quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Kerenskismo obamista-lulista e Honduras: “eixo da moderação” a serviço do “eixo do mal”

Zelaya utiliza-se da embaixada brasileira em Tegucigalpa como palanque, fazendo comício para seus sequazes (partidários de Hugo Chávez), o que poderá levar Honduras a uma guerra civil. Se ocorrer derramamento de sangue o governo brasileiro poderá ser responsabilizado.


* Armando Valladares


O Palácio do Itamaraty, a chancelaria brasileira outrora reconhecida por sua habilidade, tato e inteligência, contribuindo para criar um inédito “governo paralelo” pró-chavista em sua embaixada em Tegucigalpa, empurrou o “moderado” presidente Lula no olho de um imprevisível furacão, o qual, diante de Deus e da História, o torna responsável direto pelo que possa acontecer em Honduras.

O Palácio do Itamarary, a chancelaria do “moderado” presidente do Brasil, Sr. Lula da Silva, ao autorizar o ingresso em sua embaixada em Tegucigalpa do deposto presidente pró-chavista Zelaya como “hóspede” e não como “exilado”, se envolveu nos assuntos internos de Honduras da maneira mais brutal e menos diplomática possível. Contribuiu dessa maneira para criar em Honduras um inédito “governo paralelo” pró-chavista, sob o amparo da extra-territorialidade.

Embaixada brasileira em Honduras transformada em "casa da sogra" por Zelaya e seus partidários

Tal como advertem analistas brasileiros, a diplomacia do Itamaraty, outrora reconhecida por sua habilidade, tato e inteligência, acaba de empurrar Lula, talvez inadvertidamente, para o olho de um imprevisível furacão que pode afetar o perfil de "moderação", “conciliação”, “diálogo” e “espírito democrático” que esteve esgrimindo nos últimos anos. E, sobretudo, o torna responsável direto, diante de Deus e da História, pelo que possa acontecer em Honduras.

De fato, intervindo dessa maneira nos assuntos internos de Honduras, a diplomacia do Itamaraty passa a assumir a culpa direta pelas conseqüências de sua decisão de usar sua embaixada para hospedar o presidente deposto e criar um “governo paralelo”; responsável, inclusive, por atos de violência e até de sangue que possam ocorrer.

O deposto presidente Zelaya dedicou-se a usar o recinto diplomático para discursar para seus seguidores, contribuindo para criar no país uma situação explosiva. O próprio presidente brasileiro, talvez percebendo de que maneira foi colocado no olho de um furacão por sua própria chancelaria, pediu a Zelaya que moderasse sua linguagem. E também exigiu o respeito da extra-territorialidade de sua sede diplomática em Honduras, no mesmo momento em que o Itamaraty viola dessa maneira normas internacionais elementares.

Em 12-8-09, Zelaya esteve em Brasília

pedindo ajuda ao pres. Lula

Com maior ênfase ainda que a colocada para insistir sobre o levantamento do “embargo” ao regime comunista de Cuba, a chancelaria brasileira monta um historicamente inédito “embargo” contra o povo hondurenho que não deseja cair no abismo chavista. No momento em que escrevo estas linhas, o presidente Lula propôs uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, para tratar de uma delicada situação que sua própria diplomacia, tão pouco diplomaticamente, contribuiu decisivamente para criar. Falta somente que a representante do Brasil na ONU peça uma intervenção militar em Honduras.

Como advertiu desde as páginas do influente O Estado de São Paulo, o analista político brasileiro Roberto Lameirinhas, a volta de Zelaya, rodeado de um “show midiático”, na realidade vai “ampliar a fratura social hondurenha” e os que apostaram no retorno do deposto presidente “parecem apostar em uma popularidade que na realidade ele não tem”, assim como em uma suposta “disposição revolucionária” da população hondurenha que não existe.

Sem dúvida, a conta de perdas humanas, sociais e econômicas está sendo paga pelo povo hondurenho, sujeito a uma incompreensão internacional talvez inédita na História. Porém, a conta política, perante Deus e a História, no caso em que Honduras seja brutalmente arrastada ao abismo chavista, será o próprio governo brasileiro, seu atual presidente e sua diplomacia os que terão que pagá-la em boa medida.

Se hoje, na América do Norte, o kerenskismo favorecedor das esquerdas está representado pelo presidente Obama, tal como mostrei em recente artigo publicado por "El Heraldo" de Honduras, na América do Sul o kerenskismo talvez esteja encarnado prototipicamente no presidente Lula, do Brasil, a quem Obama, durante a Cúpula das Américas, qualificou como “o cara”.

Se Cuba comunista sobrevive até hoje, em boa medida isso se deve, talvez ainda mais que o apoio de Chávez, ao colossal sustento político, diplomático e econômico do kerenskismo lulista.

Se Chávez chegou até onde chegou, é porque em boa medida o kerenskismo lulista, sempre alegando moderação, espírito de diálogo e necessidade de contemporização, lhe deu sua anuência e o apoiou publicamente nos momentos de mais dificuldade interna, contribuindo para desmoralizar a oposição venezuelana.

Se os governos populistas-indigenistas da Bolívia e Equador estão efetuando os atuais atos de vandalismo, contribuindo para a auto-demolição social, política e moral de ambos os países, isso também se deve ao kerenskismo lulista que lhes proporcionou um respaldo decisivo em matéria política e econômica.
Se as pressões internacionais contra Honduras chegaram ao ponto a que chegaram, isso se deve às articulações do neo-imperialismo kerenskiano lulista que, por trás dos bastidores, e até na frente deles, sem o menor pudor, dedicou-se a pressionar o governo norte-americano para asfixiar essa pequena grande nação que os partidários da liberdade no mundo inteiro qualificam justamente como um pequeno grande Davi do século XXI.

O “moderado” presidente brasileiro integra junto com o presidente Obama um “eixo da moderação” que objetivamente, e independentemente das intenções de seus protagonistas, está a serviço do “eixo do mal” chavista e permite, com seu espírito concessivo, que o “eixo do mal” avance.

Há quase 7 anos, em 8 de outubro de 2002, no conhecido programa televisivo do jornalista Boris Casoy, o então candidato presidencial Lula da Silva me chamou de “picareta de Miami”, porque eu havia contribuído a denunciar em uma série de artigos, de uma maneira documentada e invariavelmente respeitosa, o vergonhoso apoio de Lula a Cuba comunista e sua política em favor do “eixo do mal” latino-americano. Na ocasião, na falta de argumentos, Lula respondeu com uma brusca mudança de tom.

A política externa do Itamaraty, durante os dois períodos do presidente Lula à frente do governo do Brasil, foi confirmando essas apreensões. Hoje, com a precipitação da aventura hondurenha, a diplomacia brasileira não fez senão confirmar essas apreensões.

Raul Castro, Manuel Zelaya e Hugo Chávez

É hora de proclamar as verdades que doem aos Golias contemporâneos, em voz alta, claramente, argumentando e dando provas irrefutáveis, tudo isso feito de uma maneira invariavelmente educada e respeitosa. Usei palavras sem dúvida alguma fortes, porém penso que elas são proporcionais à gravidade da situação, e foram sempre respeitosas.

Em declarações recentes ao Washington Post, o embaixador Jeffrey Davidow, alto assessor do presidente Obama, reconheceu que na América Latina de hoje um perigo maior que o militarismo é o populismo do tipo chavista. O embaixador Davidow disse uma meia-verdade. De fato, sob vários pontos de vista o maior perigo é o “kerenskismo”, que prepara o caminho para o populismo, o indigenismo e outros “ismos” pós-modernos que estão tomando o lugar do comunismo clássico.

A heróica resistência do povo hondurenho negando-se a pôr o “uniforme” zalaysta-chavista, apesar das brutais pressões de dirigentes internacionais, me lembra a epopéia de um punhado de presos-políticos cubanos que, em que pese os brutais golpes e torturas, negou-se durante anos a se vestir com o “uniforme” de presos comuns. O tirano Castro não pôde dobrá-los e passaram para a História como os “presos resistentes”.

Que a Divina Providência proteja Honduras “resistente”, que se recusa a pôr o “uniforme” chavista e continue lhe dando forças e inspiração para resistir, da mesma maneira como Davi resistiu e se defendeu contra Golias.


Tradução: Graça Salgueiro

*Armando Valladares, ex-preso-político cubano “resistente”, foi embaixador dos Estados Unidos na Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durante as administrações Reagan e Bush. Acaba de receber em Roma um importante prêmio de jornalismo por seus artigos em favor da liberdade em Cuba e no mundo inteiro. E-mail” armandovalladares2006@yahoo.es




terça-feira, 22 de setembro de 2009

Os Dízimos, a Colonização e a História

Ibsen Noronha(*)

A Legenda Negra acerca da Colonização das Américas vai ganhando foros de verdade revelada. Os atuais governos latino-americanos contribuem com o seu tanto para a “Ciência”…

Outro dia um livro de divulgação — diria mesmo vulgarização ou panfletagem —acerca dos crimes cometidos pelos colonizadores, foi oferecido por um caudilho ao presidente americano. E a mídia fez também o seu tanto na propaganda ideológica.

