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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Do Presépio ao Calvário


Pe. David Francisquini (*) 

Apesar de revestida de mistério, a festa da Circuncisão de Nosso Senhor Jesus Cristo, comemorada no dia primeiro de janeiro, esparge luz que ilumina todos os dias do ano. 400 anos antes da promulgação da Lei mosaica, Deus prescrevia a Circuncisão como preceito para Abraão e seus descendentes, simbolizando a Aliança estabelecida por Deus com o povo hebreu, particularidade que o diferenciava dos pagãos.

Tratava-se do principal sacramento da religião mosaica — simbolizando ao mesmo tempo purificação e santificação — a caracterizar e congregar o povo escolhido com a eliminação do pecado original. Sendo Nosso Senhor Jesus Cristo verdadeiro Deus, descendente de Abraão, não estava sujeito a essa Lei, mas quis a ela sujeitar-se, em ato de humildade e obediência, para assim remir e libertar a humanidade da culpa original.

Nesse acontecimento de transcendental importância, comemorativo da oitava do nascimento do Salvador do mundo, cujo nome é Jesus — que significa Salvador e Redentor —, podemos figurar um diálogo que bem poderia ter ocorrido entre Filho e Mãe, qual melodia harmoniosa e sublime, para ressaltar o significado desse mistério que a Santa Igreja Católica comemora.

— Minha Mãe, a mais formosa das filhas de Israel, vede que vim reinar e conquistar os corações! Sendo Eu Deus, quis ser pequenino, frágil, mimoso e deleitável, para tocar os corações dos homens, a fim de que eles trilhem o caminho dos mandamentos. O vagido que se desprende de meus lábios representa a minha dor, torna-se um hino de homenagem que ressoa junto ao trono de Deus Pai!

— Meu Filho querido, ao desprender de vossos lábios o pranto de dor, sinto uma espada que trespassa o meu coração virginal! Uno-me a Vós de tal forma que na junção de vossa dor com a minha realiza-se algo que a Terra não pode compreender, pois Mãe e Filho sofrem e assim unem o Presépio ao Calvário. Vejo em Vós a nova aliança que se instala com o derramamento de vosso sangue de valor infinito que redime a humanidade inteira.

— Sendo de Família real, descendente de Abraão e dos demais patriarcas, Eu não vim abolir a Lei, mas cumpri-la. A prova do meu amor para com os homens se revela na circuncisão! Foi para padecer e sofrer por eles, garantindo a sua eterna salvação, que tomei a natureza humana em vossas entranhas virginais. Ao ouvir o lamento de minha dor, que desprende de meu coração que tanto ama os homens e faz estremecer os próprios anjos, espero tocar-lhes o coração.

— Como pode um Deus tão pequenino, tão frágil e meigo, sofrer sem culpa?

— Minha amada Mãe, foi para mostrar aos homens que Deus não abandona os pecadores que Eu tomei a natureza humana. Vejo nisso a expressão do meu sacerdócio, que se instala entre os homens para remir dolorosamente suas péssimas culpas e conceder-lhes os meios de salvação, instituindo assim os canais da graça que são os meus sacramentos.

E prossegue o Deus-Menino: — Como o povo hebreu fazia parte dessa nação eleita pela circuncisão, assim também pelo batismo reunirei os filhos prediletos de minha Igreja, fora da qual não há salvação. Se nesse estábulo sou circuncidado — local aonde os Reis Magos e os pastores vieram prestar-me homenagens — deixarei, Virgem Imaculada, um sacerdócio perene, para que este mesmo sangue seja sacrificado sob as aparências de pão e de vinho.

— Como se dará isso, meu querido Filho?

— Eu vim para remir o povo de seus pecados. Como Salvador e Redentor do mundo, não posso restringir minha ação a um povo, mas conquistar toda a Terra. Diante de meu Nome dobrar-se-ão os joelhos aqui, nos Céus e no inferno! Meu Nome será pronunciado pelos meus ministros e filhos queridos para expulsar os demônios e vencer todos os males.

O meu Nome será uma fonte inesgotável com poder inexcedível para sanar os males, afugentar os demônios e quebrar o poder de articulação dos maus. Ao pronunciá-lo com respeito e veneração, ele confortará nas lutas, consolará nas tribulações e tentações, será o escudo seguro contra os inimigos de nossa alma e lenitivo a amenizar as chagas do espírito, tal qual o azeite lançado nas feridas.

