A Polônia e a Lituânia apoiaram a Hungria em meio à onda de ataques que esta sofreu por ter aprovado uma Constituição que adota valores cristãos. O secretário do Ministério do Exterior húngaro, Zsolt Nemeth, pediu ao Parlamento magiar a aprovação de um “decreto de gratidão” aos líderes daqueles dois países. As nações da Europa Central compreendem bem “o que é o Estado pós-comunista do ponto de vista psicológico, político e econômico, e como é difícil operar mudanças profundas para eliminar as redes pós-comunistas”, divulgou o site www.politcs.hu.
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quarta-feira, 2 de maio de 2012
Países do Leste europeu não aceitam a ditadura da UE
A monstruosa economia estatal chinesa ameaça ruir
O Banco Mundial alertou a China comunista para o tamanho monstruoso do setor estatal de sua economia, cujo modelo considerou “insustentável”: depende de 120 superestatais, enquanto outras 150.000 pequenas estatais respondem por 30% da atividade econômica. A expansão de empresas chinesas no exterior obedece a intuitos ideológicos baseados em financiamentos estatais de mastodontes inviáveis. Ocidentais ingênuos ou comprometidos ainda julgam que os argumentos econômicos são capazes de impressionar os líderes chineses, formados na ideia de Mao-tsé-Tung de que não se deve hesitar em executar milhões de seres humanos se tal for necessário para o triunfo mundial do comunismo.
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domingo, 29 de abril de 2012
Heroísmo católico na Nigéria
Na igreja de Santa Teresa em Madalla, Nigéria, na saída da missa de Natal, a milícia islamita de Boko Haram assassinou covardemente 44 fiéis e feriu mais de cem. A imagem de Nossa Senhora da Piedade ficou coberta com o sangue dos mártires, espalhado por violenta explosão. Na confusão, forças do exército começaram a disparar contra milhares de fiéis em pânico, quando o Pe. Isaac Achi se interpôs entre os militantes e os paroquianos. Os soldados cessaram então o tiroteio. Para os fiéis, seu pároco passou a ser considerado um verdadeiro herói católico que enfrentou destemidamente o ódio satânico da cristofobia que assola vários países.
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2011: recorde de conflagrações desde a II Guerra Mundial
Desde o fim da II Guerra Mundial nunca se verificou tanta violência quanto em 2011. A constatação é do Instituto para a Investigação dos Conflitos de Heidelberg, Alemanha, segundo o qual eclodiram 20 guerras, superando o funesto recorde de 16 no ano de 1993. Houve também outros 38 conflitos com uso maciço da violência, sendo a maior parte deles no Oriente Médio e na África. Os investigadores incluíram no cômputo o conflito do Estado mexicano contra os cartéis da droga, que ganhou dimensões de guerra civil. Cabe perguntar: não poderia ser também considerado início de conflito insurrecional a luta da polícia contra grupos criminosos que controlam a droga nos morros do Rio de Janeiro e em bairros de São Paulo?
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Destacado alarmista climático confessa fraude e renuncia
O hidrologista norte-americano Peter Gleick [foto] — um dos arautos da teoria do aquecimento global causado pelo homem — assumiu de público que se fez passar por outra pessoa a fim de denegrir os que denunciam as fraudes sobre o aquecimento do clima. Ele enviou a órgãos oficiais documentos que ele atribuiu falsamente ao Instituto Heartland, destacado grupo que denuncia fraudes do ambientalismo catastrofista. Gleick foi condenado publicamente pela União Geofísica Americana e renunciou ao seu cargo no Pacific Institute, na Califórnia. Mais um golpe desmoralizador contra esta ofensiva fraudulenta e pseudocientífica.
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Realidade, esta coisa tão necessária...
Hélio Dias Viana (*)
Embora esta seja a realidade do Brasil — a qual é reconhecida inclusive pelos próprios esquerdistas, que reclamam hoje de uma guinada à direita —, não se entende por que quase todos os candidatos aos mais altos cargos são de esquerda e, quando não o são, fazem tantas concessões a essa orientação que não se sabe bem o que dela os separa.
O resultado é que estamos sendo governados por pessoas que parecem cegas quanto à situação real deste país, que ainda tem muito de conservador, e que vão avançando como se vivêssemos no oposto. O que constitui uma temeridade, pois, por mais que os atuais governantes se sintam apoiados pelas instâncias do mundo oficial e pelos meios de comunicação, nenhum governo se mantém estavelmente sem o apoio da opinião pública, a não ser numa ditadura, e assim mesmo por tempo não muito longo.
Mas essa cegueira parece não ser apanágio apenas de governantes. Em entrevista à TV Estado, o conhecido jornalista francês Gilles Lapouge declarou que, se fosse diretor de jornal, sua primeira providência seria mandar os repórteres para a rua, a fim de conversarem com as pessoas e verem a realidade do dia-a-dia. A partir daí redigiriam as notícias, e não ficariam mais nas redações elaborando matérias cerebrinas sem nexo com a vida real.
O que se depreende de suas observações é que inúmeros jornalistas vêem a realidade mais ou menos como os nossos governantes, ou seja, como algo supérfluo. Porém, mesmo adotando essa falsa visualização, deveriam lembrar-se do que disse o ímpio Voltaire: “o supérfluo, esta coisa tão necessária”.
