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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Argentina: governo sem controle, oposição sem rumo, população indignada


A indignação popular contra o caos que corrói a Argentina atingiu um clímax. Sobre o futuro do país paira imensa incógnita que, em última análise, só a Providência Divina poderá resolver. 


  • Marcelo Dufaur


Batendo panelas e exibindo toda espécie de cartazes de protesto, de confecção caseira, por volta de 700.000 portenhos congregaram-se em torno do obelisco central de Buenos Aires para manifestar sua insatisfação e mesmo sua cólera em relação ao rumo nacionalista-esquerdista que a presidente Cristina Kirchner vem impondo ao país.

Tal multidão constitui a ponta de um imenso iceberg, símbolo de um país inteiro. “Panelaços” simultâneos ocorreram diante da Casa Rosada, da residência presidencial de Olivos, em bairros centrais e periféricos, bem como nas principais capitais de província da Argentina.

As queixas populares recolhidas pela imprensa abarcavam um dos mais vastos leques de descontentamentos que nossa época, entretanto repleta de absurdos, já conseguiu reunir.

A viúva do ex-presidente Kirchner vinha prolongando a obra de demolição iniciada pelo seu marido, atropelando as categorias sociais, os costumes e os símbolos mais cultuados pelos argentinos. O chamado “estilo K”, adotado pelos governos do casal Kirchner, consiste em atropelar os espíritos sem os convencer, para implantar com arrogância e vulgaridade uma Revolução Cultural e um socialismo invasor.
Gigantesca manifestação da indignação contra governo caótico da viúva Kirchner
O “estilo K” vem se servindo de uma equipe sindicalista que, segundo a opinião de correspondentes de jornais estrangeiros, assemelha-se mais a uma gangue mafiosa. Comumente conhecida como “La Cámpora”, essa equipe reúne militantes de esquerda, herdeiros revanchistas dos antigos grupos guerrilheiros marxistas ou da esquerda católica.

Sob uma bandeira nacionalista, tal equipe vinha conduzindo sistemática agressão igualitária contra as classes média e alta, as mais cultas do país, seus costumes e suas propriedades. Mas as consequências dessa investida faziam-se sentir também sobre as camadas populares: assombrosa degradação dos serviços públicos, criminalidade quase descontrolada, Judiciário aviltado e posto a serviço da prepotência esquerdista, inflação devorando ordenados e poupanças, acelerado processo de destruição da família.

Por fim, em meio a uma torrente de artifícios legais, o núcleo do poder do governo Kirchner manifestou a vontade de reformar a Constituição para reeleger a atual presidente, seguindo o sistema utilizado por Chávez na Venezuela. Como para tal reforma o governo não possui maioria, o povo argentino deu-se conta de que as formalidades legais não seriam respeitadas. Foi então que, como observou o jornal “Le Figaro” de Paris, a cólera e a saturação transbordaram na forma de maciças manifestações populares de protesto contra o conjunto de abusos esquerdistas.

Mistérios da situação argentina 
Se existe algum mistério na durabilidade do “estilo K”, não parece que deva ser procurado na famigerada gangue encravada no governo.

Seria tarefa fácil para a força oposicionista se ela quisesse apresentar uma opção viável de poder e até ficar com as rédeas do governo. Mas nem mesmo a ambição e o interesse pessoal moveram seus políticos a se mobilizarem com um mínimo de inteligência.

Resultado: no imenso “panelaço” de 8 de novembro último, também eles foram largamente apontados pelas multidões como responsáveis pelo mal-estar nacional. Os argentinos não se sentem representados pela oposição e um imenso vazio abriu-se entre o povo e os que deveriam representá-lo.

Imensa incógnita tomou corpo na Argentina. De um lado, a equipe governamental aparece ao mesmo tempo cada vez mais prepotente e cada vez mais impotente, incapaz de se conduzir em suas funções, repudiada até por muitos dos que nela votaram. De outro lado, a oposição política, sem líderes, sem ideias, sem alternativas, apenas um pouco menos repudiada pela população do que o governo. Assim, o vazio apresenta-se como a grande incógnita para o futuro.

O horizonte não seria tão pesadamente brumoso se a influência da hierarquia eclesiástica se fizesse sentir beneficamente sobre a população que, nesta encruzilhada, normalmente se volta compactamente para suas raízes católicas.