Segundo estas versões, que tomam sempre ares de certeza trombuda e insolente, desdenhosas das posições contrárias, os colonizadores, em nome da ganância insaciável, destruíram a sociedade aborígene, repleta de bondade, modelar mesmo, apesar dos sacrifícios humanos em honra dos seus deuses, da antropofagia, de enterrarem crianças com má formação. Tudo isto “é cultural”, “louvável”. São tantas as lições de simplicidade que podemos receber destas sociedade tribais. O beau sauvage de Rousseau, afinal, somente poderia ter como modelo o aborígene americano. Enfim, eis o arquétipo de sociedade que o Homem Novo, reformado pela conscientização socialista-ecológica, está determinado a abraçar.

É muita densidade para apenas um parágrafo. Mas o melhor e não escrever muito. O Homem moderno tem paixão pela rapidez, e tudo que demande muito vagar é visto com pouca simpatia. E eu preciso de leitores…

Mas prossigamos. Remexendo arquivos de antigas Leis, no afã de aprofundar as já tão profundas idéias que a Legenda Negra promulgou, encontro algo que me deixa confuso. E transcrevo, caro leitor, pois nada melhor que uma fonte primária para não termos que conhecer a História de segunda mão que nos é ensinada, diria melhor divulgada, nos dias que correm… e correm muito.

… fareis guardar as Provisões que mandei passar sobre a liberdade do gentio das ditas partes, e para não pagarem dízimos aos que se fizerem cristãos, por tempo de quinze anos…
É terrível! Temos uma lei, de 12 de Novembro de 1582, que confirmava outra de 4 de Janeiro de 1576, isentando os índios de impostos aqui no nosso Brasil.
Deve ser apenas mais uma forma de camuflar a sede insaciável de riqueza e poder dos colonizadores. Eles deveriam estar já se justificando avant la lettre pois sabiam que os seus crimes hediondos um dia seriam denunciados por paladinos da liberdade, heróis da verdade, caudilhos que vieram ao mundo para proclamar o que foi e como foi!!!

Este texto é intolerável. Mas nas minhas solitárias pesquisas encontro dezenas, centenas de leis, que buscam proteger os índios. Que farsantes estes colonizadores! Querem espoliar e produzem leis concessivas e benevolentes.
O melhor seria que todas estas leis não fossem conhecidas nem discutidas.
Compromete a versão que circula. Além do mais, dizer que havia isenção de dízimos, concedida pelo soberano, enquanto administrador da Ordem de Cristo, seria dar uma idéia de complacência, de magnanimidade a um Rei — que precisa ser visto como tirano — e, à Igreja Católica uma certa doçura na conversão dos índios — que precisa ser vista como forçada, despoticamente imposta.
Liberar dos Dízimos? Que horror! Sobretudo hoje em dia. O Estado nos leva a metade dos nossos dias de trabalho. As pequenas igrejas, que são grandes negócios, enriquecem os seus áugures…
Há algo de errado com aquele texto de lei do século XVI!!!
Deve ser uma falsificação…
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(*) Mestre em Direito pela Universidade de Coimbra,
Professor de História do Direito Brasileiro pela UnB.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Obama-Clinton: “política do garrote” para Honduras e “política de sorrisos” para Cuba

Armando Valladares *
O espírito intervencionista do recente comunicado do Departamento de Estado sobre Honduras não podia ser mais brutal, constituindo um exemplo típico de retorno da “política do garrote”... contra o anti-chavismo, enquanto se impulsiona uma suicida “política de sorrisos” para o “eixo do mal” latino-americano

Em 3 de setembro pp., o Departamento de Estado norte-americano, em nome da secretária de Estado Hillary Clinton, deu a conhecer um comunicado que tem como objetivo visível golpear o atual governo provisório de Honduras porém que, no fundo, pretende quebrar a resistência do heróico povo hondurenho, em sua luta pela liberdade. Trata-se de um comunicado que reflete ao mesmo tempo um intervencionismo pró-chavista, não menos deplorável, nos assuntos internos de outro país.

Nem mais nem menos, é a cruel aplicação contra Honduras, um pequeno país centro-americano aliado dos Estados Unidos, da “política do garrote”, desta vez nas mãos do kerenskiano presidente Obama, que ao mesmo tempo impulsiona uma suicida “política de sorrisos” com relação aos totalitarismos e populismos de raiz esquerdista nas Américas, como Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua.

São dois pesos e duas medidas de uma injustiça que clama a Deus
Dias atrás, o presidente Obama havia qualificado de “hipócritas” àqueles que na América Latina exigiam até há pouco tempo que os Estados Unidos não interviessem nos assuntos latino-americanos, enquanto que agora imploravam que o governo interviesse no caso de Honduras. Não obstante, poucos dias depois o presidente Obama cedia ante a “hipocritadura” chavista, tal como Kerensky cedeu ante Lênin em começos do século XX, e que precipitou o desenlace histórico que todos conhecemos. Já tive oportunidade de definir em artigo recente o que entendo por “kerenkismo obamista” e, para maior brevidade, remeto meus leitores a ele (cf. “Kerenkismo obamista, Honduras e abismo chavista”, “Diario Las Américas, Miami”, EUA, 24 de julho de 2009; “El Heraldo”, Tegucigalpa, Honduras, 23 de julho de 2009; “Destaque Internacional”, Internet, 21 de julho de 2009; “Mídia Sem Máscara”, 26 de julho de 2009; texto reproduzido na Internet em vários idiomas, inclusive em lituano, em mais de 30 países).

O comunicado do Departamento de Estado anunciou “a suspensão de uma ampla gama de ajuda ao governo de Honduras”, ante a alegada “necessidade de fortes medidas” para quebrar a “resistência” ao “Acordo de San José” por parte das atuais autoridades hondurenhas, e ante o que denomina “falta de restauração de um regime democrático e constitucional em Honduras”.

O espírito intervencionista do texto não podia ser mais brutal, constituindo um exemplo típico de retorno da diplomacia do garrote... contra o anti-chavismo. Com efeito, um “acordo” significa conformidade de pareceres entre duas ou mais pessoas ou instituições. Se pretende-se dobrar as instituições e o povo hondurenho a qualquer preço, então não chamem-no hipocritamente de “acordo” e sim, uma “imposição”, um gesto de “neo-colonialismo” ou um “ucase” (do russo, “ukaz”, que os dicionários traduzem como “ordem despótica”). O comunicado do Departamento de Estado alega sair em defesa do sistema “democrático” e “constitucional” de Honduras, porém quer impor um “acordo” que, apesar de levar o nome desse grande santo que foi São José, acabaria sendo um “ucase” muito pouco santo e, sem sombra de dúvida, sobretudo muito pouco “democrático”.

O comunicado norte-americano trata de justificar seu intervencionismo alegando a necessidade de uma “restauração” da ordem democrática, parecendo ignorar por completo que o deposto presidente Zelaya já havia ferido gravemente essa ordem democrática, ao pisotear as leis e a própria Constituição, diante da indiferença do Departamento de Estado, da OEA e dos governos das Américas que hoje farisaicamente se rasgam as vestes.

O presidente Obama acaba de prometer na última Cúpula das Américas um “novo começo” com a sanguinária ditadura castrista; estendeu pontes de diálogo com os regimes populistas-totalitários da Venezuela, Equador e Bolívia; manifestou sua disposição de conversar com os regimes islâmicos mais radicalmente anti-americanos e até com o tirano da Coréia do Norte; finalmente, proclamou aos quatro ventos que o “diálogo”, não a imposição, é o caminho primeiro e indispensável para a resolução de conflitos de ordem internacional e que os Estados Unidos passaram a defender o multilateralismo. Porém, quando se trata de Honduras, a linguagem adocicada muda totalmente e fica amarga, com gosto de fel, agressiva, prepotente e intervencionista da pior qualidade.

Nas linhas seguintes, os redatores do comunicado do Departamento de Estado, talvez percebendo o flanco de contradição e da fraude que abriam, tratam de adotar um ar de imparcialidade quando dizem que se “reconhece” a “natureza complicada” das ações que levaram à deposição de Zelaya em 28 de junho. Não obstante, nessas ações, de uma maneira incrivelmente tendenciosa, somente atribui a responsabilidade e a culpa ao “ramo legislativo”, ao “ramo judiciário” e aos “militares”, silenciando sobre a responsabilidade primeira e fundamental do “ramo executivo” encabeçado por Zelaya.