— Sei, querido Filho, que dos antros da humanidade se arrancarão determinações e planos contra a vossa Igreja, a ser instituída um dia. Como no campo bem cuidado pode proliferar a cizânia, percebo com a clarividência que me destes, com a luz que me infundistes, que o príncipe das trevas se articulará nos seus antros de maldade e perversidade, para levar à ruína vossa Igreja. Como Rainha da história humana, prevejo as articulações para introduzir em seu seio ministros que difundirão o mal para perverter as almas que custam o preço infinito de vosso sangue. Sendo vossa Mãe, sê-lo-ei também da Igreja e sei que as portas do inferno não prevalecerão contra Ela. O fulgor de vossa santidade e perfeição brilhará um dia em toda a face da Terra. Eu, que Vos concebi e por obra e graça do Espírito Santo Vos trouxe a este mundo, estabelecerei sobre ele o meu Reino: Por fim meu Imaculado Coração triunfará! Assim se unem o presépio com o Calvário e com toda a história da raça humana.

Aquele que sendo Deus quis abraçar a raça humana revestindo-se da carne desta, começa a derramar as primeiras gotas de seu sangue preciosíssimo. Vossa carne que está sendo atingida neste momento tem um valor incomparavelmente maior que o sangue dos cordeiros, ovelhas e bois.

Não contente com a efusão deste pouco sangue, quereis mostrar o excesso de vosso amor, de vossa bondade, de vosso entretenimento, de vosso carinho para com a humanidade inteira. O excesso de vosso heroísmo para remir uma raça que foi maculada pelo pecado não conhece limites. O desdobramento de vossa vida é uma contínua imolação, cujo auge será o sangue derramado por Vós no alto da cruz. O mais sublime exemplo para que a humanidade inteira compreenda que deve amar e lutar sem limites por Deus, de toda alma, de todo coração, de toda inteligência.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ 


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O PRIMEIRO PRESÉPIO DA HISTÓRIA

O belo costume de montar presépio para rememorar o nascimento do Menino Jesus nos foi legado por São Francisco de Assis (no ano de 1223), conforme narra São Boaventura:

“Três anos antes de sua morte, encontrando-se o Santo em Grecio, movido por sua ardente devoção e para excitá-la nos outros, quis celebrar a festa da Natividade do Menino Jesus com toda a pompa e majestade possível.

Mas, para que ninguém pudesse tachar essa festa de ridícula novidade, pediu e obteve do Sumo Pontífice licença para celebrá-la.

Em seguida, Francisco fez preparar um presépio; mandou trazer grande quantidade de feno, juntamente com um asno e um boi, dispondo tudo ordenadamente; reuniram-se os religiosos, chamados de diversos lugares; concorreram pessoas do povo, ressoaram vozes de júbilo por todas as partes. E o grande número de luzes e resplandecentes tochas, bem como os cânticos sonoros que brotavam dos peitos simples e piedosos converteram aquela noite num dia claro, esplêndido e festivo.

Francisco [pintura ao lado] estava diante do rústico presépio, extático pela piedade, banhado em doces lágrimas e cheio de gozo celestial.

Iniciou-se, então, a missa solene, na qual Francisco, que oficiava como diácono, cantou o Evangelho. Pregou depois ao povo e lhes falou do nascimento do Rei pobre, a quem, quando a Ele se referia, chamava, impulsionado por seu terno amor, o Menino de Belém.

Havia entre os assistentes deste ato um soldado muito piedoso e veraz que, movido pelo amor a Cristo, renunciou à milícia secular e se uniu estreitamente ao servo de Deus. Chamava-se João de Grecio, e assegurou de um modo formal ter visto no presépio, reclinado e dormindo, um Menino extremamente belo, o qual o bem-aventurado Francisco tomou em seus braços, como se docemente o quisesse despertar do sono.

Que tal visão do piedoso soldado é inteiramente certa o afirma não só a santidade de quem a teve, mas também sua veracidade; e a evidenciam os milagres que depois se realizaram. Pois o exemplo de Francisco, mesmo humanamente considerado, tem poder para excitar a fé de Cristo nos corações mais frios. E aquele feno do presépio, cuidadosamente conservado pelo povo, foi um eficaz remédio para curar milagrosamente os animais doentes, e antídoto contra muitas espécies de peste. E assim, glorificou o Senhor seu servo com todas estas maravilhas e demonstrou a eficácia de suas orações com prodígios tão evidentes”.
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(“Legenda de São Francisco de Assis”, in “Escritos Completos de San Francisco de Assis y Biografias de su época”, Biblioteca dos Autores Católicos, 1945, pp. 597-598).

