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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Alinhamento bolivariano

"Lé com lé, cré com cré"...
Helio Dias Viana (*)

À contratação dos médicos cubanos, dispensados do exame do Revalida, somou-se o “affaire” do senador boliviano Roger Pinto, cuja introdução no Brasil custou a cabeça do chanceler Antonio Patriota.

Enquanto sobre os primeiros a presidente Dilma declarou no dia 28 em Belo Horizonte que existe “um grande preconceito contra os cubanos”, no caso do segundo, o antigo chanceler censurou a atitude do conselheiro Eduardo Saboia — que trouxe o senador — afirmando que o governo brasileiro “agiu sempre em respeito à soberania boliviana, sem deixar de buscar uma solução negociada”.

Quanto à existência de “um preconceito contra os cubanos” — declaração seguida da informação de que os mesmos talvez possam permanecer depois no Brasil, dependendo da avaliação a ser dada ao seu trabalho, contrariando assim o afirmado pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams —, a presidente quis com isso sugerir que os brasileiros não desejam tais médicos pelo simples fato de serem cubanos.

Não é verdade. Tal recusa provém, de um lado, do fato de os mesmos não darem prova de conhecimentos suficientes da profissão e serem escravos de um regime opressor, para o qual será destinada a quase totalidade de seus salários, e de outro lado por não se excluir de nenhum modo a possibilidade de que tais médicos venham a desempenhar no Brasil o mesmo papel exercido por seus colegas na Venezuela e na Bolívia, ou seja, de agentes do regime cubano.

Sobre a declaração de Antonio Patriota de que o governo brasileiro “agiu sempre em respeito à soberania boliviana, sem deixar de buscar uma solução negociada”, eu não a contesto, por desconhecer os precedentes do caso. Mas convém lembrar que o princípio que rege toda e qualquer diplomacia é o da reciprocidade, a qual nem de longe vem sendo observada pelo governo de Evo Morales. Basta recordar sua intolerável atitude em relação à Petrobrás, tomada no mesmo dia em que aquele presidente chegava da Venezuela...

Mas admitindo que em relação ao caso do senador boliviano o governo brasileiro tenha se pautado segundo o declarado acima, no caso de Honduras ele pura e simplesmente hostilizou o governo e o povo hondurenhos ao receber Manuel Zelaya na embaixada do Brasil em Tegucigalpa e ali mantê-lo durante vários meses em aberta confrontação com o governo legitimamente instituído de Roberto Micheletti, o que é contrário à praxe diplomática. E na mesma ocasião, entrevistado por uma jornalista de “O Globo”, o então chanceler Celso Amorim apoiou Zelaya e disse que a direita não tinha mais vez na América Latina.

A conclusão é clara: os governos petistas tomam o maior cuidado em não melindrar os cubano-bolivarianos seus aliados, mas são truculentos e despóticos quando se trata de governos de tendência oposta.
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Quando já havia concluído o presente artigo, leio a notícia de que o governo boliviano pediu ao Brasil a devolução do senador. Do mesmo modo como quatro semanas depois de sancionar a assassina lei do aborto a presidente Dilma declarou que esteve preocupada pelo fato de Eduardo Saboia ter exposto a vida do senador Roger Pinto, não causará surpresa se também agora, esquecida do escandaloso caso do terrorista e assassino italiano Cesare Battisti, cuja extradição foi negada, ela decida devolver Roger Pinto.
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(*) Hélio Dias Viana é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

domingo, 4 de agosto de 2013

Aborto — Infelizmente aconteceu-se o que se temia: o PLC 3/2013 foi sancionado

Da esq. para dir.: Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), Alexandre Padilha (Ministro da Saúde), Eleonora Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres), concedem entrevista sobre o PLC 3/2013, sancionado pela Presidente Dilma Rousseff no dia 1º de agosto. [foto: José Cruz/ABr]
§ Paulo Roberto Campos

Mais um dia de luto na História do Brasil: 1º de agosto de 2013. Nesta data a presidente Dilma sancionou o PLC 3/2013 (Projeto de Lei da Câmara que amplia ainda mais os casos de aborto “legal” (sic) no Brasil), sem vetar qualquer artigo.

