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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Alinhamento bolivariano

"Lé com lé, cré com cré"...
Helio Dias Viana (*)

À contratação dos médicos cubanos, dispensados do exame do Revalida, somou-se o “affaire” do senador boliviano Roger Pinto, cuja introdução no Brasil custou a cabeça do chanceler Antonio Patriota.

Enquanto sobre os primeiros a presidente Dilma declarou no dia 28 em Belo Horizonte que existe “um grande preconceito contra os cubanos”, no caso do segundo, o antigo chanceler censurou a atitude do conselheiro Eduardo Saboia — que trouxe o senador — afirmando que o governo brasileiro “agiu sempre em respeito à soberania boliviana, sem deixar de buscar uma solução negociada”.

Quanto à existência de “um preconceito contra os cubanos” — declaração seguida da informação de que os mesmos talvez possam permanecer depois no Brasil, dependendo da avaliação a ser dada ao seu trabalho, contrariando assim o afirmado pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams —, a presidente quis com isso sugerir que os brasileiros não desejam tais médicos pelo simples fato de serem cubanos.

Não é verdade. Tal recusa provém, de um lado, do fato de os mesmos não darem prova de conhecimentos suficientes da profissão e serem escravos de um regime opressor, para o qual será destinada a quase totalidade de seus salários, e de outro lado por não se excluir de nenhum modo a possibilidade de que tais médicos venham a desempenhar no Brasil o mesmo papel exercido por seus colegas na Venezuela e na Bolívia, ou seja, de agentes do regime cubano.

Sobre a declaração de Antonio Patriota de que o governo brasileiro “agiu sempre em respeito à soberania boliviana, sem deixar de buscar uma solução negociada”, eu não a contesto, por desconhecer os precedentes do caso. Mas convém lembrar que o princípio que rege toda e qualquer diplomacia é o da reciprocidade, a qual nem de longe vem sendo observada pelo governo de Evo Morales. Basta recordar sua intolerável atitude em relação à Petrobrás, tomada no mesmo dia em que aquele presidente chegava da Venezuela...

Mas admitindo que em relação ao caso do senador boliviano o governo brasileiro tenha se pautado segundo o declarado acima, no caso de Honduras ele pura e simplesmente hostilizou o governo e o povo hondurenhos ao receber Manuel Zelaya na embaixada do Brasil em Tegucigalpa e ali mantê-lo durante vários meses em aberta confrontação com o governo legitimamente instituído de Roberto Micheletti, o que é contrário à praxe diplomática. E na mesma ocasião, entrevistado por uma jornalista de “O Globo”, o então chanceler Celso Amorim apoiou Zelaya e disse que a direita não tinha mais vez na América Latina.

A conclusão é clara: os governos petistas tomam o maior cuidado em não melindrar os cubano-bolivarianos seus aliados, mas são truculentos e despóticos quando se trata de governos de tendência oposta.
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Quando já havia concluído o presente artigo, leio a notícia de que o governo boliviano pediu ao Brasil a devolução do senador. Do mesmo modo como quatro semanas depois de sancionar a assassina lei do aborto a presidente Dilma declarou que esteve preocupada pelo fato de Eduardo Saboia ter exposto a vida do senador Roger Pinto, não causará surpresa se também agora, esquecida do escandaloso caso do terrorista e assassino italiano Cesare Battisti, cuja extradição foi negada, ela decida devolver Roger Pinto.
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(*) Hélio Dias Viana é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

domingo, 15 de julho de 2012

Ideologia em vez de competência: critério do governo para a importação de médicos cubanos



Hélio Viana (*)
Isolado na América Latina até o advento do Foro de São Paulo – segundo declarou Lula em vídeo-mensagem à 18ª. versão do referido foro, realizado em Caracas (Foto acima e vídeo abaixo) –, o regime comunista cubano está em vias de “exportar” para o Brasil, entre janeiro de fevereiro de 2013, nada menos que 1.500 médicos, para atender às regiões do interior do País. A escolha dessa data teria sido para não repercutir no resultado das eleições municipais de 2012. 

O principal “mercado consumidor” de tais médicos – cuja capacidade para o exercício da profissão é mais do que duvidosa, como se verá, ao passo que sua formação ideológica não deixa lugar a nenhuma dúvida – foi até o momento a Venezuela chavista, onde não se sabe bem até que ponto eles se restringiram a simples atendimentos médicos e com que resultados.

Contudo, nos termos do referido vídeo-mensagem de Lula, no qual ele se jacta da militância hegemônica do PT e de seus aliados cubanos e bolivarianos para a implantação da “democracia” em todo o continente latino-americano (a Alemanha comunista também se chamava República Democrática Alemã – DDR), a pergunta que se depreende é se os tais 1.500 médicos não serão agentes comunistas destinados a colaborar na consecução de tal fim.