Apesar desse pretendido ar imparcial, se comete a maior das parcialidades quando se omite uma alusão sequer ao fato de que em Honduras, no dia 28 de junho de 2009, também existia esse “ramo executivo”, é verdade, porém que havia se afastado nitidamente da Constituição e das leis, e tratava de empurrar Honduras para o abismo chavista.

É preciso insistir com invariável objetividade, na mesma proporção da insistente parcialidade do comunicado norte-americano: é o “ramo executivo” encabeçado pelo deposto presidente Zelaya o grande responsável pela atual encruzilhada de Honduras, assim como os irmãos Castro são os grandes responsáveis pelo drama cubano, e Chávez é o grande culpado pela deterioração das liberdades na Venezuela e em outros países da região nos quais intervém como Pedro em sua casa, sem que o Departamento de Estado abra a boca.

O lamentável comunicado do Departamento de Estado alude também “complexas questões legais”, que não se dá ao trabalho de definir e nem sequer de mencionar. Se essas questões são tão “complexas”, é uma razão a mais para defini-las ou, pelo menos, enumerá-las, e passar a analisá-las com o devido cuidado antes de adotar medidas que, além de serem intervencionistas e garrotistas, são precipitadas e injustas contra a irmã Honduras.

Outra das provas do garrotismo, e da unilateralidade deste comunicado do Departamento de Estado, é precisamente o fato de que evite a análise dessa “complexidade”, lavando as mãos como Pilatos.

Os indícios falam no sentido de que o Departamento de Estado evite abordar essa “complexidade” porque não lhe convém fazê-lo: a palavra “complexidade”, no contexto do comunicado do Departamento de Estado, é um eufemismo para não tocar no tema central, o da enorme responsabilidade do deposto presidente Zelaya, um chavista no qual o presidente Obama e a secretária de Estado Clinton depositaram suas esperanças.

Trata-se de uma típica saída kerenskiana, entreguista, partidária do ceder para não perder, com o qual se protege e absolve Zelaya que, como já se disse, foi “democraticamente eleito” porém que — convém reiterá-lo até o cansaço, na mesma proporção em que seus defensores o omitem também até o cansaço — se afastou dos princípios constitucionais e das leis hondurenhas.

Não menos lamentável é o fato de que o Departamento de Estado, aberto a “novos começos” com os mais sanguinários ditadores comunistas e com déspotas islâmicos radicais, continue se negando a dialogar com as atuais autoridades hondurenhas e ameace em “não respaldar” o “resultado” das próximas eleições nacionais desse país.

Explica-se que, diante do que foi dito acima, o maior representante latino-americano do “eixo do mal” e atual presidente-ditador da Venezuela, Hugo Chávez, com uma emoção de crocodilo tenha declarado desde o Irã, onde mantinha reuniões conspiradoras contra os Estados Unidos, que “já era hora” de que o presidente Obama adotasse essas medidas, e tenha manifestado sua complacência com esse lamentável comunicado do Departamento de Estado, em boa medida, fruto de suas pressões e reclamos.

Nesse texto do Departamento de Estado, de 3 de setembro pp., ficou a descoberto a claudicação pró-chavista do “ramo executivo” do governo norte-americano. Por isso, seria de se desejar que o “ramo legislativo” deste país, Câmara de Representantes e Senado, através de suas respectivas comissões de Relações Exteriores, convoquem os representantes do Departamento de Estado para que expliquem as flagrantes contradições e omissões deste recente engendro. E também, que estudem a possibilidade de convidar seus colegas representantes do “ramo legislativo” de Honduras, para que tenham a oportunidade de expressar sua opinião, um elementar direito de defesa que o “ramo executivo” do governo norte-americano lhes está negando.

A política intervencionista do Departamento de Estado nos assuntos de Honduras deve cessar de imediato. O Congresso dos Estados Unidos também deveria convocar a uma audiência o embaixador norte-americano nesse país, Hugo Llorens, um cubano-americano com credenciais de moderado, que foi alto assessor da secretária de Estado Condolleeza Rice, mas que agora se tem mostrado fiel e submisso defensor do deposto presidente chavista. Entre outras perguntas, se poderia perguntar ao embaixador Llorens se é verdade, sim ou não, que permitiu à esposa do deposto presidente Zelaya utilizar as instalações diplomáticas norte-americanas para, desde ali, discursar a favor de distúrbios e violência, enquanto fazia crer que estava resistindo nas montanhas. Os congressistas também poderiam convocar a Srª María Otero, uma hispana de origem boliviana e antecedentes bolivarianos, recém nomeada Secretária de Assuntos Globais do Departamento de Estado, para interrogá-la se usou, sim ou não, um telefone da Secretária de Estado e, sobretudo, a influência de seu cargo para chamar empresários hondurenhos por telefone, coagindo-os e ameaçando-os por seu apoio ao atual governo provisório.

Proclamar as verdades que doem nos Golias contemporâneos, em alta voz, claramente, com argumentos e provas irrefutáveis, de uma maneira invariavelmente educada e respeitosa, é a mais efetiva maneira de ajudar o pequeno e heróico Davi hondurenho, assim como aos povos irmãos latino-americanos que sofrem sob os malefícios do “eixo do mal” chavista.
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* ARMANDO VALLADARES, ex-preso político cubano, serviu como embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU nas administrações Reagan e Bush, tendo recebido a Medalha Presidencial do Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado. Em julho pp., na Itália, foi o primeiro hispano honrado com o prestigioso Prêmio ISCHIA de jornalismo internacional. E-mail: armandovalladares2006@yahoo.es

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Abaixo, algumas fotos da manifestação do dia 4 de setembro, na qual milhares de hondurenhos protestaram contra as contínuas intervenções de Hugo Chávez em Honduras







quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Partido do Congresso na Índia quer proibir uso de títulos nobres

Heitor Abdalla Buchaul *
Recentemente o Partido do Congresso, na Índia, decretou que todos os seus políticos e governadores não mais poderão ostentar seus títulos de nobreza, como marajá (grande rei), maharani (grande rainha), rajkumar (príncipe) ou nababo (equivalente a rei e usado entre os indianos de origem muçulmana). Sobre esse assunto é interessante a análise de um artigo de autoria do insigne pensador católico Plinio Corrêa de Oliveira, publicado em Catolicismo nº 195, março/1967), sob o título "A Índia tem saudades dos Marajás".

Naquela época, os Marajás já haviam sido afastados oficialmente do poder, o que ocorrera desde o ano de 1947, quando a Índia se tornara independente da Coroa Britânica; até então, era formada por um conjunto de principados.

Desde a independência, a Índia pretendera, sob a liderança de Gandhi, Nehru e Indira, ter uma face modernizada e de cunho socialista, rompendo com as tradições mesmo as que eram salutares e orgânicas. Porém, essa tarefa não é nada fácil. Vejamos alguns excertos do referido artigo: “Entre as tradições que merecem sobreviver, algumas têm raízes débeis, e podem ser eliminadas sem enorme abalo para a nação. Mas outras há em que não se pode tocar sem desfigurar a própria alma da nação, o seu processo de continuidade histórica, sua própria identidade consigo mesma. [...] Na Índia dos Marajás, por exemplo, muita coisa haveria que modificar. Mas essa obra jamais poderia degenerar num fazer ‘tabula rasa’ — na vida da Índia atual — de todos os tesouros de arte, cultura e talento da Índia tradicional. Nem numa substituição sumária e total da Índia grandiosa, lendária e poética plasmada pelos séculos, por um Estado socialista, prosaico e vulgar como é a Índia atual: uma espécie de país organizado à sueca, isto é, tudo quanto há de mais paradoxal e anorgânico”.

“A Índia de hoje são os indianos que hoje vivem. E eles não aprovaram tão radical, indiscriminada e brutal transformação”.

Mais adiante, o artigo refere-se às então recentes eleições indianas : “De um longo e substancioso despacho do correspondente da AFP em Nova Delhi, datado de 15 de janeiro p.p., destacamos este trecho: "O líder dos comunistas indianos, comentando a preparação das listas de candidatos para as eleições legislativas do próximo mês, exclamou: ‘Isto é a restauração! Nunca houve tantos Marajás nas listas como este ano!’ [...] ‘Grandes Famílias’ ilustres que reinavam sobre vastos Estados do Radjastan, do Pundjab e de Madhya Pradesh, e que, na realidade, não deixaram de dominar nunca a política local, e centenas de pequenos Príncipes obscuros voltam ao primeiro plano político”.

E o Prof. Plinio conclui : “Não entramos no mérito da questão da forma de governo. Descartado de seu aspecto político, este reviver da popularidade dos Rajás indica uma reação de alma muito importante do ponto de vista ‘Ambientes, Costumes, Civilizações’. Em suma, o povo indiano está farto do socialismo trivial, rasteiro e sem nenhum vôo. E volta-se para a Tradição em busca desta coisa indispensável: altos horizontes para a alma”.