Qual poderá ser o resultado de tudo disso?
Creio que pelo menos boa parte da resposta se encontra no que sucede nos EUA. Ali — para dar apenas um exemplo — o ex-candidato católico de discurso “politicamente incorreto” Rick Santorum [foto], que era considerado por isso mesmo sem nenhuma chance, ameaçou suplantar seu rival Mitt Romney para disputar com Obama a presidência. E sua ascensão veio se afirmando na razão direta em que subia o tom conservador de sua fala. Mesmo que ele tenha desistido da disputa eleitoral, o fato concreto é que sua campanha pôs em realce a enorme força e empuxe do conservadorismo americano.
Pois bem, nos EUA do século XXI, no qual se mostra uma forte corrente de opinião conservadora, que por muitos aspectos se diria “ultramontanizada”, o presidente Obama continua a pisar obstinadamente no acelerador em direção à esquerda, como se não visse que diante dele se ergue essa enorme barreira, em face da qual a única atitude sensata seria frear. Sua última “acelerada” foi o decreto obrigando as instituições — inclusive as católicas — a financiar medidas anticoncepcionais e abortivas para os seus funcionários, o que gerou um clamor nacional de grandes proporções. Pelo menos 181 Arcebispos e Bispos se declararam fortemente contrários à medida, sendo acompanhados por mais de 2.500 líderes de diversas confissões religiosas.
No Brasil, um claro e recente “avançar contra a barreira” foi, por exemplo, a nomeação para o Ministério de Eleonora Menicucci [foto]— antiga companheira de prisão da presidente Dilma —, a qual, entre outras coisas extremamente chocantes, declarou ter praticado dois abortos e aprendido como executá-los.
Manter, a qualquer custo, um regime falido
Resta perguntar por que tanta pertinácia da esquerda em continuar avançando, ao invés de imitar os beduínos que, diante da tempestade de areia no deserto, se deitam com seus camelos até a tempestade passar. A resposta parece ser que, no árido e imenso deserto no qual a esquerda se encontra, não lhe restaria outra saída senão continuar avançando, mesmo ao preço de perder parcelas cada vez maiores do grande público, pois se não fizer progredir as causas revolucionárias, acabará desapontando suas próprias bases e ficando à deriva.
Nesse sentido, pode-se admitir que a manutenção a todo custo do esfarrapado regime comunista em Cuba foi tão-só para conservar acesa a chama revolucionária nas bases esquerdistas no mundo inteiro, mais especialmente da América Latina.
Mas essas mesmas bases devem agora entender que o problema que se põe atualmente para o comunismo cubano é o da sobrevivência. Assim, como sucedeu com a China, chegou o momento de — sem prejuízo do regime comunista da geriatria cubana — estabelecer ao mesmo tempo na ilha-prisão um arremedo de livre mercado segundo a “fórmula chinesa”. É o que está sendo esboçado na região em que se localiza o porto de Mariel.
Para o êxito desta nova manobra não faltarão as bênçãos do Cardeal Dom Jaime Ortega, Arcebispo de Havana, e abundante dinheiro do Brasil — aplicação tão distante de tantas de nossas reais e prementes necessidades.
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(*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)
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segunda-feira, 16 de abril de 2012
Cardeal Mindszenty — 120 anos
Herói da resistência anticomunista, o Cardeal József Mindszenty foi Arcebispo-Príncipe de Esztergom e Primaz da Hungria. Mesmo preso pelo regime comunista [foto ao lado], cruelmente torturado e obrigado a ausentar-se de seu povo, jamais dobrou os joelhos diante da tirania vermelha.
Hoje em dia, quando a Hungria vem sendo perseguida por órgãos internacionais pelo fato de ter adotado uma Constituição contrária ao comunismo, ao aborto e ao “casamento” homossexual e ter rememorado as glórias de seu passado cristão, a figura do Cardeal Mindszenty paira sobre a nação como uma bênção e uma inspiração.
Em homenagem pelos 120 anos do nascimento desse imortal Purpurado — nascido em Csehimindsent (Áustria-Hungria), em 29 de março de 1892, e falecido em Viena (Áustria), em 6 de maio de 1975 —, reproduzimos o trecho de artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado na “Folha de S. Paulo” em 10-2-1974, sob o título: A glória, a alegria, a honra...
Comemora-se neste ano [1974] o 25º aniversário de sua encarceração pelos comunistas. Ficou célebre a fotografia [a cima] que o mostra no banco dos réus com olhar aterrado mas inquebrantável na resolução de cumprir até o fim seu dever. O mundo inteiro viu essa fotografia, e estremeceu de horror e de admiração. Veio depois o rápido intermezzo da sublevação anticomunista. E começou então para Mons. Mindszenty o longo cativeiro na embaixada norte-americana.
Cativeiro no qual — ó mistério! — lhe era vedado o contato até com os habitantes do edifício. Mas, como coluna solitária no meio das ruínas de sua pátria, Mons. Mindszenty permanecia de pé, continuando na sua conduta as grandezas religiosas e nacionais do reino de Santo Estêvão, e preparando, por seu exemplo, a ressurreição de seu povo".
Hoje em dia, quando a Hungria vem sendo perseguida por órgãos internacionais pelo fato de ter adotado uma Constituição contrária ao comunismo, ao aborto e ao “casamento” homossexual e ter rememorado as glórias de seu passado cristão, a figura do Cardeal Mindszenty paira sobre a nação como uma bênção e uma inspiração.