Dilma Rousseff não honrou a palavra dada por ocasião das últimas eleições, quando prometera que nada faria que facilitasse a ampliação da prática abortiva durante seu mandato. Lembrem-se que foi com tal promessa que ela obteve a vitória eleitoral...

Para aprovar o projeto abortista, a presidente não assinou com tinta extraída do sangue de inocentes abortados, mas perante Deus e a História ela ficou — assim como Herodes quando ordenou a “Matança dos Inocentes” — com suas mãos tintas de sangue. E com ela todos aqueles que favoreceram de forma sub-reptícia e na velocidade de um raio essa aprovação, principalmente o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e os congressistas petistas, como a deputada petista por São Paulo, Iara Bernardi.

O que dizer daqueles congressistas que não promoveram diretamente tal projeto, mas acabaram emitindo votos favoráveis, alegando que não perceberam a manobra, pois o projeto não empregava o termo “aborto”? Não perceberam que o texto abusava de eufemismos justamente com o objetivo de enganar e de não levantar reações daqueles que desejam evitar uma nova “Matança de Inocentes”? — Deus, que conhece o mais íntimo de todos os corações, saberá!

E o que dizer da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil? — Não pressionou o governo pelo VETO INTEGRAL do PLC 3/2013, como milhões de brasileiros pleiteavam. A CNBB pediu apenas o VETO PARCIAL...

Com receio de não obter da presidente Dilma o veto total do herodiano projeto, a CNBB pediu a ela que vetasse somente dois artigos do PLC. Resultado: preferindo ceder para não perder, a CNBB acabou por perder tudo, pois a presidente sancionou totalmente o projeto.

Inclusive foram feitos abaixo-assinados, um dos quais com milhares de assinaturas entregue diretamente na Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, para que os bispos pedissem ao Papa Francisco, durante sua estadia no Rio, que exortasse a Presidente Dilma a VETAR TOTALMENTE o PLC.

Infelizmente aconteceu o que se temia: O pedido ao Papa Francisco não foi oficialmente transmitido pela CNBB e o Papa não falou com a Presidente sobre o tema.

Assim, a CNBB atuou nos meios católicos como “a voz que adormece e a mão apaga”. Ela trabalhou para “adormecer” e “apagar” a chama das boas reações que surgiram.

Se o Papa tivesse pedido à Presidente Dilma para não aprovar o projeto abortista, ela o teria sancionado? — Certamente não, pois não teria a ousadia de contradizer o Pontífice tão popular no Brasil. Se ele tivesse pedido o veto do projeto, a presidente não o teria assinado. “Roma locuta, causa finita” (Roma falou, a causa está encerrada) — ou seja, o veto total estaria garantido!

O pedido de milhões de brasileiros que defendem a moral e são contrários ao aborto não foi ouvido. Agora não se trata mais de um projeto. Tendo sido sancionado pela presidente, em 90 dias entra em vigor a lei: os hospitais da rede pública serão obrigados a “prestar atendimento emergencial e multidisciplinar às vítimas de violência sexual”; a encaminhar a mulher que alegar ser “vítima de violência sexual” a um serviço de “profilaxia da gravidez” (leia-se “aborto”); a aconselhá-la ao abortamento; bem como dar “informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis”, oferecendo-lhe, por exemplo, “contraceptivo de emergência” (leia-se "pílula abortiva"). A gestante sequer precisará provar que realmente sofreu “violência sexual”, ou ao menos apresentar um laudo do IML ou um BO.

Além de desonrar a palavra empenhada, Dilma Rousseff não quis “ouvir as ruas” — a voz de milhões de inconformados de todos os quadrantes do Brasil. O descontentamento desses inconformados em relação ao governo petista percorre o País, com manifestações alastrando-se por todas as partes sob o lema VEM PRA´RUA. Agora, com a nova e ignóbil lei imposta ocorrerá um aumento da “Matança de Inocentes” no Brasil. Devido a isso, seria bem o caso de novas manifestações, um de cujos slogans poderia ser o seguinte:
COM O ABORTO O PT QUER IMPEDIR BRASILEIROS DE NASCER / PORQUE SABE QUE COM O PT ELES NADA VÃO QUERER.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Impeachment do presidente Lugo e esdrúxula reação “bolivariana”

Em face do ocorrido no Paraguai, curiosa norma de ação do Mercosul, sob a influência de Chávez: “Quando não é de esquerda, democracia é golpe; quando é de esquerda, golpe é democracia”... 