Passadas mais de quatro décadas desses acontecimentos, a aura revolucionária que desde o início dominou o Partido do Congresso indiano, deseja tentar ainda submergir cada vez mais as famílias nobres; e já lhe tendo tirado o poder político deseja agora liquidar qualquer influência que possam ter sobre a sociedade; e continua a ser, como afirma o Prof. Plinio, “trivial, rasteiro, sem nenhum vôo”, conforme o seu próprio lema "Aam Aadmi", ou seja "Homem Comum". O que não combina com Marajás, levando a vulgarização e a mediocridade a seu ápice.

A decisão do partido do primeiro-ministro Manmohan Singh causou polêmica no país.

“Esses títulos são uma herança de família; como então o Partido do Congresso pode querer tirá-los? Como fazer o povo parar de nos chamar pelos nossos títulos de nobreza? Muitas vezes são termos afetivos”, protestou durante um debate na TV CNN-IBN Bhanu Pratap Singh, um ex-ministro de Estado, que hoje seria o Marajá de Narsinghgarh, no estado de Madhya Pradesh. Ele argumenta que em 1971, quando a então a primeira-ministra Indira Gandhi eliminava vários privilégios dos nobres, os títulos não chegaram a ser abolidos. Portanto, os descendentes teriam direito de usá-los hoje. Mas a liderança do Partido do Congresso julga que a existência de muitos políticos de origem nobre em seus quadros contraria a imagem que almeja projetar para o público.

Esse quadro é muito interessante e simbólico para se constatar, em primeiro lugar, o ódio que os revolucionários votam a tudo que é nobre, belo, elevado, sendo uma questão mais espiritual do que material; e, em segundo lugar, o seu verdadeiro objetivo –– fazer a humanidade rebaixar-se cada vez mais, perdendo os exemplos e parâmetros mais sublimes, e considerando como inspiração apenas aquilo que é comum e banal.

Nada mais contrastante em relação ao desejo natural de perfeição, que Deus colocou na alma humana.
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* Heitor Abdalla Buchaul é colaborador da ABIM

Escritora elogia condição de mãe e esposa


A escritora Maria Mariana abandonou a “fama” do teatro e da TV para ser mãe de quatro filhos. Em entrevista à revista “Época”, explicou que “o fato de eu adorar ser mãe” rendeu muitas qualidades. Ela conta por que escolheu o lar: “Eu sonhava com uma enorme mesa de família, com aquela macarronada no domingo. Eu queria mudar de degrau”. Para espanto das feministas, acrescentou: “Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. O homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. Homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme”.

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Agência Boa Imprensa – ABIM

domingo, 30 de agosto de 2009

Honduras-Cuba: kerenkismo político e kerenkismo eclesiástico

O kerenkismo político e o kerenkismo eclesiástico formam neste momento, independentemente das intenções de seus protagonistas, os dois dentes de um mesmo alicate que se esgrime contra a causa da liberdade em Honduras e Cuba, porém também na Venezuela, Bolívia e Equador.
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A seguir, tradução do artigo de Armando Valladares, publicado no “El Heraldo” (Tegucigalpa) em 30-8-09
e no “Diario Las Américas” (Miami) em 26-8-09.

Cardeal Sean O’Malley, Arcebispo de Boston

Armando F. Valladares (*)

A América Central e o Caribe vivem uma das situações mais paradoxais de toda sua história: enquanto o “kerenkismo político” trata por todos os meios de dobrar a Honduras anti-comunista e empurrá-la ao abismo chavista, o “kerenkismo eclesiástico” estende suas mãos a Cuba comunista para perpetuá-la no pantanal castrista.

Uma importante comissão de eclesiásticos norte-americanos encabeçada pelo “moderado” cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston [foto acima], e integrada por monsenhor Thomas Wenski, bispo de Orlando, Flórida, monsenhor Oscar Cantu, bispo de San Antonio, Texas, o padre Andrew Small, encarregado do episcopado norte-americano para as relações com a Igreja latino-americana e caribenha, e o padre Jonathan Gaspar, acaba de fazer uma prolongada visita à ilha-cárcere de Cuba, de 17 a 21 de agosto pp.

Desde sua chegada à ilha-cárcere, os altos prelados cobraram do presidente Obama a promessa que fizera de “um novo começo” nas relações dos Estados Unidos com Cuba comunista acrescentaram que Obama está sendo “muito lento” em cumprir essa promessa de reconciliação com o regime e lhe recomendaram “que não desperdice a oportunidade” de levantar o chamado “embargo” econômico norte-americano. Não em vão, o Granma, órgão oficial do PC cubano, apresentou essas notícias de uma maneira quase eufórica (cf. "Granma", Cuba, 19 de agosto de 2009). Ao mesmo tempo, a "Rádio Vaticana", citando como fonte o secretário da Conferência de Bispos de Cuba, monsenhor Juan de Dios Hernández, ressaltou o “clima de amizade e cordialidade” que imperou no encontro dos altos prelados com Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento comunista, insistindo na “grande cordialidade” e “dialogo fraterno” (cf. "Radio Vaticana", 22 de agosto de 2009, Ed, em italiano www.oecumene.radiovaticana.org) entre os Pastores e o representante dos lobos.


Ao cardeal O’Malley, que revelou que viaja à Cuba há 20 anos, pouco lhe faltou para ver milagres nas relações entre a hierarquia da Igreja cubana e os ditadores cubanos, dizendo que existe uma “notável melhoria”, porém fez silêncio sobre a continuação da perseguição psicológica, política e policialesca contra os fiéis católicos abandonados por seus Pastores, e contra a população em geral (cf. Associated Press, 18 de agosto de 2009).
Monsenhor Wenski, membro do comitê de política internacional da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, pediu explicitamente o levantamento do “embargo” externo norte-americano, sem dizer uma palavra sobre a causa do problema cubano que é o implacável “embargo” interno, que já passa de meio século, contra a população cubana (cf. Associated Press, idem, ibid.). O alto prelado invocou também a “liberdade”, não precisamente para os fiéis católicos e o povo escravizado, senão para o intercâmbio entre Cuba e os Estados Unidos, um meio com o qual o regime conta para não sucumbir economicamente. Por fim, monsenhor Wenski desejou também que “ambas as partes”, governo norte-americano e regime comunista, cheguem a um entendimento e conciliação, e concluiu que para isso seria preciso que “escutem seus melhores anjos” (cf. "Granma", idem, ibid.).

Quem poderão ser os “anjos” dos tiranos comunistas de Cuba, aos quais ingenuamente monsenhor Wenski invoca como mediadores-iluminadores, se considerarmos que o Papa Pio XI, em sua célebre Encíclica “Divini Redemptoris”, qualificou o comunismo não somente como “intrinsecamente perverso”, mas como “flagelo satânico”?

De qualquer maneira, estamos na presença de um dos mais lamentáveis episódios de colaboração comuno-católica, com rosto eclesiokerenskiano que, do lado norte-americano se remonta às viagens a Cuba dos “conservadores” cardeais Law, de Boston e O’Connor, de Nova York, com suas respectivas entrevistas com o ditador Castro e suas posteriores declarações elogiosas com relação a esse tirano. Tudo isso faz parte de uma sucessão de fatos que foram narrados cronologicamente e devidamente documentados em um livro editado por exilados cubanos, e que agora alcança sua maior atualidade (cf. “Duas décadas de progressiva aproximação comuno-católico na ilha-presídio do Caribe”, "Cubanos Desterrados", Miami-Nova York, 1990).

O kerenkismo eclesiástico simula ignorar a causa do problema cubano, que é o implacável “embargo interno” do regime comunista contra toda a população cubana, e dessa maneira desvia a atenção e as críticas para um dos efeitos da instauração do regime comunista na ilha-cárcere, o chamado “embargo externo”. É a triste cena de Pastores que fortalecem os lobos e deixam as ovelhas famintas e indefesas.

Assim também, o kerenkismo político finge ignorar a raiz do problema hondurenho, as reiteradas ações inconstitucionais do destituído presidente Zelaya para chavizar Honduras com eleições populistas à margem da Constituição, as leis e o sistema eleitoral, que lhe permitiriam perpetuar-se no poder e impor o chamado “socialismo do século XXI”, que não é senão um sucedâneo do moribundo regime castro-comunista.

O recente informe da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA sobre Honduras, que acaba de visitar esse país, é o mais recente exemplo de uma longa sucessão de parcialidades, marcadas por dois indignantes pesos e medidas que afundam em um desprestígio moral maior ainda à OEA e os governos dos países que se prestam a essas manobras. Se os membros da CIDH reconhecem o destituído Zelaya como o legítimo presidente, isso é uma razão a mais para analisar com honestidade e imparcialidade não somente as alegadas violações de direitos do atual governo, como sobretudo para assinalar a causa do problema, que radica nas atitudes inconstitucionais de Zelaya, o verdadeiro e grande responsável pela encruzilhada na qual se encontra Honduras, assim como de maneira similar os ditadores Castro são os maiores responsáveis pela tragédia de Cuba.

