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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Comunicado do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil

É com o espírito carregado de graves apreensões que venho considerando os mais recentes acontecimentos de nossa vida pública. As instituições são desrespeitadas, a insegurança jurídica aumenta, a faculdade de opinar vai sendo ameaçada, insuflam-se conflitos entre brasileiros, sobre as forças dinâmicas da Nação se abatem legislações cada vez mais sufocantes e até nossa diplomacia — outrora reconhecida por seu equilíbrio e subtileza — é vilipendiada.

Aumenta, dia a dia, em considerável parte de nossa população — afável, ordeira e laboriosa — o sentimento de inconformidade e rejeição ante os crescentes desmandos de algumas de nossas mais altas autoridades, obstinadamente comprometidas com metas ideológicas avessas ao sentir da alma cristã de nosso povo.

O País assiste nestes dias, estupefato e incrédulo, ao que algumas vozes ponderadas já não hesitam em qualificar de um moderno tráfico de escravos ideológicos.

A classe médica e considerável parte da população vê com aversão a vinda (“importação”!) para o nosso País de médicos cubanos como “solução” para um sistema estatal de saúde em boa medida falido, devido ao descaso do próprio governo.

Enviados para o Brasil — a mando das autoridades que há décadas envolvem a outrora pérola do Caribe nesse ambiente obscuro, miserável e trágico, típico das nações-masmorras sobre as quais se abateu o comunismo — tais médicos são massa de manobra de inconfessados desígnios.

Enquanto é legítimo duvidar dos conhecimentos científicos de muitos deles, não é difícil conjecturar que alguns aqui desembarcarão como agentes da ideologia socialo-comunista vigente em Cuba, como tem acontecido em países como a Venezuela e a Bolívia. Além disso, muitos, separados propositalmente de seus familiares, aqui ficarão confinados em seus locais de trabalho, sem que seja clara a garantia de sua liberdade de ir e vir, bem como de outros princípios básicos de nosso Estado de Direito. Isso para não mencionar que parte do pagamento deste trabalho escravo hodierno será enviado pelas autoridades brasileiras às autoridades do regime cubano.

A se consolidar esta espúria operação, o Brasil terá sido empurrado decididamente para os descaminhos do totalitarismo. Hoje escravidão de pobres cubanos, amanhã talvez de brasileiros.

É, pois, com repulsa que vejo autoridades da República, com profundos laços ideológicos com o regime comunista de Cuba, fazerem semelhante acordo, favorecendo ademais a sobrevivência de uma ditadura que visa estender pelo território brasileiro os males com que o expansionismo castrista fustiga há décadas países de nosso Continente.

Para que o Brasil prossiga sua trajetória histórica sem conhecer as discórdias, agitações e até morticínios que têm caracterizado as revoluções de índole socialo-comunista, urge que os brasileiros, das mais diversas condições, abandonem certa inércia desavisada na qual se encontram e se articulem para fazer refluir as ameaças que, contrárias ao modo de pensar, de agir e de viver, da grande maioria de nossa população, vão baixando sobre o País.

É neste sentido que elevo minhas preces a Nossa Senhora Aparecida, a quem Dom Pedro I consagrou o Brasil, logo após nossa Independência, como Padroeira e Rainha.
Dom Luiz de Orleans e Bragança 
1º de setembro de 2013

sábado, 15 de setembro de 2012

Há 70 anos, um discurso de indelével memória

O IV Congresso Eucarístico Nacional — de 4 a 7 de setembro de 1942 — foi um marco na história do Catolicismo no Brasil 
No grandioso congresso Eucarístico Nacional de 1942, observou-se um entusiasmo religioso ímpar, fruto da vitalidade do Movimento Católico em cuja liderança estava Plinio Corrêa de Oliveira. E desse evento guardam saudosa recordação todos os que a ele assistiram presenciando manifestações como a da foto acima e a do final. Sobretudo de seu encerramento, realizado no centro da capital paulista, no Vale do Anhangabaú tomado por uma multidão — mais de 500.000 pessoas, vindas de todo o Estado e de diversas partes do Brasil. Este número, impressionante mesmo para nossos dias, o era incomparavelmente mais para a pequena cidade de São Paulo do início da década de 40, cuja população não passava de 1.500.000 almas. 

Nesse brilhante encerramento, coube a Plinio Corrêa de Oliveira [foto] fazer o discurso de saudação oficial às autoridades civis e militares. O público entusiasmado ovacionou o orador, na ocasião Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica. 