Mas, quem analisa a posição da Conferência Episcopal Argentina e do clero católico considerado em seu conjunto, depara-se com uma atitude semelhante à de uma esfinge do Egito.

Então, o que aguarda a Argentina? 
A prodigiosa desordem e a imprevisibilidade do quadro civil e religioso argentinos acena para acontecimentos futuros cada vez mais incertos, descontrolados e até contraditórios.

A insensibilidade da opinião pública argentina às propostas nacionalistas de cunho esquerdista do governo, sua desconfiança em relação à oposição, o desprestígio da esquerda católica e do clero progressista estão produzindo um descolamento sem nome. Cidadãos e políticos no campo civil, fiéis e clero no campo religioso, não mais se entendem. Predominam a insatisfação e a ebulição do temperamento popular contra todos esses fatores de desordem.

Poder-se-ia mesmo evocar uma analogia histórica: o desabamento do Império Romano do Ocidente, quando ocorreram fenômenos semelhantes de desarticulação no governo e desorganização na sociedade.

Mas há na Argentina um elemento superior que os fautores do caos atual fingem negligenciar: sua Padroeira, Nossa Senhora de Luján. D’Ela aguardamos a última palavra!


sábado, 7 de julho de 2012

MERCOSUL-UNASUL: “dupla aliança” chavista-castrista contra o Paraguai


Por uma ironia da História, o julgamento sumário e o consequente Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai padeceram exatamente dos vícios que se alegam contra o Poder Legislativo paraguaio. 

Armando Valladares  (*)
Miami (FL), 30 de junho de 2012 

Na sexta-feira, 29 de junho, a Dupla Aliança Mercosul-Unasul promoveu um virtual Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai, suspendendo-o como país-membro. Mercosul e Unasul reeditaram assim, no plano político, a chamada Tríplice Aliança, um pacto militar articulado no século XIX por dois países gigantes limítrofes contra esse pequeno país sul-americano.

A escusa para esse novo golpe dos governos sul-americanos contra o pequeno Paraguai foi a de que a destituição do ex-presidente Lugo pelo Poder Legislativo teria violado as regras de jogo democráticas e que o mandatário não teria tido todo o tempo necessário para se defender devido à celeridade do processo de destituição.

Por uma ironia da História, o julgamento sumário e o consequente Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai padeceram exatamente dos vícios que se alegam contra o Poder Legislativo paraguaio. A contradição não poderia ser maior nem mais flagrante. Foram violadas sistematicamente as normas mais elementares da justiça, da equidade, do respeito e da convivência democrática entre Estados, a ponto de o novo Presidente do Paraguai, Federico Franco, e seu chanceler terem sido proibidos de participar das reuniões do Mercosul e da Unasul. Os gigantes condenaram o pequeno Paraguai sem sequer dar às suas autoridades a menor possibilidade de se defenderem.

A jornalista Tânia Monteiro, enviada especial do jornal brasileiro “O Estado de S. Paulo” à reunião Mercosul-Unasul, revela que os mandatários do Mercosul, enquanto tramavam a expulsão do Paraguai por uma porta e articulavam a não menos sumária entrada da Venezuela chavista pela outra, não conseguiam ocultar a preocupação de que essas decisões arbitrárias possam ser denunciadas pelo governo paraguaio ante as cortes internacionais de justiça e organismos análogos. 

Por ocasião de acontecimentos políticos, sociais e até criminais de envergadura, para encontrar as motivações profundas de seus protagonistas e identificar devidamente os responsáveis, os analistas costumam levantar a clássica pergunta: A quem favorece o ocorrido?

No caso do Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai, tal pergunta resulta supérflua em 50%, pois fica claro que se aproveitou da suspensão desse país para colocar no Mercosul a Venezuela chavista, inclusão esta cujo maior obstáculo provinha precisamente do Senado paraguaio. Os outros 50% encontram sua resposta no ânimo pró-castrista quase generalizado dos mandatários presentes, os quais na recente Cúpula das Américas rasgaram as vestes por ter sido vetada a presença do “democrático” regime comunista de Cuba que há mais de meio século comete um sistemático e criminoso genocídio material e espiritual contra minha querida Pátria cubana. 