Escrevo este artigo horas antes da chegada a Honduras de uma comissão de chanceleres e no momento em que a Corte Suprema de Justiça de Honduras emitiu um importante pronunciamento no qual se afirmam, dentre outros aspectos, que “a aplicação do plano de San José somente se pode fazer se apega-se à legislação nacional” e se adverte que os julgamentos iniciados por delitos contra a forma de governo, traição à pátria, abuso de autoridade e usurpação de funções devem se realizar porque, em caso contrário, “seria um autêntico contra-senso que a busca e a construção de acordos em um Estado de Direito se faça violentando ou deixando de lado a Constituição e as leis” (cf. "El Heraldo" (Tegucigalpa), 22 de agosto de 2009).

Da esq. para a dir.: Morales, Zelaya, Ortega, Chávez, Correa

O kerenkismo político e o kerenkismo eclesiástico formam neste momento, independentemente das intenções de seus protagonistas, os dois dentes de um mesmo alicate que se esgrime contra a causa da liberdade em Honduras e Cuba, porém também na Venezuela, Bolívia e Equador. Inclusive, o chamado “eixo do mal” somente conseguiu avançar na América Latina pela complacência e pelo apoio, às vezes implícito, às vezes explícito, do “eixo kerenkista” ou “eixo da moderação” dos Obamas, Insulzas, Arias e Lulas.

Alexander Fyodorovich Kerenski (1881-1970), um socialista “moderado”, ocupou o cargo de último Presidente da Rússia antes da revolução bolchevique de outubro de 1917, tendo preparado a tomada do poder por parte do comunismo com sua política de concessões e, segundo alguns historiadores, até de traições.



O espectro de Alexander Fyodorovich Kerenski parece ter voltado a rondar nas
Américas, por onde vaga periodicamente desde que se “encarnou” no presidente chileno Eduardo Frei Montalva, que pavimentou o caminho para o comunismo allendista e por isso passou para a História com a merecida pecha de “o Kerenski chileno” estampada indelevelmente em sua fronte. Tive ocasião de escrever um aspecto desse delicado problema em recente artigo “Kerenkismo obamista, Honduras e abismo chavista” (cf. "Diario Las Américas" (Miami", EUA), 24 de julho de 2009; "El Heraldo" (Tegucigalpa, Honduras), 23 de julho de 2009; "Destaque Internacional" (Internet), 21 de julho de 2009; texto reproduzido inclusive em lituano, com a ajuda de uma rede de voluntários, através de milhares de blogs, twitters, facebooks, orkuts e outras páginas web de mais de 30 países, especialmente do Brasil).

Porém, o espectro de Kerenski ronda em outros importantes governos e chancelarias das Américas, o qual, dependendo das circunstâncias, poderá chegar a ser motivo de próximos artigos-denúncia, todos os que sejam necessários, doa a quem doer, embora invariavelmente escritos de uma maneira respeitosa e documentada. Que a Providência ajude e fortaleça os defensores da liberdade em Honduras, em Cuba e no resto das Américas, porém, neste momento crucial, especialmente aos hondurenhos, dando-lhes o cêntuplo do espírito que deu a David em sua desigual luta contra Golias.
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(*) Armando Valladares, ex-preso político cubano, foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durante as administrações Reagan e Bush. Acaba de receber em Roma um importante prêmio de jornalismo por seus artigos em favor da liberdade em Cuba e no mundo inteiro.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sinais de crescente hostilidade anticristã no mundo

Helen Slatter (foto), enfermeira católica do Gloucestershire Royal Hospital, Grã-Bretanha, foi demitida pelo fato de levar uma correntinha com uma pequena cruz no pescoço –– noticiou o diário “The Daily Mail” de Londres. O pretexto foi que a correntinha podia espalhar infecções... Helen preferiu perder o emprego a renunciar à sua cruz. A abusiva proibição é mais um exemplo da crescente hostilidade contra os católicos no Ocidente. Essa perseguição emprega sofismas de fundo laico, mas na realidade sua verdadeira razão é anticristã.

Poder-se-ia incluir neste contexto o descabido alerta da FIFA (entidade mundial de futebol), enviado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo fato de os jogadores brasileiros comemorarem com a recitação do Pai Nosso (foto abaixo) a conquista da Copa das Confederações, na África do Sul.

É oportuno lembrar a política de dois pesos e duas medidas seguida pela FIFA: quando a equipe de um país muçulmano, após a vitória, rezou voltada para Mecca, a entidade não protestou, julgando aceitável a oração dos maometanos...

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Agência Boa Imprensa

Livrai-nos do mal


Pe. David Francisquini*

Concluímos hoje o comentário ao Pai Nosso que fizemos em artigos anteriores.

Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Nosso Senhor coloca como condição para Deus perdoar os nossos pecados que perdoemos aqueles que nos ofenderam. Prova disso: “Se tendes algo contra teu irmão, vai te reconciliar com ele primeiro e depois volta a fazer tua oblação”, disse o Divino Mestre.

Rezamos "nossas dívidas", pois é de estrita justiça que Deus seja reparado nesta vida ou na outra. Como um devedor tem o dever de pagar as dívidas contraídas com seu credor, assim devemos proceder em relação a Deus, confessando-nos, praticando boas obras, dando esmolas e fazendo penitência por nossos pecados.

Como podemos pedir a Deus que nos perdoe, se guardamos em nossos corações mágoas, ressentimentos, azedumes, ódios, espírito de vingança, inimizades, contendas, rivalidades contra o nosso próximo? Muitas almas se perderam por tais motivos. Deus deseja que tenhamos espírito de bondade e de perdão.

Não nos deixeis cair em tentação. Imploramos a Deus que não permita que sejamos tentados, ou que nos conceda a graça de não praticar o mal ou o pecado quando vier a tentação. Esta provém do demônio, das pessoas, dos ambientes ruins ou ainda de nossas próprias más inclinações e paixões desordenadas.

São esses os fatores que nos levam a transgredir a Lei de Deus, colocando nossa alma em perigo de cair no inferno. De si, a tentação não é um mal. O mal é consentir nela ou colocar-se voluntariamente numa ocasião próxima de tentação. “Vigiai e orai para não cairdes na tentação”, nos adverte Nosso Senhor.

“Não é contra a carne e o sangue que temos de lutar, mas contra as potestades e os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos que povoam os ares”, alerta São Paulo. E “resisti-lhes firmes na fé”, aconselha São Pedro. Assim procedendo, há o fortalecimento crescente da vontade e das virtudes, além da obtenção de méritos.
Com efeito, Deus prova os justos permitindo a tentação. A fidelidade dos bons floresce e se desenvolve na medida de sua constância e perseverança na resistência ao pecado. É de suma importância colocar-se sob a proteção da Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe: “Rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”.

"Mas livrai-nos do mal". Pedimos a Deus que nos livre dos males do passado, do presente e do futuro, especialmente do sumo mal que é o pecado e da condenação eterna que é o seu castigo. Ao dizermos ‘mal’ no singular e não no plural ‘males’ significa o seguinte: para não desejarmos a isenção de todos os males desta vida, mas sim daqueles que Deus considera que para nós é ‘mal’ concretamente, o qual nos afasta d’Ele.

É mais do que lícito pedir a Deus que nos livre de determinadas tribulações, doenças e outras misérias desta vida, mas sempre nos resignando à Sua vontade, caso sejamos submetidos a tais dificuldades. Pois se as tribulações forem da vontade de Deus para proveito de nossas almas, aceitemo-las com toda a resignação cristã. Quando bem recebidas, as tribulações nos levam a reparar nossas culpas e aumentar nossas virtudes. Ao trilharmos o caminho que nos compete neste “vale de lágrimas”, procurando imitar Nosso Senhor Jesus Cristo, chegaremos um dia ao Céu. E junto à corte celeste, gozando da visão beatífica, alcançaremos a felicidade completa por toda a eternidade.

O "amém" no fim do Pai Nosso significa: assim seja, assim desejo, assim peço ao Senhor, assim espero.
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* Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria –– Cardoso Moreira (RJ)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Pão nosso de cada dia...

Ostensório com o Santíssimo Sacramento


Pe. David Francisquini (*)

Ao rezarmos o Pai Nosso, surgem no espírito inúmeras passagens do Evangelho que nos fazem avaliar a sublimidade dessa oração, na qual está contida resumidamente a essência dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, o amor a Deus e o amor ao próximo.

É certo que ao rezá-lo, obtemos muitas graças desde que não o recitemos com precipitação, mas com toda atenção e acompanhando com o coração, além do recolhimento de alma. Em recente artigo, tratei das três primeiras petições do Pai Nosso. Hoje tratarei apenas da petição em epígrafe.

