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sábado, 28 de setembro de 2013

Concórdia social, sim; luta de classes, não!

A igreja não exclui ninguém, fazendo a opção por todas classes sociais, nobres ou pobres, como é representado neste quadro “Saindo da Igreja”, do pintor espanhol Raimundo de Madrazo y Garreta(1841-1920). No quadro notam-se pessoas de diversas classes sociais, desde a pobre mulher cega, pedindo esmola sentada junto à porta, até ricas senhoras elegantemente vestidas.

Harmonia entre opção preferencial pelos pobres e opção preferencial por todas as elites 

Paulo Roberto Campos 

Movimentos comprometidos com a “esquerda católica”, especialmente os simpáticos à Teologia da Libertação, tentam “exumar” velhos sofismas para interpretar equivocadamente o conceito de “opção preferencial pelos pobres”.

A esse propósito, cabe lembrar que, a pretexto da luta pela proteção dos pobres, o comunismo subjugou diversos países, entre os quais Cuba, que por mais de 50 anos jaz na mais negra miséria. Dessa mesma pobre Cuba, da qual o atual governo brasileiro pretende “importar” seis mil médicos, cuja atuação em nosso território causará a pior das epidemias: a disseminação do vírus das ideias comunistas.

Contrariamente à doutrina da Teologia da Libertação, no primeiro capítulo da obra Nobreza e elites tradicionais análogas (1993), Plinio Corrêa de Oliveira escreve: “Na nossa época, na qual tão necessária se tornou a opção preferencial pelos pobres, também se faz indispensável uma opção preferencial pelos nobres, desde que incluídas nesta expressão também outras elites tradicionais expostas ao risco de desaparecimento e dignas de apoio”. [ao lado capa da obra]

A autêntica doutrina católica sempre ensinou a legitimidade da desigualdade entre as classes sociais e a harmonia que deve reinar entre elas, assim como, invariavelmente, condenou a luta de classes. É o que destaca o trecho a seguir, extraído das primeiras páginas de Nobreza e elites tradicionais análogas, explicando o que é propriamente a “opção preferencial”:

“A opção preferencial pelos nobres e a opção preferencial pelos pobres não se excluem, e menos ainda se combatem, segundo ensina João Paulo II: ‘Sim, a Igreja faz sua a opção preferencial pelos pobres. Uma opção preferencial, note-se, não, portanto, uma opção exclusiva ou excludente, porque a mensagem da salvação é destinada a todos’. 

“Essas diversas opções são modos de manifestação do senso da justiça ou da caridade cristã, que só podem irmanar-se no serviço do mesmo Senhor, Jesus Cristo, que foi o modelo dos nobres e modelo dos pobres, segundo nos ensinam com insistência os Romanos Pontífices”. 

Compreendemos, com esse esclarecimento, o quanto equivocado e doutrinariamente falso é o conceito de luta de classes reivindicada pelo marxismo e pregada pela “esquerda católica”, pois a “opção preferencial” não é exclusivista.

Compreendemos também que os intelectuais miserabilistas da “teologia da libertação” não atuam em prol do povo autêntico, nem o entendeu, pois as camadas populares desejam viver em harmonia com as diversas classes sociais e não num clima de “luta de classe”.

Entendeu com sutileza esse tema o carnavalesco Joãozinho Trinta quando, em 1978, afirmou “O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual”. É por isso que, se de um lado observa-se a flagrante imoralidade carnavalesca, nota-se também, no carnaval, fantasias de príncipes, princesas, reis e rainhas, com seus coloridos mantos e coroas douradas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Encontrado champagne presenteada por Luís XVI ao Czar

A champagne mais antiga do mundo, ainda em condições de ser bebida, foi resgatada de um navio no fundo do mar Báltico. Segundo Christian Ekstrom, um dos descobridores do “tesouro”, as garrafas datam de 1780 e eram um presente de Luís XVI para o Czar da Rússia. Os mergulhadores (foto) não sabiam que se tratava de champagne, abriram uma garrafa para conferir o conteúdo e ficaram entusiasmados: “O gosto era fantástico. Uma champagne muito doce, com gosto que lembra o tabaco e o carvalho”. As obras-primas da ordem cristã ganham valor com o tempo, sobretudo quando vinculadas a instituições como as monarquias francesa e russa. Em sentido contrário, os produtos da modernidade, ainda quando aproveitáveis, costumam depreciar-se e são rapidamente descartados, gerando amiúde ingentes problemas de lixo no planeta.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Partido do Congresso na Índia quer proibir uso de títulos nobres

Heitor Abdalla Buchaul *
Recentemente o Partido do Congresso, na Índia, decretou que todos os seus políticos e governadores não mais poderão ostentar seus títulos de nobreza, como marajá (grande rei), maharani (grande rainha), rajkumar (príncipe) ou nababo (equivalente a rei e usado entre os indianos de origem muçulmana). Sobre esse assunto é interessante a análise de um artigo de autoria do insigne pensador católico Plinio Corrêa de Oliveira, publicado em Catolicismo nº 195, março/1967), sob o título "A Índia tem saudades dos Marajás".