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

É NATAL — O inferno ruge, a Igreja nada teme

“A Adoração dos Reis Magos” (1445) — Galeria Nacional de Arte de Washington. A pintura sobre madeira apresenta os três reis magos à frente a uma magnífica procissão (simbolizando todas as raças da humanidade) que espera sua vez para adorar o Menino Jesus. O pavão-real simboliza a Ressurreição de Cristo. Alguns especialistas afirmam que Fra Angélico (1387-1455) pintou as figuras principais e um de seus discípulos (provavelmente o monge Filippo Lippi) completou a obra.

Pe. David Francisquini  (*)

O Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo nos faz entrar na atmosfera encantadora e sublime das harmonias de um rei que assume a natureza humana no ventre virginal de Maria Santíssima por obra do Espírito Santo para redimir o gênero humano.

O que nos diz a singela, ordenada, pura e virginal cena de uma mãe que contempla seu filho que é ao mesmo tempo Deus e homem? Que olhar, que esplendor, no qual se reflete um interesse pelas mais sublimes virtudes de um brilho fulgurante!

Aquele Menino recém-nascido constitui-se o herdeiro universal de todas as coisas. Ao mesmo tempo em que é Filho do Eterno Pai, torna-se Filho da Virgem Maria. Aquele que é o esplendor, o reflexo, a imagem do Padre Eterno, recebe a carne e o sangue, ou melhor, a vida aqui na Terra, servindo-se da mais santa de todas as criaturas.

Enfim, quem é esse Menino tão terno, tão angelical, tão inocente, tão meigo e tão doce? Dirá a Mãe: Tu és o meu filho, eu te dei à luz. E o Menino se entretém num diálogo cuja melodia faz encantar a natureza inteira.

— Se Eu sou o teu filho e me deste à luz, e todas as coisas vieram de minha onipotência, como, então, Eu, sendo Deus, Filho do Eterno Pai, posso unir algo que parece contradição? Teria acaso uma natureza finita, limitada o Eterno, Aquele que sempre existiu?

— Meu Filho, sim, Tu és eterno, substância e sustentáculo de tudo; vieste ao mundo tomando a natureza humana para redimir essa raça perdida pelos nossos primeiros pais. Tu és o Sacerdote de uma nova lei, que é a lei da bondade cristã. Enquanto deste a vida a mim, eu Te dei a vida a Ti, pois Tu és o mais formoso de todos os filhos da raça de Adão.

— Se assim é, ó Mãe, como então Aquele que é a primeira pessoa da Santíssima Trindade me diz: Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei?

— Sim, meu filho, Tu és o primogênito, o mais excelente ser que a Terra contemplou; se Tu és a substância do Pai Eterno, és também de minha substância, porque Tu vieste instalar um sacerdócio perene no mundo segundo a ordem de Melquisedec porque imolarás essa nova natureza que Te dei.

— Então, Tu és, ó Mãe, a mais formosa de todas as mulheres, porque no teu fiat, no teu consentimento, soubeste imolar o Verbo de Deus, isto é, a palavra eterna que se torna homem, reunindo o infinito – Aquele que é Deus – ao finito – Aquele se fez homem, portanto duas naturezas numa só pessoa, que é a pessoa do filho. Tu és a Mãe de Deus, a mais formosa e a mais excelente das criaturas. Na manjedoura já começa o meu calvário, que é o meu sacerdócio, um culto que um Deus-Homem oferece à divindade, reparando assim, com a nova natureza que recebi de ti, o pecado que inundou a Terra.

"Adoração dos pastores",
Juan Bautista Maino (1612), Museu do Prado
 
— Sim, ó meu Deus, o teu trono, o teu cetro, é um cetro de equidade, de justiça e de amor, pois teu Nome será repetido até os confins da Terra, e reinarás no mundo inteiro, porque implantarás a religião da bondade, do perdão, da misericórdia, do heroísmo, da coragem, da fortaleza, da verdade, da fé, do zelo, da generosidade, da pureza, da virgindade.

Sendo Deus com o Pai e o Espírito Santo, Tu és também meu Filho, por pura bondade tua, e por bondade do Espírito Santo, que me desposou e operou essa obra insigne no amor de um Deus que se faz homem, da palavra eterna, isto é, o verbo de Deus que quis encerrar em meu ventre e vir à luz para espancar as trevas e inundar o mundo de grandes realizações.

