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terça-feira, 17 de maio de 2011

À procura de almas — II



Pe. David Francisquini (*)

Cumpro a promessa feita e retomo o tema da procura de almas em nossos campos — hoje tão desfigurados em relação a um passado não muito remoto — em que patrões e empregados viviam normalmente em perfeita harmonia na troca amistosa de bons ofícios do compadrio reinante. Tal concórdia não era fruto espontâneo da natureza, mas da fé religiosa que a todos iluminava.

No Brasil, dada à situação em que vive infelizmente a maior parte das pessoas que se mudou para as cidades, os pais deixaram de ensinar o catecismo e a história sagrada a seus filhos, pois nem eles mesmos dão exemplo de vida religiosa, temperante e temente a Deus. Confinados em casas populares, sofrem pressão do ambiente para limitar o número de filhos.

Os pretextos para essa nossa atitude se encontram numa “cartilha” na qual os novos citadinos “aprendem” que a vida se tornou implacável e não comporta mais uma prole numerosa a ser educada e alimentada. Enquanto moravam no campo eles usufruíam da fartura de alimentos, da largueza retratada no espaço, além do ganho, resultando em bem-estar, tranqüilidade e alegria de situação.

Contudo, ninguém está disposto a trocar a vida — ainda que precária — da cidade pela vida temperante do campo, levando em conta todas as condições de conforto da cidade. O vazio de nosso interior, até há pouco estuante de vida e símbolo de abundância e fertilidade, constitui eco das desastradas políticas que resultaram no enorme êxodo rural.

Enquanto pastor e orientador de almas, não creio poder inocentar de culpa os promotores de tal política. Com justa razão contestam os proprietários rurais essa política agrária, que protege os ditos sem-terra, oferecendo-lhes toda sorte de regalias, enquanto aqueles que têm vocação para a agropecuária ficam abandonados e até ameaçados.

Um ruralista autêntico reclamou em conversa recente que trabalha mais para o governo de que para seu próprio sustento. Alega ter se tornado praticamente um concessionário do Estado e não mais um legítimo proprietário. A todo o momento recebe visitas de órgãos governamentais para cobrar isso ou aquilo, além de lhe impor mil e uma obrigações sem nenhuma contrapartida.

A figura do proprietário vai desaparecendo em detrimento da figura de mero concessionário do Estado. Qual um deus laico e impostor, o Estado apresenta-se como onisciente, onipotente e onipresente ao querer saber de tudo, abarcar tudo e controlar tudo.

Outro camponês lembrou-me a figura do chupim — pássaro símbolo da preguiça, da depredação e do aproveitador — que ao “chupar” os ovos do tico-tico e botar lá os seus, faz com que o tico-tico os incube para ele, além de criar seus filhotes, alimentando-os por longo período. Só depois de adultos os novos chupins vão sair da tutela do tico-tico para praticar as costumeiras patifarias.

Vai celeremente desaparecendo a verdadeira liberdade dos filhos de Deus. A ferrenha “escravidão” imposta pelo Estado tende a aumentar dia-a-dia o desânimo entre os produtores rurais, e também urbanos, obrigados tanto uns como os outros a carregar nas costas máquina estatal cada vez maior.

A classe média dá mostras de cansaço, e, sem desmerecer a nobreza do legítimo funcionalismo público, o que vemos são filas sem-fim para concursos a um cargo municipal, estadual ou federal. Afinal, todos querem fazer parte da nova “aristocracia”, semelhante à nomenklatura, que pouco produz e leva a maior parte dos frutos e esforços de quem trabalha.

Com a livre iniciativa cerceada, as mentalidades vão mudando a ponto de quase todos reclamarem da presença do Estado na solução dos problemas do cotidiano: na segurança, na saúde, na educação, enfim, na solução de todos os problemas, inclusive na eliminação da pobreza. A consequência disso só pode conduzir a população ao acomodamento e ao torpor das individualidades.

Ao promover o bem comum, o Estado jamais poderá ser um fardo para a sociedade. Seu papel é criar condições para que os indivíduos desenvolvam seus talentos e contribuam para o sadio progresso da Nação, e não como estamos assistindo atualmente no Brasil. Por ocasião das eleições, jornais noticiaram que os “dependentes” do Estado seriam capazes de eleger o presidente.

O que me faz levantar uma pergunta: Que autenticidade tem uma democracia baseada nesses termos?