Ocupava a presidência de honra desse evento o Núncio Apostólico e Legado Pontifício, D. Bento Aloisi Masella, tendo à sua direita o Interventor Federal Dr. Fernando Costa, representando o Presidente da República. Presentes aproximadamente 60 Arcebispos e Bispos, numeroso clero, autoridades, representações de outros Estados e de alguns países da América do Sul.

A seguir alguns tópicos desse memorável discurso:


“No curso já quatro vezes secular da História do Brasil, jamais se reuniu assembléia mais solene e ilustre que esta. No momento em que a vida nacional caminha para rumos definitivos, quis a Divina Providência reunir em pleno coração de São Paulo os elementos representativos de tudo quanto fomos e somos, de todas as glórias de nosso passado e de nossas melhores esperanças para o futuro. [...]

“Senhores, é hoje o dia 7 de setembro. A data é expressiva, e estou absolutamente certo de que um imenso clamor se levantará neste glorioso dia, transpondo os limites do Estado e do País, para notificar ao mundo inteiro que, como um só homem, o Brasil se ergue contra o imperialismo nazista pagão que trama sua ruína e parece ter chamado a si, exatamente como seu sósia vermelho de Moscou, a diabólica empreitada de destruir a Igreja em todo o mundo.

“Contra os inimigos da Pátria que estremecemos, e de Cristo que adoramos, os católicos brasileiros saberão mostrar sempre uma invencível resistência. Loucos e temerários! Mais fácil vos seria arrancar de nosso céu o Cruzeiro do Sul, do que arrancar a soberania e a Fé a um povo fiel a Cristo, e que colocará sempre seu mais alto título de ufania em uma adesão filialmente obediente e entusiasticamente vigorosa à Cátedra de São Pedro. [...]
As montanhas do Brasil parecem convidar o homem às supremas afoitezas dos heroísmo cristão
 “Talvez não fosse ousado afirmar que Deus colocou os povos de sua eleição em panoramas adequados à realização dos grandes destinos a que os chama. E não há quem, viajando por nosso Brasil, não experimente a confusa impressão de que Deus destinou para teatro de grandes feitos este País, cujas montanhas trágicas e misteriosas penedias parecem convidar o homem às supremas afoitezas do heroísmo cristão, cujas verdejantes planícies parecem querer inspirar o surto de novas escolas artísticas e literárias, de novas formas e tipos de belezas, e na orla de cujo litoral os mares parecem cantar a glória futura de um dos maiores povos da Terra.
"Os mares parecem cantar a glória futura de um dos maiores povos da Terra" 
“Quando nosso poeta cantava que nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá, e as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá', percebeu, talvez confusamente, que a Providência depositou na natureza brasileira a promessa de um porvir igual ao dos maiores povos da Terra.

“E hoje, que o Brasil emerge de sua adolescência para a maturidade, e titubeia nas mãos da velha Europa o cetro da cultura cristã que o totalitarismo quereria destruir, aos olhos de todos se patenteia que os países católicos da América são na realidade o grande celeiro da Igreja e da Civilização, o terreno fecundo onde poderão reflorir, com brilho maior do que nunca, as plantas que a barbárie devasta no velho mundo. A América inteira é uma constelação de povos irmãos. Nessa constelação, inútil é dizer que as dimensões materiais do Brasil são uma figura da magnitude de seu papel providencial.
*          *          *
“Tempo houve em que a História do mundo se pôde intitular 'Gesta Dei per Francos'. Dia virá em que se escreverá 'Gesta Dei per brasilienses' — as ações de Deus pelos brasileiros.

“A missão providencial do Brasil consiste em crescer dentro de suas próprias fronteiras, em desdobrar aqui os esplendores de uma civilização genuinamente católica, apostólica, romana, e em iluminar amorosamente todo o mundo com o facho desta grande luz, que será verdadeiramente o 'lumen Christi' que a Igreja irradia. Nossa índole meiga e hospitaleira, a pluralidade das raças que aqui vivem em fraternal harmonia, o concurso providencial dos imigrantes que tão intimamente se inseriram na vida nacional, e mais do que tudo as normas do Santo Evangelho, jamais farão de nossos anseios de grandeza um pretexto para jacobinismos tacanhos, para racismos estultos, para imperialismos criminosos. Se algum dia o Brasil for grande, sê-lo-á para bem do mundo inteiro.