Genuflexa eu Te adoro, rendo homenagens por todos os homens, pois Aquele que é criador quis também ser criatura; o que é eterno quis também ter um começo nesta Terra para implantar a religião que todos os homens devem abraçar e sem a qual não terão os meios de salvação.

De tal forma, ó Filho amado, esplendor e glória minha, que um Deus em três pessoas há de realizar em Ti algo com o qual toda a Terra há de beneficiar-se e o inferno de tremer, pois a eternidade se instalará na Terra através da Igreja que fundaste e contra cuja perenidade as portas do inferno não prevalecerão. Pode o inferno rugir, mas de nada adiantará!
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ 

sábado, 24 de dezembro de 2011

Rompendo o silêncio dos indiferentes

Pe. David Francisquini  (*)

Proclama o livro da Sabedoria: “Quando um silêncio profundo envolvia todas as coisas e a noite ia a meio do seu curso, então, a tua palavra onipotente desceu do Céu e do trono real e, como um implacável guerreiro, lançou-se para o meio da Terra condenada à ruína, trazendo, como espada afiada, o teu irrevogável decreto”.

Há pouco mais de 2000 anos, um edito de César Augusto convocava um recenseamento de toda o império romano. Naquele tempo, os recenseadores não iam, como hoje, de casa em casa interrogando as pessoas. Todos eram obrigados a se dirigir para tal fim à sua cidade de origem. Foi por esta razão que José — por ser da Casa e linhagem de David —, deixando Nazaré, na Galiléia, se dirigiu a Belém, na Judéia, a fim de se recensear com Maria, sua esposa.

O recenseamento concorreu para romper o silêncio e a rotina daquela cidade não muito distante de Jerusalém. Suas ruas, praças e hospedarias se encontravam cheias, num vai-e-vem contínuo de pessoas. Familiares, amigos, e mesmo estranhos se cumprimentavam e falavam dos pequenos acontecimentos de que se compunha a vida miúda daquela gente. Disso resultava um vozerio proporcional ao movimento da multidão, mas o suficiente para turbar os costumes da pequena Belém de Judá.

Foi em meio àquela balbúrdia que chegou São José, puxando um burrico sobre o qual se encontrava sua esposa, que estava grávida. Ninguém percebeu, sequer pôde entrever que o claustro virginal de Maria encerrava o Deus encarnado, “Aquele a quem nem o Céu nem a Terra podia conter”, prestes a vir ao mundo. José procurou por toda cidade um lugar onde pudesse nascer o Redentor: casas de parentes, hospedarias, casas particulares. Todas as portas se fecharam para ele e sua esposa. Ou seja, o Redentor não encontrou abrigo onde pudesse vir à luz do mundo. São João escreveu que a Vida estava n’Ele, e esta Vida é a luz dos homens. É a luz que brilha nas trevas e as trevas não puderam envolvê-Lo. O Verbo era Luz verdadeira que ilumina a todo homem que vem a este mundo. Ele estava no mundo, neste mundo que Deus criou, e o mundo não O quis reconhecer. Ele veio habitar entre os seus e os seus não O quiseram receber.

Cenário triste que se repete, ano após ano, nas celebrações do Nascimento do Redentor. Na verdade, tudo deveria parar a fim de ceder lugar, com todo o requinte possível, às celebrações d’Aquele que é a Luz do mundo. Afinal, Ele nos traz as melhores recordações de alegria, de paz, de harmonia e bem-estar. Natal do Menino Jesus em Belém de Judá. Natal em que a Terra inteira deveria se engalanar para receber o Inocente por excelência.

Não tendo São José e Nossa Senhora encontrado lugar no casario de Belém, foram se recolher junto à manjedoura, numa gruta que servia de abrigo aos animais. Foi ali que se deu o Natal do Menino-Deus, anunciado pelas vozes angélicas que ecoaram pelos campos e despertaram os pastores: “Glória a Deus nas Alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!”. Nascido num campo como lírio perfumado, o Menino-Deus reuniu em torno de Si todas as classes, de reis a pastores.

A natureza toda sente-se embevecida e elevada porque um Deus que é o criador de todas as coisas e que governa o universo tornou-se criatura sem deixar de ser eterno e imutável.