Em homenagem pelos 120 anos do nascimento desse imortal Purpurado — nascido em Csehimindsent (Áustria-Hungria), em 29 de março de 1892, e falecido em Viena (Áustria), em 6 de maio de 1975 —, reproduzimos o trecho de artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado na “Folha de S. Paulo” em 10-2-1974, sob o título: A glória, a alegria, a honra...
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“O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (S. João 10,11).
Nestes tristes dias, marcados por sua destituição [por Paulo VI] do Arcebispado de Esztergon, o Cardeal Mindszenty mais uma vez deu provas de que é um bom pastor, representante genuíno e íntegro do Bom Pastor por excelência. Para lutar contra o comunismo, que reduziu à miséria espiritual e material as suas ovelhas, o Purpurado magiar acaba de sofrer o último sacrifício. E talvez o mais doloroso.Comemora-se neste ano [1974] o 25º aniversário de sua encarceração pelos comunistas. Ficou célebre a fotografia [a cima] que o mostra no banco dos réus com olhar aterrado mas inquebrantável na resolução de cumprir até o fim seu dever. O mundo inteiro viu essa fotografia, e estremeceu de horror e de admiração. Veio depois o rápido intermezzo da sublevação anticomunista. E começou então para Mons. Mindszenty o longo cativeiro na embaixada norte-americana.
Cativeiro no qual — ó mistério! — lhe era vedado o contato até com os habitantes do edifício. Mas, como coluna solitária no meio das ruínas de sua pátria, Mons. Mindszenty permanecia de pé, continuando na sua conduta as grandezas religiosas e nacionais do reino de Santo Estêvão, e preparando, por seu exemplo, a ressurreição de seu povo".
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terça-feira, 10 de abril de 2012
FARC e MST
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MST destrói fazenda no Pará
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Hélio Dias Viana (*)
Algo semelhante ocorre agora na comissão encarregada da reforma do Código Penal brasileiro. Ao prever os crimes de terrorismo, ela eximiu cuidadosamente o MST, cujas práticas contrárias às leis e à Constituição não configuram outra coisa. Mas como lhe afixaram malandramente a etiqueta de “movimento social”, esta prevalece para acobertar os seus atos criminosos.
Por outro lado, é preciso ser míope para não ver as analogias existentes entre as FARC e o MST, movimentos que inclusive já estiveram lado a lado no Fórum Social de Porto Alegre e cujo objetivo comum é derrubar a atual ordem sócio-econômica dos respectivos países onde atuam para substituí-la pelo socialismo marxista.
E curiosa contradição de governos que se dizem contrários à ditadura e desejosos de consolidar a democracia, mas que favorecem ao mesmo tempo movimentos criminosos que atuam para nos conduzir – e ao Continente – à pior de todas as ditaduras.
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(*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)
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sexta-feira, 6 de abril de 2012
A Cristo a glória e o Império
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O círio Pascal com cinco cravos lembra as
cinco chagas de Nosso Senhor ressuscitado. Com a Cruz recorda a nossa redenção.
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Pe. David Francisquini (*)
Nesse sentido, é lapidar do pensamento de São Paulo Apóstolo: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais uma nova massa, agora que já sois ázimos; pois, Cristo nosso cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos, portanto, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”. (I Cor. V, 7-8).
O tempo pascal se reveste de beleza única. A Igreja como verdadeira mãe manifesta seu aspecto jubiloso e triunfante. Muito mais do que em qualquer outro tempo litúrgico, o culto católico apresenta-se de modo solene, grandioso, festivo, majestoso, o que contrasta com o tempo de penitência, de tristeza e de jejum em voga na quaresma e, sobretudo, na Semana Santa.
A Igreja parece não encontrar em seus cânticos outra manifestação de júbilo a não ser Aleluia. O círio Pascal com cinco cravos lembra as cinco chagas de Nosso Senhor ressuscitado. Com a Cruz recorda a nossa redenção.
Com o alfa e o ômega, manifesta a divindade de Jesus, que é o princípio e fim de todas as coisas. E com o ano atual que celebra a Páscoa, esse ano está iluminado com a luz de Cristo, triunfador do gênero humano.
Essa luz do círio lembra que ele é verdadeiramente Rei. O círio aceso nos fala da grandeza e da sublimidade dessa luz que brilhou nas trevas, cujas trevas a rejeitaram, mas que para os cristãos renovados pela graça, comemoram com alegria esse tempo que transluz a beleza e a superioridade de Cristo ressuscitado, com suas chagas que são diademas de seu triunfo e de sua realeza: Porque dele são os tempos e os séculos. A Ele a glória e o Império, por todos os séculos da eternidade. Amém.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ
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quinta-feira, 5 de abril de 2012
“Vã seria nossa religião”
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| Representações da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo [click para ampliar] |
Pe. David Francisquini (*)
A comemoração da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo desperta na alma do fiel a idéia de que, ao nos regenerar, nosso Divino Salvador procedeu como um general que toma de assalto uma fortaleza e derruba suas sentinelas, libertando-a do cativeiro quatro vezes milenar do demônio.