Tanto mais quanto ficou patente aos olhos de todos a inconformidade do bloco petista-bolivariano em face do impeachment inteiramente legal do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, a exemplo do que ocorrera em Honduras em relação a Manuel Zelaya, quando o então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou que era algo inadmissível, porque a direita não podia ter mais vez na América Latina. Que democracia sui generis é essa, que só admite a esquerda?

Existe grande preocupação de que Hugo Chávez não se reeleja pela terceira vez ao cargo (sua nova candidatura foi obtida graças a mudanças arbitrárias feitas por ele na Constituição, sem que a esquerda protestasse – a mesma esquerda que gritou furiosa quando Álvaro Uribe quis fazer o mesmo na Colômbia, só que com fortíssimo respaldo popular) –, e foi para evitá-lo que o internacionalismo petista deslocou para a Venezuela a equipe de marketing de João Santana, sob os protestos da opinião pública, que reclama de interferência externa.

Não se sabe se além do João marqueteiro e de outro João – o “João de Deus”, curandeiro goiano que teria viajado à Venezuela em avião da FAB para tratar de Chávez –, a solidariedade petista enviará também, a exemplo do que ocorreu nas eleições anteriores do período chavista, as urnas eletrônicas brasileiras, as quais, não se sabe bem por que, Hugo Chávez, responsável pelo “excesso de democracia” em vigor na Venezuela, como disse Lula, quis introduzir sorrateiramente em Honduras antes da queda de Zelaya.

Voltando ao tema de Cuba – para cuja sobrevivência o regime chavista foi até aqui imprescindível –, cumpre lembrar que tudo, menos a “exportação” de médicos, poderia ser o resultado imediato da vultosa soma de dinheiro destinada pelo governo da presidente Dilma para a reforma do Porto de Mariel.

Para o leitor aquilatar a qualidade do “produto” a ser importado pelo governo petista, finalizo transcrevendo estes dois trechos de um artigo publicado por “O Estado de S. Paulo” em 3 de janeiro de 2011, sob o título de “Médicos reprovados”: 
“Os resultados do projeto-piloto criado pelos Ministérios da Saúde e da Educação para validar diplomas de médicos formados no exterior confirmaram os temores das associações médicas brasileiras. Dos 628 profissionais que se inscreveram para os exames de proficiência e habilitação, 626 foram reprovados e apenas 2 conseguiram autorização para clinicar. A maioria dos candidatos se formou em faculdades argentinas, bolivianas e, principalmente, cubanas. “[...] As faculdades cubanas – a mais conhecida é a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) de Havana – são estatais e seus alunos são escolhidos não por mérito, mas por afinidade ideológica. Os brasileiros que nelas estudam não se submeteram a um processo seletivo, tendo sido indicados por movimentos sociais, organizações não governamentais e partidos políticos. Dos 160 brasileiros que obtiveram diploma numa faculdade cubana de medicina, entre 1999 e 2007, 26 foram indicados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Entre 2007 e 2008, organizações indígenas enviaram para lá 36 jovens índios". 
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(*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)



terça-feira, 10 de abril de 2012

FARC e MST

MST destrói fazenda no Pará
Hélio Dias Viana (*)

Os leitores medianamente informados devem se lembrar que o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, que combateu rijamente as FARC, havia pedido aos demais países que as considerassem como um grupo terrorista. O governo Lula, amigo de regimes terroristas como os de Cuba, Irã e Líbia, se negou a fazê-lo.

Algo semelhante ocorre agora na comissão encarregada da reforma do Código Penal brasileiro. Ao prever os crimes de terrorismo, ela eximiu cuidadosamente o MST, cujas práticas contrárias às leis e à Constituição não configuram outra coisa. Mas como lhe afixaram malandramente a etiqueta de “movimento social”, esta prevalece para acobertar os seus atos criminosos.

Por outro lado, é preciso ser míope para não ver as analogias existentes entre as FARC e o MST, movimentos que inclusive já estiveram lado a lado no Fórum Social de Porto Alegre e cujo objetivo comum é derrubar a atual ordem sócio-econômica dos respectivos países onde atuam para substituí-la pelo socialismo marxista.

E curiosa contradição de governos que se dizem contrários à ditadura e desejosos de consolidar a democracia, mas que favorecem ao mesmo tempo movimentos criminosos que atuam para nos conduzir – e ao Continente – à pior de todas as ditaduras.
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 (*) Helio Dias Viana é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O internacionalismo petista

Humala e Lula
Helio Dias Viana (*)

À medida que passa o tempo, tornam-se cada vez mais claros os motivos da fúria lulo-petista em relação a Honduras.

