ao movimento da multidão, mas o suficiente para turbar os costumes da pequena Belém de Judá.

Foi em meio àquela balbúrdia que chegou São José, puxando um burrico sobre o qual se encontrava sua esposa, que estava grávida. Ninguém percebeu, sequer pôde entrever que o claustro virginal de Maria encerrava o Deus encarnado, “Aquele a quem nem o Céu nem a Terra podia conter”, prestes a vir ao mundo. José procurou por toda cidade um lugar onde pudesse nascer o Redentor: casas de parentes, hospedarias, casas particulares. Todas as portas se fecharam para ele e sua esposa. Ou seja, o Redentor não encontrou abrigo onde pudesse vir à luz do mundo. São João escreveu que a Vida estava n’Ele, e esta Vida é a luz dos homens. É a luz que brilha nas trevas e as trevas não puderam envolvê-Lo. O Verbo era Luz verdadeira que ilumina a todo homem que vem a este mundo. Ele estava no mundo, neste mundo que Deus criou, e o mundo não O quis reconhecer. Ele veio habitar entre os seus e os seus não O quiseram receber.

Cenário triste que se repete, ano após ano, nas celebrações do Nascimento do Redentor. Na verdade, tudo deveria parar a fim de ceder lugar, com todo o requinte possível, às celebrações d’Aquele que é a Luz do mundo. Afinal, Ele nos traz as melhores recordações de alegria, de paz, de harmonia e bem-estar. Natal do Menino Jesus em Belém de Judá. Natal em que a Terra inteira deveria se engalanar para receber o Inocente por excelência.

Não tendo São José e Nossa Senhora encontrado lugar no casario de Belém, foram se recolher junto à manjedoura, numa gruta que servia de abrigo aos animais. Foi ali que se deu o Natal do Menino-Deus, anunciado pelas vozes angélicas que ecoaram pelos campos e despertaram os pastores: “Glória a Deus nas Alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!”. Nascido num campo como lírio perfumado, o Menino-Deus reuniu em torno de Si todas as classes, de reis a pastores.

A natureza toda sente-se embevecida e elevada porque um Deus que é o criador de todas as coisas e que governa o universo tornou-se criatura sem deixar de ser eterno e imutável.

Quem não se sente comovido contemplando uma criança tão bela, terna e frágil, que sob o olhar enlevado e compassivo de sua Mãe e de São José, jazia com seus bracinhos estendidos numa manjedoura, profeticamente a mesma posição que, 33 anos depois, assumiria ao morrer pregada na Cruz para a salvação da humanidade pecadora?
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Alemanha se prepara para o Natal


Benno Hofschulte  (*)

Todas as cidades da Alemanha, grandes e pequenas, começam as preparações para a grande festa do Natal, a mais popular e familiar festa entre os alemães. A preparação não significa apenas trabalho, limpeza, arrumação, compras. A nota dominante das semanas que antecedem a comemoração do nascimento do Divino Salvador é a criação de um clima, de um ambiente, que visa introduzir as pessoas e a população inteira numa crescente alegria em vista da vinda do Menino Jesus, que está próxima. É propriamente a expressão do tempo do Advento, em que a Igreja se cobre de paramentos roxos para, em espírito de penitência, ir de encontro ao esperançoso e feliz dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nem mesmo na moderna metrópole financeira e bancária da Alemanha, na cidade de Frankfurt, às margens do rio Main, o ambiente e programa natalinos deixam de dar a nota. Nas quatro semanas que antecedem o Natal, o ambiente nas casas comerciais, grandes magazines e supermercados muda completamente. A música ambiente, antes febricitante e vulgar, passa a emitir exclusivamente melodias tradicionais natalinas e transmitem ao ambiente uma atmosfera de aconchego, de doçura e felicidade.

Não é raro encontrar-se com pessoas cantando baixinho, acompanhando a melodia que se ouve no ambiente, enquanto escolhem os objetos que desejam comprar. O mesmo se sente ao passear pelas ruas e praças públicas ornadas por inúmeros pinheiros iluminados, bordejadas pela festiva decoração externa das casas comerciais e igualmente inundadas por melodias natalinas, tocadas ou cantadas por pequenos grupos de músicos e cantores. Quando tudo isso merece a graça de ser coberto com um alvíssimo manto de neve – um gracioso dom divino de inocência – a visão se sente transferida para um conto de fadas.