Após morrer pela nossa eterna salvação, Nosso Senhor prova sua divindade de maneira altissonante, superior à maldade de seus inimigos, ao afirmar que depois de três dias ressuscitaria, lembrando o fato histórico ocorrido com o profeta Jonas que permaneceu durante três dias e três noites no ventre da baleia.
Em vida, nosso Divino Redentor ressuscitou os mortos. Mas eis o maior portento: ressuscitou a Si mesmo. Por sua própria virtude e poder, aquele corpo, que três dias antes era todo ele uma chaga, se erguera triunfante e glorioso, impassível e imortal, deixando aturdidos os guardas que vigiavam o sepulcro.
A Ressurreição de Nosso Senhor é o fundamento das verdades de nossa Fé. Segundo São Paulo, “se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria nossa religião”. Atestada na ocasião por centenas de pessoas, a Ressurreição apresenta-se como argumento irrefutável da veracidade da religião católica.
Para o povo hebreu, a Páscoa estava ligada à passagem do Anjo exterminador dos primogênitos do Egito que poupou a casa dos hebreus tingindo a soleira da entrada com o sangue do cordeiro sacrificado. Mas o verdadeiro Cordeiro de Deus nos libertou da escravidão infame do pecado, do demônio e da morte eterna.
A Páscoa dos judeus foi assim prefigura da Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. E como eles, em solenes cerimônias, imolavam e comiam o cordeiro assado ao lúmen, também Nosso Senhor se imolou pelos nossos pecados, dando-nos como comida o seu corpo e como bebida o seu sangue.
As portas do Céu, que estavam até então cerradas pela culpa original de nossos primeiros pais, se reabriram com a morte cruenta de Jesus na Cruz. É essa mesma morte que se renova de modo incruento na Santa Missa, o sacrifício da Nova Lei. A confissão e a comunhão freqüentes fortalecem o fiel e são penhor de sua futura ressurreição, quando selará seu triunfo sobre o demônio, a morte e o pecado.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ
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terça-feira, 3 de abril de 2012
De Henrique IV a Raul Castro
Hélio Dias Viana (*)
Na esteira dos acontecimentos relacionados com a recente visita de Bento XVI a Cuba, a imprensa noticiou que em atendimento a um pedido do Sumo Pontífice, o regime comunista e ateu de Cuba decidiu decretar que a próxima Sexta-Feira Santa será feriado na ilha-prisão.
Para quem conhece a índole do regime comunista, negador de todos os Mandamentos do Decálogo e da Lei Natural, essa concessão do tirano Raul Castro nos remete ao fato histórico sucedido em 25 de julho de 1593, quando o rei calvinista Henrique IV, para fazer-se aceitar pelos católicos franceses, teria se “convertido” por segunda vez ao catolicismo, afirmando: “Paris vale bem uma Missa”.
Em fidelidade não só às raízes igualitárias herdadas do protestantismo, mas também às táticas que os fautores do erro costumam usar ao longo da História para conseguirem prevalecer, Raul Castro bem poderia agora dizer: “Cuba vale bem uma Sexta-Feira Santa”.
E enquanto nesta nossa “civilização da imagem” as palavras que Bento XVI pronunciou sobre Cuba tenderão a cair no olvido, o mesmo não sucederá com as suas vistosas fotografias com Raul e Fidel Castro, as quais, negadas aos dissidentes, que queriam posar ao lado do Sumo Pontífice, continuarão sendo exploradas largamente pela propaganda comunista para impressionar em seu favor o infinito número de estultos que imaginam que a essência do comunismo mudou ou pode algum dia mudar.
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(*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)
sábado, 31 de março de 2012
Azares do governo Dilma
Hélio Dias Viana (*)
Há poucos meses, quando Dilma foi participar de uma reunião do Mercosul no Uruguai, um jovem assessor econômico da presidente Cristina Kirchner foi encontrado morto no guarda-roupa de seu apartamento, no mesmo hotel onde se realizava a reunião. Cristina Kirchner sentiu-se mal e teve de receber atendimento médico. Pode-se imaginar o clima reinante no restante da reunião.
Recentemente, na Alemanha, um fato pequeno mas intrigante: enquanto a presidente Dilma dava uma entrevista no saguão do hotel onde se realizaria uma importante reunião sobre assuntos econômicos, uma peça metálica lhe caiu sobre o pé, arrancando-lhe um grito lancinante. Por que justo naquele momento e naquele pé, diante de milhões de telespectadores?
Agora ela vai à Índia para uma reunião do Brics e se depara com a cena aparecida em todos os jornais: um tibetano que em Nova Delhi ateia fogo à própria roupa a fim de protestar pela presença do ditador chinês à reunião e exigir liberdade para o Tibet. Levado a um hospital, ele morreu um dia depois.
Coincidências? Fica a cargo do leitor levantar hipóteses.
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(*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)
terça-feira, 27 de março de 2012
Em jornal católico, padre contradiz doutrina da Igreja
Heitor Abdalla Buchaul
Causou enorme indignação nos católicos belgas o artigo intitulado Também convidados à fidelidade, publicado no jornal “Dimanche Express”, o qual é distribuído nas paróquias da diocese de Bruxelas e da Valônia, região francofônica da Bélgica .
No referido artigo, escrito pelo padre jesuíta Charles Delhez, responsável pela Capelania da Universidade Notre-Dame de la Paix, em Namur, os pseudocasais homossexuais são convidados à fidelidade, o que demonstra explícita contradição com o Magistério da Igreja. Vejamos alguns trechos.