Quem não se sente comovido contemplando uma criança tão bela, terna e frágil, que sob o olhar enlevado e compassivo de sua Mãe e de São José, jazia com seus bracinhos estendidos numa manjedoura, profeticamente a mesma posição que, 33 anos depois, assumiria ao morrer pregada na Cruz para a salvação da humanidade pecadora?
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Alemanha se prepara para o Natal


Benno Hofschulte  (*)

Todas as cidades da Alemanha, grandes e pequenas, começam as preparações para a grande festa do Natal, a mais popular e familiar festa entre os alemães. A preparação não significa apenas trabalho, limpeza, arrumação, compras. A nota dominante das semanas que antecedem a comemoração do nascimento do Divino Salvador é a criação de um clima, de um ambiente, que visa introduzir as pessoas e a população inteira numa crescente alegria em vista da vinda do Menino Jesus, que está próxima. É propriamente a expressão do tempo do Advento, em que a Igreja se cobre de paramentos roxos para, em espírito de penitência, ir de encontro ao esperançoso e feliz dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nem mesmo na moderna metrópole financeira e bancária da Alemanha, na cidade de Frankfurt, às margens do rio Main, o ambiente e programa natalinos deixam de dar a nota. Nas quatro semanas que antecedem o Natal, o ambiente nas casas comerciais, grandes magazines e supermercados muda completamente. A música ambiente, antes febricitante e vulgar, passa a emitir exclusivamente melodias tradicionais natalinas e transmitem ao ambiente uma atmosfera de aconchego, de doçura e felicidade.

Não é raro encontrar-se com pessoas cantando baixinho, acompanhando a melodia que se ouve no ambiente, enquanto escolhem os objetos que desejam comprar. O mesmo se sente ao passear pelas ruas e praças públicas ornadas por inúmeros pinheiros iluminados, bordejadas pela festiva decoração externa das casas comerciais e igualmente inundadas por melodias natalinas, tocadas ou cantadas por pequenos grupos de músicos e cantores. Quando tudo isso merece a graça de ser coberto com um alvíssimo manto de neve – um gracioso dom divino de inocência – a visão se sente transferida para um conto de fadas.

Mas o centro de tudo é constituído pela Feira de Natal [fotos], montada na praça em frente à prefeitura, o histórico palácio denominado Römer; na mesma praça em que outrora o povo festejava a coroação dos imperadores do Sacro Império Romano Alemão.

A feira é solenemente aberta com o “acendam-se as luzes” no fim da tarde da quarta-feira que precede ao primeiro domingo do Advento. A essa ordem, dada pelo burgomestre da cidade, toda a decoração e a imensa árvore de Natal se iluminam. Conjuntos instrumentais e vocais começam a apresentar músicas de Advento e Natal.

No sábado que antecede o primeiro domingo do Advento, todas as igrejas do centro da cidade, em número de onze, fazem repicar os seus sinos durante meia hora, para anunciar o começo da época natalina. Um passeio pela cidade nessa ocasião é um acontecimento. É a realização do que diz uma linda canção de Natal alemã:

“Nunca os sinos dobram com mais doçura do que no tempo do Natal; é como se os anjos voltassem a cantar, como fizeram na sacrossanta noite de outrora, a glória de Deus e a felicidade dos homens. Ó sinos, espalhai pelas vastidões da terra o vosso sagrado som”.

Duas vezes por semana, trombeteiros saúdam os visitantes da feira, tocando melodias próprias da época do alto da torre de uma igreja. São Nicolau veio no dia 6 de dezembro para saudar e presentear as crianças de Frankfurt. No dia 7, todos, grandes e pequenos, se reúnem na feira para, ao cair da tarde, entoarem juntos as tradicionais canções de Natal, sob a orientação de um famoso cantor ou cantora. Neste ano participaram oito mil pessoas desse encontro. É um espetáculo emocionante e digno pelo cultivo público de uma tradição secular. Três milhões de pessoas de todo o mundo passam pela Feira de Natal todos os anos.

A origem das Feiras de Natal remonta à Idade Média, quando os camponeses e artesãos do interior vinham às cidades oferecer seus artigos de decoração natalina, artigos para presentes e guloseimas típicos como pães de mel, pães de frutas e biscoitos, cujo aroma é caracteristicamente natalino. A feira de Frankfurt é a mais antiga da Alemanha, tendo sido citada em documentos do ano de 1393.