“'Sejam entre vós os que governam como os que obedecem', diz o Redentor. O Brasil não será grande pela conquista, mas pela Fé; não será rico pelo dinheiro tanto quanto pela generosidade. Realmente, se soubermos ser fiéis à Roma dos Papas, poderá nossa cidade ser uma nova Jerusalém, de beleza perfeita, honra, glória e gáudio do mundo inteiro. [...]
*          *          * 
“Em um Brasil imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente grande, porque dele se poderá dizer:

“Bem-aventurado este povo sóbrio e desapegado, no esplendor embora de sua riqueza, porque dele é o reino dos Céus.

“Bem-aventurado este povo generoso e acolhedor, que ama a paz mais do que as riquezas, porque ele possui a Terra.

“Bem-aventurado este povo de coração sensível ao amor e às dores do Homem-Deus, às dores e ao amor de seu próximo, porque nisto mesmo encontrará sua consolação.

“Bem-aventurado este povo varonil e forte, intrépido e corajoso, faminto e sedento das virtudes heroicas e totais, porque será saciado em seu apetite de santidade e grandeza sobrenatural. 

“Bem-aventurado este povo misericordioso, porque ele alcançará misericórdia.

“Bem-aventurado este povo casto e limpo de coração, bem aventurada a inviolável pureza de suas famílias cristãs, porque verá a Deus.

“Bem-aventurado este povo pacífico, de idealismo limpo de jacobismos e racismos, porque será chamado filho de Deus.

“Bem-aventurado este povo que leva seu amor à Igreja a ponto de lutar e sofrer por ela, porque dele é o reino dos Céus”.
_________ 
Transcrito de “O Legionário” de 7-9-1942 — Órgão oficioso da Arquidiocese de São Paulo. A íntegra desse memorável discurso encontra-se disponível em:

http://www.pliniocorreadeoliveira.info/Disc_Congr_Eucar_42.htm


terça-feira, 7 de agosto de 2012

CANCIONEIROS E REPENTISTAS

Carlos Sodré Lanna (*) 

Os cancioneiros são cantores populares muito comuns nos estados do Nordeste, um pouco menos frequentes no leste e no centro do País. Dizem eles pelo canto, improvisado ou de memória, a história dos acontecimentos da região, seus personagens mais famosos, as aventuras de desbravamentos e caçadas.

Em praças públicas ou recintos fechados, passam horas, dias ou noites cantando sozinhos ou em grupos, com músicas de acompanhamento, muitas vezes enfrentando adversários nos desafios. Manifestação exuberante de fértil imaginação, brilho e pitoresca faceta da cultura tradicional brasileira, tais canções populares, contudo, em alguns casos — importa ressalvar —, descambam para a vulgaridade, tanto no referente aos temas quanto ao linguajar.

Hoje em dia são cerca de quatro mil cancioneiros vivendo sobretudo na região nordeste. Entretanto, eles podem ser encontrados em qualquer recanto do Brasil, principalmente nas praças públicas das grandes capitais, fazendo suas exibições. Na batalha do desafio entre os cancioneiros sertanejos, o repente é a resposta vivaz e inesperada, aturdindo a improvisação do adversário. Daí a denominação de repentista quem atribuída a desempenha esse papel. O desafio é uma disputa entre os cantores, em forma de poesia, improvisada ou decorada.

Origens e costumes 
Os desafios nasceram entre os pastores, na Grécia antiga, como canto e duelo de improviso e alternado, obrigando respostas às perguntas dos contendores. Na Idade Média, reapareceram eles na Europa, com os trovadores e menestréis na França, Alemanha e Flandres, e com os cancioneiros da Espanha e de Portugal. Os árabes conheciam o desafio. Sua influência é marcante em suas músicas campestres, notando-se também na África um influxo árabe em canções populares. Hoje os cancioneiros e repentistas estão espalhados por toda a América Latina, do México à Argentina.

A pé ou de caminhão, em ônibus ou em viaturas próprias eles estão por todas as partes. Analfabetos ou semiletrados, despertam a admiração do povo que assiste às suas apresentações e os incentiva. Às vezes pobres, semifamintos, errantes, deixam suas roças, suas casinhas, e lá se vão palmilhando o sertão e as cidades, em busca de aventuras, sempre cantando, vendendo seus folhetos, fazendo desafios e rodeados de público por onde passam.