“Há muito tempo a Igreja teve um discurso duro sobre a homossexualidade, baseada nos escritos do velho e do novo Testamento [...] estes textos hoje são colocados em seu contexto e não mais considerados como trazendo uma resposta de fé à questão homossexual". Ele cita a seguinte assertiva do padre lazarista francês Bernard Massarini: “A homossexualidade é uma realidade experimentada por pessoas que tentam vivê-la de forma responsável".
O Pe. Delhez, que no início de seu artigo relativiza e adultera a posição do Evangelho sobre o homossexualismo, usa o mesmo Evangelho para justificar a sua posição: “É necessário escutar o apelo do Evangelho — amar em verdade —, apelo endereçado a todas as pessoas, qualquer que seja a sua orientação sexual”.
Agora vejamos a parte mais estarrecedora de tudo o que foi escrito: "É necessário dar à união homossexual as mesmas chances de fidelidade e de duração que aos casais heterossexuais".
Façamos uma simples análise. O sexto mandamento da Lei de Deus ordena “não pecar contra a castidade". Segundo a doutrina católica, toda relação sexual fora do matrimônio constitui pecado grave; logo, não havendo nenhuma possibilidade de reconhecimento de um pseudo casamento entre pessoas do mesmo sexo — o que o próprio Pe. Charlez Delhez reconhece —, as pessoas com tendências homossexuais são convidadas a viver em castidade, vencendo tais tendências desordenadas. O homossexualismo — ou seja, a prática do ato homossexual — é considerado pecado grave “que Brada ao Céu por Vingança”, de acordo com o Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã (Editora Vozes, Petrópolis, 1951, p. 25).
Quando um sacerdote defende o oposto ao que prega a Santa Igreja, não é demasiado lembrar aqui as palavras de Paulo VI: “Por alguma fissura a fumaça de Satanás entrou no Templo de Deus [...] a dúvida entrou em nossas consciências e ela entrou pelas janelas que deveriam estar abertas para a luz; [...] Na Igreja também reina esta incerteza. Nós críamos que após o Concílio viria um dia ensolarado para a historia da Igreja. Veio o contrário...” (Alocução Resistite fortes in fide , de 29 de Junho de 1972) .
Resta-nos resistir com firme esperança na intervenção divina na triste situação atual.
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(*) Heitor Abdalla Buchaul é colaborar da ABIM
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sábado, 24 de março de 2012
A aparência e a realidade
Hélio Dias Viana (*)
Na realidade, os desesperançados da foto não são os invasores de Pinheirinho, tão afagados pela esquerda, mas alguns dos treze dissidentes que a polícia de Fidel e Raúl Castro enxotou neste último fim de semana de uma igreja de Havana. Eles fazem parte dos 11 milhões de cubanos que vivem de modo permanente “debaixo da ponte” da miséria a que os relegou o regime comunista e protestavam pacificamente para chamar a atenção da opinião pública mundial ante a iminente visita de Bento XVI à ilha-prisão.
O pedido à polícia foi feito pelo cardeal D. Jaime Ortega, Arcebispo de Havana, sendo os dissidentes conduzidos a uma delegacia, fichados e depois liberados. Em declarações ao “Washington Post”, o líder deles (em destaque na foto), Fred Calderón, declarou que a polícia os tratou com brutalidade, contrariamente ao que foi noticiado.
Seja como for, fica patente o seguinte: no Brasil, até alguns anos atrás, as igrejas do ABC eram gentilmente cedidas para as concentrações de Lula e dos metalúrgicos, que visavam à desestabilização da sociedade; em Cuba, como o regime já é a realização daquilo que Frei Betto e seus comparsas, bem como importantes setores do PT desejavam implantar no Brasil – ou seja, o comunismo –, aqueles que ousam manifestar-se contra ele nas igrejas são expulsos pelo cardeal. Conclusão: cá e lá, a mesma colaboração há.
Em tempo: A situação para as Damas de Branco – opositoras do regime cubano, do qual exigem respeito aos direitos humanos – não está propriamente idêntica às suas vestes. Setenta delas foram presas. As prisões iniciaram-se no sábado, dia 17 e se prolongaram no domingo, quando várias foram detidas pouco depois de saírem de uma igreja onde assistiram à missa. Elas pedem para serem recebidas por Bento XVI, “ainda que seja só por um minuto”, pois do contrário haverá o risco de o Sumo Pontífice encontrar-se apenas com os carcereiros do povo cubano.
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(*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)
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sábado, 10 de março de 2012
“Vitória” de Putin na Rússia revive os tempos da URSS
Além das fraudes generalizadas, e evidenciadas, nas últimas eleições presidenciais na Rússia, que deram vitória a Vladimir Putin já no primeiro turno, a Justiça Eleitoral russa “deletou” candidatos.
O candidato liberal russo à presidência, Grigory Yavlinsky, podia impedir a vitória pré-programada de Putin nas eleições. Mas ele foi “apagado” das listas oficiais pela Comissão Eleitoral — tribunal acusado de organizar e acobertar a falsificação maciça dos resultados das eleições parlamentares em dezembro último. Para a oposição, “é absolutamente clara a ilegitimidade da eleição presidencial”. Outros candidatos independentes foram riscados pela Justiça Eleitoral com pretextos legais obscuros. A mídia e os governos ocidentais verteram lágrimas de crocodilo na eleição que coroou Putin como presidente do soviete supremo russo. Apesar de este não mais usar o nome de soviete, na realidade funciona como tal.