Com efeito, ao alijar do poder o golpista Zelaya, os valorosos hondurenhos simplesmente estragaram o lúgubre festim do PT – um partido nascido da "Teologia da Libertação" e atual ponta de lança na luta pela implantação do comuno-tribalismo na América Latina, para cujo êxito o fator unanimidade é imprescindível.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cá e lá, intervencionistas há


 
  • Hélio Dias Viana

 O leitor está por certo lembrado da recente “lei da palmada”, através da qual o governo Lula interveio no recinto da família, imiscuindo-se no pátrio poder.

Embora de aparição antiga (11/08/2009), pela sua incontestável atualidade reproduzo abaixo excertos de um indignado artigo publicado na revista “Human Events” pelo ator e jornalista americano Carlos Ray “Chuck” Norris, no qual ele analisa aspectos de um análogo intervencionismo de Barack Obama nos Estados Unidos.

Que outras afinidades existirão entre o novo Programa Nacional de Direitos Humanos — compêndio do que pensa e deseja implantar o governo petista — e a impopular Reforma da Saúde de Obama?

Deste Obama a cujo respeito pelo menos os institutos de pesquisas americanos não mentem, e lhe atribuem a baixa popularidade contra a qual, apesar de todas as evidências, seus símiles brasileiros se encarregam de proteger sistematicamente o presidente Lula.

Segredo Sujo N° 1
no Serviço de Assistência de Obama

As reformas do sistema de saúde estão se transformando numa revolta. Os americanos estão indignados com os parlamentares, nas reuniões realizadas em prefeituras ao longo dos EUA. [N.R.: Eles foram ao interior consultar as bases eleitorais a respeito do assunto, reunindo-se nas prefeituras, mas a indignação foi tal que alguns quase foram agredidos].

Enquanto observava essas aquecidas noites políticas de agosto, decidi pesquisar as razões pelas quais tantos se opõem ao Serviço de Assistência de Obama, para separar os fatos da fantasia. O que descobri é a existência até mesmo de pequenos segredos sujos, profundamente enterrados dentro das mais de mil páginas do projeto sobre a saúde.

O Segredo sujo Nº 1 do Serviço de Assistência de Obama versa sobre a intromissão do governo no interior das residências e a usurpação dos direitos dos pais quanto aos cuidados na criação dos filhos.

Isso está esboçado nas seções 440 e 1904 do projeto da Casa (página 838), sob o título “programas de visita às casas de famílias com filhos pequenos e de famílias esperando filhos”. Os programas — concedidos através de concessão aos Estados — aconselhariam os pais sobre o procedimento a observarem no tocante à criação dos filhos.

O projeto prevê que os agentes do governo — “quadros bem treinados e competentes” — forneçam aos pais os conhecimentos necessários ao desenvolvimento adequado à idade da criança nos domínios cognotivo, lingüístico, social, emocional e motor […], “modelando-os, consultando-os e instruindo-os quanto às práticas paternas a tal respeito”, bem como sobre suas “condições para interagir com os filhos a fim de intensificar o desenvolvimento próprio à idade”.

Uma refutação do governo é a de que o programa seria “voluntário”. É verdade? Isso implica que essa agência apoiaria passivamente, até que, necessitados em saber como criar seus filhos, alguns pais dissessem: “Não penso chamar meus pais, padre ou amigos, ou ler uma pletora de livros, mas irei aos escritórios do governo?”

Ao contrário, na página 840, o projeto aponta para grupos e problemas especificamente indicados: O Estado “deverá identificar e priorizar comunidades que estejam com grande necessidade de tais serviços, especialmente aquelas com alto índice de famílias de baixa renda”.

É tudo isso o que você deseja ou espera de um plano universal de saúde impulsionado através do Congresso? Você quer que agentes do governo cheguem à sua casa e lhe digam como educar seus filhos? Quando é que o serviço de saúde do governo se tornou serviço de cuidado da criança?

O governo precisa exercer menos o papel de dirigir a vida de nossas crianças e mais o de apoiar as decisões dos pais em relação aos filhos. Os filhos pertencem aos seus pais, não ao governo. E os pais devem ter o direito — e o apoio do governo — para criar seus filhos sem ordens, educação ou intervenção federal em suas casas.
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(*) Hélio Dias Viana é colaborador da ABIM

sábado, 7 de agosto de 2010

“Washington Post” critica Lula

Lula e o presidente do Irã, Ahmadinejad [Foto: Ricardo Stuckert / PR]



  • Hélio Dias Viana (*) 

Em recente matéria, articulista do importante jornal norte-americano "Washington Post" afirma que apesar de cortejar o Irã, o presidente Lula foi por este humilhado ao não ser atendido no seu apelo em prol de uma mulher condenada à morte naquele país. E conclui dizendo que Lula está se empenhando a fundo para que sua sucessora seja uma “ex-guerrilheira marxista que compartilha sua afeição pelos ditadores anti-norte-americanos”.


Lula obstruído pelo Irã

By Jackson Diehl, The Washington Post, 3 de agosto de 2010

O melhor amigo dos tiranos em todo o mundo democrático – o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva – foi mais uma vez humilhado por um de seus clientes.