Em suas apresentações, ninguém os interrompe. Não há insultos, pilhérias ou debiques, mas ouvidos atentos e silêncio admirativo. Os cantores não têm preocupação com a beleza das músicas, pois elas são às vezes monótonas, ingênuas, primitivas e uniformes. A única obrigação consiste em respeitar o ritmo dos versos, a cadência do conjunto — case-se esta com qualquer música — e tudo o mais estará bem. Os cancioneiros não se importam com o desafinado das melodias mas com os ritmos.

Atualidade em versos 
Os repentistas comentam a atualidade em versos, e nada lhes escapa. Os grandes acontecimentos internacionais e nacionais, as crises políticas e econômicas, as guerras, as eleições e a reforma agrária. Tudo é cuidadosamente incluído, cantado e retransmitido a uma população muitas vezes mal informada e iletrada, sem possibilidades de comprar sequer um jornal.

Fatos diversos, locais ou regionais, os acidentes nas estradas, um casamento famoso, a construção de uma barragem, as propagandas políticas, conselhos religiosos ou filosóficos, tudo é colocado em cena, formando uma espécie de jornalismo paralelo autêntico.

Seus instrumentos de acompanhamento são a viola e a rebeca ao norte do País, a sanfona e o violão no sul, além do pandeiro, sem que se possam fixar preferências. Suas canções são muitas vezes publicadas em folhetos de poucas páginas, vendidos nas suas andanças ao publico assistente, e mesmo nas livrarias.

INÍCO DE UMA TROVA
Meu Deus, dai-me inspiração
Para o caso que vou contar
Me ajudai com a inteligência
Para eu não me atrapalhar
E sem fugir à verdade
Tudo em rima colocar...
Acredite quem quiser
Resolvi contar em versos
Com muita vontade e fé
Inventar não inventei
O que não era preciso
Devo aqui deixar bem claro
A todos que fui conciso
Não gosto de brincadeiras
Tampouco de confusão
Assino aqui os meus versos
Só quero compreensão

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Fontes de referência: 
1. Véronique Mortaigne. Poètes-reporters et menteurs professionnels "Le Monde", Paris 30/12/95. 
2. Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1988.  
_________ 
 (*) Carlos Sodré Lanna é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Brasil para principiantes

Ouro Preto (MG): seu deslumbrante panorama e suas construções revelam a missão providencial do Brasil [foto PRC]

Carlos Sodré Lanna (*)

Nosso País é a terra do "Deus é brasileiro", do "em se plantando dá", do "amanhã se não chover", onde um misto de sabedoria da vida e esperteza nos ensina desde cedo o segredo para se "quebrar o galho", e para "dar um jeitinho". 

É igualmente cenário de contrastes violentos e por vezes até pitorescos. Apesar de tudo somos um povo de boa índole, unido e compreensivo. Tudo isso é mais do que sabido, e vivido pelos brasileiros natos.

Mas o que dizer aos estrangeiros que vêm para cá fixar residência?

Para se adaptarem ao nosso estilo de vida, único em todo o mundo, são grandes e surpreendentes os contratempos que têm enfrentado.

Tempos atrás, um húngaro de nascimento, Peter Kellemen, mudou-se para o Brasil, cuja cidadania adotou. Suas observações, experiências e aventuras descreveu-as num livro: Brasil para principiantes (Editora Civilização Brasileira, Rio, 1961).

Citarei aqui alguns trechos interessantes do mesmo:

"Não se esqueça, meu jovem amigo, de que é preciso se ambientar durante o primeiro ano. Aprenda a julgar os gestos, as meias palavras, os olhares, as insinuações, pois o brasileiro jamais dirá a palavra não" (p. 16).

"No Brasil, desde a infância, as pessoas se acostumam a compreender certos contrastes. Por exemplo, o automóvel contrabandeado só vai a leilão depois de enferrujado e totalmente inutilizado, ao invés de na época, quando está valendo milhões. Edifícios públicos com obras paralisadas em meio à construção, por falta de verba, enquanto outros edifícios públicos recebem o dinheiro necessário para poder iniciar a fundação. Verá moleques sem sapatos, mal alimentados, mas com rádio portátil na mão. Ao lado de moderníssimos supermercados e gigantescas lojas de departamento, verá feiras-livres e vendedores ambulantes. Homens visivelmente pobres, de tamanco, possuindo milhões e outros, gastando milhões, sem possuir um par de tamancos. Aprenderá que as placas: 'Estacionamento proibido', 'Não fume' ou 'Entrada Proibida' -- são apenas adornos coloridos para enfeitar a cidade” (p.141).