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Mandatários esquerdistas com câncer
Em mais um exibicionismo de retórica pró-comunista, o presidente venezuelano Hugo Chávez aventou a hipótese de os EUA inocularem câncer nos líderes latino-americanos. Logo após o anúncio de um não comprovado câncer da presidente da Argentina, ele disse: “É muito, muito esquisito, é difícil explicar, [...] até se apoiando nas leis da probabilidade”. Opositores atribuíram jocosamente o “contágio” a uma réplica da espada de Bolívar presenteada a dirigentes latino-americanos pelo venezuelano. De fato, é incomum que alguns presidentes de esquerda de um mesmo continente contraiam câncer na mesma época. Uma intervenção da Providência divina? Como hipótese, ela é bem mais verossímil do que a risível hipótese do gênero “teoria conspiratória” aventada por Chávez.
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“Aquecimento global”: cientistas descartam pânicos
Dezesseis grandes cientistas internacionais lançaram uma Carta Aberta destinada aos candidatos presidenciais dos EUA, destacando que “não é verdadeira a alegação de que quase todos os cientistas exigem fazer algo dramático para deter o ‘aquecimento global’. Na verdade, um grande número e crescente de cientistas e engenheiros não concordam que essas ações sejam necessárias. O CO2 não é um poluente, mas um componente-chave do ciclo de vida”. Os cientistas comparam a hostilidade mediática e oficial contra eles à repressão dos dissidentes na União Soviética e apelam aos candidatos para não explorarem pânicos irracionais, baseados em reivindicações alarmistas e carentes de provas “irrefutáveis”.
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Afinal, o que é o Céu?
Pe. David Francisquini (*)
Segundo este catequista e missionário, formador do clero e diretor de almas, teremos no Céu bens essenciais e acidentais. Os primeiros consistem na contemplação e no deleite de Deus, além do conhecimento dos mistérios da natureza e da graça. Desse entendimento resulta um amor, um contentamento inefável e uma felicidade que durará por todos os séculos dos séculos.
Os bens acidentais, como glória, paz, júbilo, bem-estar, harmonia, são atributos com os quais os justos ou santos se apreciam e se amam como filhos de Deus, como irmãos e como amigos. Tais bens ultrapassam o entendimento humano, mas constituirão verdadeiras auréolas para as almas que conseguirem vitórias assinaladas contra o demônio, as vaidades e as pompas do mundo.
São Paulo testemunhou o seu arrebatamento ao terceiro Céu, onde viu algo impossível de se exprimir com linguagem humana. Para quem não viu o Céu, impossível descrever tantas belezas, harmonias e prazeres que Deus preparou para os que O amam.
O Apóstolo deixou consignado que vista jamais viu, ouvido jamais ouviu e jamais entrou no coração do homem o que Deus preparou para ele, pois os bem-aventurados gozarão no Céu conforme os seus merecimentos: “Quem semeia parcamente, parcamente colherá; e quem semeia abundantemente, com abundância colherá”.
Reino magnífico, onde todos se sentem felizes sob a autoridade do Pai. Lugar sem sofrimento nem tristeza, sem rivalidade nem inveja; todos estão irmanados numa família triunfante a desfrutar de todos os bens e a contemplar Deus face a face sem fastio, sem tédio, sem torpor, sem indolência. Afinal, todos se encontram livres do pecado e das penas temporais, pois nada de impuro entra no reino dos Céus.
Conta-se que certo monge, ao meditar sobre o Céu, tinha dificuldade em entender um bem que pudesse saciá-lo sem cansar. Certa feita meditava ele pelos jardins do mosteiro quando lhe apareceu um lindo pássaro a cantar. Arrebatado, o religioso o foi seguindo, seguindo, até uma região desconhecida, mas de indescritível beleza. Era sua intenção apoderar-se do misterioso passarinho.
Pôde apreciar palácios encantadores, fortificações, muralhas que nem mesmo todo o ouro da terra teria bastado para edificar. Numa palavra, um reino de esplendor e majestade. De repente, como que se despertando de um sonho, o monge golpeia a porta do convento, pois já imaginava um tanto atrasado para a próxima hora do Ofício Divino.
Qual não foi o seu espanto ao perceber que ninguém o conhecia e vive-versa, ainda que ele afirmasse ter-se ausentado apenas por um lapso de tempo... Diante da insistência, o prior resolveu consultar os registros do convento. E lá encontrou o relato do sumiço de um monge cerca de cem anos atrás. Ao ouvir o nome e as circunstâncias do misterioso desaparecimento, o monge se identificou, mas sem se conformar com tanto tempo passado. Uma antevisão do Céu? A lenda o diz.
Mas, afinal, o que é o Céu? — São Bernardo responde assim: “No Céu não há nada que nos desagrada e faz sofrer, pois ali existe todo bem que faz deleitar e cumular a alma de uma felicidade e alegria sem par”. Já Santo Afonso descreve como sendo um lugar “onde não existe a sucessão de dias e noites, de calor e frio, mas um dia perpétuo e sempre sereno, contínua primavera deliciosa e perene. Não há perseguições nem ciúmes, porque nesse reino de amor, todos se amam com ternura, e cada um goza da felicidade dos demais como se fosse a sua própria”.