O pão nosso de cada dia nos daí hoje é a quarta petição. Pedimos a Deus o necessário para nossa alma e para o nosso corpo. Sendo a alma a parte mais importante de nosso ser, devemos primeiramente pedir os benefícios para a alma.

O homem é capaz de ter uma vida superior, que é a vida espiritual, cuja sustentação advém sobretudo dos sacramentos. Não conseguimos manter a vida sobrenatural sem o auxílio da graça de Deus. Não é só de pão que vive o homem, mas de toda a palavra que provém da boca de Deus.

Na Eucaristia, é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo que vem a nós em Corpo, Sangue, Alma e divindade. “Quem comer desse pão (Eucaristia) viverá eternamente; o pão que darei é minha carne para a vida do mundo”. Ao rezarmos o Pai Nosso pedimos ao bom Pai do Céu que não nos falte o pão da verdadeira doutrina e a Santíssima Eucaristia.

Como a vida espiritual é sustentada pela seiva divina de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso corpo é sustentado pelos elementos produzidos pela Terra. Pedimos a Deus que não nos falte o pão, que é o alimento, a vestimenta, a habitação, o remédio, o calor, a luz, a saúde, o bem-estar, o conforto, a prosperidade, a segurança, o emprego.

Dizemos o pão nosso, para com isso excluirmos aquilo que não nos cabe, como as coisas alheias e bens adquiridos de maneira ilícita ou fraudulentamente. Aqui se encaixa o mandamento que nos proíbe o roubo, o furto e até a cobiça das coisas alheias.

Nosso Senhor afirma o princípio da propriedade, como a doutrina social da Igreja sempre ensinou, contrariando a luta de classes, o socialismo e tantos movimentos ditos sociais. Dai-nos, para indicar que esses bens nós devemos desejar não só visando nossa pessoa, mas a toda a família humana.

Se Ele nos der a propriedade com abundância, usemos dela com a virtude da caridade, olhando para os mais necessitados. E também visando auxiliar a casa de Deus, pois assim como Salomão ornou o Templo com ouro, prata, bronze e madeiras finas, assim também nossas igrejas devem ser enriquecidas para homenagem e glória do Criador de todas as riquezas.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje, a fim de que desejemos o necessário para a vida e não fiquemos estressados — para usar a expressão usual — com vistas à conquista das riquezas. Como disse Nosso Senhor, a cada dia basta sua aflição. Considero este conselho muito salutar para a cura de tantos males nervosos e psíquicos que grassam na sociedade moderna.

Devemos pedir o que precisamos no presente, sem nos deixar levar pela aflição de espírito com a conquista de bens futuros. Os bens de que não se sabe adquirir e usar com sabedoria só servem para nos causar dor e aflição de espírito.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria –– Cardoso Moreira (RJ)

Socialismo leva chineses ao desespero e ao suicídio

A cada dois minutos um chinês comete suicídio, informou a agência France-Presse. É um dos muitos preços pagos para a realização da utopia comunista. Os antigos clãs familiares foram desfeitos, e a solidão submete os indivíduos a graus de stress formidáveis. Os hospitais psiquiátricos estão lotados. Há entre 250.000 e 300.000 suicídios por ano — 25% do total mundial. É o único país do mundo em que o número de mulheres que se suicidam é maior que o dos homens: 58% do total nacional de suicídios são femininos. É também fora do comum que haja mais suicídios no campo do que nas cidades chinesas. O psicólogo Zhu Wanli, de Chongqing, explica: “Aqui não é como no Ocidente, onde a maioria professa uma fé religiosa. A maioria das pessoas aqui não tem religião alguma, especialmente os mais jovens”. A ausência de religião é um dos efeitos catastróficos do socialismo igualitário e materialista.
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Agência Boa Imprensa

Estados esquerdistas americanos limitam mais as liberdades

Estudo publicado pelo Mercatus Center, da Universidade George Mason, indica que os estados americanos mais esquerdistas (liberals) são os que mais cerceiam as liberdades individuais e econômicas. Os estados mais conservadores preenchem os primeiros dez lugares em matéria de liberdades. Na pior pontuação encontra-se o estado de Nova York, que cobra os mais altos impostos do país, especialmente sobre a propriedade e a renda. O custo dos serviços sociais e a quantidade de empregados públicos superam com folga a média nacional; a dívida pública estadual bate recordes; as leis de desarmamento são extremamente restritivas, mas o uso da maconha é facilitado; os motoristas são pesadamente controlados, mas jogatinas dos mais variados tipos são permitidas; restrições ao homeschooling (escola em casa) são esmagadoras; e os controles sobre os planos de saúde são asfixiantes. O estado limita a entrada dos cidadãos na política, mas não controla os sindicatos.
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Agência Boa Imprensa

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Kerenskismo obamista — Honduras e abismo chavista

Assim como o presidente Eduardo Frei Montalva passou para a História como o Kerensky chileno, por pavimentar o caminho para o socialista Allende, assim também o presidente Obama corre o risco de se tornar o Kerensky das Américas, caso empurre Honduras para o abismo chavista.
Armando Valladares (*)

Quando ocorreu a destituição do presidente hondurenho Zelaya, por ordem da Suprema Corte desse país e o apoio majoritário do Congresso, Honduras caminhava a passos rápidos rumo a uma ditadura chavista, passando por cima da Constituição e das leis. Além de seu mais alto órgão judicial, as mais importantes figuras políticas e religiosas de Honduras estavam alertando para o risco chavista.

Não obstante, nem o presidente Obama, nem o secretário geral da OEA — o socialista chileno Insulza —, nem o “moderado” presidente do Brasil, Lula da Silva, e nem sequer, que nos conste, qualquer outro presidente latino-americano disse uma palavra a respeito. Alegava-se a autodeterminação, a necessidade do diálogo, o respeito dos processos políticos internos, etc.

Zelaya e Lula

Todas essas personalidades políticas tiveram oportunidade de falar em favor da liberdade de Honduras, mas, como Pilatos, preferiram lavar as mãos. Menciono as duas mais notórias.

A primeira foi a Cúpula das Américas, em Trinidad Tobago, próxima de Honduras, durante a qual o presidente Obama, com seu estilo neo-kerenkista, se desfez em sorrisos com o presidente-ditador Chávez, flertou com o próprio Zelaya [foto] e com outros presidentes populistas-indigenistas como o equatoriano Correa e o boliviano Morales, prestigiou o “moderado” Lula e anunciou que estava disposto a dialogar e estabelecer um “novo começo” com a sanguinária ditadura castrista.

A segunda foi a Assembléia Geral da OEA — por uma ironia da História realizada na própria Honduras —, na qual, com a aprovação do governo Obama, se absolveu a ditadura castrista e se lhe abriram as portas para que pudesse retornar ao referido organismo internacional.

Diante de seus narizes e dos próprios olhos, os chanceleres dos governos das Américas puderam sentir e ver a grave situação interna de Honduras, mas preferiram lavar as mãos como Pilatos.

Quando se deu a destituição do presidente Zelaya, ordenada pela Suprema Corte hondurenha com base em preceitos constitucionais que impedem a reeleição de um presidente, aí sim, rasgaram-se as vestes, iniciando-se um dos maiores berreiros de esquerdistas e “moderados úteis” da História contemporânea, com verdadeiro linchamento de um pequeno país que decidiu resistir a essas pressões. Um pequeno país que se agigantou espiritualmente, inspirado na expressão de São Paulo, esperando “contra toda esperança” humana, mas aguardando tudo da Providência e fazendo lembrar, para quem vê com apreensão o drama hondurenho, a figura bíblica de David contra Golias.

No momento em que escrevo estas linhas o deposto presidente Zelaya ameaça retornar a Honduras, com o que, segundo advertência do Cardeal desse país, tornar-se-á responsável pelo sangre fratricida que possa correr. Diante da resistência hondurenha, até o presidente-ditador Chávez olha para o presidente Obama na esperança de que este a quebre.

Também neste momento noticia-se que a secretária de Estado Hillay Clinton acaba de telefonar ao presidente interino de Honduras para, segundo versões, dar-lhe um ultimato. A mesma secretária Clinton que em Honduras, durante recente reunião da OEA, aprovou a absolvição da sanguinária ditadura castrista; a mesma que, juntamente com o presidente Obama, está disposta a dialogar com o governo pró-terrorista do Irã; ela, que abre os braços aos comunistas cubanos, que se reúne e ri com o presidente-ditador Chávez, dá um chega-prá-lá na delegação civil hondurenha que foi a Washington simplesmente para explicar sua versão dos fatos.

Raul Castro, Zelaya e Chávez

Como já foi lembrado, o Cardeal de Honduras advertiu o deposto presidente Zelaya de que este será responsável pelo banho de sangue que possa ocorrer, caso force seu regresso ao país.