Mas o centro de tudo é constituído pela Feira de Natal [fotos], montada na praça em frente à prefeitura, o histórico palácio denominado Römer; na mesma praça em que outrora o povo festejava a coroação dos imperadores do Sacro Império Romano Alemão.

A feira é solenemente aberta com o “acendam-se as luzes” no fim da tarde da quarta-feira que precede ao primeiro domingo do Advento. A essa ordem, dada pelo burgomestre da cidade, toda a decoração e a imensa árvore de Natal se iluminam. Conjuntos instrumentais e vocais começam a apresentar músicas de Advento e Natal.

No sábado que antecede o primeiro domingo do Advento, todas as igrejas do centro da cidade, em número de onze, fazem repicar os seus sinos durante meia hora, para anunciar o começo da época natalina. Um passeio pela cidade nessa ocasião é um acontecimento. É a realização do que diz uma linda canção de Natal alemã:

“Nunca os sinos dobram com mais doçura do que no tempo do Natal; é como se os anjos voltassem a cantar, como fizeram na sacrossanta noite de outrora, a glória de Deus e a felicidade dos homens. Ó sinos, espalhai pelas vastidões da terra o vosso sagrado som”.

Duas vezes por semana, trombeteiros saúdam os visitantes da feira, tocando melodias próprias da época do alto da torre de uma igreja. São Nicolau veio no dia 6 de dezembro para saudar e presentear as crianças de Frankfurt. No dia 7, todos, grandes e pequenos, se reúnem na feira para, ao cair da tarde, entoarem juntos as tradicionais canções de Natal, sob a orientação de um famoso cantor ou cantora. Neste ano participaram oito mil pessoas desse encontro. É um espetáculo emocionante e digno pelo cultivo público de uma tradição secular. Três milhões de pessoas de todo o mundo passam pela Feira de Natal todos os anos.

A origem das Feiras de Natal remonta à Idade Média, quando os camponeses e artesãos do interior vinham às cidades oferecer seus artigos de decoração natalina, artigos para presentes e guloseimas típicos como pães de mel, pães de frutas e biscoitos, cujo aroma é caracteristicamente natalino. A feira de Frankfurt é a mais antiga da Alemanha, tendo sido citada em documentos do ano de 1393.

Adultos e crianças têm oportunidade de degustar o mundo da inocência que a festa do nascimento do Menino Jesus irradia. Mais de um milhão e meio de pessoas visitaram no ano passado a Feira de Natal em Frankfurt. Até o dia 22 de dezembro as luzes da Feira estarão iluminando o centro da cidade, quando então, do balcão da histórica prefeitura, o Menino Jesus desejará a todos um santo e abençoado Natal e o burgomestre dará a ordem de “apaguem-se as luzes”.
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(*) Benno Hofschulte é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Ela te esmagará a cabeça"

Pe. David Francisquini (*) 

No dia 8 de dezembro celebramos a tradicional festa da Imaculada Conceição de Maria, a Mãe de Deus, tendo Ela concebido por obra do Espírito Santo o Filho de Deus feito homem, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Os méritos de seu futuro Filho foram aplicados à Mãe antes mesmo d´Ela O conceber e, por conseguinte, sem a nódoa do pecado original.

Em sua onipotência, Deus fez o homem do limo da terra, dando-lhe alma imortal. A partir deste fez a mulher, colocando sobre este primeiro casal toda a sua predileção. E, para mais bem nobilitar a raça humana, quis participar dela pela Encarnação no ventre puríssimo de Maria. Coroou, assim, a obra da criação.

Como sabemos, esse primeiro casal foi infiel e não correspondeu aos planos do Criador. Mas nos seus divinos e soberanos decretos, revelou Deus que dessa raça pecadora viria o futuro Salvador. Sua Mãe seria uma pedra de contradição que, como um terrível exército em ordem de batalha, esmagaria a cabeça da serpente infernal. “Porei inimizade entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a descendência d’Ela e Ela te esmagará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar”. Luta posta pelo próprio Deus, que a vem sustentando entre a raça bendita da Mulher e a raça maldita de satanás, entre os que são de Deus e os que são do demônio.