Luis Dufaur (*)

De início, no Paraguai, um episódio de invasão de fazenda no estilo das praticadas pelo MST no Brasil, seguido de uma ordem judicial de despejo. Os oficiais da polícia tentaram dialogar com os invasores para dar desfecho pacífico à ocorrência. Mas foram surpreendidos por atiradores de tocaia, que assassinaram seis deles com certeiros tiros na cabeça. A tropa policial reagiu e 12 invasores acabaram mortos.

A inaudita violência dos agitadores agrários causou surpresa e indignação no Paraguai. Porém, o então presidente Lugo, tristemente conhecido pelo número de filhos ilegítimos que teve enquanto era bispo, manifestou desinteresse e insensibilidade. Pior: destituiu o ministro do Interior e chefe da Polícia, substituindo-o por uma pessoa de sua confiança e constrangendo à renúncia os oficiais mais antigos.

Sabia-se havia muito que o pequeno grupo guerrilheiro denominado Exército Paraguaio Popular (EPP) agia com a conivência de Lugo. Era público e notório que ele apoiava por debaixo do pano os agitadores camponeses, muitos dos quais foram seus discípulos quando era bispo na zona de conflito.

Porém, Lugo teve a habilidade de não impulsionar um esquerdismo sanhudo. Ele favorecia a subversão sem demonstrar cumplicidade. Dessa maneira, como seus símiles sul-americanos, soube tornar-se “suportável”, embora o país não concordasse com sua prepotência, hipocrisia e imoralidade. Muitos paraguaios estavam arrependidos de ter votado nele, mas o suportavam em virtude de estranha paralisia.

Num instante, Lugo perde anos de “progresso” 
A assustadora chacina, porém, eriçou o país e produziu o efeito de faísca lançada sobre um monte de palha. Subitamente, a opinião pública começou a clamar contra o então presidente. Até mesmo simples balconistas de supermercado não conseguiam deixar de externar espanto e indignação.

Desfizeram-se completamente, em um só instante, anos de avanço astucioso da esquerda. Sinal sintomático entre todos: até os bispos, que o apoiavam, pediram-lhe que renunciasse antes mesmo de qualquer procedimento parlamentar. E, logo que foi destituído, qualificaram sua saída como “página virada”. 

O novo Presidente do Paraguai, Federico Franco, se reúne com o Núncio Apostólico Eliseo Ariotti no palácio presidencial em Assunção
Nesse ambiente, a permanência de Lugo tornara-se insustentável. A Câmara dos Deputados solicitou a abertura do processo de impeachment. Nas ruas do Paraguai bradava-se pela saída do presidente. Apenas um parlamentar votou a favor da manutenção de Lugo, enquanto 73 votaram pela abertura do processo. Feito este, o Senado o destituiu por 39 votos contra 4, com dois ausentes, e empossou o vice-presidente Federico Franco. Tudo de acordo com a Constituição paraguaia.

Uma tentativa frustrada de protesto de rua não atraiu manifestantes. O Exército não precisou intervir e respaldou as decisões do Legislativo. Lugo ficou plenamente livre. Impotente e sem apoio, até formou um “governo fantasma” do qual quase nada se sabe, a não ser que foi inexpressivo. A opinião pública paraguaia externou largo apoio ao impeachment do ex-bispo e elogiou seu discurso de renúncia como o melhor que fez em quatro anos de governo.

O novo presidente prometeu evitar toda violência, respeitar a propriedade privada em matéria de Reforma Agrária e dar mão forte à Justiça para não mais tolerar os grupos terroristas. A opinião pública não queria ouvir outra coisa.

A substituição constituiu um episódio tranquilo na plena vigência da ordem legal e do sistema democrático. 