De minha parte, enquanto ex-preso político cubano durante 22 anos nas masmorras castristas, embaixador dos Estados Unidos por vários anos junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU, e como simples cidadão das Américas, tenho a certeza de que assim como o presidente Eduardo Frei Montalva passou para a História como o Kerensky chileno, por pavimentar o caminho ao socialista Allende, assim também o presidente Obama corre o risco de se tornar o Kerensky das Américas, caso contribua para empurrar Honduras rumo ao abismo chavista.

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(*) Armando Valladares, ex-preso político cubano, foi embaixador dos Estados Unidos em Genebra ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU durante as administrações Reagan y Bush. Acaba de receber em Roma um importante prêmio de jornalismo por seus artigos em favor da liberdade em Cuba e no mundo inteiro.
E-mail: armandovalladares2006@yahoo.es

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mestre, ensina-nos a rezar!

Pe. David Francisquini (*)

Os apóstolos, em certa ocasião, dirigiram-se a Nosso Senhor Jesus Cristo e Lhe pediram: “Mestre, ensinai-nos a rezar”. E Ele lhes ditou a oração do Pai Nosso. Não há oração mais bela, mais eficaz, mais agradável a Deus, mais rica em significado e com mais profundidade de conteúdo do que o Pai Nosso.

Com efeito, são inesgotáveis os pensamentos, as idéias ou os comentários que se possam tecer a respeito dessa singular prece. Chamada também oração dominical, pois provém da palavra latina dominus, que significa senhor, ela brotou dos sagrados lábios do nosso Salvador e Redentor.

Dentro do exíguo espaço de um artigo, é tarefa impossível discorrer sobre os ensinamentos contidos no Pai Nosso. Por isso, tratarei hoje de uma parte, deixando a outra para uma próxima ocasião.

Como é sabido, o Pai Nosso contém sete petições: as quatro primeiras pedem o bem, e as outras três, que sejamos livres do mal.

Começamos por invocar a Deus como ‘Pai nosso’ — e não ‘pai meu’, pois somos filhos do mesmo Pai, e, portanto, irmãos, obrigando-nos a rezar uns pelos outros. ‘Que estais no Céu’ — indica que Deus se manifesta em sua glória. Com isso, habituamo-nos a pensar em Deus, que um dia veremos face a face na bem-aventurança eterna.

  • 1ª petição: “Santificado seja o vosso nome”. Ela nos convida a pedir que Deus seja conhecido, honrado e servido por todos os homens, inclusive cada um de nós. Ao mesmo tempo, pedimos que os infiéis sejam batizados, os hereges se convertam e voltem ao seio da Santa Igreja, os cismáticos se reagrupem em torno da Igreja, os pecadores se convertam e os justos sejam perseverantes no bem.

  • 2ª petição: “Venha a nós o vosso reino”. Entendemos um tríplice reino espiritual, primeiramente em nós, com sua graça santificante e pelas virtudes teologais da fé, esperança e caridade, reinando sobre nossa inteligência, nosso coração e nossa vontade.
    Depois o reino de Deus na Terra, ou seja, que a Santa Igreja Católica se dilate cada vez mais e se propague pelo mundo inteiro para a eterna salvação do gênero humano e glória de Deus. Em seguida, o reino nos Céus, ou seja, para que um dia possamos ser admitidos na corte celestial, onde seremos plenamente felizes.

  • 3ª petição: “Seja feita vossa vontade, assim na Terra como no Céu”. Move-nos à obediência pronta e amorosa aos Mandamentos de Deus, como os anjos e santos no Céu. Pedimos ainda a correspondência a todas as luzes e graças divinas e de vivermos resignados com a vontade de Deus.

Isto é tão evidente que fazer a vontade de Deus é procurar conseguir a salvação eterna, pois ninguém entrará no Reino dos Céus se não tiver feito a vontade do Pai. A vontade de Deus está consignada nos seus Mandamentos, nos preceitos da Igreja e nos superiores colocados por Deus para nos guiar no caminho da salvação.

Nada daquilo que costumamos chamar mal acontece sem a permissão de Deus, que sabe tirar o bem do mal, e por isso o permite. Devemos ver em todos os acontecimentos bons e maus um desígnio de Deus, visando nossa salvação eterna.
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(*) Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria –– Cardoso Moreira (RJ)

Índia recusa educação sexual com métodos da UNICEF

O senado da Índia recusou a aplicação de programas ocidentais de educação sexual nas escolas, argumentando que só exacerbam as gravidezes prematuras e incitam à promiscuidade sexual, informou “LifeSiteNews”. ONGs ocidentais queriam impor a educação sexual nas escolas com material imoral da UNICEF, órgão ligado à ONU. Para o senado hindu, caso fosse aplicado o programa proposto, ele “corromperia a juventude indiana e levaria ao colapso o sistema educacional”. Tal programa não é senão uma incitação à “educação para usar preservativos” que produz uma “sociedade imoral” e aumenta o número de famílias monoparentais, acrescenta a nota do senado. Com relação à Aids, o professor Pratibha Naitthani declarou ao comitê do senado encarregado de elaborar o relatório que “nada é mais seguro do que a abstinência até o casamento”.
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Agência Boa Imprensa

Doentes mentais trabalhavam como escravos na China

Mais dez empresários chineses foram presos por maltratar e escravizar doentes mentais em fábricas de tijolos do leste da China (foto), informou a agência oficial marxista “Xinhua”. O fato não é novo, é até corriqueiro, ocorrendo sob o olhar cúmplice das autoridades. A escravidão é um fato oficial e atinge milhões em fábricas-prisão, campos de reeducação pelo socialismo e até fábricas oficiais que trabalham para firmas ocidentais. O caso veio à tona quando as famílias denunciaram pela Internet que seus filhos foram seqüestrados e vendidos como escravos em Shanxi. Hoje o governo socialista se empenha para que denúncias dessas não apareçam mais na Internet.

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Agência Boa Imprensa

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Onde está a felicidade?

Pe. David Francisquini (*)

Após termos meditado sobre a paixão e morte de Cristo durante a Semana Santa, é normal que gozemos de justa paz interior advinda das múltiplas celebrações litúrgicas. Tal paz é o reflexo da boa ordem infundida por Deus nos corações depois de uma confissão bem feita, de ter rezado e recebido Nosso Senhor na Eucaristia, acompanhado as procissões e convivido com cerimônias religiosas ricas em significados.

Não precisa muito discernimento para perceber nas pessoas que assistiram às cerimônias quanto mais sensíveis e abertas elas ficam para o sobrenatural e a vida cristã. As fisionomias recobram louçania, fruto da alegria advinda da liturgia da Igreja, quando bem celebrada. Mas de onde vêm esta felicidade e esta alegria a ponto de se desejar ao próximo uma santa e feliz Páscoa?
A palavra religião vem do latim religare, isto é, ela nos liga a Deus, fonte de toda alegria e de toda felicidade. Portanto, elas procedem de Deus, uma vez que A Igreja Católica Apostólica Romana, fundada e instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, tem os meios para nos comunicar a graça divina, o caminho para se chegar a Deus, a doutrina e os ensinamentos, os quais devemos acatar e acreditar.

Para ser feliz, é preciso estar na amizade de Deus. É preciso ser cristão, ser batizado, crer e professar a doutrina de Jesus Cristo, freqüentar os sacramentos, especialmente os da Confissão e da Comunhão, assistir às santas missas nos domingos e dias de festas. É preciso também o matrimônio religioso e não apenas a união civil, que consiste em viver em concubinato. É preciso praticar o bem e evitar o mal. O pecado é uma desobediência aos Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja.

Para não pecar contra Deus, contra o próximo e contra si mesmo é indispensável a oração. “Quem reza se salva, quem não reza se condena”, disse Santo Afonso Maria de Ligório. Nosso Senhor nos manda amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. E os autores de boa doutrina aconselham a ter uma entranhada devoção a Virgem Maria, para assim conseguir a graça de Deus e a salvação eterna.

Jesus Cristo nos veio por meio de Maria e é por meio d’Ela que devemos também ir a Ele. A Mãe cheia de misericórdia não permitirá, com sua poderosa intercessão, que caiamos na desgraça do inferno, lugar onde os condenados sofrem a ausência de Deus e são queimados por um fogo inextinguível. Concorrerá Ela empenhadamente para ganharmos o Céu, onde os justos e os anjos contemplam a Deus na felicidade eterna.