"Saiba que o Brasil não tem estradas como as da Alemanha, nem a riqueza dos americanos ... Mas o que importa? Se você não compreender que o povo brasileiro é diferente e, tem um caráter humano não dominado por leis ou parágrafos, nunca o entenderá. 

"Quero ainda confessar uma coisa: todo estrangeiro não quer parecer estrangeiro. Isto é uma coisa difícil de realizar, pois além da aparência, que mostra logo a sua origem estrangeira, basta o sujeito abrir a boca e todo o mundo percebe que se trata de alguém de outra nacionalidade. "O caráter desse país (se é que uma Nação possa ter caráter) é cheio de contrastes, beleza, sinceridade, um pouco de infantilidade, mistério, insubmisso, de personalidade marcante. Não tente modificá-lo. É impossível e desnecessário. Ao contrário, aprenda a gostar de seus contrastes e assim você será mais sábio e muito mais feliz” (p. 142).

Em suas descrições sobre as coisas do Brasil, Kellemen fala da viagem de avião, a chegada na alfândega, estadia em um hotel, meios de transporte nas cidades, um país de milhões de médicos, economia, indústria, comércio, política e da laboriosa classe dos estrangeiros.

No entanto, convém dizer que o livro apresenta uma visão unilateral do brasileiro, considerado de modo exagerado e caricato, generalizando os defeitos do "jeitinho", como malandragem, relativismo, os quais são encarados de modo simpático, como algo quase folclórico.

O "jeitinho" brasileiro" – como a palavra "saudade" não tem tradução para nenhum outro idioma –– tem muito de inteligência e sagacidade, mas a ela se acrescentou uma camada de defeitos.

Apoiar na totalidade a visão que autor formou do Brasil e dos brasileiro: seria ver nossa Pátria como uma terra de espertezas e pequenos expedientes, portanto negar a vocação e a missão providenciais do País. Embora se deva reconhecer que ele apanhou bem certos aspectos, como flexibilidade de espírito em contraposição à rigidez e ao "espírito geométrico" que caracterizam outros povos.

Não resta dúvida de que o tão decantado "jeitinho" é um valor do Brasil: Mas ele será um mero expediente prático se não estiver a serviço de um povo que sabe voar nos grandes horizontes do pensamento, da ação e dos planos Deus a serem aqui realizados.
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(*) Carlos Sodré Lanna é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Brasil, Terra da Santa Cruz

  • Hélio Dias Viana (*)
“Águas são muitas; infindas. E em tal maneira [esta terra] é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”.

As inspiradas palavras de Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel sobre a nova descoberta da coroa portuguesa constituem uma demonstração da vocação providencial do Brasil. E chamavam a atenção para o principal trabalho a ser feito: “salvar esta gente”. Neste intuito, apenas aportada, o primeiro ato da expedição cabralina foi mandar celebrar a Santa Missa.

A coroa portuguesa assim agiu porque estava imbuída da noção, ensinada pelo Divino Mestre, de que importa procurar em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça, pois tudo mais nos será dado por acréscimo. E, pelas mil vicissitudes pelas quais desde então passou o Brasil, esta inspiração primeira nunca deixou de nortear — em grau maior ou menor — os rumos da Nação.

Mas eis que, de uns tempos para cá — com os holofotes da mídia nacional e internacional assestados permanentemente sobre quem o diz, atribuindo-lhe uma popularidade que o povo desconhece — se vem falando com jactância e insistência que “nunca antes neste País” se opera uma mudança sem precedentes nos últimos 500 anos. Ao mesmo tempo, vizinhos nossos da Venezuela, Equador e Bolívia também falam com análoga insistência de uma enigmática refundação de seus países.

Refundar — o próprio verbo o indica — é tornar a fundar algo previamente fundado. Ora, tanto o Brasil como as nossas simpáticas nações vizinhas já o foram quando de suas respectivas descobertas e colonizações. Mas como elas se deram sob o signo da Cruz, tratar-se-ia pelo visto de fazer cessar a influência da religião para substituí-la por outra.

A chave dessa refundação estaria delineada no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), cuja radicalidade, abrangência e animadversão religiosa o levaram ao extremo de proibir a ostentação de símbolos cristãos (no que ele é coerente com declarações dos presidentes dos mencionados países vizinhos, que não se pejam em afirmar que a Igreja Católica não deve ter lugar ao sol).