Trata-se de Mahmoud Ahmadinejad, o patrocinador do terrorismo e negador do Holocausto, a quem Lula abraçou pública e literalmente. No final da semana, pressionado por protestos domésticos, Lula apelou ao presidente iraniano para libertar Sakineh Ashtiani – uma mulher iraniana condenada a morrer lapidada sob acusação de adultério – e permitir-lhe exilar-se no Brasil.

“Se a minha amizade e afeição pelo presidente do Irã têm importância, e se esta mulher está causando problemas lá, vamos acolhê-la aqui no Brasil”, proclamou Lula. Na terça-feira, o líder brasileiro recebeu a resposta: uma recusa direta do governo de Ahmadinejad, que com excessiva condescendência descreveu Lula como meigo: “Tanto quanto sabemos, ele é uma pessoa muito humana e emotiva que provavelmente não recebeu informação suficiente sobre o caso”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast. “O que pode ser feito é informá-lo sobre os detalhes do caso desta pessoa que cometeu um crime e foi condenada em conseqüência”.

Os detalhes são estes: Ashtiani, 43, mãe de dois filhos, foi julgada culpada em 2006 por ter “um relacionamento ilícito” com dois homens. Ela foi punida com 99 chibatadas. Depois a corte mudou a acusação de adultério e a sentenciou à morte por lapidação. Ela está sendo objeto de uma campanha internacional, inclusive no Brasil, onde uma petição questionando o fracasso de Lula em falar sobre os direitos humanos no Irã recebeu mais de 100 mil assinaturas.

Esta não é a primeira vez que Lula ficou embaraçado por causa de seu “amigo” iraniano. Em maio, Ahmadinejad o induziu a desempenhar o papel de inocente útil [useful idiot], por ocasião da votação de sanções no Conselho de Segurança da ONU. Em Teerã, o presidente brasileiro assinou um memorando delineando um suposto compromisso sobre o programa nuclear iraniano – que se revelou imediatamente um roubo por Teerã e uma paralisação para os membros permanentes do Conselho de Segurança. Os votos de sanção prosseguiram.

Ahmadinejad também não é o único ditador a contar com o apoio incondicional de Lula. Em fevereiro último, Lula esteve muito ocupado acariciando Raul e Fidel Castro em Cuba, no momento em que o regime anunciava que um dissidente preso, Orlando Zapata Tamayo, havia morrido em decorrência de uma greve de fome. Lula disse que “lamentava” a morte, mas prosseguiu sua visita, mesmo quando o governo lançava uma campanha de propaganda escusando-se pela morte de Zapata.

O mandato de Lula como presidente está chegando ao seu termo; ele está fazendo cerrada campanha para sua sucessora escolhida, Dilma Roussef,. Comentários no Brasil dizem que Lula também sonha tornar-se o próximo secretário-geral da ONU. De onde seu desejo de poder demonstrar que é capaz de persuadir governantes tais como Ahmanidejad a ouvir a voz da razão. Só que ele aparentemente não pode.

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(*) Hélio Dias Viana é colaborador da ABIM

sábado, 31 de julho de 2010

Lula marca mais um gol contra o Brasil



  • Wilson Gabriel da Silva

O presidente Lula marcou mais um gol contra o seu próprio time, em inconsistente entrevista sobre o conflito, por enquanto diplomático, entre a Colômbia e a Venezuela.

As declarações de Lula foram feitas após a denúncia do presidente colombiano Álvaro Uribe comprovando a presença de dezenas de acampamentos de guerrilheiros das Farc em território venezuelano, junto à fronteira com seu país.

Em longa e demagógica entrevista ao lado de Diego Maradona, o próprio presidente da Venezuela, Hugo Chavez, (foto acima) reconheceu a existência desses acampamentos em seu território… mas a culpa seria da Colômbia que deixou os guerrilheiros passarem a fronteira!

A resposta de Chavez à denúncia do presidente Uribe foi o rompimento das relações diplomáticas da Venezuela com a Colômbia e a mobilização de suas tropas junto à fronteira com o país vizinho.
Entretanto, o presidente Lula não vê nisso nenhum conflito sério. Apenas “conflito verbal”. “Temos (Lula e Chavez?) de ter paciência… até que Santos [o recém-eleito presidente da Colômbia] tome o poder”, declarou.

As palavras do presidente brasileiro soaram como um desaforo contra o presidente da Colômbia, que até a transmissão do mandato continua sendo Álvaro Uribe. Este deplorou que Lula apresentasse o caso como se fosse apenas uma briga pessoal entre ele. Uribe, e Hugo Chavez.

Sem dúvida, essa tática escamotearia aspectos mais importantes da questão: os crimes das Farcs e o envolvimento de forças ideológicas incrustadas em regimes latino-americanos.