Ninguém ama aquilo que não conhece. Assim, é preciso que o verdadeiro cristão procure estudar a doutrina católica, é preciso tomar conhecimento das verdades ensinadas pela Santa Igreja. Caso contrário, a sociedade mergulhará ainda mais na crise religiosa e moral, encharcada que está em pecados de toda ordem, como, por exemplo, o roubo, o adultério, o homicídio, a impureza e os maus costumes. Se quiser ser feliz, procure ser amigo de Deus, fonte de todo o bem. Não procure a felicidade nas miragens que o mundo oferece.
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(*) Sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria –– Cardoso Moreira (RJ)

Mosteiro inglês que revive tradições atrai vocações

Em Cornwall, Inglaterra, instalou-se nova ordem contemplativa: a das Irmãs Franciscanas da Imaculada (foto), noticiou “The Telegraph”. Elas ocuparam o antigo convento de Lanherne, abandonado pelas carmelitas. Trata-se do primeiro instituto feminino que adotou oficialmente o rito litúrgico tradicional, em latim, com a aprovação de Roma. Também foi aberta uma casa para o ramo masculino em análogas condições. A abertura de uma casa de contemplativas com disciplina, austeridade, observância litúrgica tradicional e muitas novas vocações trouxe vigoroso ânimo aos católicos ingleses, após décadas de desanimadoras notícias de mosteiros que fecham suas portas, que permanecem sem novas vocações, que abrigam escândalos, ou que disseminam tibieza.

Agência Boa Imprensa

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Retorno de aulas em latim em Nova York

O diário “The New York Times” e a revista “U.S. News & World Report” noticiaram uma avançada tendência nas escolas de nível médio e secundário americanas: aulas de latim (foto).

A tendência cresceu nas últimas duas décadas na Igreja Católica, especialmente entre jovens sacerdotes, seminaristas e leigos. Grande número deles se entusiasma lendo, ouvindo, cantando e assistindo à liturgia em latim. Grupos organizados aprofundam o canto gregoriano e o estudo da gramática latina.

Um segmento importante dos jovens voltou-se para a Tradição do catolicismo, a adoração eucarística e o canto gregoriano –– comentou o site The Catholic Thing. É auspicioso esse interesse pela língua oficial da Igreja, genuína transmissora do esplendor da fé católica.

UE proíbe palavras correntes que discriminam o gênero

A União Européia (UE) aboliu o uso de palavras como “Senhor” ou “Senhora”, sob pretexto de combater o “machismo” –– informou o diário inglês “The Daily Mail”. Os burocratas de Bruxelas proibiram também as expressões inglesas sportsman (esportista), statesman (estadista), man-made (feito pelo homem), fireman (bombeiro), policeman (policial) entre outras, pelo fato de serem compostas com man (homem), fato que as tornaria eivadas de “discriminação” e “sexismo”. Os equivalentes em francês (Madame e Mademoiselle), alemão (Frau e Fraulein), espanhol (Señora e Señorita), etc., também foram banidos. A chefia da UE criou um opúsculo para conter todas as transformações. A decisão só se aplica aos órgãos da UE. Porém, foi encaminhada ao Parlamento Europeu (foto), na expectativa de que este a transforme em “lei” européia. A tal extremo chega a antidiscriminação, que na realidade é uma super-discriminação...

Aborto, droga e socialismo dizimam população russa

Mais de 2,5 milhões de russos com idades entre 18 e 39 anos são usuários de drogas ilegais, reconheceu Viktor Ivanov, chefe do serviço russo para o controle federal da droga. 140.000 menores estão em centros de recuperação para drogados, noticiou a agência russa “Novosti”. Segundo Ivanov, quase 30.000 russos morrem anualmente por excesso de droga. Só em 2008 foram apreendidas 38 toneladas de narcóticos, e cerca de 7.000 narcotraficantes foram presos ou mortos. Entretanto, a repressão policial é insuficiente. É necessária uma reforma moral profunda do povo, degradado por décadas de regime comunista. E isso só se obtém com a prática da Religião verdadeira, a católica. Entretanto, o governo russo de hoje, como na época do bolchevismo, empenha-se em persegui-la e eliminá-la.

domingo, 14 de junho de 2009

Renascimento de tradições em Detroit e Québec

Para o diário “The Detroit News”, cada vez mais católicos voltam-se para as tradições religiosas. Seja em Nova York ou em Québec (Canadá), eles procuram as indulgências que resgatam a pena devida pelos pecados. Também fazem cada vez mais peregrinações a santuários de Nossa Senhora, de santos, e adotam formas tradicionais de culto, incluindo a Missa em latim e a adoração do Santíssimo Sacramento. Sacerdotes e seminaristas estão voltando a usar batina e submetem-se a antigas normas de disciplina eclesiástica. O “The Detroit News” comenta o desafio que essa nova tendência significa para a modernidade inaugurada pelo Vaticano II há 45 anos. A arquidiocese de Detroit aprovou 14 horários de Missas no rito dito de São Pio V, rezado em latim. A maioria dos que participam da nova tendência contam entre 30 e 40 anos de idade.
(foto acima: Missa no rito São Pio V, na Igreja de Saint Josaphat, Detroit)
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Agência Boa Imprensa

Confirmado que preservativos não diminuem a AIDS

Edward C. Green (foto), diretor do AIDS Prevention Research Project do Harvard Center for Population and Development Studies, declarou que a evidência confirma que Bento XVI estava certo ao dizer que a distribuição de preservativos piora o problema da AIDS. Segundo a agência “Zenit”, os bispos camaroneses qualificaram de “desinformação” o procedimento de “certos meios de imprensa ocidentais” favoráveis ao preservativo. Também se pronunciaram nesse sentido os bispos diocesanos de Dakar, Gitega (Burundi) e Kinshasa (Congo). Os prelados da Índia, segundo LifeSiteNews, reafirmaram que esse recurso antinatural aumenta o risco de contrair a doença e qualificaram a mídia ocidental de insensata e irresponsável. Apesar desses taxativos desmentidos, a mídia, políticos, grupos homossexuais, laicistas e socialistas continuam afirmando que agem em favor dos pobres da África, insistindo no mesmo realejo anticatólico. Denigrem a Santa Igreja e seus preceitos morais, única tábua de salvação face à devastação produzida pela AIDS.
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Agência Boa Imprensa


segunda-feira, 8 de junho de 2009

“Discriminação” de cunho ideológico


Roger Vargas (*)
A propósito de um artigo da “Folha de São Paulo”, de 27 abril, sobre a discriminação e as cotas para estudantes universitários, veio-me uma recordação saudosa da época em que não havia quotas raciais nas universidades...

Discriminação é um termo que significa apenas ato de distinguir, separar, apartar. Porém, a palavra discriminação, como é entendida hoje em dia, tomou um sentido acentuadamente ideológico.

Não muito tempo atrás, recordo-me que quando pedíamos –– “Pode me dar uma nota discriminada?” –– isso significava tão somente classificar nela os produtos comprados.
Infelizmente, a significação da palavra mudou, e discriminação com sentido ideológico está atingindo, pouco a pouco, todos os setores da sociedade. No ensino, ela encontrou seu caminho através do sistema de cotas que obriga, por lei, ser reservada uma quantia de vagas nas universidades a alunos considerados “discriminados”.

Baseando-se no modelo de tribunais da Revolução Francesa, o candidato é entrevistado “por uma comissão que inclui professores, técnicos da universidade, estudantes e ativistas de organizações pró-direito dos negros: um autêntico e estapafúrdio tribunal racial”, comenta a “Folha”. Em tal entrevista, são feitas perguntas por essa “banca racial”. Dentre elas, a indagação se a pessoa alguma vez já se declarou negra ou parda, ou mesmo se já foi vítima de preconceito.

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, uma caloura que afirmara nunca ter sofrido discriminação foi desqualificada pela comissão, por causa dessa afirmação!

Também na Universidade Federal de São Carlos (SP), segundo o matutino paulista, 25% dos alunos que haviam sido aprovados no vestibular por tal sistema tiveram suas matrículas canceladas, após serem questionados pela “banca racial”. E é clamoroso o fato de dois gêmeos univitelinos na UnB de Brasília, onde esse tipo de banca considerou um deles negro e o outro não...

Com a adoção de critério tão absurdo, quem é prejudicado? O próprio negro que, mais cedo ou mais tarde, não se orgulhará de não ter conquistado uma vaga por seu próprio esforço, mas sim por ter sido considerado “discriminado”...

E quem sai lucrando com tal situação? Os movimentos de esquerda que, cada vez mais vão incrementando no Brasil o espírito de revolta. Uma vez que falharam em seu intuito de levar o povo brasileiro à luta de classes, agora tentam induzi-lo à luta das raças. Num País universalmente reconhecido como modelo de miscigenação e de harmonia racial!

A pergunta que resta: até quando a opinião pública brasileira resistirá a esse ataque à ordem e à harmonia de raças vigentes? Quantos inocentes serão perseguidos ou mesmo encarcerados até que as normas da verdadeira justiça e o bom senso do povo brasileiro eliminem a tentativa de implantar maciçamente tal “discriminação” e a luta de raças em nosso País?
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(*) Roger Vargas é colaborador da ABIM