A quem favorece então esse Golpe Internacional de Estado contra o Paraguai promovido por essa sui generis Dupla Aliança Mercosul-Unasul? Sem dúvida, ao “eixo do mal” chavista-castrista da América Latina.

Em 2009, ao produzir-se em Honduras a destituição do presidente pró-chavista Manuel Zelaya, levantou-se, da parte de mandatários, dirigentes esquerdistas, pró-esquerdistas e inocentes úteis do Hemisfério, uma das maiores gritarias internacionais jamais presenciadas.

Poucos dias antes da destituição de Zelaya, a OEA, reunida em Honduras e tendo à frente seu nefasto secretário-geral, havia aberto de par em par suas portas para a Cuba comunista, sem impor-lhe condições.

Na condição de cubano e de ex-preso político que passou 22 anos nas masmorras de Cuba, e também na de iberoamericano, assumi imediatamente a defesa de Honduras, escrevendo numerosos artigos nos quais denunciava a cumplicidade da OEA com as esquerdas hondurenhas. Mostrei os ‘dois pesos e as duas medidas’ da “política do garrote” para Honduras e da “política de sorrisos” para a Cuba comunista, e também a responsabilidade do kerenkismo político e eclesiástico iberoamericano pavimentando o caminho para as esquerdas.

Em 2012, três anos depois da crise hondurenha, minha consciência de cubano e de iberoamericano não me permite permanecer em silêncio diante de uma conspiração política contra a pequena, sofrida e heroica nação paraguaia. Conspiração que tem, entre suas lamentáveis consequências imediatas, o fortalecimento do chavismo e, portanto, do cordão umbilical que a partir da Venezuela mantém com vida os carcereiros castristas. Peço a ajuda da Divina Providência para a nação paraguaia, a fim de que ela possa resistir às pressões internacionais inspirando-se no conselho do Apóstolo São Paulo: “Esperando contra toda a esperança”. 
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Armando Valladares, escritor, pintor e poeta, passou 22 anos nos cárceres políticos de Cuba. É autor do best-seller Contra toda esperanza, onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU nas administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalha Presidencial do Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado. Escreveu numerosos artigos sobre a colaboração eclesiástica com o comunismo cubano e sobre a “Ostpolitik” vaticana em relação a Cuba.

sábado, 31 de março de 2012

Azares do governo Dilma

Hélio Dias Viana (*) 

Apenas três fatos recentes.

Há poucos meses, quando Dilma foi participar de uma reunião do Mercosul no Uruguai, um jovem assessor econômico da presidente Cristina Kirchner foi encontrado morto no guarda-roupa de seu apartamento, no mesmo hotel onde se realizava a reunião. Cristina Kirchner sentiu-se mal e teve de receber atendimento médico. Pode-se imaginar o clima reinante no restante da reunião.

Recentemente, na Alemanha, um fato pequeno mas intrigante: enquanto a presidente Dilma dava uma entrevista no saguão do hotel onde se realizaria uma importante reunião sobre assuntos econômicos, uma peça metálica lhe caiu sobre o pé, arrancando-lhe um grito lancinante. Por que justo naquele momento e naquele pé, diante de milhões de telespectadores?

Agora ela vai à Índia para uma reunião do Brics e se depara com a cena aparecida em todos os jornais: um tibetano que em Nova Delhi ateia fogo à própria roupa a fim de protestar pela presença do ditador chinês à reunião e exigir liberdade para o Tibet. Levado a um hospital, ele morreu um dia depois.

Coincidências? Fica a cargo do leitor levantar hipóteses.
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 (*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Argentinos repudiam socialismo tributário

Multidões indignadas de argentinos saíram espontaneamente às ruas em mais de 300 locais do país, para protestar contra o primeiro discurso da presidente Cristina Kirchner, todo ele eivado de populismo esquerdista contra os proprietários rurais. Panelaços, buzinaços, tratoraços e ruidosas cantorias com bandeiras nacionais encheram até a Praça de Maio diante da Casa Rosada. Piqueteros (equivalentes urbanos ao MST e congêneres) saíram em defesa da presidente e agrediram vários manifestantes. A maioria destes não era de proprietários rurais, mas de populares citadinos que se solidarizaram naturalmente com eles, que sofrem uma saraivada de impostos confiscatórios. O repúdio popular ao esquerdismo kirchnerista atinge níveis recordes. (Agência Boa Imprensa)