Adultos e crianças têm oportunidade de degustar o mundo da inocência que a festa do nascimento do Menino Jesus irradia. Mais de um milhão e meio de pessoas visitaram no ano passado a Feira de Natal em Frankfurt. Até o dia 22 de dezembro as luzes da Feira estarão iluminando o centro da cidade, quando então, do balcão da histórica prefeitura, o Menino Jesus desejará a todos um santo e abençoado Natal e o burgomestre dará a ordem de “apaguem-se as luzes”.
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(*) Benno Hofschulte é colaborar da Agência Boa Imprensa (ABIM)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

E a luz brilhou nas trevas


Pe. David Francisquini *

O Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo é sem sombra de dúvida o maior acontecimento da História. Nos arredores de Belém, radiante de luz, o Menino-Deus serenamente deitado na manjedoura diante de Nossa Senhora, São José e alguns pastores. Os próprios animais se acercam daquela gruta fria para aquecer o Deus que se fez homem e veio habitar entre nós.

Alemães desejam São Nicolau de volta no Natal

Comerciante mostra imagem de São Nicolau e adesivo pela abolição de Papai Noel
Muitos alemães querem o retorno às festas natalinas do verdadeiro São Nicolau, e não a versão caricata do Papai Noel. Grupos católicos alemães propõem criar cidades e locais livres do personagem midiático Papai Noel e restaurar a verdadeira e admirável figura de São Nicolau. A Bonifatiuswerk, organização assistencial católica, tem o apoio de várias celebridades na campanha para restaurar o Natal católico. A cidade de Fluorn-Winzeln, no sul do país, declarou-se “zona livre de Papai Noel”. Nas salas de aulas, professores ensinam às crianças o autêntico significado do Natal e contam a verdadeira história de São Nicolau, bispo de Mira, atual Turquia, no século IV: o santo dos presentes e milagres maravilhosos para crianças e adultos.
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Agência Boa Imprensa

Feiras natalinas… que falam do Natal!


Luz de vela, utensílios de madeira: nas feiras de Natal da Alemanha tudo evoca a gruta de Belém, a luz da graça, o cântico dos anjos, a alegria dos pastores, a adoração dos Reis do Oriente. A cidade de Dresden erige uma “pirâmide” de Natal de 14 metros de altura, que não é outra coisa senão um bolo de frutas típico (Christstollen), pesando quatro toneladas (foto). A mais antiga feira, porém, é a de Nuremberg. A de Colônia, muito famosa, na realidade é recente, datando de... 1820. Colônia organiza seis feiras natalinas, uma delas ao lado de sua bela catedral gótica, a maior da Alemanha. Em Augsburgo a especialidade é o pão de mel, e o imenso pinheiro de Natal torna-se pequenino ao lado das torres da igreja, que medem 150 metros de altura.
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Agência Boa Imprensa

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Glória a Deus nas alturas

Plinio Corrêa de Oliveira

Repousais, Senhor, em vosso misérrimo e augustíssimo Presépio, sob os olhos da Virgem, vossa Mãe, que vertem sobre Vós os tesouros inauferíveis de seu respeito e de seu carinho. Jamais uma criatura adorou com tão profunda e respeitosa humildade, o seu Deus. Nunca um coração materno amou mais ternamente seu filho. Reciprocamente, jamais Deus amou tanto uma mera criatura. E nunca filho amou tão plenamente, tão inteiramente, tão superabundantemente, sua mãe.

Toda a realidade desse sublime diálogo de almas pode conter-se nestas palavras que indicam aqui todo um oceano de felicidade, e que em ocasião bem diversa haveríeis de dizer um dia do alto da Cruz: “Mãe, eis aí teu filho. Filho, eis aí tua mãe” (cf. Jo 19, 26).

E, considerando a perfeição desse recíproco amor, entre Vós e vossa Mãe, sentimos o cântico angélico que se levanta das profundezas de toda alma cristã: “Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na terra aos homens de boa vontade” (Luc, 12, 14).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Pinheiro natalino empolga alemães

No Natal, 88% dos alemães enfeitam suas casas com um pinheirinho. Eles gastam mais de 1,5 bilhão de reais em mais de 28 milhões de árvores tiradas de 38 mil hectares plantados para este fim — informou a Deutsche Welle. Muitas famílias derrubam a própria árvore. A variedade preferida é abeto do Cáucaso. A tradição de enfeitar árvores no Natal provém da Idade Média. A cidadezinha alsaciana de Sélestat é uma das que reivindicam a paternidade da tradição, segundo a qual, numa noite de Natal, o imperador Carlos Magno pernoitou na localidade e mandou ornar uma árvore para comemorar o nascimento do Menino-Deus. A partir de então, Sélestat instala solenemente uma árvore natalina na sua igreja principal.
(Agência Boa Imprensa – ABIM)