O comentarista Alexandre Garcia destacou na "Globo" o mal-estar criado na América Latina pelas declarações de Lula. E viu aí mais uma derrota da “diplomacia” brasileira, depois das intromissões indevidas em Honduras, do apoio às reivindicações atômicas do Irã e de meter-se na briga entre árabes e judeus na Palestina. Uma verdadeira “catarse extemporânea de terceiro-mundismo”, conclui Alexandre.

Mais um gol contra de Lula. O problema é que o maior prejudicado é o Brasil.

Veja também em video o que diz Alexandre Garcia sobre esse assunto no portal da "Globo":

http://g1.globo.com/videos/bom-dia-brasil/v/alexandre-garcia-fala-sobre-o-clima-de-mal-estar-na-america-latina/1309764/

domingo, 4 de julho de 2010

“E daí? Dizem os candidatos


Leo Daniel
Os pré-candidatos desta eleição de 2010 estão muito calados a respeito de suas intenções e convicções. Até parece que a eleição será por cargos na lua, sem nenhuma relação com nossa sofrida Terra. Só palavras vagas e sonoras.

Teotonio Vilela Filho reconheceu que “temos mais semelhanças que nos unem que diferenças que nos separem”. Afinal, são três candidatos ou um único candidato, vestindo três estilos de roupas, de siglas e de amigos? Ou são três pessoas?

Os assuntos-chave são evitados cuidadosamente. Por exemplo, o que parece a eles do Terceiro (e vasto) Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), tão alardeado pelo governo Lula da Silva, do qual se pode dizer que é um chavismo sem Chavez? Não se trata apenas de um programa de reformas várias, mas sim, em bloco, de uma reforma-do-Brasil. Não é pouco! Que acham os srs. candidatos dessa reforma socialista? Será para melhor? Ou…

E a Quinta Internacional? Chavez lançou recentemente um projeto de internacional comunista, pouco antes de termos cedido nossa embaixada em Honduras para abrigar Zelaya (lembra-se?). Diz ele: “Atrevo-me a convocar a 5ª Internacional para retomar a 1ª, a 2ª, a 3ª e a 4ª (…) Que esta se converta num instrumento de unificação da luta pelos povos para salvar o planeta”. Chavez recordou que passaram 145 anos desde que Karl Marx convocou a 1ª Internacional Socialista, 120 desde que foi convocada a 2ª, por Friedrich Engels, 90 desde que Lenin convocou a 3ª e 71 anos desde que Trostsky convocou a 4ª.

Vamos aderir a essa Internacional, ou vamos repudiá-la com desdém? Ou se vai fingir que não se viu nada?

Os candidatos “acham que não devem nada para o eleitor, muito menos explicações” (Josias de Souza).

Mais uma pergunta. Segundo pesquisa do Datafolha sobre a ideologia dos brasileiros: 35% dos entrevistados que se disseram petistas, por livre vontade e protegidos pelo anonimato se declararam de direita (“O Globo”, 4-6-2010). No geral, dos eleitores de Serra, 61% se dizem de centro à extrema-direita; de Dilma, 51%; e de Marina, 54%. É incrível, mas você leu certo, cada um dos candidatos tem mais da metade dos seus eleitores nesse espectro ideológico: de centro à extrema-direita.

“E daí?” Parecem dizer os srs. candidatos…

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(*) Leo Daniele é colaborar da ABIM

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

FORA ZELAYA!

Zelaya utiliza-se da embaixada brasileira (foto) em Tegucigalpa como palanque, fazendo comício para seus sequazes (partidários de Hugo Chávez), o que poderá levar Honduras a uma guerra civil. Se ocorrer derramamento de sangue o governo brasileiro poderá ser responsabilizado.


Envie mensagem de protesto ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil
(
http://forazelaya.blogspot.com/)


Fora Zelaya! V. está em nossa embaixada em Tegucigalpa não para resolver a crise de seu país pelas vias institucionais, mas para, com a cumplicidade de nosso governo, impor a Honduras uma rendição ao chavismo.

Fora Zelaya! Nossos compatriotas não querem ser envolvidos em conflitos que eles nunca buscaram, apenas porque o fanatismo ideológico de nossa diplomacia, para atender aos desígnios de Hugo Chávez, decidiu permitir que nossa embaixada fosse o quartel-general para organizar sua insurreição.

Fora Zelaya! É urgente que v. abandone o prédio de nossa embaixada e se entregue às autoridades do seu país para ser julgado pelos crimes de que é acusado e deixe de contar com a proteção de nosso governo para acobertar a ilegalidade.

Envie mensagem de protesto ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil
(
http://forazelaya.blogspot.com/)

Fora Zelaya! Honduras necessita de paz e de respeito à sua soberania e não de gritos de guerra partidos da embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Fora Zelaya! É urgente que V. abandone a embaixada brasileira e deixe de fazer dela o quartel-general de onde lança seus apelos a uma insurreição que pode conduzir a uma luta fratricida entre hondurenhos.