Naquela época, os Marajás já haviam sido afastados oficialmente do poder, o que ocorrera desde o ano de 1947, quando a Índia se tornara independente da Coroa Britânica; até então, era formada por um conjunto de principados.

Desde a independência, a Índia pretendera, sob a liderança de Gandhi, Nehru e Indira, ter uma face modernizada e de cunho socialista, rompendo com as tradições mesmo as que eram salutares e orgânicas. Porém, essa tarefa não é nada fácil. Vejamos alguns excertos do referido artigo: “Entre as tradições que merecem sobreviver, algumas têm raízes débeis, e podem ser eliminadas sem enorme abalo para a nação. Mas outras há em que não se pode tocar sem desfigurar a própria alma da nação, o seu processo de continuidade histórica, sua própria identidade consigo mesma. [...] Na Índia dos Marajás, por exemplo, muita coisa haveria que modificar. Mas essa obra jamais poderia degenerar num fazer ‘tabula rasa’ — na vida da Índia atual — de todos os tesouros de arte, cultura e talento da Índia tradicional. Nem numa substituição sumária e total da Índia grandiosa, lendária e poética plasmada pelos séculos, por um Estado socialista, prosaico e vulgar como é a Índia atual: uma espécie de país organizado à sueca, isto é, tudo quanto há de mais paradoxal e anorgânico”.

“A Índia de hoje são os indianos que hoje vivem. E eles não aprovaram tão radical, indiscriminada e brutal transformação”.

Mais adiante, o artigo refere-se às então recentes eleições indianas : “De um longo e substancioso despacho do correspondente da AFP em Nova Delhi, datado de 15 de janeiro p.p., destacamos este trecho: "O líder dos comunistas indianos, comentando a preparação das listas de candidatos para as eleições legislativas do próximo mês, exclamou: ‘Isto é a restauração! Nunca houve tantos Marajás nas listas como este ano!’ [...] ‘Grandes Famílias’ ilustres que reinavam sobre vastos Estados do Radjastan, do Pundjab e de Madhya Pradesh, e que, na realidade, não deixaram de dominar nunca a política local, e centenas de pequenos Príncipes obscuros voltam ao primeiro plano político”.

E o Prof. Plinio conclui : “Não entramos no mérito da questão da forma de governo. Descartado de seu aspecto político, este reviver da popularidade dos Rajás indica uma reação de alma muito importante do ponto de vista ‘Ambientes, Costumes, Civilizações’. Em suma, o povo indiano está farto do socialismo trivial, rasteiro e sem nenhum vôo. E volta-se para a Tradição em busca desta coisa indispensável: altos horizontes para a alma”.

Passadas mais de quatro décadas desses acontecimentos, a aura revolucionária que desde o início dominou o Partido do Congresso indiano, deseja tentar ainda submergir cada vez mais as famílias nobres; e já lhe tendo tirado o poder político deseja agora liquidar qualquer influência que possam ter sobre a sociedade; e continua a ser, como afirma o Prof. Plinio, “trivial, rasteiro, sem nenhum vôo”, conforme o seu próprio lema "Aam Aadmi", ou seja "Homem Comum". O que não combina com Marajás, levando a vulgarização e a mediocridade a seu ápice.

A decisão do partido do primeiro-ministro Manmohan Singh causou polêmica no país.

“Esses títulos são uma herança de família; como então o Partido do Congresso pode querer tirá-los? Como fazer o povo parar de nos chamar pelos nossos títulos de nobreza? Muitas vezes são termos afetivos”, protestou durante um debate na TV CNN-IBN Bhanu Pratap Singh, um ex-ministro de Estado, que hoje seria o Marajá de Narsinghgarh, no estado de Madhya Pradesh. Ele argumenta que em 1971, quando a então a primeira-ministra Indira Gandhi eliminava vários privilégios dos nobres, os títulos não chegaram a ser abolidos. Portanto, os descendentes teriam direito de usá-los hoje. Mas a liderança do Partido do Congresso julga que a existência de muitos políticos de origem nobre em seus quadros contraria a imagem que almeja projetar para o público.

Esse quadro é muito interessante e simbólico para se constatar, em primeiro lugar, o ódio que os revolucionários votam a tudo que é nobre, belo, elevado, sendo uma questão mais espiritual do que material; e, em segundo lugar, o seu verdadeiro objetivo –– fazer a humanidade rebaixar-se cada vez mais, perdendo os exemplos e parâmetros mais sublimes, e considerando como inspiração apenas aquilo que é comum e banal.

Nada mais contrastante em relação ao desejo natural de perfeição, que Deus colocou na alma humana.
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* Heitor Abdalla Buchaul é colaborador da ABIM