Luta que vem se avolumando no decorrer dos séculos. Nossa Senhora terça armas sem cessar com o demônio e seus sequazes. Sua vitória é garantida pelo próprio Deus, que a fez seu lugar-tenente na guerra contra o pecado, o demônio, o mundo enganador e a carne corrompida. Em Fátima, Ela mesma nos prometeu: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.

Afinal, “quem é esta que surge como a aurora‚ bela como a lua‚ brilhante como o sol‚ temível como um exército em ordem de batalha?” (Cant 6‚ 8-10). Ao criar Maria, Deus onipotente a isentou da mácula original e fez n’Ela grandes maravilhas. Aquele que fez o Céu e a Terra resgatou da culpa da raça humana aquela que seria a Mãe do Salvador livrando-a da culpa original.

A Virgem Mãe de Deus está acima de todas as mulheres por ter virginalmente engendrado Aquele que os céus não podem conter. Eis a razão por que, ao criar Maria, Deus quis aplicar por antecipação os méritos de Cristo na Cruz, afastando d’Ela o pecado universal que maculara a raça humana. Só assim o Salvador poderia redimir os homens do pecado original.

Ao louvar Maria, o Anjo Gabriel diz: “Ave, ó cheia de graça!”. Como poderia ele dizer “plena de graça” se o pecado a tivesse maculado? Jamais! Deus a criou segundo os arcanos divinos que a haviam concebido desde toda eternidade para ser a Mãe de Jesus Cristo, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Ao oferecer os elementos de uma nova vida, a mulher é instrumento na mão de Deus, uma vez que Este a cria através dela. Assim também se dá com Maria ao gerar Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, por obra do Espírito Santo.

Não significa que Ela tenha gerado a divindade, pois o Filho foi gerado por via intelectiva desde toda a eternidade. Ao dar ao Filho os elementos para tornar-se homem, Maria se tornou Mãe de Deus. Por esta razão Ela não poderia ter a nódoa do pecado original, pois repugnaria à divindade tirar os elementos de sua humanidade de um ventre concebido no pecado.

Jesus Cristo veio ao mundo para destruir o cativeiro do pecado e da morte. Segundo afirmação de Santo Agostinho, Ele obteve o cetro da rainha das virgens que O concebeu — o rei da castidade — num seio virginal e puro onde Ele pudesse morar e dar-nos a entender que só um corpo puro e casto pode ser o templo de Deus. Antes de o sol nascer e deitar seus raios, já ilumina a Terra com um belo colorido.

Antes de ser gerado e nascer, Jesus Cristo irradiou o esplendor da graça redimindo Maria, inocentando-a da culpa original, ostentando sobre Ela os raios da mais perfeita virtude, fazendo-a imaculada. Assim, sem mácula e com virtude perfeita Ele, veio ao mundo para realizar sua missão redentora.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pães na porta de casa em plena capital paulista?

Os irmãos Carillo dão continuidade à tradição de bisavô italiano (Foto Folhapress)
Luís Felipe Escocard
www.ipco.org.br

Segundo notícia da Folha de São Paulo de 24 de novembro, dois irmãos, apesar de já formados em faculdade, resolveram seguir a tradição familiar e trabalhar como padeiros. Com um diferencial: eles entregam em casa.

Em 1914 seu bisavô chegou da Itália e abriu uma padaria no bairro da Mooca. Como era costume da época, fazia os pães bem cedinho e saía com eles numa charrete para entregá-los aos clientes.

Os jovens Guilherme e Gabriel Carillo começaram a trabalhar junto com o avô — que deu continuidade à tradição — e aprenderam todas as artimanhas da confecção do legítimo pão italiano.

Todos os dias, entregam os pães pelo bairro e arredores. Sabem dos gostos de cada freguês, por isso a entrega é personalizada: mais torrado, mais clarinho, grande, pequeno, recheado…

A São Paulo atual, assim como toda megalópole, é uma cidade massificada, agitada e comercial, onde as relações pessoais são cada vez mais raras. O comum são as grandes lojas, onde a pessoa só tem a opção de comprar o que está exposto.
Os pães são feitos como o freguês deseja (Foto Folhapress) 
Foi-se o tempo das pequenas mercearias onde o próprio dono ficava no caixa, do carrinho das frutas e verduras, do leiteiro, etc.