Fora Zelaya! V. tem o apoio de nossa diplomacia, cooptada pelo chavismo, mas não de nosso povo, conservador e cristão, que deseja a harmonia política e social e o bom entendimento entre os povos irmãos da América Latina.

Envie mensagem de protesto ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil
(
http://forazelaya.blogspot.com/)


Fora Zelaya! É importante que Honduras, o Brasil e toda a América Latina fiquem a salvo das intrigas, das ameças, das incursões e de uma eventual hegemonia do “socialismo do século XXI”. Por isso saia logo de nossa embaixada.

Fora Zelaya! Sua presença em nossa embaixada, com a cumplicidade de nossa diplomacia, é uma ofensa a nosso povo, tradicionalmente pacato e avesso às ideologias de esquerda, que tantos confrontos, misérias e dores já causaram no mundo.

Fora Zelaya! Hugo Chávez, o caudilho venezuelano, se vangloria de o ter introduzido clandestinamente em Honduras e recomendado que se abrigasse em nossa embaixada, para daí iniciar um movimento de insurreição. Infelizmente nossa diplomacia se prestou a isso, mas nós os brasileiros somos totalmente contrários ao que aconteceu.

Fora Zelaya! Nós brasileiros sabemos perfeitamente que, primeiro, V. violou uma cláusula pétrea, o artigo 239 da Constituição de Honduras, quando tentou convocar um plebiscito para permitir-lhe eternizar no poder, numa manobra "chavista" ou bolivariana, e por isso foi deposto. V. não foi vítima de um golpe como alguns pretendem convencer a opinião mundial, mas foi deposto.

Fora Zelaya! Ainda é tempo de evitar um derramamento de sangue em sua pátria. Não desejamos ser o estopim e cúmplices de uma guerra civil em Honduras que poderá, depois, estender-se aos países vizinhos.

Fora! do Brasil, fora! de nossa Embaixada!
Fora!... Fora!...

Envie mensagem de protesto ao Ministro das Relações Exteriores do Brasil
(
http://forazelaya.blogspot.com/)

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Leia na íntegra o Comunicado da Associação dos Fundadores

http://comunicadofundadores.blogspot.com/


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Kerenskismo obamista-lulista e Honduras: “eixo da moderação” a serviço do “eixo do mal”

Zelaya utiliza-se da embaixada brasileira em Tegucigalpa como palanque, fazendo comício para seus sequazes (partidários de Hugo Chávez), o que poderá levar Honduras a uma guerra civil. Se ocorrer derramamento de sangue o governo brasileiro poderá ser responsabilizado.


* Armando Valladares


O Palácio do Itamaraty, a chancelaria brasileira outrora reconhecida por sua habilidade, tato e inteligência, contribuindo para criar um inédito “governo paralelo” pró-chavista em sua embaixada em Tegucigalpa, empurrou o “moderado” presidente Lula no olho de um imprevisível furacão, o qual, diante de Deus e da História, o torna responsável direto pelo que possa acontecer em Honduras.

O Palácio do Itamarary, a chancelaria do “moderado” presidente do Brasil, Sr. Lula da Silva, ao autorizar o ingresso em sua embaixada em Tegucigalpa do deposto presidente pró-chavista Zelaya como “hóspede” e não como “exilado”, se envolveu nos assuntos internos de Honduras da maneira mais brutal e menos diplomática possível. Contribuiu dessa maneira para criar em Honduras um inédito “governo paralelo” pró-chavista, sob o amparo da extra-territorialidade.

Embaixada brasileira em Honduras transformada em "casa da sogra" por Zelaya e seus partidários

Tal como advertem analistas brasileiros, a diplomacia do Itamaraty, outrora reconhecida por sua habilidade, tato e inteligência, acaba de empurrar Lula, talvez inadvertidamente, para o olho de um imprevisível furacão que pode afetar o perfil de "moderação", “conciliação”, “diálogo” e “espírito democrático” que esteve esgrimindo nos últimos anos. E, sobretudo, o torna responsável direto, diante de Deus e da História, pelo que possa acontecer em Honduras.

De fato, intervindo dessa maneira nos assuntos internos de Honduras, a diplomacia do Itamaraty passa a assumir a culpa direta pelas conseqüências de sua decisão de usar sua embaixada para hospedar o presidente deposto e criar um “governo paralelo”; responsável, inclusive, por atos de violência e até de sangue que possam ocorrer.

O deposto presidente Zelaya dedicou-se a usar o recinto diplomático para discursar para seus seguidores, contribuindo para criar no país uma situação explosiva. O próprio presidente brasileiro, talvez percebendo de que maneira foi colocado no olho de um furacão por sua própria chancelaria, pediu a Zelaya que moderasse sua linguagem. E também exigiu o respeito da extra-territorialidade de sua sede diplomática em Honduras, no mesmo momento em que o Itamaraty viola dessa maneira normas internacionais elementares.