Se o prezado leitor deseja um dia entrar no Céu, rogue a Deus conceder-lhe uma vontade resoluta em vencer as tentações do maligno e observar a santa lei do Criador; frequente os sacramentos, sobretudo a confissão e a comunhão; tenha uma ardentíssima devoção a Nossa Senhora, bem como ao anjo-da-guarda, nosso fiel amigo e advogado.
Procure contemplar a natureza com todas as suas belezas criadas e pense no Céu. Por maiores que sejam as riquezas e as belezas da Terra, não há termo de comparação com as riquezas e belezas da eternidade.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
O inferno cubano e o silêncio vaticano
Armando F. Valladares
No dia 19 de janeiro p.p. — a dois meses da viagem de S.S. Bento XVI à ilha-prisão de Cuba e 24 horas antes da chegada de uma delegação vaticana de alto nível para ultimar detalhes da visita papal — o regime cubano, à maneira de uma gargalhada macabra, deixava morrer o jovem preso político Wilman Villar Mendoza [foto ao lado]. Ele era pai das meninas Geormaris e Wilmari, de 7 e 5 anos. Uma morte cruel que sua esposa, Maritza Pelegrino, não duvidou em qualificar de “assassinato”.
Tendo sido condenado a prisão em 24 de novembro de 2011, Wilman decidiu, num ato de desespero, protestar diante do mundo contra a sua condenação — e, sobretudo, contra a situação de escravidão em que jaz seu querido povo cubano — com a única coisa que julgou ter em mãos: uma greve de fome, cujo objetivo não era o de atentar contra a sua própria vida, mas de usá-la, em seu extremo abandono e aflição no fundo das masmorras castristas, como um modo muito arriscado de protesto.
Ele foi isolado e deixado nu numa cela úmida e fria, contraindo pneumonia. Seus verdugos — como já haviam feito com o também preso político e dirigente estudantil Pedro Luis Boitel, por ordens do próprio Fidel Castro, em 1972, e com Orlando Zapata Tamayo em 2010 — não lhe deram a devida atenção médica, nem água para ingerir. Ainda tentaram, mediante promessas mentirosas de libertação, que ele renegasse suas ideias em prol de uma Cuba liberta, digna e próspera. Mas percebendo que não podiam quebrar-lhe a resistência, não somente o deixaram morrer, como aceleraram a sua morte com a falta de atenção médica adequada.
Em Cuba, as Damas de Branco, das quais fazem parte a viúva de Wilman e opositoras da estatura de Martha Beatriz Roque Cabello, foram as primeiras a denunciar ao mundo, no dia 24 de novembro de 2011, a arbitrária prisão de Wilman. Foram também as primeiras a condenar a atitude criminosa do regime comunista, consumada em 19 de janeiro, tendo sido secundadas pelos governos da Espanha, Estados Unidos e Chile. Elas receberam a solidariedade emocionante de cubanos da ilha, bem como de desterrados e de amantes da dignidade humana, da liberdade e do direito no mundo inteiro. A fundadora das Damas de Branco, Laura Pollán, morreu no ano passado num hospital, por falta de assistência médica.
Em sentido contrário, os silêncios mais clamorosos, que me conste, foram os da Secretaria de Estado da Santa Sé, do Cardeal de Havana, D. Jaime Lucas Ortega y Alamino, e da Conferência Episcopal Cubana.
O caso desesperador do jovem Wilman era de conhecimento público havia dois meses. Aqueles Pastores tiveram, portanto, muito tempo para falar, interceder pela sua liberdade e dar-lhe assistência espiritual no cárcere, e inclusive para lhe advertir com caridade que a Igreja se opõe às greves de fome, apresentando as razões de tal oposição. Eles tiveram muito tempo para exigir uma assistência médica adequada e deixar claro aos carcereiros que estes já não mais podiam continuar agindo impunemente. Mas, até hoje, que me conste, eles permanecem num inexplicável silêncio.
Será que tais Pastores não conhecem o opróbrio e a injustiça de que são vítimas os presos políticos em Cuba, ou conhecem e permanecem indiferentes? Será que não estão a par da violação institucionalizada de todos e de cada um dos Mandamentos da Lei de Deus, ou estão e também são indiferentes a esse fato marcante? Não ouvem esses gritos de desespero e angústia que brotam dos cárceres cubanos? Esse drama inimaginável nada lhes fala e não lhes sugere outra atitude a não ser esse pesado silêncio?
Através de conhecidos motores de busca da Internet, procurei localizar, da parte de alguma autoridade eclesiástica vaticana ou cubana, sequer uma declaração de consolo cristão para a família do preso político; ou a narração de eventuais tratativas junto aos carcereiros; ou ainda uma oração pedindo misericórdia divina para Wilman e alento para o escravizado povo cubano. Mas, até o momento, nada disso encontrei.
Também de modo infrutífero tentei encontrar ao menos uma referência noticiosa à morte de Wilman no “Osservatore Romano”, na Rádio Vaticano, nas duas maiores agências católicas — Zenit e ACI —, no site web da Conferência Episcopal Cubana, nos sites web Espacio Laical y Palabra Nueva, da Arquidiocese de Havana. Quanto eu desejaria que os fatos me desmentissem!