Dupla linguagem das esquerdas 
“Golpe”! — clamaram em uníssono as esquerdas sul-americanas. Samuel Pinheiro Guimarães Neto, até então alto representante brasileiro no Mercosul, denunciou que as “classes tradicionais hegemônicas promovem um neogolpismo na América do Sul e a democracia está em risco na região”.(1) A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, apressou-se em declarar algo mais sonoramente esquerdista enquanto o caudilho Hugo Chávez enviava seu chanceler Nicolás Maduro para tentar sublevar os comandantes militares paraguaios, poucas horas antes da destituição de Lugo. O encontro foi agendado pelo chefe do gabinete militar de Lugo, general Ángel Vallovera, e ocorreu no Palácio de Governo da capital, sendo filmado pelas câmaras de segurança. A ministra de Defesa do Paraguai, María Liz García, entregou o vídeo à imprensa.

Temendo talvez algum fenômeno análogo de opinião pública em seus países, presidentes membros do Mercosul reunidos em Mendoza (Argentina) [foto acima] suspenderam o Paraguai da aliança e decidiram receber a Venezuela de Hugo Chávez como novo membro. O parlamento do Paraguai opunha-se há anos a esse ingresso, e agora presidentes “populistas” aproveitaram-se daquela suspensão para abrir as portas ao líder “bolivariano”. O ato foi claramente ilegal, violando numerosos tratados assinados pelo Brasil, como demonstrou o ex-chanceler brasileiro Celso Lafer. Para ele, o ato de Mendoza “carece de boa-fé [...] lealdade e honestidade [...]. Trata-se, em síntese, de uma ilegalidade”.(2) 

Para “O Estado de S. Paulo” tratou-se de um “golpe contra o Mercosul”, fruto de “mais uma decisão desastrada e vergonhosa para a diplomacia brasileira”. O jornal constatou que “os presidentes e diplomatas envolvidos na condenação do Paraguai foram incapazes de sustentar sua decisão em um claro fundamento jurídico”.(3)

Segundo a “Folha de S. Paulo”, o “rigor do Mercosul vale para o Paraguai, mas não para a Venezuela [...]. Dois pesos, duas medidas”.(4)

Para “O Globo” “o Mercosul [ficou] sob influência chavista”.(5)

O conhecido constitucionalista Ives Gandra da Silva Martins deplorou “o apoio de Dilma a essa ‘rebelião de aspirantes a ditadores’, pisoteando a democracia e a Lei Suprema paraguaia”.(6)

Bastou o chanceler e o vice-presidente do Uruguai apontarem a presidente brasileira Dilma Rousseff como promotora dessa ‘rebelião de aspirantes a ditadores’ para começar uma corrida — que percorreu as chancelarias do Mercosul — em que uns punham a culpa nos outros.

O Direito internacional, os acordos assinados, a reputação das diplomacias nacionais e dos governos, a própria racionalidade dos atos humanos, tudo foi descartado na precipitação e no pânico do esquerdismo continental.

Enquanto escrevemos este artigo, o caso não teve ainda seu desfecho. Entretanto, vem se destacando a atitude de serenidade e dignidade do novo governo de Assunção diante do alvoroço contraditório e agressivo de países vizinhos influenciados pela mentalidade “bolivariana”. Ademais, a missão ao Paraguai liderada pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, concluiu que “o julgamento político foi feito estritamente conforme o procedimento constitucional” e que as instituições democráticas estão preservadas.

O que responderão a “rebelião de aspirantes a ditadores” e seu comparsa caribenho?

Notas: 
1. “Folha de S. Paulo”, 29-6-12. 
2. “FSP”, 4-7-12. 3. “O Estado de S. Paulo”, 3-7-12. 
4. “Folha de S. Paulo”, 1-7-12. 
5. “O Globo”, Rio, 29-6-12. 
6. “Folha de S. Paulo”, 5-7-12. 


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(*) Luis Dufaur é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

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A respeito da questão paraguaia, que levou ao Impeachment do ex-presidente esquerdista Fernando Lugo, leia também o manifesto da TFP do Paraguai, publicado no diário "ABC Color", de Assunção, em 13-7-2012. Abaixo a versão original desse documento [click na imagem para ampliá-la]. A tradução de tal manifesto encontra-se no seguinte link:

Aliança internacional dispara contra o Paraguai: Mercosul e Unasul abrem as portas da América Latina para um neo-totalitarismo de esquerda


Mais abaixo, fotos da campanha da TFP paraguaia, divulgando o documento nas ruas de Assunção, onde obteve excelente acolhida do público.

sábado, 31 de março de 2012

Azares do governo Dilma

Hélio Dias Viana (*) 

Apenas três fatos recentes.