Em 12-8-09, Zelaya esteve em Brasília

pedindo ajuda ao pres. Lula

Com maior ênfase ainda que a colocada para insistir sobre o levantamento do “embargo” ao regime comunista de Cuba, a chancelaria brasileira monta um historicamente inédito “embargo” contra o povo hondurenho que não deseja cair no abismo chavista. No momento em que escrevo estas linhas, o presidente Lula propôs uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, para tratar de uma delicada situação que sua própria diplomacia, tão pouco diplomaticamente, contribuiu decisivamente para criar. Falta somente que a representante do Brasil na ONU peça uma intervenção militar em Honduras.

Como advertiu desde as páginas do influente O Estado de São Paulo, o analista político brasileiro Roberto Lameirinhas, a volta de Zelaya, rodeado de um “show midiático”, na realidade vai “ampliar a fratura social hondurenha” e os que apostaram no retorno do deposto presidente “parecem apostar em uma popularidade que na realidade ele não tem”, assim como em uma suposta “disposição revolucionária” da população hondurenha que não existe.

Sem dúvida, a conta de perdas humanas, sociais e econômicas está sendo paga pelo povo hondurenho, sujeito a uma incompreensão internacional talvez inédita na História. Porém, a conta política, perante Deus e a História, no caso em que Honduras seja brutalmente arrastada ao abismo chavista, será o próprio governo brasileiro, seu atual presidente e sua diplomacia os que terão que pagá-la em boa medida.

Se hoje, na América do Norte, o kerenskismo favorecedor das esquerdas está representado pelo presidente Obama, tal como mostrei em recente artigo publicado por "El Heraldo" de Honduras, na América do Sul o kerenskismo talvez esteja encarnado prototipicamente no presidente Lula, do Brasil, a quem Obama, durante a Cúpula das Américas, qualificou como “o cara”.

Se Cuba comunista sobrevive até hoje, em boa medida isso se deve, talvez ainda mais que o apoio de Chávez, ao colossal sustento político, diplomático e econômico do kerenskismo lulista.

Se Chávez chegou até onde chegou, é porque em boa medida o kerenskismo lulista, sempre alegando moderação, espírito de diálogo e necessidade de contemporização, lhe deu sua anuência e o apoiou publicamente nos momentos de mais dificuldade interna, contribuindo para desmoralizar a oposição venezuelana.

Se os governos populistas-indigenistas da Bolívia e Equador estão efetuando os atuais atos de vandalismo, contribuindo para a auto-demolição social, política e moral de ambos os países, isso também se deve ao kerenskismo lulista que lhes proporcionou um respaldo decisivo em matéria política e econômica.
Se as pressões internacionais contra Honduras chegaram ao ponto a que chegaram, isso se deve às articulações do neo-imperialismo kerenskiano lulista que, por trás dos bastidores, e até na frente deles, sem o menor pudor, dedicou-se a pressionar o governo norte-americano para asfixiar essa pequena grande nação que os partidários da liberdade no mundo inteiro qualificam justamente como um pequeno grande Davi do século XXI.

O “moderado” presidente brasileiro integra junto com o presidente Obama um “eixo da moderação” que objetivamente, e independentemente das intenções de seus protagonistas, está a serviço do “eixo do mal” chavista e permite, com seu espírito concessivo, que o “eixo do mal” avance.

Há quase 7 anos, em 8 de outubro de 2002, no conhecido programa televisivo do jornalista Boris Casoy, o então candidato presidencial Lula da Silva me chamou de “picareta de Miami”, porque eu havia contribuído a denunciar em uma série de artigos, de uma maneira documentada e invariavelmente respeitosa, o vergonhoso apoio de Lula a Cuba comunista e sua política em favor do “eixo do mal” latino-americano. Na ocasião, na falta de argumentos, Lula respondeu com uma brusca mudança de tom.

A política externa do Itamaraty, durante os dois períodos do presidente Lula à frente do governo do Brasil, foi confirmando essas apreensões. Hoje, com a precipitação da aventura hondurenha, a diplomacia brasileira não fez senão confirmar essas apreensões.

Raul Castro, Manuel Zelaya e Hugo Chávez

É hora de proclamar as verdades que doem aos Golias contemporâneos, em voz alta, claramente, argumentando e dando provas irrefutáveis, tudo isso feito de uma maneira invariavelmente educada e respeitosa. Usei palavras sem dúvida alguma fortes, porém penso que elas são proporcionais à gravidade da situação, e foram sempre respeitosas.