Esse silêncio de Pastores chamados a dar a vida pelas suas ovelhas produz tanto ou mais sofrimento do que o próprio assassinato de um jovem membro do rebanho.
Silêncio mais pesado pelo fato de ter sido clamorosa a insistência pública de SS. Bento XVI e da Santa Sé em prol da defesa dos direitos da pessoa humana. Silêncio enigmático e desconcertante da diplomacia vaticana do qual, segundo destacados jornalistas, uma das raízes históricas parece estar no próprio silêncio do Concílio Vaticano II em relação ao comunismo, ao conceder aos lobos total liberdade para dizimar o rebanho em Cuba, nos países do Leste europeu, na Rússia, na China, no Vietnã etc.
O regime castrista, aparentemente tão seguro de sua impunidade, nem sequer teve o trabalho de fuzilar Wilman, Boitel e Orlando. Deixou-os morrer de um modo como não se faz sequer com animais selvagens.
O desamparo em que ficaram sua jovem viúva e suas duas filhinhas [foto] doentes — uma epiléptica e a outra com sérios problemas respiratórios — é um reflexo dilacerante do atual drama do povo cubano. Segundo versão recebida de Cuba pelo meu companheiro de presídio e hoje brilhante jornalista Carlos Alberto Montaner, as duas crianças não entendem o que aconteceu com o seu querido pai. Como a família tem influência cristã, a mãe lhes explicou que ele foi para o Céu. “E onde está o Céu, mamãe?” — perguntaram. “Muito longe de Cuba. Muito longe” — respondeu a jovem viúva.É aos artífices, aos propulsores e aos mantenedores do Inferno cubano — tão, mas tão longe do Céu — a quem o silêncio vaticano favorece em primeiro lugar.
Sobre a viagem papal à ilha-prisão, escrevi no dia 1º. de janeiro de 2011 o artigo “A viagem de Bento XVI a Cuba: esperanças e preocupações”, publicado dois dias depois no “Diário Las Américas” de Miami e difundido por centenas de blogs, sites web e redes sociais de cubanos desterrados e defensores da liberdade do mundo inteiro.
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Armando Valladares – Escritor, pintor e poeta, padeceu durante 22 anos nos cárceres políticos de Cuba. É autor do best-seller Contra toda a esperança, onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU nas administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalha Presidencial do Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado. Escreveu numerosos artigos sobre a colaboração eclesiástica com o comunismo cubano e sobre a Ostpolitik vaticana em relação a Cuba.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
“Costa Concórdia”, “Titanic” do século XXI: presságio de um fim de época?
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| Costa Concordia: símbolo do afundamento da União Européia? |
Luis Dufaur (*)
O afundamento do “Costa Concordia” rememorou na Europa os tristes presságios levantados pela perda do “Titanic”, escreveu Ben Macintyre, do diário “The Times” de Londres, reproduzido pelo “The Australian“.
Sir Osbert Sitwell viu na tragédia do transatlântico inglês, ocorrida em 14 de abril de 1912, um “símbolo de uma sina que se avolumava sobre a civilização ocidental”. E, de fato, não muito depois, a I Guerra Mundial arrasaria o continente europeu, pondo fim à sua rica, requintada e irrefletida Belle Époque. Foi o fim de uma época.
Hoje, no momento em que a União Europeia naufraga num mar de dívidas, na incerteza política e na instabilidade social, o desastre do luxuoso cruzeiro italiano inspira presságios não menos convidativos à reflexão.
Neste ano em que vai se decidir se o euro afunda ou se permanece à tona, o “Costa Concordia” surge como uma alegoria perfeita da extravagância financeira e da artificialidade da imensa construção europeia.
Um enorme palácio flutuante, de um luxo que faria o “Titanic” ser considerado quinquilharia; de ostentação e gosto discutíveis, mas não por isso menos impressionantes para os nossos dias; esse foi o maior cruzeiro que a Europa da era UE conseguiu construir. Custou o faraônico preço de 572 milhões de euros e foi acabar se desventrando nos recifes de uma simples e poética ilha toscana.
Os desastres — escreveu Macintyre — marcam de um modo poderoso as curvas da História. E assim como o desaparecimento do “Titanic” soou como um gongo para a era vitoriana, o fim do “Costa Concordia” poderia marcar simbolicamente o fim de uma época tão confiada quanto insegura como a nossa.
Em 1912, G. K. Chesterton viu no afundamento do “Titanic” a punição da “modernidade”, de uma era orgulhosa que se auto-adorava num navio fruto de suas mãos e supostamente impossível de afundar, e que acabou reduzido a nada pela natureza que ele acreditava ter dominado para sempre.
O “Costa Concordia” — pergunta Macintyre — pressagiará uma mudança de época comparável, trará uma advertência ou uma eventual punição à obsessão por uma modernidade que adora as velocidades, as construções babilônicas e o luxo “globalizado”?
Acrescentamos nós: uma “modernidade” que pretende atingir o céu desconhecendo a própria moral natural e desafiando as leis do Criador? Esta é uma questão que está no cerne dos anúncios do Céu como os de La Salette e Fátima.
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(*) Luis Dufaur é colaborar da Agência Boa Imprensa - ABIM
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