A notícia da qual falamos evoca um pouco aquela boa época, que infelizmente já não vivi, mas ouço dos meus antepassados. Onde tudo era mais tranquilo; sem drogas, imoralidade ou violência; os vizinhos se conheciam; e, principalmente, a religiosidade era bem maior…

Faço uma confidência: sinto saudades, muitas saudades, de uma época na qual, no entanto, não vivi. Parece meio contraditório, mas é o que sinto.

E você, caro leitor? Não sente a mesma coisa?

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(*) Luís Felipe Escocard é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)

sábado, 19 de novembro de 2011

China mascara passado de crimes em história oficial

Causou espanto o livro oficial sobre a História do Partido Comunista Chinês, 1949-1978, publicado por ocasião dos 90 anos do partido. Ele silencia dezenas de milhões de assassinatos cometidos para a implantação da utopia socialista. “Não menos de 60 milhões”, disse Frank Dikötter [foto], da Universidade de Hong Kong. Entre dois e três milhões de proprietários foram mortos em 1949-51 em decorrência da reforma agrária e de reformas análogas. Na Campanha Anti-Direitista de 1957, mais de 550 mil intelectuais foram torturados e enviados para campos de trabalho onde muitos morreram. O novo livro ensina que esses morticínios foram “necessários e corretos”. Sobre o Grande Salto Adiante, de 1958-62, o livro só constata que a população caiu em 10 milhões de habitantes. O presidente da China, Hu Jintao, apadrinhou a equipe encarregada de suprimir fatos ou interpretações indesejáveis dessa história. Essa é a China que hoje tenta seduzir o Ocidente.
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Agência Boa Imprensa

domingo, 13 de novembro de 2011

“Como se fabrica uma revolução”


Heitor Abdalla Buchaul (*)

No dia 18 de outubro último, na sede da Federação Pró-Europa Cristã (FPEC), em Bruxelas, o Prof. Houchang Nahavandi, que fora ministro do Desenvolvimento e, mais tarde, do Ensino Superior, durante o reinado de Reza Pahlavi, último Xá do Irã, proferiu excelente conferência intitulada: “Como se fabrica uma revolução — o começo do islamismo radical".

O conferencista externou a erudição de um laureado pela Academia Francesa e a incontestável segurança de quem viveu todo o processo da revolução iraniana, explicando com riqueza de detalhes como, de um país aberto à civilização ocidental, o Irã tornou-se o foco por excelência do terror islâmico que assola os nossos dias.

O público presente — composto de vários membros da nobreza europeia, intelectuais e políticos — ouviu com profundo interesse todo o desenrolar da trama que transformou o então desconhecido Khomeini em “líder” de uma revolução que acabaria por eliminar a milenar monarquia persa. Segundo o conferencista, com a ajuda da imprensa ocidental e de renomados intelectuais de esquerda, uma falsa biografia do aiatolá foi elaborada para “transformado-o em pai de mártir, filho de mártir e ele mesmo vítima do regime imperial”, o que era totalmente contrário à realidade.

Confortavelmente instalado em Paris, Khomeini recebeu todo o apoio estratégico e material que culminou com o seu retorno triunfal ao Irã. O Prof. Nahavandi salientou que nessa época foi inaugurada a prática do assassinato em massa como tática revolucionária para aterrorizar a população e desestabilizar o país, dando o exemplo concreto de um cinema que foi incendiado quando passava um filme dedicado ao público infantil, ocasião em que morreram mais de 472 pessoas, em sua maioria crianças.

Muitos fatos narrados na conferência lembram o momento em que vivemos, que quase todo mundo islâmico foi atingido pela chamada "Primavera árabe". Esta, sob o pretexto de instaurar a democracia, vem transferindo o poder de ditadores laicistas para islâmicos cada vez mais radicais. E assim como há mais de 30 anos no Irã, o apoio ocidental vem sendo novamente decisivo para a ascensão ao poder da teocracia muçulmana.
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(*) Heitor Abdalla Buchaul é colaborar da ABIM