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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ

terça-feira, 26 de outubro de 2010

China: reações contra o regime comunista multiplicam-se

Autoridades municipais chinesas estão realizando muitas expropriações de cidadãos comuns. Esses procedimentos socialistas têm levado cidadãos desesperados a se suicidarem, porém muitos juraram defender suas propriedades com a vida. “Eu tive que ficar olhando, enquanto tratores demoliam a minha propriedade”, disse o empresário Gu Kui. [foto] Na cidade de Zhengzhou, leste da China, mulher de 45 anos de idade foi morta quando uma escavadeira a arrastou para fora do andar superior de seu restaurante, onde ela havia se entrincheirado para protegê-lo. A rebelião grassa contra o comunismo, e o governo central procura dominar dezenas de milhares de revoltas populares para evitar que elas se transformem num movimento mais amplo de contestação do próprio regime marxista.
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Agência Boa Imprensa

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O ambiente rural e a feliz concórdia entre patrões e empregados


  • Pe. David Francisquini *
Sempre tiro muito proveito espiritual, mas também psicológico e intelectual, em meu giro anual pelos campos do norte fluminense. Com efeito, não só a boca fala da abundância do coração. Metaforicamente, a pena também pode falar. Portanto, quero compartilhar com meus leitores o sabor de alguns frutos que colhi de meus recentes contactos com o homem do campo.

Entre as muitas conversas interessantes que mantive em meu mais recente percurso, detenho-me numa de modo particular. O interlocutor já era meu conhecido e, juntos, lembramo-nos da longa e luminosa trajetória da agricultura brasileira. Desde os tempos das capitanias hereditárias, passando pelas sesmarias, quando até as ordens religiosas tinham suas terras de cultivo.

Depois do ciclo da cana de açúcar vieram as lavouras de café, no século XIX, e com a abolição da escravatura aportaram as ondas de imigrantes europeus a povoar essa nova Canaã. As terras foram naturalmente se dividindo, e milhares de proprietários, grandes, médios e pequenos produzem hoje alimentos com fartura e baratos para o Brasil e para o mundo.

O camponês demonstra muita segurança de vida, capacidade de governo, o que por sua vez lhe dá muita auto-estima, pois se sente como senhor da terra, o que concorre para lhe cunhar personalidade marcante. Mas, a conversa ia longe, quando tratamos das relações cheias de harmonia e de bondade entre patrões e empregados. Tempos em que predominava o compadrio.

Havia nas fazendas de café a figura do meeiro que entrava com os braços e o dono com a terra, situação na qual o trabalhador acumulava ao longo de alguns anos renda suficiente para comprar suas terras. As relações amistosas faziam do proprietário compadre do trabalhador e vice versa. Com efeito, reinava ali o espírito muito familiar.

A bondade de nosso povo permitia que todos trabalhassem de acordo com seus dotes, mas ninguém ficava sem atividade. As tarefas eram distribuídas segundo as capacidades de cada um.
Nessa feliz concórdia, patrões e empregados desenvolviam seus talentos. A estrutura agrária sólida permitia que a fazenda fosse uma verdadeira escola de novos proprietários.

Formavam-se homens de têmpera, de determinação e cheios de resolução, predicados mais salientes do homem do campo de outrora. Futuros proprietários partiam para longe, onde compravam terras mais baratas, e com isso foram semeando em nossos sertões e criando novas povoações. Assim, o Brasil transformou-se na potência agrícola que hoje é.

Ainda teria algumas coisas a dizer..., mas o espaço acabou. Quem sabe numa próxima ocasião? Até breve.
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* Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Receita para matar um proprietário rural

  • Paulo Roberto Campos
Tome um fazendeiro
Desplantado do conforto da cidade,
Assado pelo sol, curtido pela atividade
Em prol do bem de toda sociedade.
Desfolhe-o de seus direitos, herdados e conquistados,
Misture-o com exorbitantes impostos
E deixe-o de molho em dívidas bancárias.
Deposite-o, em seguida,
No fundo do descaso governamental.
Adicione-o a leis trabalhistas arbitrárias,
Derrame o pote do horror induzido ao proprietário
Até obter a consistência anarquista.
Tempere com vodca comunista,
Acrescente uma boa dose de inveja
E salpique, com a mão do Incra,
Denunciosas fatias de egoísmo.
Deixe fermentar na revolta
A cobiça de “sem terras”, mas não “sem armas”,
Às áreas produtivas,
A saga “sem vergonha”
De quem semeia confusão
Para invadir terras, roubar o alheio.
Acenda o fogo agro-reformista,
Ferva até à agitação
Na mediática panela de pressão
Para alcançar a perturbação
Em rede global.
Sirva à esquerda, com sal de sacristia,
Na impunidade,
No bandeijão da ilegalidade.
(Agência Boa Imprensa)