Muito além, portanto, do aborto, do “casamento” homossexual, da legalização da prostituição ou dos atentados ao direito de propriedade — para só citar estas aberrações contidas no PNDH-3 —, é toda a concepção cristã da sociedade que se quer extinguir, para substituí-la por outra que só pode ser a da fracassada sociedade atéia e igualitária do comunismo!

Mas artifício ou poder algum da terra poderá contra Aquele que esculpiu a Cruz no nosso céu. E que do alto do Corcovado nos abençoa e protege — desdenhoso para com as sombras com que o foco da ignomínia tenta inutilmente neste instante empanar Sua glória inatingível e imortal!
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(*) Hélio Dias Viana é colaborador da ABIM

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O ambiente rural e a feliz concórdia entre patrões e empregados


  • Pe. David Francisquini *
Sempre tiro muito proveito espiritual, mas também psicológico e intelectual, em meu giro anual pelos campos do norte fluminense. Com efeito, não só a boca fala da abundância do coração. Metaforicamente, a pena também pode falar. Portanto, quero compartilhar com meus leitores o sabor de alguns frutos que colhi de meus recentes contactos com o homem do campo.

Entre as muitas conversas interessantes que mantive em meu mais recente percurso, detenho-me numa de modo particular. O interlocutor já era meu conhecido e, juntos, lembramo-nos da longa e luminosa trajetória da agricultura brasileira. Desde os tempos das capitanias hereditárias, passando pelas sesmarias, quando até as ordens religiosas tinham suas terras de cultivo.

Depois do ciclo da cana de açúcar vieram as lavouras de café, no século XIX, e com a abolição da escravatura aportaram as ondas de imigrantes europeus a povoar essa nova Canaã. As terras foram naturalmente se dividindo, e milhares de proprietários, grandes, médios e pequenos produzem hoje alimentos com fartura e baratos para o Brasil e para o mundo.

O camponês demonstra muita segurança de vida, capacidade de governo, o que por sua vez lhe dá muita auto-estima, pois se sente como senhor da terra, o que concorre para lhe cunhar personalidade marcante. Mas, a conversa ia longe, quando tratamos das relações cheias de harmonia e de bondade entre patrões e empregados. Tempos em que predominava o compadrio.

Havia nas fazendas de café a figura do meeiro que entrava com os braços e o dono com a terra, situação na qual o trabalhador acumulava ao longo de alguns anos renda suficiente para comprar suas terras. As relações amistosas faziam do proprietário compadre do trabalhador e vice versa. Com efeito, reinava ali o espírito muito familiar.

A bondade de nosso povo permitia que todos trabalhassem de acordo com seus dotes, mas ninguém ficava sem atividade. As tarefas eram distribuídas segundo as capacidades de cada um.
Nessa feliz concórdia, patrões e empregados desenvolviam seus talentos. A estrutura agrária sólida permitia que a fazenda fosse uma verdadeira escola de novos proprietários.

Formavam-se homens de têmpera, de determinação e cheios de resolução, predicados mais salientes do homem do campo de outrora. Futuros proprietários partiam para longe, onde compravam terras mais baratas, e com isso foram semeando em nossos sertões e criando novas povoações. Assim, o Brasil transformou-se na potência agrícola que hoje é.

Ainda teria algumas coisas a dizer..., mas o espaço acabou. Quem sabe numa próxima ocasião? Até breve.
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* Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Brasil: 3º consumidor mundial de drogas sintéticas

O Brasil ficou em terceiro lugar num dos piores rankings do mundo: o dos consumidores de drogas sintéticas, como ecstasy. Os dados são do Escritório da Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC). Em primeiro lugar está a Argentina, o que leva a supor um obscuro comércio entre ambos os países. O diário “La Nación”, de Buenos Aires, informou a existência de laboratórios clandestinos na capital platina. Outro laboratório foi descoberto no Chile, e mais dois na Colômbia. O diretor do UNODC, o italiano Antonio Maria Costa, denunciou a falsa idéia de se tratar de drogas “inofensivas”. Os viciados acreditam obter, mediante os entorpecentes, maior “confiança, sociabilidade e energia”; mas na prática vão sofrer “graves problemas mentais e dano cerebral”.
(Agência Boa Imprensa – ABIM)