Há poucos meses, quando Dilma foi participar de uma reunião do Mercosul no Uruguai, um jovem assessor econômico da presidente Cristina Kirchner foi encontrado morto no guarda-roupa de seu apartamento, no mesmo hotel onde se realizava a reunião. Cristina Kirchner sentiu-se mal e teve de receber atendimento médico. Pode-se imaginar o clima reinante no restante da reunião.

Recentemente, na Alemanha, um fato pequeno mas intrigante: enquanto a presidente Dilma dava uma entrevista no saguão do hotel onde se realizaria uma importante reunião sobre assuntos econômicos, uma peça metálica lhe caiu sobre o pé, arrancando-lhe um grito lancinante. Por que justo naquele momento e naquele pé, diante de milhões de telespectadores?

Agora ela vai à Índia para uma reunião do Brics e se depara com a cena aparecida em todos os jornais: um tibetano que em Nova Delhi ateia fogo à própria roupa a fim de protestar pela presença do ditador chinês à reunião e exigir liberdade para o Tibet. Levado a um hospital, ele morreu um dia depois.

Coincidências? Fica a cargo do leitor levantar hipóteses.
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 (*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

“Atestado de Bons Antecedentes”

Hélio Dias Viana (*)
Universalmente conhecido, o Atestado de Bons Antecedentes é conferido pela autoridade policial competente àqueles que dele necessitam para diversos fins, e no qual a referida autoridade atesta nada constar nos seus registros de contrário à vida ilibada do solicitante.

Eis, contudo, um inusitado “Atestado” que me caiu nas mãos, através do qual o ex-terrorista e prócer da Teologia da Libertação frei Beto, amigo de Fidel Castro (ambos na foto acima) e defensor do regime cubano, dá fé dos bons antecedentes da ex-terrorista e candidata petista à Presidência da República, Dilma Roussef.

A veracidade de suas afirmações conferirá por certo com a dos Atestados que os chefes dos sovietes previstos no PNDH-3 darão aos seus “companheiros” em caso de necessidade. Em todo caso, de posse do mesmo, Dilma poderá talvez até lê-lo nas entrevistas e nos comícios, tanto mais quanto ele procede de um religioso...

Mas pasmem, pois além de chamar a atenção dos bispos que ousam criticar a Dilma por ser abortista, frei Beto – com o mesmo desembaraço com o qual a candidata imagina enganar a opinião pública desdizendo-se de afirmações anteriores – escreve que tais acusações provêm de uma “campanha difamatória – diria, terrorista”!

Ainda no afã de tentar inocentar Dilma, agora da pecha de “marxista atéia”, frei Beto diz que ela nunca o foi porque na prisão “participava de orações e comentários do Evangelho”. Teria sido preciso ele dizer quais eram essas orações e qual o teor dos comentários. Se não era o Pai Nosso blasfemo que ele andou publicando nos jornais e se os comentários não incluíam, por exemplo, a blasfêmia tão repetida pela esquerda, de que Jesus Cristo foi o primeiro comunista.

Mas o ateísmo já não é mais apanágio do comunismo de hoje. Ele o deixou para uso de alguns neoliberais que simpatizam com sua doutrina... O new-look do comunismo reproduziu-o José Dirceu quando afirmou ter ouvido de Fidel Castro que se este tivesse conhecido a Teologia da Libertação há mais tempo, a Revolução Cubana não teria incidido em tantos erros. Com isso Fidel quis significar que agir com a pecha de católico – como o fazem os adeptos da TL – é muitíssimo mais eficaz para a causa comunista que na condição de ateu. – Que o diga o próprio frei Beto.