Em declarações recentes ao Washington Post, o embaixador Jeffrey Davidow, alto assessor do presidente Obama, reconheceu que na América Latina de hoje um perigo maior que o militarismo é o populismo do tipo chavista. O embaixador Davidow disse uma meia-verdade. De fato, sob vários pontos de vista o maior perigo é o “kerenskismo”, que prepara o caminho para o populismo, o indigenismo e outros “ismos” pós-modernos que estão tomando o lugar do comunismo clássico.

A heróica resistência do povo hondurenho negando-se a pôr o “uniforme” zalaysta-chavista, apesar das brutais pressões de dirigentes internacionais, me lembra a epopéia de um punhado de presos-políticos cubanos que, em que pese os brutais golpes e torturas, negou-se durante anos a se vestir com o “uniforme” de presos comuns. O tirano Castro não pôde dobrá-los e passaram para a História como os “presos resistentes”.

Que a Divina Providência proteja Honduras “resistente”, que se recusa a pôr o “uniforme” chavista e continue lhe dando forças e inspiração para resistir, da mesma maneira como Davi resistiu e se defendeu contra Golias.


Tradução: Graça Salgueiro

*Armando Valladares, ex-preso-político cubano “resistente”, foi embaixador dos Estados Unidos na Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durante as administrações Reagan e Bush. Acaba de receber em Roma um importante prêmio de jornalismo por seus artigos em favor da liberdade em Cuba e no mundo inteiro. E-mail” armandovalladares2006@yahoo.es




quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Lula-Morales-Chávez no lugar de Marx-Engels-Lenine

Na Bolívia, o encontro entre os presidentes Lula, Evo Morales e Hugo Chávez em Riveralta, na opinião do jornal “Zero Hora” de Porto Alegre, evocou o “culto à personalidade” típico do império soviético. Tropas desfilaram com bandeiras estampando fotos dos três presidentes. As imagens dos três enchiam um enorme cartaz (foto acima), semelhante às enormes pinturas de Marx, Engels e Lenine — sinistros artífices do comunismo — como as que presidiam os desfiles do exército soviético na Praça Vermelha de Moscou (foto abaixo). “Trocando-se Lula, Morales e Chávez por Marx, Engels e Lenine — e substituindo-se o calor amazônico pelo outono russo —, a solenidade de Riveralta e o Dia do Trabalho moscovita guardam semelhanças”, concluiu “Zero Hora”.

(Agência Boa Imprensa - ABIM)

terça-feira, 29 de abril de 2008

“Espelho meu, espelho meu...”

Hélio Dias Viana


Lula dispõe a seu talante, como todo governante populista, de pesquisas encomendadas, acionadas em determinados momentos para tirá-lo de situações embaraçosas.

Ainda agora elas foram convocadas e, como na fábula do espelho, ele lhes indagou: “Pesquisas minhas, pesquisas minhas, digam-me se porventura presidente há mais popular do que eu?”. E elas, submissas e pressurosas, lhe responderam: “Só Uribe na Colômbia”. O espelho trincou.

Com efeito, as últimas pesquisas o colocaram em situação com a qual Lula certamente sonha, ficando atrás, em âmbito latino-americano, só da popularidade real de que goza Álvaro Uribe na Colômbia: 70% x 84%.

Essas pesquisas são os fundamentos, por assim dizer, do “trono de fumaça” a partir do qual Lula governa o Brasil. Porque, com exceção da economia, que nada tem a ver com o governo e a ideologia do PT, o resto... é obra do PT.

A última situação delicada da qual as pesquisas o resgataram esteve relacionada com a reserva indígena Raposa Serra do Sol e dos oportunos pronunciamentos que a propósito dela emitiu o lúcido e destemido general Heleno Augusto Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia. E também com a fala não menos oportuna do novo presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes, na qual demonstrou preocupação por certos aspectos da conjuntura nacional.

As falas do general, primeiramente em São Paulo, em ato organizado pela FIESP e pela USP, e depois no Rio de Janeiro, no Clube Militar, foram amplamente divulgadas e tiveram grande repercussão nacional. Profundo conhecedor da área, ele acusou o governo federal de estar pondo em grave risco a nossa soberania, ao pretender homologar de modo contínuo aquelas terras, retirando os rizicultores e destinando-as a 18 mil índios. O general Mário Madureira, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, hipotecou solidariedade ao seu colega, a exemplo de muitos outros militares e civis preocupados com o curso dos acontecimentos no Brasil.

A posse do novo presidente do STF também coincidiu com o “abril vermelho” do MST. Uma
verdadeira burla: enquanto na mais alta corte de Justiça do País três ex-presidentes da República e o Presidente em exercício abrilhantavam a solene cerimônia de investidura, ao lado de 3.600 convidados, pelo Brasil afora as hordas invasores do MST atropelavam, mais uma vez impunemente, as leis das quais aquele Tribunal é o guardião supremo. Foi para essa situação, entre outras, que chamou a atenção o ministro Gilmar Mendes.
“Espelho meu, espelho meu...”