• Pe. David Francisquini*
Para tentar melhorar suas condições precárias, a família mudou-se para Colle Gianturco, local do martírio. Depois da morte do pai — conta-nos Assunta, a mãe da santa — a filha procurava fortalecer-lhe o ânimo. Nas agruras, ela dizia “Por que esse medo, mamãe? Daqui a pouco estaremos [eram seis filhos] crescidos. Basta que Nosso Senhor nos dê saúde e a Providência nos ajudará”. Modelo de confiança!
Com a sabedoria de quem sabe aproveitar o tempo com método e disciplina, conhecia o segredo da vida. Com a morte do pai, seu programa foi assumir a responsabilidade da casa (foto abaixo) e o cuidado e a formação dos irmãos.

Em contrapartida, quão diferente foi a educação de seu verdugo! Seu pai não praticava a Religião, acreditando vagamente na existência de Deus. Possuía ainda caráter autoritário e era dado ao vício do álcool. A própria mãe, já meio louca, tentara afogar o filho quando este era criança.
Órfão de mãe ainda novo, não conheceu os carinhos, a bondade e o afeto materno, sendo criado como um estranho. Ao pai recai a acusação de ter cultivado a perversão do filho em más leituras, apesar de ter sido batizado, aprendido um pouco o catecismo, a ler e escrever.
A situação de Alexandre agravou-se quando serviu como marinheiro, tendo então se pervertido ainda mais, devido às más companhias. Contudo, ainda assistia sempre à missa e era respeitoso com o pai. Possuía gênio fechado, frio e solitário.
Costumava trancar-se no quarto, onde alimentava o vício da impureza através de más leituras que o próprio pai lhe proporcionava. Revestia as paredes com figuras de jornais e revistas indecentes. O vício criou nele raízes profundas. Penetrado de um impulso satânico, Alexandre decidiu destruir a inocência e a pureza de coração de Maria Goretti. Caso ela resistisse às suas impetuosas paixões, ele havia decidido matá-la. Contudo, a força de seu ódio não pôde prevalecer contra o rochedo intransponível de quem prefere morrer a se deixar contaminar pelo vício impuro.
Deparamo-nos assim com dois modelos de educação e de vida. A primeira banhada pela luz da graça e da vida sobrenatural. A segunda, por ódio à virtude e à vida exemplar. Ao tentar diabólica e inutilmente impor sua devassidão à santa, assassinou-a. Foi preso e cumpriu pena. Contudo, teve de lamentar pelo resto da vida o seu ato infame.
Mas o heroísmo da menina cheia de força atingiu tal ápice, que levou o próprio assassino à conversão. Ela perdoou-o e disse que o levaria para o Céu. Sua conversão foi seguida de penitência numa cela de um convento de religiosos.
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* Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira - RJ
3 comentários:
Corrijam, meus caros...o corpo de Santa Maria Goretti não está incorrupto. O que pode ser visível é uma estátua que seguia seu traços. A incorrupção do corpo não é nem dogma nem sinal de santidade...Santa maria Goretti não deixa de ser santa por isso.
abraços fraternos...
Herege...
Morra queimado por ultraja a memória de uma santa
Arthur
Que bela é a virtude da castidade! Nesse mundo horroroso poucos ainda a valorizam.
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