P.S.: Como frei Beto é partidário do miserabilismo cubano, estou certo de que não me chamará de terrorista se lhe retiro um dos tês do apelido, por ser supérfluo. E sugiro à Folha a fazer o mesmo.
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(*) Hélio Dias Viana é colaborador da ABIM

Dilma e a fé cristã


Folha de S. Paulo, domingo, 10 de outubro de 2010
Frei Betto

Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em BH. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de “marxista ateia”.
Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, nos dois anos em que participei do governo Lula. Posso assegurar que não passa de campanha difamatória — diria, terrorista — acusar Dilma Rousseff de “abortista” ou contrária aos princípios evangélicos.
Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade. Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica.

sábado, 7 de agosto de 2010

“Washington Post” critica Lula

Lula e o presidente do Irã, Ahmadinejad [Foto: Ricardo Stuckert / PR]



  • Hélio Dias Viana (*) 

Em recente matéria, articulista do importante jornal norte-americano "Washington Post" afirma que apesar de cortejar o Irã, o presidente Lula foi por este humilhado ao não ser atendido no seu apelo em prol de uma mulher condenada à morte naquele país. E conclui dizendo que Lula está se empenhando a fundo para que sua sucessora seja uma “ex-guerrilheira marxista que compartilha sua afeição pelos ditadores anti-norte-americanos”.


Lula obstruído pelo Irã

By Jackson Diehl, The Washington Post, 3 de agosto de 2010

O melhor amigo dos tiranos em todo o mundo democrático – o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva – foi mais uma vez humilhado por um de seus clientes.

Trata-se de Mahmoud Ahmadinejad, o patrocinador do terrorismo e negador do Holocausto, a quem Lula abraçou pública e literalmente. No final da semana, pressionado por protestos domésticos, Lula apelou ao presidente iraniano para libertar Sakineh Ashtiani – uma mulher iraniana condenada a morrer lapidada sob acusação de adultério – e permitir-lhe exilar-se no Brasil.

“Se a minha amizade e afeição pelo presidente do Irã têm importância, e se esta mulher está causando problemas lá, vamos acolhê-la aqui no Brasil”, proclamou Lula. Na terça-feira, o líder brasileiro recebeu a resposta: uma recusa direta do governo de Ahmadinejad, que com excessiva condescendência descreveu Lula como meigo: “Tanto quanto sabemos, ele é uma pessoa muito humana e emotiva que provavelmente não recebeu informação suficiente sobre o caso”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast. “O que pode ser feito é informá-lo sobre os detalhes do caso desta pessoa que cometeu um crime e foi condenada em conseqüência”.

Os detalhes são estes: Ashtiani, 43, mãe de dois filhos, foi julgada culpada em 2006 por ter “um relacionamento ilícito” com dois homens. Ela foi punida com 99 chibatadas. Depois a corte mudou a acusação de adultério e a sentenciou à morte por lapidação. Ela está sendo objeto de uma campanha internacional, inclusive no Brasil, onde uma petição questionando o fracasso de Lula em falar sobre os direitos humanos no Irã recebeu mais de 100 mil assinaturas.

Esta não é a primeira vez que Lula ficou embaraçado por causa de seu “amigo” iraniano. Em maio, Ahmadinejad o induziu a desempenhar o papel de inocente útil [useful idiot], por ocasião da votação de sanções no Conselho de Segurança da ONU. Em Teerã, o presidente brasileiro assinou um memorando delineando um suposto compromisso sobre o programa nuclear iraniano – que se revelou imediatamente um roubo por Teerã e uma paralisação para os membros permanentes do Conselho de Segurança. Os votos de sanção prosseguiram.

Ahmadinejad também não é o único ditador a contar com o apoio incondicional de Lula. Em fevereiro último, Lula esteve muito ocupado acariciando Raul e Fidel Castro em Cuba, no momento em que o regime anunciava que um dissidente preso, Orlando Zapata Tamayo, havia morrido em decorrência de uma greve de fome. Lula disse que “lamentava” a morte, mas prosseguiu sua visita, mesmo quando o governo lançava uma campanha de propaganda escusando-se pela morte de Zapata.

O mandato de Lula como presidente está chegando ao seu termo; ele está fazendo cerrada campanha para sua sucessora escolhida, Dilma Roussef,. Comentários no Brasil dizem que Lula também sonha tornar-se o próximo secretário-geral da ONU. De onde seu desejo de poder demonstrar que é capaz de persuadir governantes tais como Ahmanidejad a ouvir a voz da razão. Só que ele aparentemente não pode.

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(*) Hélio Dias Viana é colaborador da ABIM